segunda-feira, 22 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 27

Bom dia pessoal bora começar a semana com mais um capítulo?
No ar capítulo vinte e sete e como te costume, logo mais eu trago para você o capítulo vinte e oito.

Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 27:
REANIMANDO

                

Não queria me entregar a depressão, mas ser enganada duas vezes é complicado, eu não tinha mais vontade de fazer muitas coisas, durante uma semana eu fui apenas trabalhar e me lotei de serviço, me isolei das pessoas, apenas tratava todos sobre assuntos relacionados ao serviço, nada mais. 

Até da própria Ludi eu comecei a me afastar, eu queria apenas seguir a minha vida como se nada mais importa-se. 

Deixei de ir às consultas de Jorge, e respondia friamente aos telefonemas e contatos de Heitor, também o que me garantiria que eles não seriam igual a Leonel? 

Era sorte demais ter três homens interessados em mim, uma quebrada. No fim Caique tinha razão, eu era uma quebrada, uma pessoa incompleta: 

- Dona Elise! 

- Oi Cintia! 

- Telefonema para a senhora! 

- Ah desculpa, deixei o telefone fora do gancho de novo, quem é? 

- A pessoa não quis se identificar, mas disse que era importante. 

Quem seria? Uma pessoa anônima, que ridículo, até parece que eu vou atender. 

- Desligue o telefone Cintia, eu não vou atender! 

- Eu já fiz isso senhora, mas a mesma pessoa insiste em ligar novamente, eu até fui meio rude essa ultima vez. 

Gente que pessoa chata seria essa que quer tanto falar comigo e não se identifica: 

- Passe então, pelo visto essa pessoa vai conseguir o que tanto quer. 

Cintia fechou a porta da sala e logo o meu ramal tocou: 

- Quem é? 

- Minha nossa Elise, desde quando você é tão mal educada assim? 

- Jorge? 

O que raios esse fisioterapeuta queria comigo? 

- Sou eu mesmo Elise, quero saber o porque do seu sumiço, tem noção de quantas sessões você já faltou? 

- Tenho sim, é que estive muito ocupada, mas prometo voltar logo com o tratamento. 

Silêncio, odeio esse silêncio. 

- Você esta mentido Elise. 

- Eu não estou mentido. 

- Esta sim senhora, você sabe o quanto esse tratamento é importante para sua recuperação. 

- Claro que sei. 

- Se sabe então por que parou? 

Por que fui enganada e não queria mais ter contato com aqueles que mexiam comigo, era simples, mas ele jamais iria saber. 

- Já te falei que estou muito ocupada. 

- Não me venha com essa de estar ocupada não, eu liguei para sua mãe ela me disse que você anda muito triste. 

Lembrete: Cortar a língua da minha mãe: 

- A minha mãe não sabe o que diz. 

- Olha, eu te espero hoje aqui viu. 

- Hoje não dá. 

- Da sim, te espero as duas. 

- Mas Jorge... 

- Até mais tarde. 

Antes de eu retrucar ele desligou o telefone, esse Jorge, o que deu nele para agir dessa forma? Mas se ele pensa que eu vou ceder eu não vou, ele pode ficar me esperando a vontade no consultório. 

Olho para o relógio e vejo que já é a hora do almoço, saio da minha sala contendo o riso, afinal a conversa com Jorge foi meio engraçada, onde já se viu um médico mendigar a presença de uma paciente? Muito hilário. 

Chego à recepção e assim que a porta do elevador se abre eu tenho uma surpresa: 

- O que diabos você faz aqui? 

- Vim te buscar para a consulta! 

Jorge estava ali de pé segurando o celular na mão. 


Eu ainda estava chocada com tudo aquilo, Jorge ficou ligando da recepção para falar comigo até eu atender, e parecia já premeditar que eu não iria mesmo à consulta, e o pior ele estava ali para me levar para a consulta: 

- Eu não acredito que você fez isso Jorge? 

- Eu fiz o quê? 

- Ficar me ligando da recepção até eu atender e estar aqui. 

- Fiz mal? 

- Sim... Não... Ah sei lá. 

- Então vamos dizer que fiz um bem para você, por que agora você vai para a consulta. 

- Mas eu tenho muitas coisas para fazer. 

- Isso pode esperar, o seu tratamento não. 

- Jorge, por favor... 

- Por favor, digo eu, vamos para a consulta. 

- Posso fazer uma observação antes! 

- Se for importante sim. 

- Podemos almoçar? 

- Ah é, esqueci disso, então vamos almoçar juntos, e você paga viu. 

Ah esse Jorge, só ele para conseguir me fazer sorrir. 


Almoçamos num bom restaurante, foi uma refeição animada, Jorge sempre fazia algum tipo de piada para me fazer rir, principalmente sobre ele próprio: 

- Quase que não chego a tempo na sua empresa, você acredita que o meu gel de cabelo acabou e eu tive que improvisar. 

- O que você passou no cabelo? 

-Clara de ovo. 

-Mentira? 

- É mentira mesmo, eu sempre tenho um pote reserva de gel. 

Esse era o Jorge mais divertido que eu já havia conhecido. 

Assim que terminamos de almoçar Jorge seguro a cadeira de rodas e me guiou direção a um carro estacionado em frente ao restaurante: 

- De quem é esse carro? 

- É meu. 

- Como ele veio para aqui? 

- Antes de ir para sua empresa eu o deixei aqui, já premeditando que iríamos almoçar aqui. 

- Você é um manipulador sabia. 

- Sou nada, agora vamos para o consultório antes que você se atrase. 

- Não tem problemas me atrasar, pois o medico não vai estar lá mesmo. 

- Foi uma boa piada. 

- Roubei um pouco do seu senso de humor. 

Era bom poder sorrir novamente, e melhor ainda sorrir ao lado de Jorge... Ai ai... 


Chegando ao consultório, Jorge me levou direto para sala dele, colocou o jaleco branco sentou-se na cadeira e me olhou sério: 

- Agora sim podemos iniciar a consulta! 

- Não precisa ficar tão sério vai. 

- Eu sei, é apenas um charme meu. 

Não pude deixar de rir, até o momento Jorge estava sendo um amor, atencioso e muito educado, por um momento cheguei até a me ver junto dele, mas recordo-me do motivo que me fez retrair, Leonel, tudo era culpa dele, eu fui traída e aquilo ainda doía: 

- Por que esta com essa expressão? 

- Ahn... Eu? 

- Exatamente, você, por que mudou a sua expressão Elise? Algo te incomoda? 

- Não quero falar sobre isso Jorge. 

- Bem não vou força-la a me dizer nada, afinal todos nós temos problemas e segredos, mas lembre-se que isso pode afetar ao seu tratamento. 

- Já não me importo mais com isso Jorge. 

- Pois deveria se importar, ou você quer passar a vida toda nessa cadeira de rodas? 

Na verdade eu já não sabia mais o que queria, perdi um pouco da confiança em mim e nas pessoas, se eu voltasse a andar tudo bem, se não voltasse tudo bem também: 

- Isso mudaria alguma coisa Jorge? Eu de pé ou numa cadeira de rodas continuo a ser a mesma pessoa? 

- Você de pé seria a Elise que conquistou um grande progresso, tal fato que muitos buscam, não se menospreze. 

Isso era verdade, o que muitos cadeirantes dariam para poder voltar a andar, sendo que meu estado é totalmente reversível, Jorge estava certo, eu tinha que lutar, por mim e por Lisa. 

Ah minha pequena Lisa, eu não via a hora de poder tê-la. 

- É dessa expressão que eu gosto! 

- Que expressão Jorge? 

- Essa que você fez agora, parece que voltou a ser determinada, a ter um objetivo na vida, é disso que eu tava falando, dessa Elise que sempre foi guerreira. 

Guerreira, ta aí, gostei, eu sou uma guerreira sim, e vou lutar por mim, e por Lisa, como pude me deixar retrair e esquecer da minha pequena, não isso não pode mais acontecer, a partir de hoje eu irei me reerguer, mundo se prepare, pois a Elise voltou! 

- Doutor Jorge podemos começar a consulta! 

- Claro paciente Elise.

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