Capítulo dezessete no ar.
Boa leitura a todos!
CAPÍTULO 17:
COLISÃO E DECISÃO
Desta vez eu consegui dormi bem, apesar da discussão que tive ontem com Caique, posso afirmar que estou de ótimo humor, afinal hoje eu verei Leonel e terei a resposta sobre a guarda provisória de Lisa, não vejo a hora de ver minha pequena.
Bom melhor começar a me arrumar, pois meu dia será longo.
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Sai de casa e Ludimila já estava me esperando, nesse dia liberei minha mãe da obrigação de me acompanhar, afinal todos merecem uma folga.
No caminho contei a Ludi sobre os novos patrocinadores, e agradeci por ter escolhido esse momento, senão teria que vê-la fazendo a dança do saci:
- Ai que legal Elise como não posso fazer a dança do saci, vou fazer a dança do boitatá eufórico.
Gostaria muito de saber de onde ela tira tanta imaginação para fazer tais danças, Ludi começou a se tremer enquanto dirigia, acho que não tem como eu escapar das danças exóticas.
O importante era que conseguimos o patrocínio e poderíamos agora continuar com o projeto para crianças, e claro eu já pensei longe, muito mais longe:
- E que tal se abrirmos uma creche para nossas crianças, assim poderíamos ver o progresso de cada uma e acompanhar mais a fundo no problema delas.
- Mas Elise, isso deve custar muito caro, para manter somente a parte que irá tratar das crianças já vamos ter um alto custo, e outra teríamos que ver professores, arrumar salas, sabe é muita coisa.
- Eu arrumo mais patrocínio, não se preocupe, eu quero fazer dessa ONG um lugar melhor para todos.
- Bem, temos que ver com o Heitor se ele concorda.
- Acredito que ele não vá se opor.
Ah o Heitor, como será que ele vai agir ao ver Leonel, ou melhor dizendo, como eu vou agir, será que o beijo de ontem significou algo para ele, afinal não estou na minha melhor forma né.
- Ludi, você sabe que hoje iremos entrevistar o Leonel.
- Sim, o Heitor me contou ontem.
- Posso te confiar uma coisa.
- Claro que pode.
- Ludi, eu e Leonel nos beijamos.
A freada foi brusca e a cara de Ludimila foi de espanto:
- VOCÊS SE BEIJARAM!
- Ai minha nossa, eu sei que foi errado, mas não deu para evitar...
- E VOCÊ NÃO IA ME FALAR ISSO, ME CONTE TUDO AGORA!
Às vezes eu esqueço que a Ludimila tem o mesmo jeito que a minha mãe. Cheguei a temer que ela não aceitasse bem esse fato, afinal, ela sempre estava a favor de Heitor, mas percebi que ela, assim como minha mãe só queriam a minha felicidade.
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Leonel foi pontual, chegou no horário marcado, estava vestido com um terno cinza, uma camisa preta e gravata azul, lindo como sempre. O maior problema era Ludimila, ela estava toda eufórica desde que eu contei sobre eu e Leonel, tanto que assim que o viu, soltou um longo assovio, e me deu dois tapinhas no ombro.
- É um peixão esse ai hein amiga.
- Ludi, por favor...
- Venha vamos recepciona-lo.
Sem me dar chance de questionar, Ludimila empurrou a cadeira para a entrada da ONG e eu fiquei de cara com Leonel, não sabia como agir, será que eu deveria estender a mão? Dizer apenas um “oi”? Ai que confusão...
- Olá Elise, como prometido estou aqui.
Leonel se abaixou e me abraçou bem forte, ai minha nossa, ainda bem que ele tomou a iniciativa, mas ainda sim foi o suficiente para Ludimila ser naturalmente inconveniente:
- Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmm...
- Ludimila...
- Ai desculpa, olá Leonel, eu me chamo Ludimila, sou a fundadora da ONG, seja bem vindo.
- Muito prazer dona Ludimila.
- Sem o dona por favor.
- Está bem como queira.
- Bem só falta o Heitor chegar, daí podemos conversar, Ludi posso mostrar a ONG para o Leonel?
- Claro que pode, vou estar na nossa sala, não demore hein... Huuuuuuuuuuuuuumm...
Essa Ludimila não tem jeito mesmo.
-
Fomos caminhando pelas alas que eu conhecia, mas pelo pouco que vimos, percebi que Leonel se apaixonou pelo lugar, também quem não gostaria de um lugar como aquele?
- Nossa Elise esse lugar é lindo.
- É mesmo, Ludimila soube como construir bem esse lugar.
- Não falo só das instalações, mas me refiro ao contexto dele, tudo aqui é para ajudar as pessoas, e nota-se que cada um em particular ama muito esta aqui.
Eu nunca havia pensado dessa forma, e realmente cada um dos frequentadores, tanto os que ajudavam quando aos usuários estavam sempre sorrindo, apesar de ser a segunda vez que visitava o lugar, eu pude ter certeza de que ali não havia espaço para tristeza.
- Você tem razão, aqui não existe tristeza, é tudo feito por amor.
Senti Leonel tocar o meu ombro, ele me olhava da mesma forma de ontem, e eu retribuir o olhar da mesma forma, levei minha mão até a sua, entrelaçamos nossos dedos, ele se abaixou, ficamos cara a cara, a ponta de nossos narizes se roçaram, e nos beijamos pela segunda vez, e posso garantir, foi O beijo.
Senti que poderia voar, Leonel era perfeito, um príncipe para mim, nada poderia estragar aquele momento:
- ELISE!
Nada exceto um Heitor ciumento que surgiu na entrada do pátio, e pelo tom de voz dele, acho que seu humor não estava muito bom.
-
A sala estava com um clima horrível, bem pelo menos para mim né, Ludimila estava sorrindo, Heitor encarava Leonel de uma forma tão furiosa que pensei em até retirar todo e qualquer tipo de objeto da mesa dele, senti até medo por um instante, mas não me preocupei, pois sei que Heitor é muito ético.
Leonel estava com as pernas cruzadas e sorria de forma carismática, será que ele não percebeu a intenção quase-assassina de Heitor? E por ultimo eu que estava suando frio e tremula.
Bom, mas agora já foi né, infelizmente Heitor viu o beijo e agora ele deve pensar que sou uma sem caráter, pois eu menti né, falei que Leonel era um amigo, e desde quando amigos se beijam daquele jeito, mas tenho que admitir, que beijo hein.
- Vamos começar logo com isso. – Heitor se ajeita em sua cadeira de rodas sem desgrudar os olhos de Leonel. – Como você já deve saber eu sou o terceiro sócio dessa ONG, me chamo Heitor e cuido da parte jurídica.
- Muito prazer... Tenho que chama-lo de Senhor Heitor ou posso apenas...
- Senhor Heitor, respeite hierarquia.
- Heitor o que deu em você?
- Ludimila não me interrompa.
Ai meu Deus, é agora que eu vou ter um lapso nervoso.
- Leonel, desculpe o jeito do meu primo, ele deve estar com a cabeça quente, vamos então que interessa, você gostou da ONG?
- Isso não é importante Ludimila, temos que saber as qualificações dele, buscar antecedentes criminais, pegar três ultimas referencias de empregos passados...
- Heitor isso é um processo seletivo, não uma pesquisa contra um criminoso.
Não consigo entender como Leonel ficou tão calmo, eu mesmo já teria surtado, bem eu já estou surtando.
- Será que posso falar uma coisa?
- Sim.
- Não.
Agora aconteceu o big bang, Ludimila e Heitor se encaravam tão intensamente que por um momento eu pensei que tudo iria acabar em briga, mas como tudo é inevitável na minha vida, Leonel que estava mudo até o presente momento, acabou caindo na gargalhada, o que deixou todos sem entender nada:
- O que deu em você rapaz, esta me achando com cara de palhaço?
O humor de Heitor só agravou com a atitude de Leonel.
- Desculpa Sr. Heitor, mas acho que vocês podem para de discutir, eu não vou poder aceitar a oferta de trabalhar aqui com vocês?
- Não.
- Não senhor, como falei ontem para Elise, eu já havia feito alguns processos seletivos, e fui selecionado em um deles, vim mesmo somente para conhecer a ONG e dizer que posso ajudar como voluntário nos meus dias de folga.
- Que legal Leonel, fico feliz por você, e também fico triste porque precisamos mesmo de um enfermeiro para nossa ONG.
- Obrigado Ludimila, agradeço pela ajuda e pelo convite.
- Esta vendo Heitor, não precisa tratar ele assim, Leonel no final vai ser voluntário e poderemos tratar de outros assuntos mais importantes.
Ludimila não hesitou e jogou uma bolinha de papel na cabeça de Heitor que fez um verdadeiro bico de birra.
No fim, eu finalmente me senti aliviada, queria muito ajudar Leonel, mas ele era competente o suficiente para conseguir um emprego melhor, feliz por ele, pelo menos não terei que encontrar novamente um Heitor nervoso:
- Também aceitei vir para poder ficar junto da mulher mais encantadora desse mundo, a Elise.
É como eu digo, na minha vida nada era mais normal.
-
Me despedi de Leonel de forma simples com um forte abraço e um pedido dele querendo me ver no outro dia, não pude deixar de ficar feliz, afinal acho que estávamos nos entendendo bem.
Fiquei na frente da ONG até Leonel subir no ônibus, ele era tão lindo dentro do ônibus, quando me virei dei de cara com Heitor, ele estava sério, mas não com cara de mal, e sim de desolado:
- Esta tudo bem Heitor?
- Caminhando...
Foi estranho ver um cadeirante dizer “Caminhando”, enfim...
- Você esta... Namorando ele?
- Estamos nos conhecendo.
- E você esta gostando dele?
- Leonel é atencioso, divertido, e esforçado, tem muitas outras qualidades, e do jeito que estamos indo, acho que posso dizer que gosto dele sim.
Deu para perceber que as minhas palavras machucaram Heitor, o que eu poderia fazer? Leonel foi o que tomou uma iniciativa que eu jamais teria feito.
- Espero que você seja feliz com ele.
- Heitor, eu não estou casando com ele.
- Sei, conheço muitos relacionamentos que começaram assim e estão ate hoje juntos.
- E isso não te deixa feliz? Ver alguém próximo feliz deveria te animar também.
- Me animar com o que?
- Em arrumar alguém.
- Infelizmente quem eu queria já esta comprometida.
Era tudo o que me faltava, eu ser a pivô da tristeza de Heitor, isso não né. Me aproximei dele e segurei a sua mão, olhei profundamente em seus olhos e senti a sua dor.
- Não quero que sofra.
- Não há como isso acontecer.
- Heitor...
-Elise eu quero a sua felicidade, mesmo não
sendo do meu lado, mas por ora eu vou ficar assim esta bem, com o tempo eu vou
ficar melhor.
Sei que talvez o tempo que ele
precise demore mais do que o necessário, então respirei fundo, jamais pensei
que poderia fazer alguém sofrer tanto assim.
- Antes que eu me esqueça, estou
com o envelope sobre o pedido de guarda provisória da Lisa.
Meu coração parou por um
momento, estava tão imersa na dor de Heitor que esqueci completamente daquele
assunto.
- Então diga homem, eu vou poder
ficar com Lisa.
- Tenho boas e más noticias
sobre esse assunto, mas só vou dizer se você aceitar almoçar comigo?
Ele estava sorrindo ao dizer
aquilo. Descobrir que hoje um outro lado de Heitor que me deixou bem nervosa,
ele era vingativo, muito vingativo.
- Pedido aceito... Chantagista.
Ao menos consegui fazer ele
sorri, agora quem estava aflita era eu, o que será que ele quis dizer com
noticias boas e más, ai que loucura.
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