quinta-feira, 4 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 13

Bom dia pessoal, chegando no horário de sempre novo capitulo para vocês.
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 13:
UM PASSO DE CADA VEZ
               


Finalmente segui para casa, voltamos com o Carlão, isso deixou minha mãe um pouco mais animada, o que sei é que não tivemos mais notícia de Caique. Certifiquei-me de que ele realmente tinha ido embora, a sua antiga mesa estava vazia, tenho ciência de que ele mereceu aquilo, mas o dia ainda não acabou, precisava falar com Ludimila, quero contar a novidade sobre o patrocinador que havíamos conseguido. Isso é estranho de dizer, dar mérito a mais de uma pessoa se o trabalho foi todo meu, acho que aprendi a dar valor às pessoas e ao trabalho em equipe. 

Entramos no condomínio e logo vi o carro de Ludimila parado em frente a sua casa, fiquei radiante e eufórica ao vê-la, queria muito contar sobre a novidade. Já até imaginei a cara de felicidade dela ao receber a noticia, talvez até ela faria a tal dança do saci, o que não me espanta mais. 

Assim que Carlão me colocou na cadeira, fui em disparada para a casa de Ludimila, e a encontrei de frente para sua porta: 

- Ludi tenho novidades. 

Foi ai que tive uma surpresa, Ludimila estava chorando, o que será que aconteceu? Senti uma raiva surgir dentro de mim, não queria pensar na hipótese de alguém ter feito algum tipo de mal para minha amiga, só de imaginar já queria sair correndo, bem correndo não dava ainda, mas... Ah deu para entender né: 

- O que houve Ludi? 

- Ai Elise, uma tragédia, literalmente uma tragédia? 

- Calma amiga... Fizeram algum mau a você? 

- Não? 

- Foi com o Heitor? – Por que eu tive que falar nele? 

- Não. 

- Com a ONG? 

- Não. 

- Então com quem aconteceu e o que aconteceu? 

- Foi com a Lisa! 

Senti o chão desabar sobre meus pés, o mundo deu três voltas, tenho que dizer que agradeci por estar na cadeira de rodas, pois senti uma náusea violenta, minhas mãos começaram a suar, acho que empalideci, pois Ludimila se pois a minha frente sem hesitar: 

- Elise, por favor, fale comigo, você esta branca que nem uma ambulância? 

Numa situação dessa quem iria lembrar que uma ambulância era branca, enfim, sacudi a cabeça tentando recuperar um pouco dos sentidos. Minha pequena Lisa, o que aconteceu com ela, eu não posso acreditar que algum de ruim aconteceu a ela: 

- O... Que... 

- Calma Elise, você esta bem? 

- Bem? Você me diz que algo aconteceu com a Lisa e ainda pergunta se estou bem? 

- Calma, não foi literalmente com ela, mas tem envolvimento com ela. 

- Ludimila, o que raios aconteceu então? 

- A avó de Lisa, ela faleceu! 

Senti alivio e tristeza, alivio por saber que minha pequena Lisa estava bem, mas tristeza por saber que a garota havia perdido a única parente viva... Espera aí... Única parente, o que ia acontecer com ela? 

- Ludi o que vai ser da Lisa agora? 

- Não sei Elise, estamos indo para o velório agora, sei que a Lisa vai ficar na casa de uma vizinha, mas parece que o conselho tutelar irá busca-la amanhã. 

- Eu vou com você. 

- Mas você acabou de chegar. 

- Isso não importa, eu quero estar ao lado de Lisa, ela deve estar sofrendo, e deve estar sentido medo... 

- Então vamos! 

Minha pequena Lisa, o que será de você? 


Uma rápida explicação para minha mãe e fomos rapidamente para o cemitério, o trajeto demorou cerca de uma hora, isso sem transito, deu para notar que o lugar era bem simples, o cemitério tinha uma pequena capela, onde cerca de dez pessoas estavam ali para darem um adeus a pobre senhora. 

Ludimila disse que ontem mesmo assim que Lisa chegou em casa, ela encontrou sua avó caída e correu para pedir ajuda, mas a ajuda demorou muito e a pobre senhora havia falecido, foi um choque para a pequenaLlisa, que estava presente no cemitério, ela estava com os olhos vermelhos e soluçava constantemente, era um baque para a pequena. 

Assim que nos aproximamos, eu não resistir, a envolvi num forte abraço e chorei pela sua dor. Sabe acho que crianças deveriam ser imunes a tais situações, Lisa não precisava passar por aquilo, e agora meu Deus, e agora? O que será da minha pequena? 

- Ai tia que bom que a senhora veio. 

- Oh minha pequena, quando soube pela Ludimila o que aconteceu a sua avó, não tive cabeça para mais nada. 

- Tia, minha vovó morreu... E agora tia, quem vai cuidar de mim? 

Tão pequena, e já com uma grande preocupação, a minha nossa, o que eu devo fazer? 

- Lisa fique calma, essa noite você vai ficar na casa da sua vizinha ta bom. 

- Ta bom tia Ludi, mas e amanha onde eu vou ficar? 

Ludimila e eu nos olhamos, realmente não seriamos nós a dar esse tipo de noticia, eu não aguentaria ver ela também sendo levada para longe, ou pior ser maltratada, não ia suportar. 

- Querida não pense no amanhã, você comeu alguma coisa hoje? 

- Não tia Ludi, eu não comi nada, mas to sem fome. 

- Mas você precisa comer Lisa, vamos procurar um lugar para você comer? 

Tentei puxa-la para seguirmos lado a lado, mas ela se desvinculou de mim e começou a balançar a cabeça: 

- Não tia... Não posso sair daqui, vão jogar terra na minha avó e ela vai ficar sem ar... Tia não deixa isso acontecer tia, faz minha avó acordar, por favor... 

Não tive palavras para repreender a pobre garota, meu Deus quanto sofrimento... Chorei mais uma vez, não ia suportar ficar ali até o final, pobre Lisa, se eu pudesse... Se eu pudesse... Seu eu pudesse? Claro que eu posso! 

- Ludimila, onde esta Heitor? 

- Ele esta vindo Elise, por quê? 

- Preciso falar com ele e com urgência. 

- O que você quer falar comigo? 

Falando no diabo... Heitor estava sério, ele parecia também cansado, mas ainda sim estava lá. Não pude deixar de sentir um pouco de felicidade por ele esta ali, pois se alguém poderia ajudar a Lisa seria ele: 

- Eu preciso de um grande favor seu. 

- Se estiver ao meu alcance farei com maior prazer. 

- Eu quero a guarda de Lisa. 

Ludimila e Heitor me olharam espantados, se achavam que eu estava doida, digo que eles estavam errados, nunca tomei uma decisão tão importante em toda a minha vida como aquela, nunca. 


- Elise se acalme não é assim tão fácil. 

Gente com não era tão fácil, era só eu já pegar a Lisa e levar embora, eu vou cuidar bem dela, vou coloca-la num a boa escola, vou lhe dar todo o conforto, o que poderia ser tão difícil? 

- Heitor o que tem de dificuldade nisso? 

- Tem toda uma parte burocrática Elise, fora o consentimento da criança, se não há nenhum parente próximo que queria cuidar da menina, e muito mais. 

- Só que até ver tudo isso ela já vai ter trinta anos né. 

- Menos Elise, eu vou tentar te conseguir algo provisório, nada definitivo. 

- E esta esperando o que para fazer isso? 

- Estou esperando dar o horário comercial de amanhã. 

Ok eu estava eufórica e muito empolgada, se realmente Heitor conseguisse a guarda nem que seja provisória de Lisa para mim, isso já seria algo espetacular, mas e se ela não quisesse ficar comigo? E se os pais delas voltassem? 

- O que houve Elise? 

- Nada Heitor, só pensei na hipótese de não conseguir ficar com a Lisa. 

- Não vou dizer que isso não é possível pois estarei mentido, há uma chance sim de você não conseguir, mas eu vou mover céus e terras por isso. 

- Puxa vida, de tantas coisas que me aconteceram hoje, acho que essa decisão foi a mais importante que tomei hoje. 

- Aé e que outra decisão você tomou hoje? 

- Demiti meu irmão da empresa. 

- Puxa vida, quer conversar um pouco sobre tudo isso? 

Ah que fofo, o Heitor é uma graça, todo preocupado com o que me aconteceu, indiretamente eu precisava sim falar com ele, então nada melhor do que desabafar um pouco também, afinal que dia carregado eu tive hoje. 

Engraçado como tudo foi estranho, tudo começou com um baita estresse e agora esta terminando com quase uma adoção, que mundo estranho não.

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