Bom dia pessoal bora começar a semana com mais um capítulo?
No ar capítulo vinte e sete e como te costume, logo mais eu trago para você o capítulo vinte e oito.
Boa leitura a todos!
CAPÍTULO
27:
REANIMANDO
Não queria me entregar a depressão, mas ser enganada duas vezes é complicado, eu não tinha mais vontade de fazer muitas coisas, durante uma semana eu fui apenas trabalhar e me lotei de serviço, me isolei das pessoas, apenas tratava todos sobre assuntos relacionados ao serviço, nada mais.
Até da própria Ludi eu comecei a me afastar, eu queria apenas seguir a minha vida como se nada mais importa-se.
Deixei de ir às consultas de Jorge, e respondia friamente aos telefonemas e contatos de Heitor, também o que me garantiria que eles não seriam igual a Leonel?
Era sorte demais ter três homens interessados em mim, uma quebrada. No fim Caique tinha razão, eu era uma quebrada, uma pessoa incompleta:
- Dona Elise!
- Oi Cintia!
- Telefonema para a senhora!
- Ah desculpa, deixei o telefone fora do gancho de novo, quem é?
- A pessoa não quis se identificar, mas disse que era importante.
Quem seria? Uma pessoa anônima, que ridículo, até parece que eu vou atender.
- Desligue o telefone Cintia, eu não vou atender!
- Eu já fiz isso senhora, mas a mesma pessoa insiste em ligar novamente, eu até fui meio rude essa ultima vez.
Gente que pessoa chata seria essa que quer tanto falar comigo e não se identifica:
- Passe então, pelo visto essa pessoa vai conseguir o que tanto quer.
Cintia fechou a porta da sala e logo o meu ramal tocou:
- Quem é?
- Minha nossa Elise, desde quando você é tão mal educada assim?
- Jorge?
O que raios esse fisioterapeuta queria comigo?
- Sou eu mesmo Elise, quero saber o porque do seu sumiço, tem noção de quantas sessões você já faltou?
- Tenho sim, é que estive muito ocupada, mas prometo voltar logo com o tratamento.
Silêncio, odeio esse silêncio.
- Você esta mentido Elise.
- Eu não estou mentido.
- Esta sim senhora, você sabe o quanto esse tratamento é importante para sua recuperação.
- Claro que sei.
- Se sabe então por que parou?
Por que fui enganada e não queria mais ter contato com aqueles que mexiam comigo, era simples, mas ele jamais iria saber.
- Já te falei que estou muito ocupada.
- Não me venha com essa de estar ocupada não, eu liguei para sua mãe ela me disse que você anda muito triste.
Lembrete: Cortar a língua da minha mãe:
- A minha mãe não sabe o que diz.
- Olha, eu te espero hoje aqui viu.
- Hoje não dá.
- Da sim, te espero as duas.
- Mas Jorge...
- Até mais tarde.
Antes de eu retrucar ele desligou o telefone, esse Jorge, o que deu nele para agir dessa forma? Mas se ele pensa que eu vou ceder eu não vou, ele pode ficar me esperando a vontade no consultório.
Olho para o relógio e vejo que já é a hora do almoço, saio da minha sala contendo o riso, afinal a conversa com Jorge foi meio engraçada, onde já se viu um médico mendigar a presença de uma paciente? Muito hilário.
Chego à recepção e assim que a porta do elevador se abre eu tenho uma surpresa:
- O que diabos você faz aqui?
- Vim te buscar para a consulta!
Jorge estava ali de pé segurando o celular na mão.
-
Eu ainda estava chocada com tudo aquilo, Jorge ficou ligando da recepção para falar comigo até eu atender, e parecia já premeditar que eu não iria mesmo à consulta, e o pior ele estava ali para me levar para a consulta:
- Eu não acredito que você fez isso Jorge?
- Eu fiz o quê?
- Ficar me ligando da recepção até eu atender e estar aqui.
- Fiz mal?
- Sim... Não... Ah sei lá.
- Então vamos dizer que fiz um bem para você, por que agora você vai para a consulta.
- Mas eu tenho muitas coisas para fazer.
- Isso pode esperar, o seu tratamento não.
- Jorge, por favor...
- Por favor, digo eu, vamos para a consulta.
- Posso fazer uma observação antes!
- Se for importante sim.
- Podemos almoçar?
- Ah é, esqueci disso, então vamos almoçar juntos, e você paga viu.
Ah esse Jorge, só ele para conseguir me fazer sorrir.
-
Almoçamos num bom restaurante, foi uma refeição animada, Jorge sempre fazia algum tipo de piada para me fazer rir, principalmente sobre ele próprio:
- Quase que não chego a tempo na sua empresa, você acredita que o meu gel de cabelo acabou e eu tive que improvisar.
- O que você passou no cabelo?
-Clara de ovo.
-Mentira?
- É mentira mesmo, eu sempre tenho um pote reserva de gel.
Esse era o Jorge mais divertido que eu já havia conhecido.
Assim que terminamos de almoçar Jorge seguro a cadeira de rodas e me guiou direção a um carro estacionado em frente ao restaurante:
- De quem é esse carro?
- É meu.
- Como ele veio para aqui?
- Antes de ir para sua empresa eu o deixei aqui, já premeditando que iríamos almoçar aqui.
- Você é um manipulador sabia.
- Sou nada, agora vamos para o consultório antes que você se atrase.
- Não tem problemas me atrasar, pois o medico não vai estar lá mesmo.
- Foi uma boa piada.
- Roubei um pouco do seu senso de humor.
Era bom poder sorrir novamente, e melhor ainda sorrir ao lado de Jorge... Ai ai...
-
Chegando ao consultório, Jorge me levou direto para sala dele, colocou o jaleco branco sentou-se na cadeira e me olhou sério:
- Agora sim podemos iniciar a consulta!
- Não precisa ficar tão sério vai.
- Eu sei, é apenas um charme meu.
Não pude deixar de rir, até o momento Jorge estava sendo um amor, atencioso e muito educado, por um momento cheguei até a me ver junto dele, mas recordo-me do motivo que me fez retrair, Leonel, tudo era culpa dele, eu fui traída e aquilo ainda doía:
- Por que esta com essa expressão?
- Ahn... Eu?
- Exatamente, você, por que mudou a sua expressão Elise? Algo te incomoda?
- Não quero falar sobre isso Jorge.
- Bem não vou força-la a me dizer nada, afinal todos nós temos problemas e segredos, mas lembre-se que isso pode afetar ao seu tratamento.
- Já não me importo mais com isso Jorge.
- Pois deveria se importar, ou você quer passar a vida toda nessa cadeira de rodas?
Na verdade eu já não sabia mais o que queria, perdi um pouco da confiança em mim e nas pessoas, se eu voltasse a andar tudo bem, se não voltasse tudo bem também:
- Isso mudaria alguma coisa Jorge? Eu de pé ou numa cadeira de rodas continuo a ser a mesma pessoa?
- Você de pé seria a Elise que conquistou um grande progresso, tal fato que muitos buscam, não se menospreze.
Isso era verdade, o que muitos cadeirantes dariam para poder voltar a andar, sendo que meu estado é totalmente reversível, Jorge estava certo, eu tinha que lutar, por mim e por Lisa.
Ah minha pequena Lisa, eu não via a hora de poder tê-la.
- É dessa expressão que eu gosto!
- Que expressão Jorge?
- Essa que você fez agora, parece que voltou a ser determinada, a ter um objetivo na vida, é disso que eu tava falando, dessa Elise que sempre foi guerreira.
Guerreira, ta aí, gostei, eu sou uma guerreira sim, e vou lutar por mim, e por Lisa, como pude me deixar retrair e esquecer da minha pequena, não isso não pode mais acontecer, a partir de hoje eu irei me reerguer, mundo se prepare, pois a Elise voltou!
- Doutor Jorge podemos começar a consulta!
- Claro paciente Elise.
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