segunda-feira, 1 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 10

Capítulo dez no ar, estamos a todo vapor hoje hein.

Boa Leitura!

CAPÍTULO 10:
TRAÍDORES


                

Tenho que admitir, Ludimila é uma ótima ouvinte, escutou toda a história sobre Leonel, na verdade apenas disse aquilo que sabia, também não seria prudente me aprofundar tanto num assunto que nem era do meu respeito, já estava fazendo muito em comentar sobre a vida alheia, mas ainda assim fiquei preocupada, como será que estava Leonel? Ele praticamente havia perdido muita coisa então pouco tempo. E quais os motivos que levaram ha esses fatos?


- Nossa Elise coitado desse moço, se quiser podemos ver alguma coisa para ele.


- Como assim Ludi?


- Sabe, na ONG às vezes acontece de ter uns probleminhas com alguns pacientes, e um enfermeiro seria de grande ajuda, o problema é que não podemos pagar tanto assim para ele.


- Você esta disposta a ajudar Leonel, sem ao menos conhecê-lo?


- Eu não preciso conhecê-lo, basta eu acredita no que você me disse, e também ele me parece ser uma boa pessoa.


Era incrível como Ludimila confiava no que eu falava, será que eu a deixava tão confortável assim? Bom ao menos eu poderia ajudar Leonel, mas por hora eu tinha que focar mesmo em como conseguir patrocínio, e já até sabia por onde começar:


- Chegamos Elise!


- Nem percebi quando chegamos!


- Conversando vai tudo indo mais agradável, então te espero amanhã para voltarmos a ONG?


- Infelizmente não, amanhã eu vou correr atrás do patrocínio, vou recomeçar minhas atividades na empresa afinal preciso colocar tudo em ordem, e somente eu posso fazer isso.


- Ah uma pena viu, mas ao menos você estará trabalhando de longe na nossa ONG.


“Nossa ONG”, eu não acreditava que agora fazia parte de uma instituição sem fins lucrativos, e o melhor de tudo era que eu estava feliz por tudo que estava acontecendo. Sorri ao ver o quanto Ludimila me envolvia com seu carinho e atenção, não havia palavras para agradecer a tudo que ela estava fazendo:


- Bem, eu preciso entrar, antes que a minha mãe tenha um treco.


- Eu posso te ajudar?


- Eu ficaria honrada com a sua ajuda... Aproveitando você gostaria de fazer um trabalho para mim também?


- Que tipo de trabalho?


- Quero reformar minha casa e a minha empresa, afinal nenhum desses lugares esta adaptado para receber pessoas com deficiência física!


Ludimila me abraçou de imediato, e deu para percebe que ela estava chorando também:


- Ai Elise, que bom que você esta aceitando bem essa sua situação.


- Isso tudo é graças a você Ludi, eu nem sei como te agradecer por tantas coisas boas que esta acontecendo na minha vida.


- Eu que tenho que te agradecer por me ter como amiga... Somos amigas né.


- Claro, somos super amigas.


Não deveria ter dito aquilo, pois Ludimila resolveu comemorar novamente com a dança do Saci, acho que de tudo que me aconteceu nesse dia, eu não merecia mais uma vez ver essa dança estranha né.


-


Entrei em casa e fui fuzilada de perguntas pela minha mãe, deu para perceber o quanto ela estava preocupada, tanto que nem havia se maquiado, e estava toda desleixada, tentei não rir de como ela estava naquele momento, e com muito esforço lhe contei como foi o meu dia. Por incrível que pareça, a noticia de que eu agora fazia parte de uma ONG a deixou bem animada:


- Minha filha que maravilha, não espera por essa noticia.


- Nem eu esperava por isso mãe, foi algo que eu tinha que fazer.


- E qual vai ser próximo passo para ajuda-los Elise.


- Bem amanhã eu vou para o escritório, e antes mesmo que a senhora ouse falar ou questionar, já vou avisando que a senhora irá comigo esta bem.


- Ata, por que eu já ia questionar sobre quem iria com você né.


- Então, lá no escritório eu posso conseguir os contatos certos para ajudar a ONG e também ver como andam as coisas, afinal temos dois processos trabalhistas pela frente, e por falar nisso ontem estão os seus dois filhos.


- Bem o Caio esta na faculdade, parece que ficou de exame novamente numa matéria lá que não sei o nome, e o Caique esta no quarto dele, se trancou desde a hora que chegou.


- Que estranho, será que aconteceu alguma coisa?


- Não sei filha, mas se quiser posso chama-lo.


- Melhor não mãe, amanha eu vou saber de tudo se é que aconteceu alguma coisa.


- Faz muito bem filha, vamos jantar então nós duas?


- Sim, o que temos para o jantar.


- Strogonoff de frango.


Não pude deixar de rir, o que deixou minha mãe mais confusa do que ela mesmo já era.


-


Seguimos dentro do taxi para a empresa, o caminho foi sossegado, minha mãe como sempre estava super amiga do taxista e tagarelava sobre tudo que via chegou até rir das piadas sem graça do homem, acho até que ela estava flertando com ele.


Enfim, ela era livre, jovem, bonita e poderia se dar ao luxo de ter um namorado, o que mais me espanta era que não me importo que ele seja um taxista, se fosse a alguns dias atrás eu com toda a certeza seria contra esse flerte, mas a nova Elise não se importa com a classe social, o que importa mesmo é que ela seja feliz.


O dia estava lindo, o sol já brilhava alto no céu, o transito estava uma beleza e mesmo assim eu estava sentido um pesar no peito, algo me incomodava, era como algo ruim fosse acontecer, estou tentando não pensar besteiras, tudo vai dar certo, tem que dar certo.


Paramos de frente para a empresa, e logo de cara já percebo o quanto a reforma será necessária ali, não há rampas de acesso até a recepção, somente uma longa escadaria, pelo menos o taxista se propôs a nos ajudar a subir as escadas, o que me agradou muito, e gentileza se paga com gentileza:


- Muito obrigado senhor.


- Por nada menina.


- Desculpe-me, mas como o senhor se chama.


- Me chamo Carlos, mas todos me chamam de Carlão.


- Senhor Carlão...


- Sem o senhor, por favor, não quero me sentir um velho.


Gente, ele era igualzinho a minha mãe nesse aspecto.


- Então... Carlão, eu gostaria de saber se o sen... Se você poderia sempre me trazer até a empresa todos os dias, claro irei pagar todas as corridas, pois como pode ver, a minha empresa ainda não tem rampa, e vou precisar sempre de uma ajudinha para chegar até aqui.


- Oh menina, farei isso com maior prazer, e se essa beldade estiver com a gente vai ser ainda melhor.


Gente ele é um galanteador, não da para acreditar nisso, ele era o par perfeito para minha mãe, o que eu não posso evitar de ver o quanto ela estava sem graça ao comentário, até parecia uma criança:


- Bem eu preciso ir, amanhã eu te busco no mesmo horário senhorita.


- Elise, me chamo Elise.


- Claro, Elise te busco no mesmo horário?


- Sim Carlão, obrigado viu.


O senhor desceu, mas antes deu uma bela olhada na minha mãe, que estava acenando timidamente para ele, olha nunca pensei estar viva para ver isso, eu me senti até envergonhada diante deles.


Bem seguimos pela entrada e logo de cara encontro Larissa, a recepcionista:


- Bom dia Larissa!


- Dona Elise, que bom que a senhora voltou.


- Sim, estou de volta e pronta para retomar o trabalho.


- Fico muito feliz pela volta da senhora, no que a senhora precisar pode contar comigo.


Larissa sempre foi prestativa, isso era bom, talvez logo pudesse lhe dar uma promoção, segui para o elevador e fomos direto para o quarto andar, a minha empresa era enorme, vista agora por esse novo ângulo que estou vivendo, era extraordinariamente enorme, os três primeiros andares ficavam os estúdios de gravação e sessão de fotos, a parte administrativa seguia do quarto andar até o sexto, e claro a minha sala ficava no sétimo.


Queria passar pelos andares, assim poderia ver a todos e demonstrar à nova chefe que eles teriam. O melhor foi ver a reação das pessoas, todos vieram me saudar e aquilo foi ótimo, eu sempre fui a chefe temida, mas agora eu vi meus funcionários como grandes companheiros, a cada andar fui recepcionada com muito carinho.


Finalmente cheguei ao sétimo andar, assim que saio do elevador já dou de cara com a minha secretaria Cristina, que se espantou ao me ver:


- Dona Elise, a senhora já esta de volta?


- Já não Cristina, demorei muito para voltar, como estão as coisas por aqui.


- Uma bagunça dona Elise, quando a senhora desejar eu lhe atualizo sobre tudo.


- Obrigada Cristina, mas quero lhe pedir uma coisa antes.


- Pode pedir senhora.


- Me chame de Elise, esqueça o senhora.


Percebi o choque de Cristina afinal, foi eu quem sempre exigi ser chamada de senhora Elise, atravessei a sala sorrindo, e segui para a minha sala, mas antes de entrar percebi que havia um movimento estranho ali:


- Cristina tem alguém na minha sala?


- Ah... Desculpa senhora, mas têm sim, duas pessoas vieram te ver.


Duas pessoas? Que estranho, quem saberia que eu voltaria justo hoje? Será que eram Ludi e Heitor? Dei de ombros e voltei minha atenção para Cristina que ainda estava em choque:


- Eu falei para esquecer o senhora ta bom Cris... Posso te chamar assim?


- Pode sim sen... Quero dizer, Elise.


As coisas estavam mudando e eu estava gostando, entrei na minha sala, foi quando tive meu primeiro choque ao ver quem estava ali dentro.


-


- O QUE VOCÊS FAZEM AQUI?


Não tinha como conter a minha raiva, Antony e Minerva estavam ali na minha frente, como eles se atreveram a invadir meu escritório, por culpa deles eu estava naquela situação, eles eram os culpados. 


Antony sorria com aquele ar de superioridade enquanto Minerva me olhava com deboche, aqueles traidores malditos, minha vontade era de acabar com eles, pisar neles, como eu os odeio:


- Ora Elise, então o que disseram era verdade, você virou uma invalida então.


- Cale-se Antony, quem te autorizou a entrar aqui?


- O seu lindo irmão gata, ele deixou nós dois entrarmos, ai amiga que situação a sua.


- EU NÃO SOU SUA AMIGA!


- Vamos com calma, não precisa ser tão rude com a gente, viemos aqui só pra te ver Elise, como pode nos tratar desse jeito?


- Filha por que você esta tratando Minerva e Antony desse jeito.


Claro, eu não contei a minha mãe sobre os traidores, não queria que ela se preocupasse com mais isso:


- Ola dona Luluzinha, como tem passado?


- Eu estou bem meu rapaz, mas o que esta acontecendo aqui?


- Mãe eu preciso ficar a sós com eles.


- Filha eu não quero...


- Por favor.


Minha mãe relutou, ela sabia que algo estava errado, mas deixou a sala, era hora de encarar aqueles dois, ver o que eles queriam, e posso afirmar que não era coisa boa.

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