segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E SETE

Bom dia pessoal, mais uma semana começando com mais um capítulo para vocês.
Bora ler então?
Capítulo vinte e sete no ar!
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 27:
O MAU ASSOMBRO

                

Disfarçadamente, saímos da festa e fomos até a entrada, Edson nos acompanhou, ele definitivamente era um padrinho zeloso, antes mesmo de chegar à entrada do salão eu tinha visto o semblante de Tamara, ela vestia roupas simples, mas deu para notar, os olhos fundos e o rosto mais magro, era quase digna de pena... QUASE, pelo que ela me fez era justo ter que viver aquilo:

- Tamara... Não pensei que voltaria a vê-la, muito menos hoje.

- Como soube do casamento sua desqualificada?

- Joice controle-se meu amor, não vale a pena insultá-la.

- Olá para vocês também... Ah eu estou bem obrigada por perguntar.

- Sem sarcasmo garota, diga o que quer?

- Bem entrar na festa eu não pude, talvez seja por que não estou a caráter.

- SUMA DO MEU CASAMENTO SUA VAGABUNDA.

- Joice... Calma... O bebê.

- Pelo visto sua barriga já esta aparecendo, você vai ficar uma grávida muito linda.

- Tamara, diga logo o que quer? E depois suma.

- Edson essa conversa não tem nada a ver com você, por que não vai procurar outra mulher para se deitar?

- Pessoal, vamos manter a calma...

Eu tive que respirar fundo, temia por Joice que estava bem vermelha, e por Edson que nunca gostou de ser contestado, eu seria a balança entre eles:

- Tamara a sua presença aqui não é bem vinda, você fez um mal a minha esposa e a mim, se não tem nada de importante para dizer, siga sua vida, e nos esqueça.

- Mas eu tenho algo importante para dizer sim Fabrício, algo muito sério por sinal.

- Então diga e depois siga seu rumo.

Tamara tirou de sua bolsa um papel dentro de um envelope e me entregou, sinceramente eu já estava cansado de receber envelopes naquele dia:

- O que é isso?

- Abra e leia.

Peguei o envelope e o abrir, logo de cara eu li duas palavras marcantes Beta hcg e positivo:

- Fabrício você vai ter outro filho.

-

Encarei Tamara com a simples vontade de dar na cara dela, de onde ela tirou essa ideia absurda, estar grávida de mim, era só o que me faltava:

- Você enlouqueceu.

- Não enlouqueci não.

- Ah não, você vem no dia do meu casamento, o que não sei como descobriu o lugar, e também não me importar, e ainda diz que esta grávida e de mim.

- Isso é sério, veja tenho as imagens do ultrassom que fiz ontem.

Tamara entregou outro envelope, ali continha imagens distorcidas, mas em uma das fotos foi escrito a palavra FETO:

- Esta vendo, eu estou grávida!

- Mas isso não prova que o filho é meu.

- O laudo diz que estou com seis semanas, e esso é o tempo exato desde a nossa... Noite.

Ainda bem que Edson estava lá, pois Joice tentou avançar sobre ela... Não aquilo não estava acontecendo, não era verdade:

- Bem eu só vim aqui para isso, a gente se fala.

Tamara se vira e vai embora, como se a noticia dita fosse algo simples e natural... Droga:

- Maldita!

- Calma Fabrício... Nem tudo esta perdido.

- TA VENDO SEU IDIOTA, A CULPA É SUA.

- Meu amor... Eu...

- Eu quero ir embora... Ela acabou com o meu casamento... Acabou...

Joice começou a chorar, naquele momento eu senti a cicatriz quase desaparecida da minha mão arder... Maldita seja Tamara, ela só aparece para arruinar a minha vida, e agora? O que eu vou fazer?

- Gente, nem tudo esta perdido.

- Como você pode dizer isso Edson, ela esta grávida... GRAVIDA.

- Talvez esse filho não seja seu Fabrício.

Joice e eu encaramos Edson espantando, será que...

- A exatas cinco semanas eu encontrei Tamara, nós tivemos uma recaída do passado, bebemos e transamos, esse ultrassom pode estar com a contagem errada.

- Recaída?

- Eu nunca te falei Fabrício, mas quando eu apresentei Tamara para Joice, eu e ela tínhamos um caso, mas você me conhece né... Sempre procuro por novas aventuras, daí não deu certo né e resolvemos ficar só na amizade.

Nesse momento eu relembrei de uma conversa do passado que tive com Tamara, onde ela foi meio ríspida ao comentar sobre Edson, então significava isso, eles tiveram um caso, onde ela gostou mesmo dele:

- Edson, não acredito que você se deitou com ela?

- A Joice, eu estava bêbado, e eu fiquei com pena dela, foi algo que não esperava, mas aconteceu... Mas isso não importa, Joice não estrague a sua vida, não estrague esse dia, eu sou o padrinho de vocês eu vou zelar por esse amor, não vai ser a Tamara que vai acabar com esse dia...

- Edson...

- Por favor Joice, não estrague a sua vida, lembre-se da frase do altar...

- Na alegria e na tristeza.

Olhei para Joice, ela era pura, mas eu voltei a cair na lama suja... Seu eu fosse o pai do filho de Tamara, para mim o mundo acabou, eu... Eu...

- Me perdoe Fabricio... Eu fui egoísta de novo.

- Não... Você foi sincera... Eu sou um idiota, não mereço isso... Droga.

Fecho as mãos, mas antes que eu me machuque novamente, Joice me abraça, como ela poderia fazer isso? Eu sou sujo... Vou manchá-la...

- Eu te amo mais que tudo, eu deveria te apoiar, não te criticar, se realmente isso que Tamara diz for verdade, eu não vou te abandonar, você foi uma vitima, eu quero estar ao seu lado para sempre, me perdoa?

- Eu não tenho que perdoá-la por nada, o sujo...

- Você não é sujo meu amigo, não se preocupe, eu vou resolver tudo isso, sou seu padrinho para isso.

Uma esposa perfeita e um padrinho perfeito, eles sim eram as melhores pessoas:

- Obrigado por estarem aqui comigo, eu...

- Eu sempre vou estar ao seu lado meu amor... Eu te amo.

Joice me beijou os lábios, somente ela para encher minha vida com ternura, eu a amo tanto:

- Fabrício, você é como um irmão para mim meu camarada, não pense que vou desistir de você assim, eu te amo meu amigo... Só não vai ganhar beijinho viu.

Rimos todos juntos, dividir aquele problema com eles era como não suportar todo o peso do mundo sozinho, até senti que tudo poderia ser resolvido da melhor forma possível:

- Bem temos que voltar para festa, ou os convidados vão vir aqui quebrar os pratos.

- Sim, vamos festejar ao nosso amor, nada vai nos corromper...

- Eu te amo Joice...

- Eu também te amo Fabrício.

- E ninguém me ama não é?

- Vá cata coquinho Edson... Vamos voltar vai.

Edson começou a caminhar e sincronizados, Joice e eu o abraçamos e falamos juntos:

- Nós te amamos padrinho.

- Assim eu choro.

Rindo voltamos para a festa, era o momento de comemorar, os problemas seriam resolvidos depois, bem assim eu esperava.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E SEIS

Bom dia leitores, sexta feira no ar e com ela mais um capítulo dessa história fascinante.
Capítulo vinte e seis para vocês.
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 26:
QUEBRANDO OS PRATOS

                

Todos os homens e eu seguimos para a igreja, eu segurava um buquê, ele era feito de rosas com diversas cores, tinha azul, rosa, vermelho, laranja, branco e lilás, era bem bonito. Dentro do carro do senhor Igor que dirigia estava com um irmão dele, chamado Lucca e atrás íamos eu, Helio e um dos filhos de Lucca, um rapaz loiro chamado Nicolas:

- Puxa Fabrício você me parece tão calmo.

- É só fachada Nicolas, eu to mais ansioso do que de costume.

- Deve estar bem ansioso mesmo, pois não falou nada, e olha que você é um tagarela adelfós.

- Sou nada.

- É sim gamprós... Você é um verdadeiro conversador.

- Puxei meu se-dikaíou.

- O bampás fala bastante mesmo.

- Falar é bom... Chegamos.

A igreja estava lotada de carros, minha nossa, eu nunca vi tanta gente reunida, era um falatório danado, assim que desci do carro, fui recepcionado por todos da família, mas graças a Deus não fui sacudido, ao longe eu vi minha irmã e Julia, ambas vestiam uma roupa discreta, Julia vestia um simples vestido verde com poucas pedrarias, e um sapato com um saltinho, e minha irmã estava com um terno feminino preto com risca de giz, e ela estava usando uma sapatilha, um fato raro:

- Vivis, você esta diferente.

- Olha quem fala, o meu irmão que se veste sempre de noivo... Você esta lindo meu irmão, cheguei a ver o semblante do pai em você.

As palavras foram carregadas de emoção, era um dia especial, sem uma pessoa especial ali presente:

- Vivis, o pai deve estar sorrindo agora, feliz por ver seu filho casando, devemos lembrar dele de forma especial, então não chore esta bem.

- Eu não vou chorar, senão a Julia me mata.

- Mato mesmo.

Só depois que eu reparei bem foi que percebi, a Vivis estava... Maquiada?

- Maquiagem... Isso é um fato inédito.

- Fui eu quem fiz cunhado, ficou bom?

- Ficou ótimo, Vivis você deveria usar mais vezes maquiagem, esta muito natural.

- Não tenho paciência para essas coisas, bastava um brilho labial.

- Brilho labial... Você acha que só existi isso de maquiagem né Vivian.

- É a única que sei usar.

Dei risada da situação, ao longe escutamos os sons de buzinas e gritos, e do meio da multidão o senhor Igor grita:

- A NÝMFI CHEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOUUU...

- Quem é essa Fabrício.

- A noiva Vivis, se acomodem a cerimônia vai começar.

-

As tradições gregas são bem diferentes das convencionais, pois eu tinha que esperar a noiva e iríamos entrar juntos, as portas da igreja estavam fechadas, eu estava do lado de foram e esperava Joice sair logo do carro, eu não me aguentava de ansiedade, o senhor Igor se certificou que ninguém ficasse do lado de foram, somente ficaram eu, ele e a noiva no carro.

Olhando para os lados e tendo absoluta certeza de que ninguém estava ali, ele finalmente abriu a porta, e toda a ansiedade que eu senti se transformou em emoção, Joice estava linda, usava o clássico vestido branco, com mangas de rendas, os cabelos foram todos enrolados em grandes cachos, o trabalho de pedraria era perfeito, um longo véu que vinha do topo da cabeça e se espalhava pelo chão, acha-la linda foi pouco:

- Não chore gamprós... Ah minha kóri.

- Parem os dois vai, senão eu acabo chorando também e vou borrar a maquiagem.

- Você esta maravilhosa minha amada, aqui esta o seu buquê.

- É lindo...

- Escutem os dois eu tenho algo para vocês.

- Mas senhor Igor, a cerimônia...

- Tome coloquem isso.

O senhor Igor nos entregou um par de narizes de palhaço, e quando percebi ele já estava usando um:

- Eu sei o quanto você desejaria que seu pai estivesse aqui, então eu resolvi fazer isso em sua homenagem.

Contive as lágrimas, essa seria a melhor demonstração de amor que eu poderia dar ao meu pai. Sorri e coloquei nariz, depois olhei para Joice que também colocou objeto:

- Se quiser não precisa colocar amor.

- Eu quero fazer isso, somos um casal, estamos juntos não importa a situação.

- Eu te amo.

- Eu também te amo.

Entrelaçamos os braços, o senhor Igor se posicionou ao lado da porta e fez a contagem com os dedos, e no três ele abriu a porta, antes de entrar eu tive a mais bela visão, todos os presentes usavam um nariz de palhaço, e num grande telão posto na igreja estava a foto do meu pai com a minha frase:

- Um palhaço nunca... Deixa...

Não pude terminar de falar, fui tomado pela emoção, pai... Obrigado... Obrigado!

-

A cerimônia foi interessante, um ortodoxo grego fez toda a consagração, na cerimônia temos apenas um padrinho que claro foi o Edson, agradeci por isso pois não imaginava ninguém melhor que ele para abençoar a nossa união. Após o ortodoxo dizer as últimas palavras em grego, todos começaram a gritar Na zisete que era vida longa, fizemos as trocas de aliança, mas não as colocamos na mão esquerda e sim prevaleceu na direita, ou seja, eu já estava casado há muito tempo com Joice, interessante não.

Saímos da igreja e fomos recepcionados por grãos de arroz algumas pétalas de rosas, alguns convidados se aproximaram nos abraçavam e depositavam envelopes dentro do paletó do meu terno:

- O que é isso?

- É tradição em casamentos gregos os convidados darem dinheiro para ajudarem os noivos.

- Mentira?

- É verdade, olha o theíos Lucca.

- NA ZISTE ANIPSIÁ

- Efcharistíes Theíos.

Ele nos abraçou e depositou um envelope no meu paletó, gente que casamento doído, e eu ia querer apenas uma geladeira nova?

- Fabrício a sua irmã

- Felicidades aos noivos...

- Obrigado irmã... E obrigado pela homenagem.

- Ficou tão na cara assim que foi armação?

- Claro, estou muito feliz, você é a melhor irmã do mundo.

- Bem eu não sou rica, mas esta aqui o meu presente.

Vivis colocou também um envelope no meu bolso, e claro que eu ia contestar, mas ela já levantou a mão e me disse com o dedo no meu nariz:

- Não reclame, resmungue ou fale qualquer coisa... Só me prometa que será feliz.

- Já estou sendo Vivis...

Nos abraçamos e os cumprimentos continuaram, até chegarmos ao carro, no pouco espaço de tempo, eu recebi cerca de cinquenta envelopes:

- Nossa to chocado com isso, o que vamos fazer com todo esse dinheiro.

- Isso nós vemos depois meu marido lindo.

Joice me beijou os lábios sorrindo, agora nós éramos marido e mulher, unidos para sempre:

- Então minha esposa o que vamos fazer agora?

- Vamos para a festa, temos que quebrar os pratos.

-

O quebrar de pratos era uma tradição antiga, hoje não muito usada, mas o senhor Igor fez questão de usar tudo o que era antigo, assim que chegamos à festa, havia uma pequena quantidade de pratos, deu para notar que era pratos de gessos, ou seja, feito para serem quebrados e não machucarem ninguém. Joice me arrastou para o meio da pista de dança, me entregou um prato e todos começaram a aplaudir num mesmo ritmo, era uma musica grega, um som costumeiro e logo todos começaram a dançar em nossa volta, talvez era o momento de jogar o prato no chão:

- Vamos amor, quebre o prato.

- Tem certeza?

- Absoluta.

Encarei o prato e sem pensar o joguei no chão, todos gritaram ao mesmo tempo assim que o objeto se despedaçou:

- NA ZISETE...

E voltaram a bater palmas e a dançar, uma orquestra surgiu e entrou no ritmo das palmas com os instrumentos, em seguida foi Joice quem quebrou o seu prato, e novamente todos gritaram a saudação na zisete, era divertido. Logo vários convidados pegaram alguns pratos e começaram a quebrar também, ao longe eu vi o brilho nos olhos de Vivis ao quebrar o seu prato, tenho certeza que ela queria fazer isso mais que qualquer um:

- Essa é a dança Quebra pratos amor, dizem que é para espantar os maus espíritos e assombros.

- É divertido.

- Então vamos quebrar mais meu amor.

Assenti com a cabeça, e pegamos mais alguns pratos e os quebramos, eu realmente queria mesmo que aquilo espantasse todos os maus espíritos.

-

A equipe de limpeza veio e limpou tudo, então começou a sessão de fotos, mais abraços, saudações, mais envelopes e tudo mais. A festa esta super animada, reconheci alguns convidados como a equipe que trabalhava comigo no Buffet e fiquei feliz em vê-los:

- Venha amor, quero te apresentar o meu chefe.

- Eu estou apresentável?

- Amor você esta de noiva.

- É verdade, havia me esquecido.

- Vamos.

Me aproximei da mesa onde Luis estava sentado, e o vi tomando um bom gole de hidromel:

- Ola chefe tudo bem?

- Tudo sim meu funcionário favorito... Que festança hein, já peguei algumas ideias aqui para aplicar ao nosso Buffet.

- Até aqui fica pensando em trabalho é.

- Tenho que gerar lucro meu amigo... Vem cá deixa eu te abraçar.

Realmente Luis não estava no seu normal, acho que o hidromel fez efeito muito rápido:

- Deixe o garoto em paz Luis, ele veio apenas nos saudar, e tem muitos outros convidados ainda.

- A Chica, vamos comemorar.

- Ele esta bêbado?

- Até por demais... Ah menino felicidades para vocês viu, e para esse anjinho que esta vindo.

Dona Chica acariciou a barriga de Joice e beijou-lhe a face:

- Obrigada dona Chica, fico honrada em conhecer a senhora, o Fabrício fala muito bem da sua comida viu.

- Nada que ninguém possa fazer melhor que eu... Agora vão curtir a festa de vocês, eu tenho que segurar o Luis.

- Obrigado por ter vindo dona Chica aproveite a folga.

Dona Chica sorriu e puxou Luis para a cadeira, pois ele já estava que nem doido dançando, esse meu chefe é uma figura, saudamos mais alguns convidados, e fomos parar na mesa da família, onde estavam dona Vera, o senhor Igor, Hélio, Vivis e Julia:

- Gampróoooooooooos... Na zisete.

- Obrigado se-dikaíou, a festa esta sensacional.

- Isso é o mínimo que faço por vocês, venham esse é o meu presente.

- Não senhor Igor do senhor eu não vou aceitar nada.

- Mas gamprós... É o meu presente.

- Presente maior eu já tive quando o senhor me deixou casar com a sua filha.

O senhor Igor recolheu o envelope e me abraçou:

- Ah gamprós... Você é maravilhoso... Te peguei.

Num rápido reflexo ele jogou o envelope no bolso do paletó, que danadinho:

- Não devolva ou você vai ter mais de sem gregos aqui querendo te bater.

- Senhor Igor, o senhor não existe.

- Agora o meu presente.

- Hélio, até você.

- Relaxa adelfós, não é dinheiro.

- E o que seria meu adelfáki?

- Isso aqui minha mikrí adelfí.

Hélio colocou em minha mão direita uma chave... Uma chave de um carro:

- Presente meu e da minha empresa, faça bom proveito.

- Ah Hélio, obrigado.

- Não precisa agradecer... Agora você não tem mais desculpa para chegar atrasado ao seu emprego.

- Não mesmo.

Todos riram, era o dia mais feliz da minha vida, nada poderia estragar:

- FABRÍCIO... AINDA BEM QUE TE ENCONTREI.

- Edson... O que foi? Por que esta ofegante?

- Tem uma pessoa querendo entrar na festa?

- Uma pessoa... Quem?

- Tamara.

Eu tive vontade de gritar, “QUEBREM MAIS PRATOS”, mas acho que nem assim esse assombro iria embora, o que essa mulher veio fazer no meu casamento:

- Eu vou resolver isso.

- Senhor Igor, por favor, fique aqui, eu vou.

- Amor, eu também vou com você.

- Lua da minha vida, não quero estragar esse dia que é o mais importante da nossa vida, deixe que eu vou resolver isso esta bem.

- Sti chará kai ti thlípsi... Sabe o que significa isso?

- Pelo pouco de grego que sei é na alegria e na tristeza.

- Juramos isso ao altar, não posso quebrar essa promessa, eu vou com você.

Sorri para minha esposa, ela tinha razão, agora éramos um só, e juntos expurgaríamos esse mau.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E CINCO

Bom dia leitores assíduos, um pouco mais tarde hoje, mas finalmente eu trago para vocês o capítulo vinte e cinco.

Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 25:
O GRANDE DIA

                

- Seus sacanas, vocês armaram para nós né.

- Ah meu camarada, eu não posso ver um amigo sofrendo, e eu sabia que você estava numa pior e a Su também ficou sabendo da situação da Joice, então demos uma mãozinha.

- Olha Edson eu só tenho que agradecer, vocês salvaram as nossas vidas.

- Salvaram mesmo, mas eu ainda to chocada, como a Tamara foi capaz de fazer aquilo, gente eu pensei que ela fosse nossa amiga.

- Joice é que você sempre foi muito inocente, eu já havia percebido isso, por isso sempre mantive distancia, mas pelo menos desse mau vocês não irão sofrer mais.

- Eu queria aproveitar à deixa para fazer um pedido a vocês meus amigos?

- Que pedido Fabrício?

- Quero que eles sejam os meus padrinhos Joice.

- Fabrício infelizmente isso não será possível.

- E por quê?

- Um casamento típico grego, são os amigos que escolhem os padrinhos, para incentivar a comunhão com os demais.

- Mentira?

- É verdade Fabrício, acho que você deveria ler um pouco mais sobre as tradições da sua futura família.

- Tenho que ler mesmo Su, por que disso eu não sabia...

- Mas pode ficar sossegado, eu me encarrego de escolher bons padrinhos para vocês...

Edson me uma chave de braço, e fez um cafuné na minha cabeça:

- Mesmo assim fico feliz em saber que você me chamou para ser o seu padrinho.

- Eu que fico feliz por saber que sempre vou poder contar com o apoio de vocês.

Era bom mesmo saber que Edson e Suzana estavam do nosso lado, fazia com que eu relembrasse da verdadeira amizade, o mundo não estava verdadeiramente perdido, não enquanto existir pessoas como eles:

- Puxa vida, olha a hora, eu tenho que ir embora já.

- Eu vou com você Joice, não quero desgrudar de você nem por um segundo.

- Que lindo amor... Então vamos, aposto que meu bampás vai ficar muito feliz ao revê-lo novamente.

- Tenho até medo de ver o seu pai novamente.

- Por que Fabrício?

- Porque ele vai me sacudir tanto que acho que desta fez eu parto para o outro mundo.

Os três começaram a rir da piada, mas no fundo eu temia mesmo pelas sacudidas do meu se-dikaíou, bom melhor receber umas sacudidas do que ficar vazio por dentro.

-

- GAMPRÓOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOS... QUE SAUDADES...

A reação do senhor Igor já era esperada, ele me abraçou, me sacudiu, voltou a me abraçar, ligou para toda a família, me sacudiu mais um pouco, pegou duas taças com hidromel, fez um brinde, voltou a me sacudir, colocou uma musica grega e começou a dançar comigo abraçado. Posso dizer que essa era uma reação esperada já:

- Senhor Igor, eu preciso me sentar, estou começando a ficar tonto.

- Que isso gamprós, temos que comemorar, vou chamar a família toda...

- NÂO...

Por Deus, esse homem não pode ter uma crise de felicidade sem ter que chamar toda a família?

- Agapitós deixe nosso gamprós respirar um pouco, senão ele vai desaparecer novamente.

- Não diga isso nem em sonho gynaíka.

- Isso eu posso garantir, mesmo com todas essas sacudidas nada irá me afastar de Joice.

- Esse é meu gamprós... MUUUUUUUUUUUUUUUUSICAAAAAAAAAAA...

Sabe aquele ditado, já que não pode com eles se juntem a eles, bem ele se aplica agora, então eu cai na dança também junto com o senhor Igor, o bom foi que ao menos já teria uma nova dança para fazer na próxima aparição do Astro Rei.

-

Após toda a comemoração, Joice e eu seguimos para a varanda, já estava escurecendo, as primeiras estrelas já começavam a aparecer. Eu envolvia Joice num abraço bem apertado, enquanto olhávamos para a cidade:

- Estou tão feliz que esteja aqui comigo.

- Eu também meu amor... Eu não quero me afastar mais de você lua da minha vida.

- Eu não vou deixar mais isso acontecer.

- Posso te fazer uma pergunta?

- Todas que quiser.

- O que te fez mudar de opinião, sobre aquele ocorrido?

- Sabe depois que você saiu, meus pais tentaram me persuadir a falar com você, mas eu estava chocada demais, não conseguia absorver tudo o que aconteceu, e depois de um tempo eu finalmente entendi o seu lado, vi que não foi culpa sua, mas não sabia se teria o seu perdão.

- Você não precisava do meu perdão.

- Ah precisava sim, eu te julguei num momento do qual você apenas queria a compreensão, eu fui mimada, infantil, mesquinha...

- Para Joice, não se insulte mais, isso só me faz ficar pior.

- Por que Fabrício?

- Porque eu sou o responsável por tais pensamentos, eu que causei tudo isso, eu que carrego a sujeira...

Me desvencilhei de Joice e encarei minhas mãos, a marca da cicatriz estava ali, ela faria com que eu me lembra-se do meu pecado:

- Não quero que pense assim.

Joice segurou minhas mãos e olhou as cicatrizes, e em seguida me abraçou:

- Vamos apagar essa marca, e iremos retomar as nossas vidas de onde paramos, eu não quero mais sofrer.

- Eu não quero mais que sofra.

- Venha morar aqui então.

- Esse é o seu desejo?

- Será meu desejo se também for o seu.

Beijei levemente os lábios de Joice e sussurrei em seu ouvido:

- A minha felicidade é estar ao seu lado, eu venho morar aqui minha amada.

Ela me abraçou, nos beijamos e logo em seguida ela ligou:

- BAMPÁS ELE VAI MORAR AQUI.

Como um tornado grego, se é que pode haver diferença entre um tornado normal e um grego, eis que surgi o senhor Igor a todo vapor:

- GAMPRÓOOOS... ATÉ QUE FIM... VAMOS COMEMORAR... MAIS HIDROMEL.

Dai foi quando meu cérebro realmente se deslocou da cabeça e foi parar em algum lugar da casa, nunca fui tão sacudido na minha vida.

-

No mesmo dia eu realizei a mudança, fui para minha casa acompanhando por toda a família grega, ajeitei as minhas roupas e alguns pertences de uso pessoal, na verdade estar ali na minha casa me fez quase repensar na minha decisão, eu estava largando tudo ali, principalmente a essência viva do meu pai:

- Casa bonita gamprós.

- Nessa casa eu vivi os últimos momentos com meus pais senhor Igor, me da uma saudade ter que deixar esse lugar

- Você... Esta pensando em não aceitar a nossa oferta de morada amor?

- Eu já tomei a minha decisão, e também ninguém pode se viver de passado. Acho que meu pai deve estar feliz por mim.

- Tenho certeza que sim querido, nós vamos trata-lo como nosso próprio filho fique sossegado.

- Obrigado dona Vera.

Olhei para a casa novamente, e vi cada detalhe dali, então caminhei até o quarto do meu pai, toquei em sua cama, peguei seu porta retrato, e admirei o seu sorriso eternizado na fotografia, a vontade de chorar me inundou, mas eu sou um palhaço, eu nunca ficou triste, então eu sorri:

- Pai é hora de eu seguir em frente, mas eu jamais o esquecerei, jamais esquecerei esse lugar, o senhor me deu uma nova vida, e eu não sei como agradecê-lo... Obrigado pai eu te amo.

Uma rajada de vento entrou pela janela, e pode até parecer loucura, mas eu senti uma brisa tocar o meu rosto como um beijo, então o aroma do lugar se intensificou, e logo desapareceu:

- Fabrício?

Forcei meu melhor sorriso e olhei para Joice, mas ainda sim as lágrimas me condenaram:

- Oi meu amor.

- Você... Esta chorando?

- Jamais, palhaços nunca deixam de sorrir.

- Ah meu amor... Se quiser podemos...

- Não... Eu vou com vocês, já era hora disso acontecer, eu preciso trilhar meu caminho.

- Trilharemos juntos.

- Então vamos minha amada.

Segurei a sua mão e começamos a caminhar, Joice era a luz que faltava na minha vida, e eu sei que de hoje em diante tudo mudaria para melhor.

-

Vivis ficou logo sabendo da minha mudança, no começo ela ficou bem triste, mas isso logo iria acontecer, afinal tínhamos apenas um mês para o casamento, um mês que passou bem rápido. Nesse período eu entreguei a casa a imobiliária, e consegui doar os móveis que ainda tinham ali, só não abrir mão do baú onde eu encontrei a roupa de palhaço e do DVD de stand up, o resto, foi tudo para doação.

A minha rotina foi reajustada, já que agora morava um pouco mais longe do meu serviço, ao qual deixei bem claro que não o largaria, mesmo contra a vontade do senhor Igor:

- Gamprós eu posso lhe arrumar um emprego melhor.

- Senhor Igor, ser palhaço é a minha vida não há outra coisa que eu faça melhor.

- Se é isso que meu gamprós deseja fazer, eu vou apoia-lo então.

Meu sogro era a melhor pessoa desse mundo. Bem e assim os dias passaram e quando menos esperávamos o grande dia chegou, eu estava num dos quartos de hóspede, e junto comigo estavam praticamente todos os homem da família:

- Fabrício, você deve carregar esse buquê?

- Mas isso é da noiva.

- Nos casamentos gregos é o homem quem segura o buquê gamprós.

- Vai me dizer que eu vou ter que joga-lo também?

- Não você vai entregar a noiva... Fabrício eu já te expliquei isso.

- Hélio eu estou nervoso, da um crédito vai.

Nesse momento eu apenas escuto um uma manada de passos e gritos eufóricos:

- VAMOS ARRUMAR A NOIVA...

- AAAAAAAHHHHH...

- Isso é normal também?

- Sim gamprós, assim como todos os homens estão aqui te arrumando, as mulheres estão lá arrumando Joice.

- Que medo.

O engraçado foi que todos os homens concordaram, bem era hora de me arrumar, que comece o casamento.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E QUATRO

Bom dia meus leitores, mais um dia começando e seu capítulo diário já esta no ar.
Capítulo vinte e quatro para vocês.
Boa leitura!

CAPÍTULO 24:
A LUA DA MINHA VIDA

                

Voltei para minha casa, eu sentia um vazio tremendo no corpo, saber que eu viveria longe da única pessoa que eu realmente posso afirmar que amo, era como caminhar no gume de faca, a qualquer momento poderia cair e me cortar.

Nem vou passar na casa da Vivis, pode ser egoísmo da minha parte, mas eu não estava afim de ser consolado, eu precisava encarar essa situação sozinho, era dolorido, mas eu não poderia fazer mais nada.

Entrei em casa e tranquei a porta, e por segurança coloquei o sofá encostado na porta, assim ninguém mais entraria ali.

Caminhei para o meu quarto, olhei tudo bagunçado, mas pelo menos as roupas da vagabunda que destruiu a minha vida eu joguei fora. Suspirei fundo, eu me senti perdido, sem rumo, o que seria de mim agora? O que eu tenho que fazer?

Nesse momento, a porta do quarto do meu pai abre, e de onde eu estou eu vejo o seu baú... Aquele baú foi onde eu encontrei a roupa de palhaço, puxa vida, foi ali onde tudo começou, o meu inicio foi ali, onde eu deixei meu antigo eu, ou melhor dizendo, naquele quarto foi onde eu me encontrei.

Então segui para ele, ah o aroma do meu pai ainda ficava ali, era reconfortante ficar por ali, eu me sentei na cama e observei o quarto, era como se tudo ali fosse novo, mas na verdade eu já conhecia cada canto daquele cômodo. O mofo da parede, os porta retratos, o baú... Aquele baú.

O Astro Rei surgiu dele, e com ele também veio a minha frase:

- Todo palhaço nunca deixa de rir.

Cai na gargalhada, mesmo que a minha vontade era cair em prantos, mas não, eu não iria deixar o meu sorriso desmoronar, enquanto eu ria, as lágrimas resolveram vir junto. Talvez seria assim que eu deveria viver, sempre a sorrir, mesmo que o mundo me destrua, o meu sorriso prevalecera sempre.

-

Havia se passado duas semanas, e eu me esqueci de Joice, pois todas as noites eu sonhava com ela, mas posso dizer que estou conseguindo viver, meu trabalho estava seguindo muito bem, eu e minha irmã também estávamos numa boa, apesar dela ficar sempre choramingando sobre não ter mais o meu casamento:

- Eu queria tanto quebrar alguns pratos...

Só essa Vivis mesmo para fazer uma piada no meio da tragédia.

Sobre a minha infeliz vizinha, eu não há vi mais, e agradeci por isso, dela eu só queria distancia, viver longe desse problema, nem sequer eu fazia questão de saber dela. 

Sendo assim eu estava vivendo a minha vida, um dia de cada vez, assim era mais fácil lidar com a dor e a saudades.

-

Bem amanhece mais um dia, eu estava de folga, e resolvi dar uma volta no shopping com Edson, fazia tempo que eu não saia com ele, claro que a muito custo consegui convencê-lo a não irmos a uma balada, já que seu forte sempre foi azaração:

- Cara... Não pode ser ao menos num bar.

- Não Edson, não to no espírito para azaração, quero paz, mas se não quiser ir, tudo bem.

- Você sabe que eu vou né amigão, e também no shopping sempre tem alguém querendo andar de montanha russa.

Tem horas que o Edson chega a ser terrível, mas no fundo eu sei que ele é uma boa pessoa.

Bem marcamos as treze na praça de alimentação e ele esta atrasado, será que aconteceu alguma? O Edson sempre foi pontual:

- Oi Fabrício.

A voz doce e suave, como um canto angelical, eu não queria me virar e achar que estou ficando louco e escutando coisas, mas por instinto virei, e agradeci aos céus, eu não estava louco:

-Joice...

- Podemos... Conversar?

-

Sentamos numa mesa bem no centro da praça de alimentação, claro foi a pedido dela isso, por mim ficaríamos num lugar mais reservado, mas para não perder a oportunidade de olhá-la e admirar a sua beleza eu não contestei:

- Como tem passado Fabrício?

- Vou indo na medida do possível, e você e o bebê como estão?

- Bem também, sinto muito enjoo ultimamente, e algumas dores.

- Dores... Mas esta tudo bem mesmo?

- Sim, o doutor Lucas disse que é normal... Nossa você age igual o meu bampás.

- Desculpa, tem horas que é involuntário, mas não se preocupe, que existe uma grande diferença entre eu e o senhor Igor.

- Que diferença é essa?

- Eu jamais vou sacudir alguém tão bem como ele.

Joice riu da minha piada, como era bom ouvir aquele riso, senti vontade de despejar tudo o que sentia, mas eu prometi para mim mesmo, respeitar a vontade de Joice:

- Ai só você para me fazer rir.

- Desculpa, mas é involuntário, e como estão seus pais?

- Bem... Eles estão tristes.

- Nossa, mas porque se você esta bem? É algo com os negócios ou o seu irmão Lio?

- Não... Eles estão triste... Por você não estar lá em casa.

Ah... Como fui ingênuo, mas também não poderia ser exibido e achar logo de cara que eu seria o motivo da tristeza deles:

- Bom... Infelizmente a vida faz umas curvas, da qual eu não esperava, eu sinto muito pela infelicidade dos seus pais.

- Eles vão ficar bem... Logo isso passa.

- O tempo vai ajudar né...

- Sim, o tempo sempre ajuda...

Encarei minhas mãos, mesmo não tento citado o evento da nossa separação eu sei que ele ainda era vivo, as cicatrizes que tenho na palma da mão são as marcas de que um dia eu fui sujo... Droga por que estou tremendo...

- Não precisa ficar assim Fabrício.

- Preciso sim... Eu... Não superei tudo isso.

- Eu também não...

Ficamos mudos, e a vontade de abraça-la foi imensa, eu só queria saber por que tudo isso tinha que acontecer com a gente, nós nos amávamos, teríamos um filho, por que conspirar contra duas pessoas querem estar juntos e vivendo aquilo juntos?

- Já marcou o ultrassom?

- Então eu já fiz um, mas eu não vi nada para se sincera.

- Puxa... Eu queria ter ido assistir...

- Ah, eu... Esqueci de avisá-lo.

- Tudo bem, posso ir ao próximo?

- Claro... Er... Se pude ir.

- Pelo nosso filho eu sempre vou poder tudo... Não só por ele.

Eu a encarava agora, não pude resistir, ela estava ali, na minha frente, não poderia perdê-la novamente:

- Fabrício, por favor...

- Joice eu sei que você me odeia, que me despreza, que não suporta me olhar, mas eu não posso deixar de tentar novamente, mesmo não merecendo, eu jamais te esqueci, jamais te esquecerei, por que você será para sempre a lua da minha vida, a única que vou amar...

Joice começou a chorar, ela estava de cabeça baixa, eu não queria fazê-la chorar e muito menos reviver todo o sentimento que sentiu dias atrás, então eu enfiei a mão no bolso e retirei um lenço e entreguei a ela:

- Desculpe ter feito você chorar.

- Fabrício eu só tenho duas coisas para lhe dizer.

- Se me dizer apenas uma já será o suficiente, apenas de ouvir a sua voz eu já sinto uma força renovadora.

Ela suspirou, me olhou nos olhos e disse:

- Em primeiro, eu jamais te odiaria, jamais te menosprezaria e muito menos não suportaria te olhar, e em segundo, se eu sou a lua da sua vida, saiba que você é o meu sol, eu... Senti tanto a sua falta... Quis ser orgulhosa, mas estava errada, Tamara tentou nos afastar... Mas eu não consigo mais... Eu não quero viver longe de...

Não deixei ela terminar, em meio as lagrimas eu a beijei, ela era a minha força, meu céu e minha luz:

- Eu...

- Não diga nada meu amor... Eu te amo Joice... Te amo... Te amo... Te amo...

Nos abraçamos ali no meio do shopping, e todos começaram a aplaudir. Não senti vergonha, na verdade eu senti a vida voltando, e ali no meio das pessoas eu reconheci Edson e Suzana, e pela cara deles, tenho quase certeza que eles tramaram tudo isso. Eles sim são verdadeiros amigos.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E TRÊS

Bom dia pessoal, hoje o dia esta corrido, mas sempre podemos para alguns minutos para a nossa leitura diária.
Capítulo vinte e três no ar... Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 23:
CONFUSÃO À VISTA

                

Fiquei acordado a manhã toda, eu não ia conseguir trabalhar, não até conseguir ter o laudo em minhas mãos, fora a ansiedade de ter que falar com Joice, isso se ela já não estiver ciente dos últimos fatos... Minha vida estava arruinada.

Em meios aos meus pensamentos desesperados, o meu celular toca, no visor eis que aparece o nome da mulher da minha vida... E agora? Eu atendo ou não? O telefone para, droga... O que eu fiz?

Pego o celular, e redisco imediatamente para Joice, eu precisava ouvir a sua voz:

- Oi amor, bom dia!

AH MEU DEUS... O QUE EU FALO... O QUE EU FALO?

- Alô?

- Oi... Joice, tudo bem?

- Tudo bem, ontem você não me ligou, aconteceu alguma coisa? Fiquei preocupada.

- Não aconteceu nada.

- Tem certeza, estou sentido você meio estranho...

Ela já deve estar sabendo, e agora?

- Fabrício?

- Oi amor, eu... Passei mal ontem por isso não te liguei.

- Nossa, deveria ter me avisado, esta melhor hoje?

- Mais ou menos, estou esperando um laudo médico para saber o que aconteceu comigo, talvez eu não vá trabalhar.

- Puxa isso é serio, quer que eu vá ficar com você ai?

- Não precisa meu amor, descanse esta bem, assim que eu estiver tudo certo eu vou até a sua casa.

- Vai passar a noite aqui de novo?

- Não sei meu amor, tudo vai depender desse resultado.

- Nossa Fabrício falando assim até parece que esse papel pode mudar a nossa vida.

Ah se ela soubesse...

- Eu desejo muito que não, mas fique descansada, eu te ligo no decorrer do dia.

- Esta bem, vou aguardar a sua ligação.

- Joice...

- Sim.

- Eu te amo muito.

- Eu também te amo Fabrício.

Ela desligou o telefone, e eu fiquei a escutar até o telefone silenciar, bem de certa forma eu não menti, realmente estava esperando um resultado, e também passei mal, mas ainda sim me senti muito mal, ah... Que droga que eu fiz, como eu pude estragar a minha vida desse jeito.

-

Liguei para Luis e contei sobre o meu mal súbito, e pelo menos ele não me questionou, apenas me desejou melhoras. De resto eu fiquei vagando pela minha casa, e às vezes olhava pela janela, na expectativa de encontrar Julia e a Vivis.

A espera me matava, e era apenas dez horas da manhã, eu ia enlouquecer, eu precisa me distrair.

Olhei para o celular e comecei a pesquisar na internet sobre o tal LSD, e só fiquei mais assustado, como Tamara teve coragem de fazer tudo aquilo? Isso já superava a inveja, ela queria mesmo era arruinar a minha vida.

Ouvi um barulho vindo de fora, era Tamara ela estava saindo ou chegando, não importar era o momento de esclarecer os pontos:

- Ei espera aí.

- O que você quer comigo Fabrício? Me usar como fez da ontem?

- Não se finja de ofendida, você armou tudo isso, agora me entregue às chaves da minha casa.

- Tó... Deseja mais alguma coisa?

- Exclua o vídeo do celular.

- Não mesmo.

- Então isso só prova que você fez isso premeditadamente.

- Fabrício, escute vamos esquecer o que aconteceu, eu prometo não atrapalhar a sua vida.

- Eu não acredito em você... Porque Tamara? Porque você quer arruinar a minha vida?

- Eu não quero arruinar a sua vida.

- Ah não, e porque invadiu a minha casa, e fez o favor se deitar comigo?

Tamara desviou o olhar, maldita, estava se fazendo de difícil, ou deveria estar tramando mais alguma coisa:

- Porque você não gosta da Joice?

- Porque ela tem tudo e eu não, eu tenho que ralar todos os dias para garantir o pão na minha casa, e agora ela vai se casar com você... E esta feliz, não suporto ver a felicidade dela.

- Desde quando você se tornou tão invejosa Tamara?

- Eu não sou invejosa, só não aceito que ela tenha uma vida feliz enquanto a minha cai na ruína.

- Você é a única pessoa que trás a ruína para a sua vida.

- Idiota.

- Vagabunda.

- Pois eu vou contar tudo a Joice, eu vou dizer que você me dopou, me usou, me obrigou a deitar com você, e ainda vou mostrar o vídeo que você fez com o meu celular.

Eu permaneci inalterado, e aquilo a perturbou:

- Não vai dizer nada.

Sorrindo eu levantei o meu celular e pressionei um botão pelo touch da tela: "Eu não sou invejosa, só não aceito que ela tenha uma vida feliz enquanto a minha cai na ruína".

Desta vez foi Tamara quem ficou chocada, ela não havia percebido, mas eu gravei toda a nossa conversa:

- Xeque!

- Isso não prova nada.

- Prova que você é uma invejosa, que odeia Joice.

- E sobre a nossa noite maravilhosa?

- Já estou mexendo meus pauzinhos... Sabe Tamara, tentar me dopar com sonífero foi muito inteligente.

- Idiota eu não usei sonífero...

Ela parou de falar, olhou para mim e eu reproduzir novamente a sua voz: "Idiota eu não usei sonífero..."

- Xeque mate! Eu sei você usou LSD, agora eu tenho tudo o que preciso para te incriminar, você esta arruinada.

- Não... Fabrício, eu não vou falar nada, mas por favor não conte nada a Joice.

- Quem disse que vou falar para a Joice.

- Não?

- Não... Vou direto para a delegacia.

O espanto tomou conta de Tamara que caiu de joelhos e começou a chorar:

- Não quero ser presa... Por favor... Não faça isso...

- Então apague o vídeo e suma da vida de Joice e da minha também.

Tamara pegou o celular trêmula, apagou o vídeo em meios aos soluços:

- Pronto.

- Você tem mais copias do vídeo?

- Não.

- Tem certeza?

- Sim... Por favor não me denuncie, eu não quero ser presa.

- Vou te dar esse ultimo voto de confiança, agora desapareça.

Tamara se levantou e correu para dentro da sua casa, eu realmente esperava que ela cumprisse com a sua palavra, já que eu cumpriria com a minha... Bem eu não a denunciaria a polícia, mas contaria tudo a Joice, não quero estar com ela e carregar essa sujeira comigo.

-

Julia e Vivis chegaram era no meio da tarde, com o resultado positivo para LSD e mais um forte estimulante sexual, maldita garantiu que eu apagasse, mas o meu corpo não.

Com esse papel em mãos eu me dirigi direto para a casa de Joice, claro Vivis queria me acompanhar, mas eu neguei a sua companhia:

- Fabrício eu sei que você vai precisar de apoio.

- Vivis eu tenho que resolver isso sozinho, não posso ficar a vida toda me apoiando em você.

- Mas Fabrício...

- Vivis, confie em mim, vai dar tudo certo.

Ela não questionou apenas me abraçou e eu desejei não ser traído pelas minhas próprias palavras, era o momento de falar a verdade.

-

Cheguei ao prédio da residência de Joice sem prévio aviso, eu estava trêmulo, o que eu ia fazer era o certo, mas ainda sim poderia acabar com tudo, e eu sairia mais ferido do que aliviado:

- Boa tarde, vou a casa do senhor Igor o consulado.

- E você quem é meu rapaz.

- Sou o gamprós dele.

Ou talvez nem fosse mais. O porteiro anunciou a minha entrada, que foi liberada rapidamente:

- Desculpe meu jovem, eu ainda não entendo grego.

- Sem problemas eu demorei para entender também.

O portão se abriu, eu caminhei sem vacilar, ah Deus da uma ajudinha por favor.

-

Joice veio me recepcionar, estava feliz pela visita inesperada:

- Fabrício... Como é bom vê-lo, esta melhor?

- Sim, estou melhor, e você como esta? Já comeu?

- Estou bem meu amor, não precisa se preocupar comigo, tenho varias babás por aqui.

Tentei não demonstrar minha inquietação e frustração, mas acho que não fui bem sucedido, pois Joice me encarou preocupada:

- Tem certeza que esta tudo bem?

- Seu pai e sua mãe estão ai?

- Sim... Você esta estranho meu amor.

- Joice, eu preciso falar com eles e com você, se possível agora.

Acho que a minha voz saiu em tom de urgência, pois Joice ficou assustada, querendo ou não era uma situação delicada, mas eu precisava falar ou não viveria feliz comigo mesmo:

- Fabrício você esta me assustando...

- Por favor, é um assunto importante.

- Mas...

- Não me pergunte ainda, quando eles estiverem aqui eu prometo falar tudo.

- Falar o que gamprós?

Olhei para a entrada da sala de jantar e encontrei o senhor Igor e a dona Vera, eles vinham caminhando, e claro sempre sorrindo:

- Senhor Igor... Dona Vera... Eu... Tenho que contar algo de extrema importância para vocês.

- Somos todos ouvidos Fabrício, vamos até a sala, lá podemos tomar um chá enquanto você nos conta o que esta acontecendo.

- Obrigado dona Vera.

Meus sogros foram na frente, enquanto eu seguia atrás junto com Joice, que segurava a minha mão, aposto que após eu contar todo o ocorrido ela não irá mais se aproximar de mim.

-

Todos ficaram sentados, exceto eu, era melhor ficar de pé, talvez assim eu não engasgasse com nenhuma palavra:

- Gramprós pode se sentar.

- Melhor eu ficar de pé senhor Igor.

- Querido aceita chá de abacaxi?

- Estou bem assim dona Vera obrigado.

- Meu amor, o que você tem para falar de tão importante?

Retirei o laudo feito por Julia onde constava a intoxicação da água pela droga LSD e o estimulante sexual e entreguei a Joice, ela leu aquilo sem entender nada, era a hora da explicação:

- Esse papel que esta em suas mãos meu amor, é um teste feito num laboratório farmacêutico onde o laudo diz que um recipiente com água continha uma alta dose de LSD e um forte estimulante sexual.

- Nossa... De onde você tirou isso gamprós?

- Senhor Igor, esse laudo foi feito da minha garrafa de água que fica na minha geladeira, ontem durante o dia, uma pessoa entrou na minha casa e drogou a minha água, o pior foi que eu bebi.

A reação foi de espanto, Joice se levantou e segurou a minha mão aflita:

- Meu Deus... Mas você esta bem amor?

- Agora sim Joice.

- Mas quem faria algo assim com você? E por que faria isso?

- Dona Vera, essa é a pior parte da história, apenas escutem isso.

Peguei o meu celular e comecei a repassar o áudio da conversar que tive mais cedo com Tamara, parte do dialogo eu adiantei, como os insultos que ela fez a Joice, queria poupá-la de sofrer mais:

- Essa foi a conversa que tive com a... Responsável por ter me dopado. Foi a Tamara quem fez isso.

- Impossível, isso só pode ser uma brincadeira...

- Joice, escute o que o seu noivo tem a dizer.

- Bampás...

- Meu amor, infelizmente Tamara não é a sua amiga, ela nunca foi, ela tem inveja de você, nem sei dizer se realmente é inveja isso que ela sente, mas infelizmente Tamara nunca gostou de você.

- Não... Não... Eu não quero mais ouvir isso... É mentira... MENTIRA.

- Querida se acalme.

- Mamá isso é mentira... Tamara sempre foi minha amiga... Não é verdade...

- Tamara é suja, entrou na minha casa, dopou a minha água e... Se deitou comigo.

Foi inevitável não sentir nojo de mim mesmo, mas eu tinha que falar aquilo, de tudo o que aconteceu, acho que essa era a pior parte:

- Vocês... Transaram?

- Joice, eu não lembro de nada, assim que acordei, eu a encontrei do meu lado, nua, eu... Sinto nojo só de lembrar... Ela tramou tudo, só para nos separar, ela... Droga.

Apertei tão fortes as mãos que sentia minha unha cravar a carne e o sangue escorrer, e aquilo ainda seria pouco diante de tudo o que eu causei:

- Ela só fez isso, por que não suporta ver você feliz, ela arruinou a minha vida, eu vou entender se não me quiserem mais aqui, vou entender se me odiarem, mas eu prometi, nunca mais fazer você, minha amada, sofrer e eu não pude cumprir com essa promessa... Eu sou sujo... Ela me sujou... ELA QUIS ACABAR COM A MINHA FELICIDADE...

Droga eu não deveria chorar, cruzo meus braços num abraço próprio, e mancho minha pele com o meu sangue, sim eu estava manchado, e o que me doía mais, foi ver a cara de desprezo de Joice:

- Você é um idiota.

- Na verdade Joice, ele é um homem honrado.

Vi o senhor Igor se aproximar e me abraçar, eu não esperava por aquilo, não dele, nem de ninguém ali:

- Kóri, esse homem aqui presente, foi manchado por uma pessoa que sempre lhe quis o mau, que tem uma inveja do que você tem, essa Tamara teve inveja do amor de vocês, da felicidade que esta crescendo ai em seu ventre minha kóri.

- Bampás...

- Apenas escute kóri... Fabrício esta aqui diante da gente, ele se sente sujo, mas eu vejo a pureza dele, a verdade, infelizmente essa... Garota, fez algo que poderia ter matado ele, ela o drogou.

- Mas eles transaram.

- Não foi algo concedido, foi algo sujo filha... Essa monstra quer arruinar a sua vida, veja as mãos de Fabrício, ele sangra por que não consegue aguentar a dor no seu corpo, eu sei o que ele sente, eu já passei por essa dor... É terrível gamprós... Mas não fique assim, se você vai se sentir melhor, eu te perdoo.

- Eu... Eu...

- Não diga nada querido, eu também te perdoo.

Desta vez foi dona Vera que se levantou e me abraçou, por que eles estão fazendo isso comigo? Eu mereço mesmo esse perdão?

- Mamá... Até a senhora?

- Joice, filha... Existe uma grande diferença entre uma traição consentida e uma traição manipulada, Fabrício foi usado, ele foi um objeto manipulado para te fazer sofrer, essa é uma traição manipulada, essa Tamara, ela foi baixa, ela deveria ser presa.

- Não... Eu disse que não a denunciaria, se ela prometesse ficar longe da Joice.

- Mesmo com tudo isso você ainda se importou com a minha filha?

- Ela sempre estará em primeiro lugar dona Vera, mesmo que ela me rejeite, a Joice sempre será a lua da minha vida.

- Ah que lindo querido.

Voltei minha atenção para Joice, eu vi a confusão no rosto dela, claro, quem aceitaria tal situação, eu não a obrigaria, a minha missão era contar a verdade, as consequências eu vou aceitar, mesmo que seja para viver longe dela. Então enxuguei as minhas lagrimas, olhei para o senhor Igor e para dona Vera, que ali e tornaram pessoas mais do que especiais para mim:

- Bem, eu vim aqui para falar a verdade, e eu cumpri com a minha missão, e vou entender Joice que não queira mais olhar na minha cara, um cara tão sujo como eu...

- Gamprós, você não é sujo.

- Sou sim, eu não mereço estar aqui, agradeço por tudo o que fizeram por mim, mas a minha vida só terá sentido se Joice estiver ao meu lado, sem ela eu serei apenas um corpo sem alma, e acho que essa é a minha punição, eu vou aceitar isso, me desculpe pelo transtorno causado.

Coloquei as minhas mãos no bolso e me virei, eu ainda dei uma olhada em Joice, que agora chorava, mas não ousou me olhar, era o fim.