quarta-feira, 24 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 30

É hora da leitura!
Capítulo trinta no ar!
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 30:
REABRINDO A FERIDA

               

Contei meu passado para Heitor de forma resumida e sem muitos detalhes, tive medo de relembrar e não conseguir dormir. Heitor é um bom ouvinte, foi fácil dele entender o meu receio e preocupações, o que me aliviou foi o que ele disse após ter escutado toda a conversa: 

- Não se preocupe Elise, sabendo agora do seu passado fica claro o por que de você não querer contato com seu pai, pode deixar comigo, vou pedir uma liminar para ele não se aproximar nem de você nem de quem é próximo a ele. 

- Obrigado Heitor, eu sabia que você tinha alguma saída. 

- Bem amiga, já esta ficando tarde, amanhã será um longo dia, então vamos indo esta bem. 

- Claro Ludi, obrigado por tudo e espero ver vocês logo. 

- Vamos nos ver sim, e de uma passada na ONG, faz tempo que não te vemos por lá. 

- Passarei sim, e levarei Lisa, não quero que ela perca contato com as pessoas de lá. 

Abracei Ludi compre sempre fazíamos, mas ao olhar para Heitor eu apenas estendi a mão, não sei dizer, mas eu ainda tinha receios desde aquele dia no restaurante, quando eu ainda estava com Leonel. 

- Pode me abraçar se quiser. 

- Prefiro apenas um aberto de mão. 

- Desconfiada como sempre, até mais Elise. 

- Precavida, qualquer novidade pode me ligar. 

Heitor acenou e foi para a casa de Ludimila, acredito que ele passaria a noite lá, será que eles... Não, Ludi já me disse que não tem interesse no primo, mas e ele será que tem? 

Bem isso não me interessa, eu agora tenho outros planos e não quero ficar com pensamentos assim, serei totalmente devota a Lisa, quero que ela tenha o melhor, e vou fazer até o impossível para isso. 


O amanhecer foi ensolarado, eu estava no meu novo quarto que ficava ao lado do quarto de Lisa, estava todo decorado com um enorme guarda roupa planejado e eu dormia na minha cama king size, um criado mudo cor mogno estava do lado onde tinha um relógio e um porta retrato com a foto da minha família, as paredes eram brancas e a cortinha era clara também. Os poucos raios solares que conseguiram invadir meu quarto foi o suficiente para me acordar. A primeira coisa que fiz ao levantar foi ver Lisa, e também foi meu primeiro grande susto do dia, pois ela não estava no quarto, desci pela rampa rapidamente, mas foi ai que escutei o seu riso. Parei de onde estava e pude ver na sala Caio sentado e brincando com Lisa de boneca, ele imitava de uma forma bem divertida a voz de uma Barbie que eu não lembro ter comprado para ela: 

- Olá eu sou a Barbie, você quer ser minha amiga? 

- Eu quero sim Barbie... Tio podemos trocar a roupa dela? 

- Mas você já trocou agora pouco? 

- É que eu achei esse vestido mais bonito! 

- Tudo bem, vou fechar os olhos. 

Caio fechou os olhos enquanto Lisa trocava a roupa, de vez em quanto ele espiava e soltava um grito de espanto: 

- Aaaaaaaaaaaahhh... Ela esta nua... 

- Tio não pode olhar, você é menino, ela é menina. 

Em seguida caia na gargalhada. Não dava para acreditar o quanto Caio era um tio babão. 

- Vocês dois o café já esta na mesa. 

- Vamos tomar café princesa? 

- Vamos sim tio, posso deixar a Barbie aqui? 

- Claro que pode, mas depois temos que guarda-la ta bom. 

- Tio obrigado pela boneca eu adorei. 

- O tio não ganha muito dinheiro, mas sempre que puder vou comprar um presente para você. 

Lisa sorriu e abraçou Caio que delicadamente a pegou no colo e a colocou na cadeira, logo em seguida ele a guiou até a sala de jantar. Continuei o caminho pela rampa até ficar de frente para a sala, tudo estava uma bagunça, mas era gratificante ter aquela bagunça toda, era sinal de que Lisa, já se sentia parte da família. 


Deixei minha mãe encarregada de cuidar de Lisa e fui com Ludimila para o escritório, fomos conversando, eu queria perguntar sobre Heitor, mas fiquei receosa afinal quem era eu para fazer qualquer perguntar íntima sobre ela e o primo? 

- Heitor dormiu em casa ontem. 

Será que Ludimila ler mentes? 

- Eu bem desconfiei já que ontem você e ele deixaram minha casa um pouco tarde. 

- Pois é... Elise, você sabe que meu primo nutre fortes sentimentos por você. 

- Eu sei Ludi, mas atualmente eu quero me dedicar a Lisa, somente a ela. 

- Você quer se dedicar ou esta querendo arrumar uma desculpa. 

- O que você está dizendo com isso? 

- Olha eu não sei o que houver entre você e o Leonel, mas você nunca mais falou nele, não o vejo mais indo a sua casa então posso presumir que você terminaram. 

Dedução correta, infelizmente eu não consegui falar sobre isso com Ludi, mas agora também não dava mais para mentir: 

- Você deduziu corretamente Ludi. 

- Se você está sozinha porque não dá uma chance para o meu primo. 

- Ludi a minha separação com Leonel foi meio complicada, não estou pronta para encarar um novo relacionamento. 

- E quando estará pronta Elise? Será que não percebe que talvez esteja perdendo tempo ficando numa magoa causada por uma pessoa e descontando em outra. 

Será? Será que eu estou tão frustrada que fiquei cega? 

- Pense bem Elise, a vida é curta para ficar presa ao passado. 

- Talvez você tenha razão, mas não sei o seu primo fez algo que me deixou muito desconfiada dele. 

- Você ainda sente sobre o dia em que ele tentou beija-la? 

- Eu penso que ele não me respeitou, eu estava comprometida, feito sem querer ou por querer, Heitor deveria ter me respeitado. 

- Esta vendo Elise você ainda esta presa ao passado, será que Heitor não já lhe deu prova o suficiente de ter mudado? 

Tem horas que odeio conversar com a Ludi, claro que ela estava certa, mas eu não queria ainda me arriscar num relacionamento, não agora: 

- Ludimila você tem razão, mas eu quero agora me dedicar a outros assuntos e me livrar de outros. 

- O seu pai, isso sim é um problema, sabe tenho receio de mesmo com a liminar ele ainda tente se aproximar. 

- Eu também tenho esse medo, mas agora eu não sou mais uma menina ingênua. 

- Bem chegamos. 

Ludimila para o carro, e antes de me ajudar a descer ela me diz: 

- Prometa que não vai fazer nada de imprudente. 

- Ludi não precisa se preocupar... 

- Só prometa. 

Ludimila parecia aflita, era óbvio que eu não faria nada de imprudente, agora eu tenho uma filha para criar. Sorri para minha amiga, segurei a sua mão tentando acalmar o seu coração preocupado: 

- Eu prometo. 

Ela finalmente sorriu, esse era o rosto que sempre adorava ver em Ludi. 


Parte da manhã eu fiquei na minha sala a pensar, Ludimila estava muito aflita, será que ela pressentiu alguma coisa? Não, isso é besteira, foi apenas uma preocupação boba, afinal Ludi sabe o que realmente aconteceu comigo quando eu era pequena, mas eu também pensei no que ela havia dito, será que o meu pai iria cumprir uma liminar de distancia de mim e da minha família? 

E Caique? Será que ele é quem esta ajudando meu pai? Só pode ser, não há outra explicação, quem mais sabe do nosso passado, nem quando eu namorava Antony e tinha amizade com Minerva eu contei a eles sobre o meu passado. Por pura intuição eu não queria relatar esse meu passado, e fiz muito bem por sinal. 

Bem por falar nos dois, eu estava acabando de ler uma petição feita por Heitor, entrando com o pedido de anulação do processo alegando ser uma causa sem fundamentos, caso o pedido fosse negado, na próxima semana teríamos a primeira audiência. Eu rezo para que seja a primeira e ultima audiência sobre esse absurdo. 

Tenho problemas maiores para lidar do que com esses dois caras de pau, e um desses problemas era a escola de Lisa, hoje eu encarreguei minha mãe de ir com ela a escola que já havíamos escolhido, ficava próximo do condomínio, e era uma das melhores da região. Tinha adaptação para cadeirantes, aulas dinâmicas e muitas atividades recreativas. 

Sei que é duro deixar uma criança o dia inteiro numa escola, mas era o melhor a se fazer, eu queria investir no futuro dela. Pedi também a minha mãe que a prepara-se para ir comigo as sessões de fisioterapia no consultório do Jorge e que procurasse algum médico especializado no problema de Lisa, eu tenho uma forte esperança de que ela possa voltar a andar, assim como eu voltarei um dia. 

Ficar pensando faz o tempo passar, já era hora de almoçar, e hoje eu teria a companhia de Cris que já estava me esperando na frente do elevador: 

- Bom dia Elise como estão as coisas? 

- Bom dia Cris, estão ótimas e tudo graças a Cindi que sempre me ajuda. 

- Fico feliz que ela esteja fazendo um bom serviço, então onde vamos almoçar? 

- Que tal na padaria, dizem que lá tem um salmão grelhado que é divino. 

- Chefa eu adoro salmão. 

Com o passar do tempo, Cris conseguiu se adaptar ao seu novo cargo, estava mais confiante e ate mais divertida, ou será que ela já era assim e eu não a via dessa forma? O melhor era que finalmente Cris deixou de me chamar por senhora. 

Chegamos ao térreo e seguimos rumo a padaria, eu contava a Cris sobre Lisa com muita empolgação, até que percebi alguém parado na entrada da padaria, um alguém conhecido: 

- Leonel? 

- Ola Elise! 

Eu estava tendo um dia normal demais, tinha que acontecer algo inesperado e espantoso. 


Fiz um rápido pedido de desculpa a Cris, e me afastei com Leonel. Não seria prudente discutir com meu ex na frente da minha funcionaria, mesmo ela sendo discreta, seria algo constrangedor. 

Por fim fomos a praça que ficava em frente à padaria, evitei a todo custo que ele me ajuda-se ou me toca-se, apesar de ficar toda hora lembrando das palavras de Ludimila, eu não conseguia me livrar da sensação de raiva que ainda nutria por Leonel: 

- Bem o que você quer comigo? 

- Vim saber como você esta Elise? 

- Estou ótima, se é só isso, então eu posso ir. 

- Não, por favor, er... 

- Fale logo o que quer Leonel, eu não tenho tempo para ficar o dia todo aqui. 

- Calma Elise, eu apenas queria lhe dizer que estou arrependido do que fiz com você, e queria o seu perdão. 

Ok, eu vou me segurar para não dar na cara dele. É muita cara de pau: 

- Esta perdoado, agora tchau. 

- Pare com isso Elise, nós estamos conversando. 

- Primeiramente Leonel, eu não queria ter essa conversa, já falei a você tudo o que tinha que falar a dias atrás, então por favor, vá embora, siga seu rumo, vai se encontrar com a Mila. 

- O nome dela é Lia. 

- Lia, Mila, Fia, Bia, não interessa o nome, fique com quem quiser, mas me esqueça, suma, desapareça da minha vida. 

- Elise eu não vou desistir de você. 

Não evitei a gargalhada, aquilo era demais, Leonel conseguia ser um cara de pau elevado ao quadrado: 

- Por favor Leonel, sejamos sinceros, você só me usou, vai lá saber quantas vezes você não saiu com essa Lia, ou com outras mais, sabe isso não interessa, eu não quero mais nada com você, um traidor do seu nível não merece a minha atenção. 

- Elise eu estou arrependido do que fiz, eu fui um fraco, um mole, não deveria ter traído você, eu não estou aguentado viver sem tê-la perto de mim, por favor Elise, me dê uma chance. 

Ah tadinho dele né... Só que eu não caiu mais nessa: 

- Tchau Leonel. 

- Espere, por favor... 

Leonel puxou a minha cadeira assim que eu estava me afastando, e no susto acabei desequilibrando e cai no chão, fiquei em pânico por ter caído, odeio a sensação de fraqueza, mas foi ai que o inevitável, algo que sempre vivo, aconteceu: 

- NÃO TOQUE NA MINHA CHEFA. 

Cris vinha correndo que nem uma louca, com os cabelos soltos e... Descalça? 

- Uuuuuuuuuuuuuuuuia! 

O que era isso, a Cris estava em posição de ataque, ela fazia karatê? 

- Não ouse tocar na Elise. 

- Mas eu tenho que ajuda-la. 

- Ata ajuda-la depois de ter derrubado ela é. 

- Cris, por favor me ajude. 

- Não eu ajudo. 

Leonel se abaixou para tentar me ajudar, e nessa hora a Cris acertou-lhe um chute na perna dele que o fez cair e logo em seguida pisou sobre o peito dele: 

- Eu disse para não tocar na minha chefa. 

Cristo amado, eu estava me sentido num filme do Jackie Chan, só que a Cris era a lutadora no lugar do ator: 

- Cris deixe ele, só me ajude. 

Apesar da aglomeração em volta por conta da minha ex secretaria louca e atual contadora e lutadora de jiu jitsu, Leonel se levantou, limpou a sujeira da roupa e me fitou com os olhos marejados: 

- Sinto muito Elise, eu não queria derruba-la. 

- Tudo bem Leonel, mas agora vá embora, já tive confusão demais para um dia. 

- É isso mesmo vai embora ou eu acabo com você. 

Leonel deu uma ultima olhada em mim e depois partiu, a aglomeração se dissipou, enquanto eu tirava o pouco de poeira que estava nas minhas roupas: 

- Elise você esta bem? 

- Eu estou sim, mas o que você raios estava fazendo aqui? E de onde você aprendeu a lutar karatê? 

- Não é karatê, é kung fu, eu faço aula há muito tempo, ajuda a ter disciplina e calma, a Cindi também faz. 

Pronto, uma ex e uma atual secretaria lutadoras, to passada: 

- Eu segui você, por que pensei que esse cara ai poderia tentar algo contra você chefa, e fiz muito bem né. 

- De certo modo fez, mas ele não me derrubou de propósito. 

- NÃO? 

-Não, eu me afastei e ele puxou a cadeira tentando me virar, foi ai que eu desequilibrei e cair. 

- Ai meu Deus... 

- Mas por outro lado, eu fico muito agradecida por saber que você se preocupa comigo. 

- Claro que me preocupo chefa, agora vamos almoçar, porque essa luta me deixou faminta, ai deixa eu calçar o minha sapatilha. 

Ela havia colocado a sapatilha nas costas, como ela fez isso? Bom, seguimos então para a padaria, eu e minha nova amiga Cris, eu ainda estou rindo de como ela chegou, mas também ainda estou a pensar em Leonel, será que se arrependeu mesmo? 


Voltamos para o escritório e eu ainda estava incrédula com a Cris, gente jamais iria imaginar que ela lutava kung fu, bem mas isso já são águas passadas, era o momento de me concentrar no serviço. 

Quando ia começar a ver os novos contratos eis que Cindi aparece na porta: 

- Dona Elise! 

- Oi Cindi, o que foi? 

- Tem alguém aqui que gostaria de vê-la. 

Que estranho eu não espero a visita de ninguém, quem poderia ser? 

- A pessoa se identificou? 

- Sim, disse ser seu pai. 

Era só o que me faltava para finalizar meu dia, o que esse homem esta fazendo aqui? Ou melhor o que ele quer comigo? 

- Eu vou descer para atendê-lo... 

- Mas Dona Elise, ele... 

- Eu já estou aqui filha. 

Não acredito que ele já estava ali, fiquei muito tensa, o que esse homem queria comigo? 

- Cindi nos deixe a sós, mas fique atenta ao telefone por favor. 

- Si-Sim senhora. 

Cindi fechou a porta nervosa, ela mesma sentiu que a presença desse ser repugnante não era boa, bem acredito que minha atual secretaria deva ser bem diferente da antiga, pois se fosse a Cris, eu ate ficaria em paz, já que ela sabe quebrar telhas com as mãos: 

- Não precisa ter medo filha, eu só vim para conversar. 

- Eu não tenho nada o que conversar com você, desapareça da minha frente. 

- Garotinha não é assim que você deve tratar seu pai, ou já esqueceu-se do que eu sou capaz. 

Ele estava me ameaçando? Na minha empresa? Voltei para minha mesa e peguei o telefone, antes mesmo de começar a discar o patife o arrancou da minha mão e o arremessou no chão: 

- Agora vamos conversar garotinha do papai. 

Fiquei em pânico, ele ia me matar, ele queria terminar o serviço que não pode fazer a anos atrás, sinto minha garganta apertar, o ar... O ar... 

- SAIA DAQUIIIIIII... 

- Só vou sair quando eu ter o que quero. 

- O que... Você... Quer? 

- Ora que tal um pouco de dinheiro, sabe o seu pai aqui ta muito mal financeiramente, não tem emprego, e eu preciso me alimentar, me vestir... 

- Tome! 

Se era dinheiro que ele queria, era o que eu daria, só para vê-lo longe, eu daria tudo o que tinha. Assinei um cheque numa boa quantia e entreguei a ele: 

- Isso esta bom... Para o começo. 

- Começo? 

- Claro filha, viver bem custa caro né, mas acho que por enquanto esta tudo bem. 

- Desgraçado... Por que voltou? Como nos descobriu? 

- Vamos dizer que alguém da família ainda preza pelo meu bem estar. 

Caique, com certeza era Caique, maldito ele sabe de tudo o que aconteceu e ainda sim trouxe desse pesadelo de volta a nossas vidas. 

- Vá embora. 

- Não me trate assim Elise, ou eu posso ficar nervoso. 

Vi a veia da testa dele saltar, aquele era um sinal de sua raiva, naquele momento me senti fragilizada, voltei a ser uma menina, eu só queria me esconder, fugir dele, por que eu sei que ele vai me bater, vai me machucar... Socorro... Socorro: 

- DONA ELISE! 

Cindi invade a sala com dois seguranças, só nesse momento eu pude voltar a respirar, meu pai trincou os dentes, ele viu que não poderia mais me ameaçar, não ali,naquele momento: 

- Eu vou voltar Elise. 

Ele saiu da sala e passou pelos seguranças que o seguiram até a saída, e eu finalmente pude respirar, inconscientemente eu comecei a chorar, e fui amparada por Cindi, que me trouxe um copo de água e ficou ali até eu me acalmar: 

- Sente-se melhor dona Elise. 

- Sim, obrigada Cindi, você foi sábia ao chamar os seguranças. 

- Assim que ouvi um forte barulho eu já liguei rapidamente para a recepção e pedi dois seguranças, fiz mal? 

- Fez muito bem. 

- Posso fazer alguma coisa pela a senhora? 

- Pode, não conte na ninguém, nem a minha mãe, nem a ninguém sobre o ocorrido de hoje. 

Cindi ficou meio receosa, ela sabia que esconder isso poderia ser um erro, mas assentiu ao meu pedido: 

- Pode deixar senhora, não contarei nada a ninguém. 

- Obrigada. 

- Bom, eu vou voltar para a minha mesa, tenho que providenciar um novo telefone para a senhora. 

- Sim esse não tem mais serventia. 

Cindi sorriu e se levantou, assim que cruzou a porta, eu pude me deixar soltar, eu achava que era forte, que poderia encarar aquele homem, mas eu não passo de uma fraca e o problema é que ele sabe muito bem disso.

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