Bora ler o penúltimo capítulo?
Boa leitura!
CAPÍTULO
36:
É VOCÊ
Ele me drogou, acordei com a boca seca e a cabeça pesada, eu apenas me lembro de ter visto ele se aproximar e colocado algo a força na minha boca, um liquido ruim e amargo, talvez seja esse o gosto que ruim que impregna na minha língua.
Estou sendo sacudida de um lado para o outro, e esta tudo escuro, onde eu estou? Ou melhor para onde estou indo?
Acho que vou vomitar por culpa desse sacolejar todo, mas estou fraca demais e sinto que vou desmaiar novamente, tudo começa a girar e...
-
Acordo melhor, mas ainda sinto um amargo na boca e a cabeça dói, mas estou mais desperta, o sacolejar parou, onde eu estou? Observo atentamente e sinto um frio, mas não estamos no verão? Não naquele lugar, eu estou presa num frigorifico, vejo algumas carnes de porco presas sobre ganchos, outras em sacadas, mas algo me chama a atenção, num desses ganchos, a carne era escura, parecia estar usando jeans. Gente vestiram a carne do porco?
Ah pare de besteira Elise, olhe direito é um homem, sim é um homem, eu até reconheço os traços, os cabelos, e me espanto com quem vejo:
- CAIQUE!
Calo-me pois temia chamar a atenção de Afonso, vai que ele me escute e venha me drogar novamente, mas isso não importa, meu irmão estava ali, amarrado por correntes e preso sobre os ganchos, seu rosto exibia um largo e grande hematoma de cor amarelada, acho que a tortura feita nele já durou alguns dias? Mas por que ele esta ali?
Vou me arrastando pelo frigorifico, e sinto mais frio, minhas pernas estão geladas, e minhas mãos estão com as pontas dos dedos roxas, eu precisava salvar meu irmão, se ele não acordar, ele pode morrer.
- Caique acorde... Vamos reaja.
Aos poucos eu vejo ele abrir os olhos, que alívio:
- Caique sou eu Elise.
- E... Li...Se?
Gente ele esta muito mais dopado que eu.
- O que você faz aqui?
- Eu... Nosso... Pai...
- Ta, fique calmo, eu vou pensar num jeito de nos tirar daqui, só não sei como!
Olho para todos os lados, e fico a procurar alguma coisa que me traga uma luz, algo para poder soltar Caique, e poder reanima-lo, mas o que eu poderia encontrar num frigorifico fora carne e salsichas congeladas?
Nessas horas não me aparece uma dinamite, se fosse um filme do Silvestre Stallone com toda certeza apareceria uma bomba nuclear, mas isso aqui não é um filme, é a realidade, e se eu não pensar logo, meu irmão e eu estaremos numa fria, literalmente falando.
-
Já não sei que horas são, ou onde estou, só sei que não consigo tirar Caique daquele gancho, ao menos ele havia recuperado um pouco da consciência e já não ficava gaguejando:
- Como esta se sentido?
- Como se eu estivesse preso num frigorifico e você?
- Bobo, estou falando da zonzeira, você não falava coisa com coisa.
- Estou melhor Elise.
Ficamos mudos, fazia tempo que não falava com ele, e não sabia o que dizer, e também o que se pode falar na nossa atual situação?
- Me desculpe Elise, tudo isso é culpa minha.
Palavras sábias.
- Por que você diz isso?
- Foi eu quem procurou o pai, e foi eu quem passou o seu endereço e tudo mais, eu matinha contato com Caio e ele me atualizava sobre tudo, até sobre a Lisa, fui eu quem a buscou na escola, e a deixou com o pai, eu causei tudo isso.
Em poucas palavras ele resumiu o que ele havia feito, ou seja, tinha sito um otário e agora estava pagando pelos seus erros, justo:
- E você veio parar aqui por quê?
- Por que ele queria te sequestrar, te fazer transferir todo o seu dinheiro, e depois descarta-la, e eu não concordei com nada disso, já não gostava dele ficar extorquindo dinheiro seu, tentei impedi-lo algumas vezes, mas ele me batia, e me trancava aqui.
Puxa vida, ele sofreu muito nas mãos de Afonso, mesmo ele sendo um mau caráter, ainda sim era meu irmão, eu tinha que ajuda-lo.
- Eu vou dar um jeito de tira-lo daí.
- Não precisa Elise, você tem que se salvar, esse é o mínimo que tenho que fazer depois de todo o mal que lhe causei.
Fiquei sem palavras, eu não poderia aceitar escapar e deixar Caique ali, não mesmo, eu era a irmã mais velha, eu tinha que protegê-lo:
- Só me diga como faço para tirar você daí.
- Não da, ele prendeu esse gancho com um cadeado, e meus pulsos estão presos com algemas, só vou sair daqui se alguém me pegar no colo e me tirar.
- Eu vou te tirar daí, eu... Só preciso de um pouco de força.
Tento me levantar, mas não sinto as pernas, droga, eu tenho que salvar meu irmão, não posso deixa-lo ali, ele já se arrependeu do que fez, isso não é justo com ele. Nunca havíamos brigado antes, e se isso acontecesse era só um pedir desculpas para o outro.
Não vou deixa-lo, não vou abandona-lo, firmo bem as pernas, eu sinto que agora eu posso, e eu vou conseguir, ganho equilíbrio, é agora, vou salvar Caique, finalmente depois de meses, eu fico em pé, me seguro em suas pernas, mas estou em pé, agora eu só precisava tirar ele, só mais um pouco, um pouquinho...
- Vai Elise, eu acredito em você... Esta dando certo... Vaaaaaaiiiii...
Consigo levanta-lo um pouco, mas o suficiente para Caique mexer os braços, se libertar do gancho preso e cair por cima de mim.
Eu estava ofegante, mas feliz, eu me levantei, fiquei em pé, não acredito nisso, deixe até eu contar para o Jorge:
- Eu te machuquei irmã?
- Não... E você esta machucado?
- Da queda não.
- Bobo.
Nos abraçamos, era bom ter meu irmão de volta:
- Ah que momento lindo entre irmãos.
Olhamos assustados para a entrada do frigorifico, Afonso esta ali de pé e nos encarava com aquele maldito sorriso:
- Bem acho que podemos tratar de negócios agora não é filhinha.
-
Afonso começou a se aproximar,eu já não tinha mais forças, era o nosso fim, Caique estava fraco ainda por conta da droga, não tínhamos como escapar, mas ao menos eu tinha meu irmão de volta, se fosse para morrer, morreria sem ter remorsos, tenho uma filha linda, uma mãe espetacular, dois irmãos incríveis, uma amiga de verdade, isso me bastava, eu conquistei o melhor de mim.Então venha Afonso, eu estou pronta para você.
Encaro o homem a minha frente, não era hora mais para temer, eu aceitei o meu destino, e era estar ali, frente a frente com o meu pior pesadelo, então fecho os olhos e escuto sirenes... Sirenes?
- AFONSO APAREÇA O CAMINHÃO ESTA CERCADO.
Gente do céu um milagre, eu não acredito nisso.
- Maldita, você contou para alguém sobre o nosso paradeiro?
Realmente eu havia contado, deixei o endereço com Cindi, ela sempre faz um bom trabalho, mas se eu não me engano já não estávamos mais no casebre no meio do nada, como será que nos descobriram?
- APAREÇA AFONSO!
Irritado por ver seus planos irem por água abaixo, ele resolve agir de forma desesperada, no canto do frigorifico, atrás de um dos porco havia um facão, gente de onde surge essas coisas?
Afonso me pegou pelo pescoço e me levou até a porta do frigorifico onde ele abriu uma pequena abertura para mostrar que tinha reféns:
- FILHA.
- MÃE...
Minha mãe estava ali, meu Deus, ela estava bem, nunca me senti tão feliz por vê-la, só nesse momento eu pude perceber que estávamos no meio do nada, era uma estrada de terra, com mato por todos os lados, nada de cidade, havíamos sim percorrido três ou quatro quilômetros, acho que ele deixou rastros pelo caminho, somente assim para encontra-lo:
- PARE DE GRITAR.
- Afonso se entregue, esse caminhão esta cercado, e a sua cúmplice já esta presa.
Olho para uma das viaturas e vejo a mulher chorando, talvez ela tenha sido uma vitima da circunstancias, mas tinha que arcar com seus erros:
- Só a solto se me garantirem a minha liberdade.
- Homem se entregue não há para onde você fugir.
Fiquei mais tensa, pois senti o facão pressionar ainda mais o meu pescoço, ele sabia que não tinha para onde fugir:
- Se não vou fugir, você também não vai, adeus minha filha.
Olhei para frente espantada, era o meu fim, vi cada um que estava ali, Ludimila e Caio estavam presentes, ambos de mãos dadas e aflitos, Heitor suava frio junto de Cindi, minha mãe já estava toda descabelada e chorando, e ao fundo eu vi ele, Jorge, até ele estava ali, puxa vida, morreria sem ao menos dizer que gostava dele, acho que esse poderia ser meu ultimo ato, uma ultima fala:
- JORGE É VOCÊ DE QUEM EU GOSTO...
O facão se afasta momentaneamente e logo vem direção ao meu peito, mas ainda pude escutar ao longe voz:
- É VOCÊ...
Apago nesse momento.
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