sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO OITO

Bom dia pessoal, chegando cedo mais um capítulo intrigante para vocês!
Bora ler então. Capítulo oito no ar!
Boa leitura!

CAPÍTULO 8:
INSENSÍVEL



Edson não atendia ao telefone, era obvio que ele estava com alguma garota, ou fazendo qualquer outra coisa, o que vou fazer agora?

Olhei para a casa, não estava com ânimo para limpeza, não ali. Será que Tamara estava em casa? Bem só vou saber ido ate lá.

Sai de casa e assim que cruzei a porta a encontrei no portão de sua casa junto com Joice:

- Boa noite meninas.

- Fabrício... Que surpresa encontra-lo em casa.

- Eu estou sempre por aqui Tamara.

- Ah não esta não, pensei que hoje você havia saído com Edson?

- Bom... Eu tive um contratempo, e ele não esta atendendo ao telefone também.

- Aposto que ele deve estar com alguma piriguete num beco qualquer.

As palavras de Tamara soaram um pouco enciumada, será que ela gostava de Edson?

- O importante é que estou aqui, que tal sairmos meninas?

- Eu to acabada Fabrício, vou cair na cama e apagar... Amanhã tenho aula cedo.

- Uma pena... E você Joice?

- E-eu?

- Sim quer sair comigo? Tipo comer uma pizza sei lá, não to a fim de ficar em casa.

- Como nunca esta ultimamente.

- Tamara por favor...

- Não sei...

- Vamos Joice, vai ser divertido, assim aproveitamos para nos conhecer melhor.

Tamara revirou os olhos, ta certo essa foi uma cantada antiga, mas sempre funcionava:

- Uma pizza não mata ninguém né.

- Joice...

Não falei.

- Deixa só eu pegar minha carteira, hoje é por minha conta.

Entrei novamente em casa, peguei a carteira, tranquei a porta e fiquei ao lado de Joice:

- Vamos?

- Sim... Tamara não quer vir com a gente?

- Não... Divirtam-se.

Tamara cruzou o portão a pisadas fortes, acho que ela não gostava de ficar pra trás, mas a vida continua:

- Será que ela ficou chateada,

- Esquece ela Joice, agora somos só nós.

Encarei Joice de forma bem profunda, e ela desviou o olhar com sorriso tímido no rosto... Acho que vou me dar bem essa noite.

-

Acordei ao lado de Joice, entre uns pedaços de pizza da noite passada eis que surgiu o beijo, depois umas biritas e pronto, o convite para o motel foi feito, e agora estávamos ali, acordando juntos:

- O QUE ACONTECEU COM A GENTE?

- Quer que eu relembre?

- Pare Fabrício... Ah meu Deus o que eu fiz?

- Calma Joice, não é o fim do mundo, apenas passamos a noite juntos, não tem nada demais.

- Você diz isso porque... Ah deixa... Vou me trocar... NÃO OLHE.

Joice se levantou enrolada no lençol da cama e foi para o banheiro, garota louca, parece até que havia sido violada. Eu apenas me deitei na cama e relaxei... Afinal meu dia de folga estava apenas começando.

-

Saímos do motel juntos, ou não. Joice estava bem à frente, ainda incrédula com que havíamos feito:

- Ei Joice... Espere 

- Fabrício nem vem, eu só quero ir pra casa.

- Eu te acompanho.

- Tivemos companhia um do outro por tempo demais.

- Escute se a sua preocupação é com que vão dizer da gente, relaxa, a gente esquece de tudo o que houve aqui e seguimos com a nossa amizade.

Joice parou de caminhar e em encarou séria:

- Então é isso, para você foi apenas uma noite, uma aventura, sexo e mais nada?

- Você queria que fosse o quê? Um pedido de casamento.

- Otário... Me faz um favor, some da minha vista.

- Mas o que deu em você garota.

- Seu idiota... Some daqui vai.

Joice estava chorando, mas o que eu fiz de errado? Gente, nós éramos amigos, e amigos poderiam ter esse tipo de aventura não?

- Joice o que acontec...

- SOME DA MINHA FRENTE.

Joice gritou tão alto que algumas pessoas que andavam por ali pararam e nos encararam... Odeio ser o centro das atenções:

- Esta bem... Esta bem... Até mais tarde.

- Pra mim é até nunca mais.

Joice se virou e saiu caminhando, ou melhor, quase correndo, que doida... Bem eu já tive o que queria dela, isso já é o bastante.

-

Voltei para minha casa feliz, mas não queria estar ali, será que Edson estaria disponível agora? O meu pensamento parecia ter encontrado o dele, pois no meu celular o seu numero, ele estava me ligando:

- Fala garanhão tudo bem?

- Cara você ficou com a Joice?

- Como é que você sabe?

- Ela ta aqui chorando que nem uma descompensada... Cara o que você fez?

- Eu? Não queridão, eu não, nós fizemos, ela quis também não foi nada obrigado.

- Cara... Peraí.

Escuto passos, e depois um barulho de uma porta se fechando, acho que Edson foi para um lugar mais sossegado:

- Agora eu posso falar.

- Mas o que ta acontecendo hein? Eu disse para ela que não precisava se preocupar, eu não iria contar pra ninguém.

- Meu camarada, a Joice era virgem, você foi o primeiro a transar com ela.

Ok, aquilo foi uma surpresa e tanto, eu não sabia dessa informação, não é a toa que ela ágil de forma ríspida:

- Eu... Não sabia.

- Deu pra perceber, escuta, agora já foi, o problema é que ela não esperava que isso fosse acontecer desse jeito.

- Nem eu, se eu soubesse disso jamais teria levado ela para um motel, eu pensei que ela já tivesse rodado pra caramba.

- Enfim, bem agora ela ta aqui chorando no colo da minha irmã.

- Ai meu Deus, e agora o que eu faço?

- Não faz nada, nem aparece aqui, a Suzana quer te matar por isso.

- Será que a Tamara já sabe?

- Não sei não...

- Ah Edson, que droga eu não queria magoa-la, to me sentido mal.

- Fica em paz, e espera a poeira abaixar, agora não da pra você fazer nada... Humm...

- O que foi?

- Caraca meu, você dormiu com a Joice, eu era doido para fazer isso.

- Ah pelamor Edson...

- Fora a tragédia que aconteceu eu tenho que lhe dizer você é o cara.

Tem horas que o Edson consegue enxergar algo de bom numa situação que ninguém acha possível de se ver. Enfim, agora eu tenho que arcar com essa consequência, vou esperar um pouco e falar com a Joice... Ou melhor eu vou falar com a Tamara, talvez seja mais fácil assim, ou não.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO SETE

Bom dia leitores, a todo vapor o capítulo sete.
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 7:
DANDO O MELHOR DE MIM

                

Os dias foram passando, logo voltei a trabalhar e senti a vida continuar, no Buffet dona Chica me dava a maior força, foi legal da parte dela se preocupar comigo. O bom era que nessa época o Buffet estava lotado de festas, o que era bom pra mim já que quanto menos eu ficasse em casa menos eu sentia a falta do meu pai.

Eu até evitava folgar, e quando era obrigado a ter esse descanso eu optava por sair, Edson sempre era minha opção de saída, ele tinha um lugar novo a cada saída, e claro saímos sempre acompanhados... Entendam que isso não significa que segui com a vida, era como não voltar a minha realidade, eu não tinha mais porque voltar para casa, não havia ninguém mais me esperando.

Infelizmente essa minha nova conduta me fez também ficar longe de Vivis, só nos falamos por telefone e poucas vezes, ou eu estava trabalhando, ou estava... Acompanhando. No começo ela estava feliz, mas acho que começou a perceber o intuito de eu estar tão ausente em casa e de sua vida:

- Preciso falar com você Fabrício.

- Hoje não da, vou ficar até mais tarde no Buffet, e depois vou sair com Edson.

Senti a inquietação de Vivis pelo telefone, eu sabia que esse dia logo chegaria:

- Não vai não Fabrício, eu vou te buscar ai no serviço.

- Vivis, eu to numa festa hoje que vai demorar muito tempo, talvez eu saia de madrugada.

- Não me importar, quando desligar o telefone, você vai ligar para o Edson e cancelar a sua saída de hoje.

- Mas Vivis...

- Me ligue quanto estiver próximo do fim da festa, e me passe o endereço certo senão você não vai querer me encontrar nunca mais.

Ameaça de uma irmã raivosa era demais, não confirmei nada, mas Vivis sabia que eu iria fazer o que ela estava pedindo, então ela simplesmente desligou o telefone. Droga, ela bem que poderia ter esperado até amanhã... Mas acho que amanha eu teria outra desculpa...

- Alô?

- Iai Edson, como é que tá.

- Fala meu camarada Fabrício, pronto para sair hoje?

- Então, estou te ligando justamente por isso.

- O que houve?

- Não vou poder ir, fui intimado pela minha irmã.

- Nossa, isso é problema.

- Nem me fale, mas eu te ligo amanha para marcarmos outra saída.

- Pode deixar, fica em paz e se precisar é só ligar.

- Ta bom, até mais Edson.

Desliguei o telefone, peguei a minha bandeja e voltei a servir, ao mesmo tempo eu rezei para que Vivis não estivesse acordada quando a festa terminasse, e claro também rezei para a festa terminar tarde, não ia ser nada boa a nossa conversa.

-

Liguei para Vivis quanto faltavam meia hora para terminar a festa, infelizmente minhas preces não foram ouvidas, a festa acabou tarde, mas a minha irmã estava acordada ainda, o pior era que a festa também era perto, então bastou dez minutos para ela encostar na porta do salão.

Luiz reconheceu o carro e veio me avisar:

- Fabrício sua irmã esta na porta do Buffet.

- Eu sei, vou terminar de arrumar as coisas para depois eu ir.

- Pode deixar tudo assim eu termino de arrumar.

- Mas chefe...

- Sem mas, sua irmã esta aqui para te buscar, então vá lá e de a atenção que ela merece.

Até meu próprio chefe conspirou contra mim, que coisa viu, acho que não tenho outra saída:

- Esta bem, mas amanha eu compenso esses minutos viu.

- Compensar... Fabrício você já fez tantas festas ultimamente que dez minutos nem afetaram o seu salário, e outra não vou descontar isso de você.

- Mesmo assim amanhã eu vou compensar.

- Amanhã você esta de folga Fabrício, agora vá.

Falei, até Luiz esta contra mim, eu não estava de folga, ele havia me dado essa folga agora mesmo. Retirei o avental e o guardei junto com os dos demais garçons, não dava tempo para me arrumar, então sai ainda com o meu uniforme de garçom e claro, Vivis teve que fazer a sua piada do dia:

- O garçom traz meu irmão de volta, por favor.

- Se fecha Vivis, vamos embora vai.

- Ta com pressa é?

- Não só to vendo todo mundo conspirar contra mim.

- Como você é cabeçudo, vamos eu te levo pra casa.

- Vamos para a sua casa né.

- Não, vamos para a sua, segura ai que eu sou piloto de fuga.

Tive que me segurar mesmo, pois Vivis saiu cantando pneus, ainda bem que estávamos a poucos metros de casa.

-

Entramos em casa, nossa o lugar estava bem empoeirado, havia louça suja, mas ao menos as roupas foram lavadas, isso eu fazia questão de deixar bem claro:

- O que esta acontecendo aqui?

- Não esta acontecendo nada.

- Eu percebi, não esta acontecendo nada mesmo... Fabrício, porque você não fica mais em casa?

- To sem tempo, trabalhando bastante, e saindo também.

- Isso é motivo para deixar a casa desse jeito? Olha o estado dessa casa.

- Ta booom... Eu ando meio desleixado com a limpeza daqui, mas as minhas roupas estão sempre limpas.

- Fabrícioooooooooooooo...

- O que foi?

- Você não quer mais morar aqui é isso?

Na verdade isso nunca me passou pela cabeça, apesar de ser uma casa de aluguel, eu jamais pensei em abandona-la, eu sempre tive boas memórias daquele lugar:

- Não é isso Vivis...

- Então qual o problema? Você esta mais ausente do que nunca, não vai mais à minha casa, não me liga, não retorna minhas ligações, sabe quando foi a ultima vez que nos vimos?

- Estamos nos vendo agora sabia.

- Sem gracinhas Fabrício... Sabe eu sei que tudo isso aqui te faz lembrar do pai, mas você precisa superar isso, se esse lugar te traz sempre a lembrança dele, eu acho melhor você se mudar.

- Eu não quero sair daqui, e por qual motivo eu sairia?

- Te arrumo cem motivos, o primeiro esta no meu dedo.

Vivis mostra o dedo indicador sujo de poeira, ta bom o lugar estava sujo, mas não significava que eu estava a fim de mudar de casa:

- Isso só prova que estou sem tempo para limpeza.

- E nas suas folgas o que você faz?

- Saio com o Edson.

- Sair é uma coisa, agora passar o dia e a noite fora, é praticamente abandonar a casa, como esta pagando as contas se não fica em casa?

- A Tamara esta recebendo a correspondência para mim.

Vivis me encarou séria com os braços cruzados, aquilo não era um bom sinal:

- Fabrício, fugir da sua realidade não vai te fazer melhor sabia.

- Eu não estou fugindo.

- Esta sim.

- Estou não.

- A é? Então me diga o que você esta fazendo da sua vida?

- Estou curtindo um pouco.

- Você chama isso de curtir, esta bem, e por que não me vê mais?

- Por que estou curtindo um pouco.

- JÁ CHEGA FABRÍCIO.

- Não grita Vivis...

- Eu estou farta disso, VOCÊ não é mais um moleque, é um homem, agora se quer ficar se escondendo dessa forma que fique.

- Vivis, espera, por fav...

Antes mesmo de eu terminar de falar, Vivian saiu e bateu a porta, a poeira se espalhou pelo ar no mesmo instante... Droga, não queria chatear a minha irmã, mas o que eu poderia dizer? Que estava ausente porque tudo ali me lembrava do pai, e da culpa que eu ainda carregava? Ela já tem preocupações demais para ter que lidar comigo e meus traumas? Até falar com ela me fazia lembrar do meu pai.

Eu só estava dando o meu melhor para superar isso, mas acho que não estava conseguindo, infelizmente o meu melhor não era o suficiente. Olhei em volta e vi toda a casa suja, mas ao mesmo tempo eu começava a ouvir os risos do meu pai... Aquilo me matava, me destruía... Eu só queria esquecer tudo, não me lembrar de que eu o magoei e que ele havia partido, ah pai, eu queria o seu perdão...

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO SEIS

Bom dia leitores, bora la acompanhar mais um capitulo diário dessa história sensacional?!
Como será que Fabrício está lidando com a perda? Bora ler para descobrir.

Boa leitura a todos"

CAPÍTULO 6:
A NOVA REALIDADE

                

Fui para casa assim que o enterro acabou, quando abrir a porta, senti algo desagradável, ali era tudo muito vazio, não tinha aquele brilho que antes existia...

Droga por que pai? Porque o senhor teve de ir? Justo quando eu fui um idiota e não consegui pagar pelo meu erro... Por que... Porque...

- POR QUEEEEEEEEEEEEEEEEE...

A mesa da sala foi arremessada direto contra a parede, nunca senti tanta raiva de mim mesmo, nunca me odiei tanto por estar vivo e meu pai morto, e o pior não havia um culpado... Havia sim, eu era o culpado, eu, somente eu...

Agora é o sofá que eu derrubo, eu precisava extravasar, eu tinha que liberar tudo aquilo, mesmo sabendo que a dor não iria diminuir, e sim ao contrário, ela só aumentaria.

Vou para a cozinha e derrubo a mesa, jogos as panelas no chão, quebro os pratos e copos, a minha ira não se acalma, eu quero acabar comigo, meus punhos estão inchados, estou agora socando a parede, logo vejo minha visão ficar vermelha, eu bati a cabeça com tudo na parede, eu estou tonto, e começo a deslizar pelo chão. Tudo ali lembra ele, meu pai, o velho palhaço, que sempre ria ao assistir o mesmo DVD todos os dias. Acho que começo a surtar pois escuto a sua voz:

- Filho não faça isso, ou você vai acordar a sua mãe.

Coloco minhas mãos sobre a cabeça, era ensurdecedor, não estava mais aguentando aquilo, a culpa me dilacera por dentro:

- Fabrício, venha se sentar ao meu lado...

Para por favor... Para...

- Filho... Eu te amo...

- PARAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA...

Finalmente acontece, o nó se desfaz, e após me segurar por horas, eu caio em prantos, agora eu posso chorar de verdade.

-

Cai no sono sem perceber e quando acordo, vejo que já é madrugada eu ainda estava na cozinha, com tudo revirado. Um caco de vidro estava enterrado na minha mão, o sangue na minha testa estava seco, minha boca amarga... Mas a dor não diminuiu, só que continuar a quebrar a casa não ia adiantar em nada, me levantei, arranquei o caco de vidro da minha mão, o sangue começou a vazar, fui direto para o banheiro, abrir a torneira e deixei minha mão ferida ali embaixo. O sangue logo parou e eu fiz uma pequena bandagem, estaquei a dor do ferimento, mas não a do meu coração.

Olhei-me no espelho pela primeira vez, eu estava horrível, todo descabelado, com a testa vermelha a roupa suja do meu próprio sangue, desviei o olhar do espelho, não tinha coragem de me encarar, eu ainda sentia a culpa... Droga, eu me odeio mais que tudo.

-

Fiquei acordado até o amanhecer, o que me serviu para arrumar a casa, bem eu não teria mais a mesa de centro na sala, teria que comprar mais pratos e copos, de resto eu estava bem. Fui para o meu quarto e fiquei por lá, não estava a fim de ver o dia ser dia.

E muito menos estava a fim de ver qualquer pessoa:

- Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

Por que raios quando você deseja alguma coisa, isso nunca acontece?

- Fabrício? Irmão... Sou eu a Vivis... Nossa por que tem tanto lixo assim aqui na lavanderia?

Ela não iria embora tão fácil assim, me levantei da cama e apareci na porta do quarto, peguei minha irmã fuçando no lixo, curiosa até demais:

- Dizem que se você quer saber da vida de alguém deve fuçar no lixo né.

- Ai que susto Fabrício...

- O que você quer aqui Vivian?

- Você nunca me chama de Vivian, vim ver se você esta bem?

- Ainda estou inteiro, agora já pode ir.

- Ei, vai com calma garotão...

- Eu estou calmo... Ainda.

- Escuta ai moleque quem você pensa que é para falar assim comigo?

Por instinto eu recuei, como Vivis era mais velha eu sempre a respeitei, então foi um ação normal a minha:

- Desculpa Vivis.

- É bom se desculpar mesmo, agora me diga o que houve aqui?

- Alguns pratos se quebraram.

- Alguns?

Vivis abra a porta do armário e o encontra vazio:

- Você quis dizer todos os pratos foram quebrados Fabrício?

Não podia encará-la, não ia conseguir mentir, e outra minha mão denunciou-me:

- O que houve com a sua mão?

- Nada.

- Fabrício, me deixe ver isso.

- Não.

- Fabrício, eu não vou falar novamente.

Eu odeio ser obediente, levantei a mão enfaixada, e Vivis retirou as bandagens, o corte havia infeccionado, e estava muito feio:

- O que realmente aconteceu aqui Fabrício?

Mordi meu lábio inferior, não ia conseguir mentir para a Vivis, mas também não queria que ela achasse que eu era um louco:

- Fabrício, me reponda.

- Eu quebrei os pratos.

- E...

- E quebrei os copos, a mesa de centro, derrubei o sofá, bati com a cabeça na parede e chorei.

Vivis cruzou os braços e estufou o peito, aquilo não era um bom sinal:

- E você achou mocinho que com isso ia ganhar o quê? Ou melhor, achou que fazendo tudo isso, você traria o pai de volta?

- Isso não o traria de volta jamais.

- Então por que fez isso?

- Por que eu sou o culpado do pai ter morrido... Eu gritei com ele, ele chorou, eu o machuquei e nem pude pedir perdão...

Voltei a chorar, não queria que a Vivis me visse naquele estado, isso só a preocuparia:

- Ah Fabrício...

Vivis me abraçou, não consigo mais controlar meus impulsos, e o choro vem, junto com soluços e uma única palavra que eu ouso dizer:

- Perdão... Per-dão...

-

Chorar me fez bem, eu estava mais lúcido, a Vivis ficou comigo e fez um chá, graças a Deus eu não encontrei a xícaras então eu pude tomar a bebida sem problema:

- Eca... Esta amargo.

- Ta nada, tome logo isso.

Tomei num gole só o chá, mas que tava amargo tava:

- Sente-se melhor Fabrício?

- Sim, estou mais lúcido.

- Muito bem, agora vamos falar sobre o seu pensamento idiota.

- Não era um pensamento idiota Vivis.

- Ah não? Você estava se culpando pela morte do pai e isso não é um pensamento idiota?

Fiquei calado, a Vivis até poderia ter razão, talvez eu não tivesse culpa diretamente, mas ainda sim sentia que falhei com meu pai:

- Vivis... É complicado...

- Escute Fabrício, a morte do pai não foi sua culpa, nem culpa de ninguém, foi uma fatalidade, um enfarte pode ocorrer com qualquer um.

- Mas...

- Nada de mas, Fabrício, você é tão novo e já sofreu tanto, só que agora você esta liberto, você pode viver...

- Minha vida acabou com a morte do pai Vivis.

- Não meu irmão querido, sua vida apenas estava começando, você cuido do pai por tanto tempo, ele agora esta descansando, você cuidou dele tão bem, agora comece a cuidar de você...

Vivis passou a mão pelo meu rosto, senti um nó formando na garganta, e logo as lagrimas vieram, mas agora não era de dor, eram de alegria e de saudades, a minha nova vida, a minha nova realidade, estava apenas começando:

- Obrigado Vivis.

- De nada meu irmão, eu vou cuidar de você hoje.

- Não precisa Vivis, eu vou ficar bem.

- Vai mesmo?

As palavras de Vivis foram ditas apontando para os armários vazios:

- Sim, prometo não quebrar mais nada.

- Esta bem, mas se precisar de mim, sabe onde me encontrar tá.

Vivis se levantou, beijou minha testa e saiu, fiquei ali parado por um tempo olhando para a casa, o lugar estava vazio, muito vazio, tudo ali me fazia lembrar do meu pai, mas agora a lembrança vinha de uma maneira menos agressiva, era saudades, não dor, era carinho não odeio, e pela primeira vez, eu senti que eu poderia gostar um pouco mais de mim.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO CINCO

Bom dia pessoal, bora ler mais um capítulo super emocionante!
Capítulo cinco no ar!
Boa leitura a todos.

CAPÍTULO 5:
ADEUS

                

Admito que eu sou meio travado para relacionamento e casos rápidos, mas antes de irmos embora eu já estava beijando Laura. Diferente de Edson que logo que chegou na pista já estava agarrando Cristal, o cara é rápido.

Trocamos telefone e e-mail, nunca se sabe onde pode estar o verdadeiro amor. Bem estávamos indo embora e as meninas estavam exaustas, Joice e Bruna estavam bêbadas, Ester e Suzana estavam sóbrias, o que me deixou bem mais aliviado, e Tamara estava dormindo no colo das amigas:

- As mina chaparam né.

- Nem todas, mas era uma comemoração né, foi divertido.

- Agora me conta, a Laura beija bem?

- Eita que pergunta direta!

- Ah desculpa, mas é que eu fiquei curioso.

Olhei para Edson que estava sorrindo, depois olhei para as meninas, eu não queria falar sobre isso com elas ali, não era um assunto um tanto confortável para se falar na frente de mulheres:

- Eu falo outro dia.

- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah... Por que não fala agora?

- Por que estamos dentro do carro irmão.

Ainda bem que Suzana era sensata, fico imaginando as besteiras que o Edson poderia dizer após eu responder a primeira pergunta:

- Mas você nem estavam ouvindo a nossa conversa.

- Estávamos sim.

- Seu canalha.

- Irmãzinha... Ester, isso é conversa de homem.

As duas olharam raivosas para nós, o que deixou a situação totalmente divertida, e me fez cair no riso:

- Por que esta rindo?

- Por que foi divertido vê vocês brigando, me fez lembrar da época em que eu e minha irmã morávamos juntos.

- Você tem uma irmã?

- Tenho.

- Me apresenta ela cara!

Encarei Edson e voltei a rir:

- Acho que minha irmã ia preferir conhecer a Suzana, não você.

- E por quê logo... Ela.

- Edson eu estou aqui ta bom.

- Foi mau irmãzinha, mas me diga por que sua irmã não ia gostar de me conhecer?

- Por que minha irmã é lésbica.

Ouve um silêncio profundo, me senti até um pouco mau por isso, mas não achava que a revelação sobre a irmã fosse tão impactante assim, o mundo atualmente é desse jeito, livre e desimpedido:

- Isso eu não esperava...

- Algum problema com isso Edson?

- Não... É que geralmente as pessoas inventam uma desculpa para não falar dos irmãos ou irmãs que são gays.

- Eu e minha irmã não temos isso, ela tem a opção dela, e vive feliz assim, não tem porque mentir ou esconder isso é natural.

- Nossa é lindo isso que você e sua irmã vivem, vocês são cúmplices, e parecem que um apoia o outro.

- Pois é Suzana, somos verdadeiros cúmplices mesmo.

Eu nunca havia parado para pensar nisso, mas vendo por esse lado, minha irmã sempre foi minha amiga, alguém com quem eu sempre dividi meus segredos, uma verdadeira cúmplice:

- Nossa uma ambulância aqui.

- Ambulância?

Já estávamos perto de casa, e quando vi onde a ambulância estava parada eu entrei em pânico:

- PARE O CARRO.

- O que houve?

- Esta na casa da minha irmã, a ambulância... Meu PAI.

Nem esperei o carro parar, desci dele em movimento e sai correndo, e não acreditei no que vi, a Vivis estava chorando abraçada a Julia:

- Vivis...

- Fabrício.

Nos abraçamos, e eu não sei por que mas já estava chorando:

- O que houve?

- O pai... Ele... Passou mal...

Senti um frio percorrer minha espinha, e assim que olhei para dentro da ambulância eu o vi, meu herói estava com uma mascara de oxigênio enquanto os paramédicos faziam massagem cardíaca:

- Não... Não...NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAO...

Foi quando o mundo caiu de uma vez:

- Nós o perdemos, a hora do óbito 5h55 da manhã.

-

Eu estava em cacos, meu pai havia falecido, e eu nem tive a oportunidade de estar ao lado dele, simplesmente só o vi ali, deitado, inerte. Droga...

Não queria deixar Vivis sozinha, ela estava desolada, acabada, destruída, mas alguém tinha que fazer toda a parte chata e burocrática, ou seja, eu teria que resolver isso, igual eu fiz quando a minha mãe morreu:

- Julia cuida da Vivis ta bom, eu vou resolver toda a parte burocrática.

- Ah Fabrício, obrigada por fazer isso, a Vivian não ia conseguir mesmo resolver toda essa papelada.

- Só cuide dela esta bem.

O corpo do meu pai foi levado para o IML, e eu fui começar o meu dia. Cruzei o portão da casa da minha irmã e dei de cara com Edson, Suzana, Ester e Tamara:

- Iai gente!

- Ah Fabrício, meus sentimentos.

Tamara me abraçou forte, eu senti novamente vontade de chorar, mas segurei as lagrimas, não queria fazer isso, mas também não queria chorar na frente deles:

- Ah cara, que coisa chata hein, eu nem sei o que falar.

- Fica em paz, têm horas que nada vem na cabeça né, bom eu preciso ir, tenho que resolver toda essa burocracia do falecimento do meu pai.

- Eu vou com você.

- Não precisa Tamara, eu vou sozinho, você ta cansada e outra é muito cansativo tudo isso, praticamente vou ficar o dia todo fora.

- Mas Fabrício...

- Por favor, eu preciso ficar sozinho.

Segui meu caminho, mas sabia que eles ainda me observavam, não poderia pedir para eles me acompanharem, era uma situação minha:

- Ei Fabrício espera ai.

Edson venho correndo na minha direção e ficou na minha frente, ele estava sério e eu o encarei com um sorriso forçado:

- Fala cara!

- Posso ao menos te dar uma carona, é pouco, mas pelo menos quero te ajudar.

- Não precisa, você esta cansado passou a noite toda na azaração.

- Mas eu quero fazer isso, cara eu sinto muito...

Do nada Edson começou a chorar, eu fiquei totalmente sem ação, por que será que ele estava chorando?

- Ei, pare com isso vai, eu to ficando sem graça.

- Desculpa, mas é que eu to vendo o quanto você ta triste, e eu prometi para mim mesmo que nunca mais deixaria alguém triste.

Por que ele fez uma promessa dessas? Que loucura:

- Edson, fica em paz cara, eu to bem, vá descansar, qualquer coisa eu aviso a Tamara esta bem.

Não dei tempo para ele responder, me virei e sai a passos largos, por dentro eu estava destruído, mas senti um pouco de amparo por parte de Edson, boas ações nesse momento são muito bem vindas.

-

Era começo de tarde quando eu cheguei na casa da Vivis, ela ainda estava emotiva, mas tinha melhorado um pouco a cara, e eu? Bem, eu estava do mesmo jeito:

- Oi Fabrício.

- Oi Vivis, como você esta?

- Bem na medida do possível.

- Que bom, olha já resolvi tudo e o velório será essa noite, o IML analisou ele, disse que o pai teve um enfarte, foi fulminante, não tinha nada o que se fazer.

- Hum...

Ficamos mudo, eu não sabia o que falar, na verdade eu não queria mais falar:

- Fabrício...

- Sim?

- Me perdoe...

Vivis me abraçou e começou a chorar novamente, eu a confortei, não poderia ser fraco, não agora, ela precisava de mim:

- Ei... Não fique assim, você acha que o pai ia gostar de vê-la chorando desse jeito?

- Eu... Deveria... Ter... Cuidado... Dele...

- Você cuidou, pense que ele passou os últimos momentos da vida dele ao seu lado, um privilegio viu.

Vivis desenterrou o rosto do meu peito e me encarou, ela segurou meu colarinho e disse entre dentes:

- Porque você não chora?

- Por que eu não quero que ele me veja triste, o pai sempre estava sorrindo, e em homenagem a ele, eu... Vou ficar sorrindo... Até isso tudo terminar.

Droga, porque essas lágrimas caem... Eu estou sorrindo, não chorando... Parem lagrimas... PAREM...

-

O cemitério era frio e gelado, como sempre foi, meu pai estava muito bem vestido, um terno preto com uma camiseta branca, os cabelos foram penteados para trás, ele estava lindo.

Minha irmã estava totalmente desolada, ainda bem que Julia estava ao seu lado, eu não aguentaria ter que ampara-la novamente.

Eu fiquei ao lado do caixão, esse seria o mínimo que eu poderia fazer por ele, depois te tudo o que disse no dia anterior, eu só poderia fazer isso por ele agora, nem um pedido de desculpas eu pude dar a ele, e eu só queria poder ter sido um filho melhor, assim como ele foi o melhor pai do mundo... Ah pai por que o senhor teve que ir? Por que esta me deixando aqui? Por que o senhor teve...

- Fabrício...

Olhei para trás e vi, Edson, Suzana e Tamara, não pude esconder o meu espanto ao vê-los:

- Oi gente, o que estão fazendo aqui?

- Estamos aqui para te dar uma força meu camarada.

- Obrigado.

- Meus sentimentos Fabrício.

Suzana me abraçou solidariamente, foi bom receber essa força deles:

- Obrigado Suzana.

Voltei minha atenção para o caixão... Ah pai...

- Seu pai parece feliz.

- Ele sempre sorria, até quando dormia Tamara, minha mãe dizia que ele era um eterno palhaço.

- Palhaço?

- Sim... Nem tive tempo de falar dele né Edson, meu pai foi palhaço de circo há muito tempo, por isso o chamávamos de o eterno palhaço.

Edson encarou o caixão um pouco deslumbrado, acho que ele nunca havia conhecido um palhaço de verdade:

- Pelo menos ele esta sorrindo né gente.

- Como todo palhaço faz.

Todo palhaço vive uma vida divertida, engraçada, será que meu pai viveu dessa forma? Acho que isso eu nunca irei saber... Ah pai, não era a hora de dizer adeus, eu não queria isso, não mesmo.

- Vamos ficar por aqui ta Fabrício.

- Gente, eu já falei que não precisa...

- Meu camarada, nós vamos ficar esta bem.

Edson falou aquilo sério, o que deu nele hein?

- Esta bem, obrigado por ficarem aqui, venham eu vou apresentar a minha irmã a vocês.



Indiretamente Edson acabou sendo apresentado a minha irmã, no fim ele acabou conhecendo ela, bem poderia ter sido numa situação melhor, mas tudo bem, afinal não estamos sorrindo o tempo todo né. Meu pensamento me fez voltar à atenção ao meu pai, acho que ele foi o único homem ao qual sorria o tempo todo, será que palhaços algum dia já choraram?

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO QUATRO

Bom dia pessoal, começando a semana com mais um capítulo sensacional desse romance maravilhoso. Bora ler então minha gente! Capítulo quatro no ar!
Boa leitura

CAPÍTULO 4:
UMA VIAGEM SEM VOLTA

                

O que fazer numa noite somente para mim? Eu não tinha amigos, não gostava de sair, minha vida era completamente para cuidar do meu pai...Não sei o que fazer?

Enquanto eu ficava pensando numa programação para aquela noite, eis que escuto um bater de palmas vindo da entrada da casa, vou até a janela e vejo Tamara. Será que aconteceu alguma coisa?

- Oi Tamara tudo bem?

- Oi Fabrício, tudo joia e com você?

- Tudo, aconteceu alguma coisa?

- Na verdade eu queria te fazer um convite.

- Convite?

- Sim, eu e uns amigos vamos até um barzinho para comemorar minha conquista.

Ah... Era isso!

- Então... Eu não to muito afim não.

- Ai tem o seu pai né, desculpa eu havia me esquecido disso...

- Na verdade hoje eu estou sozinho, meu pai esta na casa da minha irmã.

- Então você não tem desculpas, se arrume, vamos nos divertir e comemorar.

Eu nem tive chance de responder, Tamara entrou correndo na sua casa, bufei inconformado, eu não queria sair para comemorar algo que nem era oficial ainda, teria que fazer a linha sorridente e feliz, droga, já falei que odeio essa minha vida?

-

Tomei um banho rápido e me vesti de maneira casual, um jeans manchado, uma camiseta preta em gola V, penteei meus cabelos e dei uma aparada na barba, simples. Fiquei então sentado no sofá a espera de Tamara, só espero que essa saída repentina seja agradável.

Liguei a televisão, para ver se o tempo passava, e vi que o DVD estava ligado, sim era o stand up comedy favorito do meu pai, peguei a capa do DVD que estava jogado na mesa de centro e li o titulo em voz alta:

- Rindo é que se faz uma nação.

Apesar de sempre ouvir meu pai rir ao assistir esse DVD eu nunca parei para vê-lo, então apertei o botão play, vamos ver se realmente valia rir tanto com essa comedia.

-

Os dez primeiros minutos que passou do DVD foram o suficiente para eu cair na gargalhada, gente o cara era muito engraçado, não dava para me segurar. Infelizmente fui interrompido por alguém batendo palmas novamente na entrada da minha casa, obvio que era Tamara. Então desliguei o DVD, mas prometi a mim mesmo que voltaria a assisti-lo, e desta vez com meu pai do lado.

Fechei a casa e quando levantei o olhar vi Tamara acompanhada com mais cinco pessoas, sendo quatro mulheres e um homem, e todos estavam bem arrumados, não era assim arrumados para uma festa de gala, mas as mulheres estavam calçando salto alto, maquiadas, com os cabelos bem arrumados resumindo, glamorosas,e eu parecia um espantalho:

- Nossa Fabrício, você caprichou hoje hein.

- Engraçadinha, se eu soubesse que iriam se arrumar tanto eu teria me arrumado melhor.

- Mas você esta muito bem assim, não esta meninas.

As quatros soltaram risinhos tímidos, e eu fiquei sem graça é claro:

- Ai que indelicadeza a minha, essas são Joice, Bruna, Ester e Suzana.

- Prazer meninas, eu sou o Fabrício.

Acenei para todas simultaneamente, era jovens lindas por sinal, Joice era loira e tinhas os olhos azuis bem vibrantes, estava usando um vestido vermelho com um decote bem ousado, Bruna tinha os cabelos penteados num Black Power bem chamativo, a pele negra realçava a sua beleza e ela estava usando uma bermuda Boyfriend com uma camiseta de alcinha, Ester tinha os cabelos longos e negros a pele bem clara e os olhos bem puxados, uma oriental bem risonha por sinal, estava usando um jeans justo e uma blusa que deixava o ombro direito a amostra. Por ultimo estava Suzana, era a menos ousada das mulheres, estava de camiseta com um desenho de gatinhos, um jeans manchado e seu cabelo estava solto em longos cachos puxados em luzes loiras, apesar da simplicidade das vestes Suzana tinha uma beleza encantadora.

Era sempre bom sair na companhia de belas mulheres, isso aumentava o ego de qualquer um:

- A Fabrício esse aqui é Edson, o irmão de Suzana.

- Muito prazer.

- Igualmente.

Trocamos um breve cumprimento de mão, Edson era um rapaz que chamava atenção, ele era mais alto que eu, tinha um bom porte físico, acho que numa balada era o tipo de homem que era mais cobiçado do que saia para cobiçar, pelo menos parecia ser simpático também:

- Bom já terminamos as apresentações.

- Sim Fabrício, agora vamos nos divertir?

- Bom o ponto de ônibus fica por ali...

- Não vamos de ônibus bobinho...

- Não?

- Vamos no meu carro.

Que surpresa, Edson tinha um carro, era obvio, olha bem para ele, o cara ate inspirava dinheiro, que mico, eu falando de ônibus na frente de todo mundo, acho melhor ficar mudo até o final da noite:

- Vamos lá pessoal

Tamara ficou no meio das amigas e saiu de braços dados, enquanto eu e Edson ficamos para trás:

- Garotas são sempre empolgadas né.

- Até demais, vamos antes que elas resolvam fazer uma vibe no meu carro.

Eu não havia me enganado Edson era um cara legal, bom vamos à noite né.

-

Chegamos ao barzinho, era um lugar bem movimentado por sinal, os letreiros bem luminosos chamavam a atenção para o nome:

- Ki Balanço... Que raios de lugar é esse?

- Nossa Fabrício é o lugar mais movimentado da cidade, vamos lá gente.

As meninas entraram todas eufóricas, eu encarei o letreiro e bufei:

- Relaxa meu camarada vai ser divertido.

- Sei não, atualmente minha vida não esta lá boa para lugares como esse.

- Mas hoje você não esta na sua vida normal, viva o diferente, vamos entrar e azarar umas gatas.

Claro que para Edson isso era uma prioridade, o cara tinha uma cara de caçador, mesmo não precisando fazer muito esforço, bem como ele disse hoje não estou na minha vida normal, acho que devo me divertir um pouco, era como uma viagem sem volta:

- Já que estamos aqui vamos ver o que esse lugar tem de bom para nos oferecer.

- Falo tudo garoto.

Edson me abraçou e me levou para dentro o lugar, ele já ta se achando intimo não?

-

Internamente o lugar era bem agradável, era bem espaçoso e havia vários ambientes e varias musicas tocando:

- Esta gostando meu camarada?

- É um bom lugar, não é muito apertado, tem musica agradável...

- Um monte de gatas, olha só tem umas duas ali olhando para gente.

Cara esse Edson é praticamente um gavião.

- Na boa hoje eu só vim mesmo para prestigiar minha amiga.

- Ah para com isso vai, você vem até aqui só para ficar sentado?

- Bem esse era o meu plano.

- Pois vamos muda-lo já.

Edson me puxou pelo braço e se aproximou das duas garotas que estavam nos olhando:

- Olá garotas tudo bem?

- Melhor agora.

- E como se chama princesas?

- Eu me chamo Laura.

- E eu Cristal.

- Um belo nome para uma bela mulher.

Cristal riu do xaveco dado por Edson, enquanto eu por puro instinto revirei os olhos:

- E vocês dois como se chamam?

- Eu sou o Edson e o meu camarada aqui se chama Fabrício.

- Adoro esse nome...

Laura praticamente sussurrou ao meu ouvido, e por instinto eu senti os pelos da nuca arrepiar:

- Seu nome também é bonito.

- Chega de papo, vamos dançar.

Edson puxou Cristal pelo braço e a levou para o meio da pista, eu olhei para Laura e apenas indiquei a pista, nunca me senti tão sem graça em toda a minha vida, mas pelo menos estava me divertindo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O ASTRO REI - CAPITULO TRÊS

Bom dia meus queridos leitores, vamos começar a nossa sexta com mais um capítulo fresquinho para vocês.
Bora ler então. Capitulo três no ar!
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 3:
UMA CURA E UMA DOR



Foi difícil trabalhar aquele dia, eu não estava em condição nenhuma de ficar sorrindo com uma bandeja na mão, então supliquei para Luiz que me deixasse na cozinha:

- Mas Fabrício você não sabe cozinhar?

- Por favor Luiz, hoje não foi um bom dia para mim, eu não to no espírito para ficar sorrindo por ai.

- Fabrício estamos com pouco pessoal e você é um dos meus melhores garçom.

- Por favor Luiz... Só hoje.

Luiz me encarou e logo soltou um longo suspiro:

- Esta bem, mas você vai cuidar da louça suja e sem quebrar nenhuma peça viu.

- Obrigado Luiz, você é o melhor chefe que já tive.

Luiz sorriu e voltou sua atenção para outro garçom que estava quase derrubando a sua bandeja, fui em direção a cozinha onde coloquei um avental e fui direto para a pia, e me posicionei ao lado da dona Chica a cozinheira:

- O que faz aqui menino?

- Hoje não to bom para ficar servido esse povo.

- Menino o que você fez?

- Ah dona Chica, é uma história bem longa...

- A festa também é longa meu querido, vamos, você sabe que pode confiar em mim.

Dona Chica era uma doce velhinha com seus cinquenta e nove anos, mas tinha uma jovialidade invejável, da pra acreditar que ela faz aula de dança rítmica para melhorar a coordenação motora... Incrível:

- Problemas em casa.

- Com o seu pai?

- Não dona Chica, o problema sou eu mesmo.

- O que você fez?

- Abrir essa minha maldita boca e acabei ferido os sentimentos do meu pai... 

Eu não poderia falar sobre o estado do meu pai, ninguém ali sabia da sua doença, já estava farto das pessoas sentirem pena de mim:

- A menino, às vezes a gente fala umas coisas que não devia, mas aposto que seu pai nem se lembra mais do ocorrido.

Realmente, ele não se lembraria mesmo, mas eu sim me lembraria a todo instante:

- Eu deveria ter me calado.

- Mas não fez... Infelizmente uma palavra dita não pode ser apagada... Menino, pense da seguinte forma a vida é um desenhar sem borracha, se você erra não tem como apagar, mas pode contornar e refazer algo por cima.

Que ideologia mais simples de se exemplificar a vida, mas pelo menos me deixou menos tristonho:

- A senhora tem razão, não adianta ficar me lamentando, eu tenho que compensar minha falha.

- Exato... Agora vamos trabalhar que esse povo esta faminto.

Assenti para dona Chica, e enfiei minhas mãos na água e no sabão da pia.

-

Ao fim da tarde, todos foram liberados, a festa foi um sucesso, e eu me sentia renovado, ficar ao lado de dona Chica foi muito bom, ela era muito divertida.

Bom, mas agora eu tinha que voltar a minha realidade, e eu tinha que pedir desculpas para o meu pai, eu fui um idiota ao ter gritado com ele daquele jeito, poxa vida ele tem Alzihemer, eu tenho que ser mais paciente.

Cheguei ao portão de casa e senti um cala frio, acho que era medo e também vergonha, mas eu não voltaria atrás, entrei com tudo, se ousasse parar para pensar tenho certeza de que sairia correndo.

Abrir a porta e me deparei com a sala vazia, dali mesmo eu vi que na cozinha não tinha ninguém, a casa estava um silencio pavoroso... Onde estava meu pai e minha irmã?

Caminhei pelos cômodos até perceber um bilhete pregado na geladeira por um imã em formato de um pinguim... Minha mãe adorava esses imãs:

“Fabrício fomos até a casa da sua irmã, não se preocupe eu vou ficar por aqui essa noite, aproveite para se distrair ta bom. Eu te amo. Pai” 

Senti um nó na garganta, ele não estava com raiva de mim, tudo bem que pode ser por conta da doença, mas ainda sim, foi bom ler aquele recado... Ah pai, você é maravilhoso.

-

Liguei para minha irmã logo após ler o recado, era obvio que não poderia deixar isso assim, ela leva meu pai e me deixa um simples recado, não mesmo. Mas Vivis me explicou que ela só fez isso porque nosso pai pediu:

- Desde quando ele pede essas coisas?

- Vou lá saber Fabrício, ele disse que queria conhecer a minha casa.

- Huum... Ele vai dormir ai mesmo?

- Vai sim, deixa eu cuidar um pouco dele, você deve estar cansado, merece essa folga.

No fundo ela queria dizer estressado, não cansado, mas eu também sei que ela fez justamente isso por temer que eu fizesse aquela burrada novamente:

- Vivis, eu estou arrependido do que fiz hoje de manhã.

- Fabrício eu sei o quanto esta sendo difícil para você, afinal esta tendo que cuidar da casa e do pai sozinho, tudo isso deixaria qualquer um louco.

- Mas ainda sim foi errado o que eu fiz.

- Foi mesmo, mas olhe, ele não se lembra de nada de hoje de manhã, vamos passar uma borracha nisso tudo esta bem.

Uma borracha, que irônico, justamente hoje que ouvi da dona Chica que a vida é um desenhar sem borracha:

- Tudo bem, mas o que você precisar me ligue ta bom... Levou os remédios dele?

- Sim.

- Levou roupa também?

- Sim.

- Ah você também levou...

-SIIIIIIIIIIIIIIIIIIM... Fabrício eu sei cuidar do pai ta bom, fique sossegado, amanha pela manhã eu levo ele esta bem.

- Ta... 

Fiquei mudo, eu não sabia como pedir aquilo, mas queria escutar a voz dele:

- Você quer falar com o pai?

- Sim.

- Vou chamá-lo espere ai.

Fiquei escutando o barulho dos passos, e depois nada, será que ele havia realmente se esquecido do que aconteceu hoje pela manhã? E se ele não quisesse falar comigo? Eu no lugar dele nem olharia mais na minha cara, e se...

- Filho!

- Pai!

Como foi bom ouvir a voz do meu velhinho:

- Como o senhor esta?

- Estou bem Fabrício, escute eu vou passar a noite aqui ta bom, sua mãe não quis vir, acho que ela não aceita ainda a escolha da sua irmã.

Ri do comentário final, meu pai era tão ingênuo, quem sempre desaprovou a opção sexual de Vivis era ele, mas tudo bem, o importante era que ele estava bem:

- Tudo bem pai, eu falo com a mãe depois.

- Fico feliz meu filho.

- Pai...

- O que foi Fabrício?

Fiquei mudo, eu não sabia como dizer aquilo, era um misto de medo e constrangimento, mas fechei os olhos e disse de uma vez:

- Eu te amo pai.

- Ah eu também te amo filho, cuide de sua mãe esta bem, a gente se vê amanhã.

- Sim...

Ele desligou o telefone e eu fiquei ainda com o fone no gancho, eu não poderia pedir desculpas, ele não se lembrava do que aconteceu, mas pelo menos poderia dizer que o amava, era o mínimo a fazer para compensar a minha falha.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO DOIS

Bora para mais um dia de leitura?
Capítulo dois no ar!
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 2:
MELHOR FICAR QUIETO

                

Deixei meu pai descansar um pouco, e fui mexer na internet, era uma das minhas poucas distrações para os meus dias de folgas, apesar que eu viveria melhor sem essas folgas.

Consultei meu e-mail nada de novo, depois acessei minha conta bancaria, ótimo Luiz depositou o dinheiro do evento, já tenho como pagar o aluguel desse mês, fui para as redes sociais, nada de interessante, só gente falsa escrevendo frases de incentivos ou alfinetando alguém. Tinha até uma frase da Tamara “Tudo posso naquele que me fortalece, Rumo a vestibular, serei uma dentista qualificada”. Gente ela não se cansa disso, ela não vai passar no vestibular, não passou até hoje.

Bom deixe ela com seus sonhos, enquanto eu vivo minha infeliz realidade. Eu continuei a ver as publicações, nada de novo... Odeio minhas folgas...

- Marisa... Marisa...

Levanto atordoado, meu pai estava sonhando com a minha mãe novamente, mesmo tendo os surtos dele, eu sei que ele sente falta dela:

- Marisa... Não se vá... Não me deixe sozinho... Marisa.

Me aproximo da cama e sento ao lado dele, não dava para acreditar que meu pai, um homem forte e robusto estava agora vivendo daquele jeito:

- Pai... Pai acorde.

- Hum... Filho, o que foi?

- O senhor estava resmungando agora a pouco.

- Ah eu tive um sonho com a sua mãe Fabrício... Sabe eu ainda não acredito que ela tenha partido.

Ele voltou ao normal, se lembrou de todo o ocorrido, mas até quando ele vai ficar assim? Droga, odeio a minha vida!

-

Eu estava assistindo a televisão quando o telefone toca, quem estaria ligando aquela hora?

- Alô?

- Oi Fabrício.

- Tamara?

- Euzinha.

- Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu sim, uma coisa espetacular.

La vem...

- O que aconteceu de tão espetacular oh fada ruiva.

- Eu passei no vestibular.

- O quê?

- Ai estou tão feliz.

Como isso aconteceu? Ela havia feito a prova tantas vezes e conseguiu passar:

- Puxa que legal, como você soube que passou?

- Ah liberaram um gabarito não oficial na internet, por ele eu acertei exatamente a metade.

Ata... Agora ta explicado, então ela não passou oficialmente, coitada mau sabe que esse gabaritos sempre tem alguma questão que foi corrigida errada:

- Não acha melhor esperar sair o gabarito oficial para ai sim comemorar?

- Não eu tenho certeza de que fui aprovada.

Sonhadora mesmo:

- Parabéns então Tamara e boa sorte na sua jornada.

- Huuum...

- O que foi?

- Você não esta tão feliz assim?

- Quem deve estar feliz é você.

- Fabrício seu pai esta bem?

Tamara era uma das poucas pessoas que sabia sobre o estado do meu pai, ela me ajudava a carregar esse fardo:

- Ele teve uma crise novamente.

- Nossa estão sendo mais frequentes né.

- Sim... Eu não sei mais o que fazer Tamara, não posso deixa-lo sozinho mais, hoje quando ele descansava de tarde, ele começou a gritar o nome da minha mãe.

- Fabrício você precisa ser paciente.

- Eu sei... Eu sei... Desculpa te perturbar com meus problemas, vá comemorar sua conquista.

- Olha se precisar de ajuda não hesite em me chamar.

- Obrigado Tamara, bom vou desligar, parabéns mais uma vez.

- Obrigada Fabrício, vê se descansa viu.

Não respondi, desliguei o telefone antes disto, não tinha como eu descansar mais, pois meu pai estava agora diante de mim, somente de cuecas e com um olhar vago:

- Eu perdi as minhas roupas.

- Vamos pai, eu vou ajuda-lo a se vestir.

Ele estava piorando cada vez mais... Sinto que logo eu irei perdê-lo.

-

Demorei a dormir, mas assim que agarrei no sono foi de uma vez, só acordei mesmo com alguns barulhos estranho na cozinha... Na cozinha?

Levantei a todo vapor, sem me tocar que estava apenas vestido com uma samba canção:

- Pai o qu... Vivis?

- Oi Fabrício... Bonita cueca.

- A se fecha vai... O que você esta fazendo aqui?

- Estou de folga hoje e vou cuidar do pai.

- Ai que susto por um momento eu pensei que ele estava mexendo nas panelas.

- Ainda bem que você dorme bem antenado... Desculpa pelo barulho viu.

- Fica em paz, eu vou tomar um banho e trocar de roupa.

- Faça isso mesmo, e depois me fala onde você comprou essa cueca, quero uma pra mim também... É bem máscula.

A minha vontade era de xingar, mas me contive... Essa Vivian é fogo.

-

Estávamos todos sentados a mesa, hoje eu teria uma festa para trabalhar, o bom é que meu pai ficaria aos cuidados de Vivian, isso me deixa menos preocupado, mas o avanço da doença dele só fez piorar naquela manhã:

- Onde esta Marisa?

- Ela não vem pai, a mamãe esta na cama.

- Ah eu vou chamar aquela preguiçosa.

- Pai, por favor fique sentado, não incomode a mamãe.

- Vivian você mima muito a sua mãe, onde já se viu esta deitada a essa hora.

- Então deixa que eu a chamo para o senhor.

Meu pai ficou calado e olhou fixamente para a xícara a sua frente, depois encarou minha irmã totalmente confuso:

- Quem é você?

- Pai, sou eu a Vivian a sua filha.

- Eu não tenho filha.

Passei a mão no rosto, aquilo já estava fora de controle:

- Pai senta ai e toma seu café.

- Ei rapaz você é namorado dela?

- Não... Sou irmão dela.

- E cadê a mãe de vocês?

- Paaaaiiii.

- Calma Fabrício, eu cuido disso... Pai sou eu a Vivian.

- Não minha filha não usa essas roupas, e ela também tem um cabelão não esse cabelo curto.

- Eu cortei ontem não se lembra.

Ele olhou desconfiado para Vivis, mas logo sorriu e a abraçou:

- Filha, como você esta linda, eu nem te reconheci... Mas cadê a sua mãe?

Tem horas que devemos ficar calado, mas eu não aguentava mais:

- Ela morreu pai.

- Fabrício pare.

- Morreu? Mas quando? Eu não fui avisado?

- Pai pare com isso vai, eu não aguento mais, todo dia é a mesma coisa, a mesma conversa, as mesmas falas, chega... Pra mim chega.

- Fabrício fique calado.

- Meu filho porque esta tão alterado, assim você pode acordar a sua mãe.

- A MÃE MORREU SEU VELHO DESMIOLADO.

Eu não acredito no que eu falei, vi meu pai ficar em choque e começar a chorar, droga eu e minha boca grande:

- Pai... Me desculpa... Eu...

- Fabrício me faz um favor, vai dar uma volta.

- Mas Vivis...

- Vá... Você já fez muito estrago para uma manhã.

Me levantei com um nó formado na garganta, eu não queria falar aquilo, mas falei, machuquei o homem que sempre foi meu herói.



Cruzo a porta para a rua e ainda escuto os soluços do meu pai... Eu odeio a mim e a minha vida.