quinta-feira, 1 de setembro de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 37 E EPÍLOGO (FINAL)

A dor maior é quanto tudo chega ao fim, mesmo na leitura!
Sentimos aquele vazio com o término da ultima palavra, e relembramos de cada sentimento que passamos.

Bora então sentir um pouco disso no capítulo final de EU, TU, ELES.

Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 37:
EU E ELE

                

Quando eu acordo estou numa cama de hospital, eu não morri? Ainda bem que fiz essa pergunta para mim mesmo:

- Você não morreu.

Olho para o lado e vejo Jorge, o que ele fazia ali?

- O que houve?

- Bem eu vou te explicar, você desmaiou enquanto seu pai tentava mata-la, mas ai seu irmão Caique se jogou sobre ele e o empurrou para fora do caminhão, daí ele caiu e você estava desacordada e trouxemos você e seu irmão para o hospital mais próximo.

- Gente, você resume bem as coisas.

- Sou rápido em contar historias.

- Mas e o Afonso o que houve com ele? Ele foi preso?

- Os mortos não são presos!

- Mortos? Ele morreu?

- Sim, quando vocês caíram ele se desesperou e saiu correndo da policia, e o único jeito de para-lo foi com alguns disparos.

Não nego que fiquei feliz com essa noticia, finalmente eu poderia respirar em paz, Afonso estava morto, assim ele não poderia causar nenhum mal para ninguém:

- Disseram que o caminhão frigorifico era do pai da moça que estava com ele.

- Ela ainda esta presa?

- Sim, vai responder por cumplicidade em sequestro e tentativa de homicídio.

- Pobre garota, foi apenas uma vitima nas mãos do Afonso.

- Pois é, mas pelo menos você já esta acordada.

- E meu irmão?

- Esta num outro quarto, sua mãe esta lá, tiveram que dar um calmante para ela, gente do céu, eu nunca vi alguém ter três alterações de comportamento então pouco tempo.

- Essa é a minha mãe.

Rimos juntos, mas logo ficamos mudos, eu me lembrava do que havia dito, e também do que havia escutado, só não teria coragem de falar novamente:

- Eu... Quero ouvir você dizer aquilo outra vez.

Gente do céu será que ele ler mentes?

- Jorge, desculpa, mas você gosta de outra pessoa, eu sei, então eu não posso dizer nada.

- Elise, olhe para mim.

Eu o encarei, pois ate o momento eu apenas olhava fixamente para o acesso preso ao meu braço. Olha-lo era como enxergar uma luz na minha vida, eu gostava tanto de Jorge, queria apenas lhe contar isso.

- A pessoa de quem eu gosto com toda a certeza do mundo, é de você.

Para o mundo agora! Então a frase dele “É você” ele se referia a mim, ele gostava de mim. Isso é verdade mesmo?

- Jorge você tem certeza?

- Absoluta, desde o dia em que há vi, eu senti algo forte por você, mas sou paciente, se o destino traçou os nossos caminhos, ele traçaria também a nossa união.

- Mas eu sou uma cadeirante.

- E eu sou um fisioterapeuta, somos duas pessoas normais, não vejo diferença entre a gente.

- Você não tem vergonha de mim?

- E por que teria?

- Por que não posso ser uma pessoa normal.

- Você sempre foi normal aos meus olhos.

Não dava para acreditar, alguém me belisque pois eu só posso estar sonhando.

- Quer que eu te belisque?

- Você sabe ler mentes?

- Não, ainda não.

Rimos novamente, foi quando ele tocou a minha mão, eu senti meu corpo inteiro formigar, era bom aquele toque, depois ele afastou uma mexa do meu cabelo, roçou o nariz próximo ao meu ouvido e perguntou:

- Você gosta de mim?

- Sim.

Foi sincera a minha resposta, eu tinha certeza absoluta daquilo, eu gostava muito de Jorge.

- Não tem duvidas?

- Não mais.

Virei meu rosto, nossos olhos se encontraram e por fim selamos o momento com um beijo apaixonado.

-

Nada mais foi do mesmo jeito dali por diante, três dias depois eu já estava em casa me recuperando ainda do evento, Caique retorno para minha casa, ele respondeu pelos seus atos como a fraude e teve o sua habilitação profissional caçada, foi um preço muito alto para ele. Impossibilitado de exercer sua função ele resolveu partir para uma nova área, resolveu fazer marketing digital, eu apoiei a sua escolha e garanti a ele um emprego.

Para alguns pode ser loucura, mas a experiência de quase morte que tivemos nos uniu tanto que até posso dizer que éramos confidentes.

Uma segunda surpresa foi a sua relação com Lisa, literalmente os dois se deram super bem, o que gerou certo ciúme em Caio, que queria ser o tio numero um sempre.

Minha mãe continuava com seu espírito adolescente, e a pedir meus sapatos emprestados, fora seu relacionamento com Carlão que ia a todo vapor.

Minha amizade com Heitor apenas se fortaleceu, com a retirada do processo trabalhista de Caique praticamente ele não tinha muito com que lidar, mas ainda sim o deixei como meu advogado pessoal, e ele passou a cuidar dos contratos que recebíamos e toda essa parte jurídica. E claro a aproximação dele e Cindi foi acontecendo aos poucos, acho até que os dois estão ficando escondidos, mas eu garanto que logo vou descobrir.

Tive até noticias de Leonel, que veio me visitar, o clima ficou meio tenso pois ele deu de cara com Jorge, mas tudo foi apaziguado de forma educada. Afinal eu só tinha olhos para o meu fisioterapeuta, e Leonel? Ele dizia estar curtindo a sua solteirice e focando em estudos.

Citando meu relacionamento, posso agora garantir que estou namorando, Jorge era um doce de homem, me ligava todos os dias, me buscava no serviço, e me levava para as consultas, eu não me via sem ele, e a cada dia que passava eu pude sentir que ele também não podia mais viver sem mim.

Acho que agora eu posso dizer que sou feliz, tudo estava seguindo um curso natural, não havia mais rancores, brigas, tristezas, era só felicidade, eu tinha tudo o que queria, e não era material, mas sim pessoal.

Amo a minha vida, amo meus amigos, amo minha filha, e posso garantir que amo meu Jorge. 

-

Os meses seguiram, eu já tinha a guarda definitiva de Lisa, que passou a me chamar de mãe, era gratificante ouvir isso da minha princesa, pois eu me sentia a mãe dela. Éramos cúmplices uma da outra, tanto que ela sempre me acompanhava as sessões de fisioterapia com meu amado Jorge:

- Vamos mamãe, a senhora tem que andar.

- Calma Lisa, não pense que isso é fácil.

- Eu estou aqui, venha até aqui.

Esse era um dos piores testes que Jorge fazia, como eu contei a ele o que fiz para soltar Caique do frigorifico, ele deduziu que meus bloqueios psicológicos estavam sendo derrubados, então me forçava sempre a tentar manter as pernas fixas. Com o tempo eu consegui me manter em pé, mas não conseguia andar, toda vez que tentava eu caia, mas desta vez ele usou Lisa como esforço, a colocou do outro lado da sala, e ficou ali ao meu lado, dando força junto com a minha filha:

- Vai mãe, a senhora consegue, vem... Vem...

- Vamos amor, eu estou aqui do seu lado, você consegue.

Eu me mantinha em pé, olhei para os olhos esperançosos de Lisa, depois olhei para Jorge, eles me davam a força que tanto precisava, eu tinha que consegui, por eles, por mim.

Um passo e mantive o equilíbrio, dois passos, três, quatro, cinco, vamos eu consigo, eu escuto a voz de Lisa gritando mais e mais, Jorge também me encorajando, eu sei que vou conseguir, mais um passo, mantenho o equilíbrio, eu vou para frente, e finalmente fico de frente para Lisa, e desabo no chão exausta:

- CONSEEEEEEEEEEGUIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!

Lisa faz uma farra, grita, uiva, roda a cadeira, até chegou a jogar confetes... De onde ela tirou confetes?

- Você conseguiu meu amor, você andou.

- Sim, graça as vocês, estou tão feliz.

Aquele era um dos meus dias mais felizes, eu voltei a andar, mesmo que passos tortos e fracos, mas eu consegui andar. Essa é a prova da minha superação, eu sou uma vencedora, eu sou uma merecedora, que de megera e egoísta passei a ser face da alegria e felicidade. Não me arrependendo de nada do que aconteceu, ao contrário, agradeço por tudo que passei, pois agora eu sou forte, e sei que se cair novamente, eu irei me reerguer.




EPÍLOGO

                

Não dava para acreditar nisso, será que é verdade mesmo? Mas como isso é possível? Ai que pergunta mais idiota de se fazer, eu pareço até uma menina de dez anos que nem sabe como certas coisas acontecem, apesar que Lisa já tem dez anos e sabe muito bem como isso acontece...

Passaram-se três anos desde que eu voltei a andar, nesse tempo eu me casei com Jorge, minha mãe se casou com Carlão, Ludimila se casou com Caio, Caique esta solteirão e Heitor e Cindi estão noivos. Quanta coisa pode mudar em tão pouco tempo, mas hoje eu tenho que dizer que uma mudança esta para acontecer na minha vida, e na vida dos meus familiares.

Todos estavam reunidos na minha casa, como sempre, tenho que dizer que já era rotina ver a casa cheia, e se eu visse o lugar vazio acho que eu ficaria muito triste.

Já passava da hora do almoço, todos já tinham se alimentado e estavam repousados na área externa da casa, Lisa brincava com Linda a Fox paulistine que Jorge tinha, ele dizia que era a sua filha mais velha, bem fazia sentido.

Eu me aproximei de todos com um papel em mãos, olhei para todos que ali descansavam e aproveitavam o momento de preguiça, fingi uma tossi para chamar a atenção de todos, eu tinha um comunicado a fazer:

- Pessoal, eu tenho um comunicado a fazer.

- Que comunicado amor?

- É algo que pode ser bom para uns e ruins para outros.

- Nossa Elise assim você nos assustas.

- Calma mãe, não é nenhuma tragédia.

- Então por que não fala logo Elise, você sabe que não me aguento de curiosidade.

Ludimila era tão ansiosa que começou a sacudir as pernas eufóricas, percebi que o suspense já era demais, suspirei fundo e virei o papel que estava na minha mão:

- Tenho a honra de lhes comunicar que estou grávida!

A explosão foi geral, Lisa e Jorge foram os primeiros a me abraçar, seguidos de Linda que pulava sacudindo o rabo e latindo alto. Nunca pensei que uma noticia como essa traria tanta felicidade.

- Que maravilha filha, vou ver vovó novamente.

- E eu vovô.

Esse Carlão era uma figura mesmo viu.

- Só não entendi por que você disse que talvez fosse algo ruim, é uma ótima noticia irmã.

- Ah sei lá, vai que ninguém gostasse de saber isso, e também né Caio você e Ludimila já estão atrasados em dar netos para a dona Luluzinha.

- Elise!

- Relaxa Caio, tudo no seu tempo, quem sabe mais para frente.

- Ai que maravilha meu amor, vamos ter mais um filho.

- Ou filha Jorge, pode ser uma menina.

- Vou ficar rodeados de mulheres, então.

- Eu vou ganhar um irmão... Vou ganhar um irmão...

Lisa estava tão feliz que começou a rodar a cadeira dela.

Nada melhor como uma boa noticia para finalizarmos o nosso dia:

- Vamos todos comemorar com o baile do folclore maluco.

Todos então começaram a fazer a dança do saci, boitatá maluco, curupira rodopiante, e Iara bailarina... Ok acho que esse foi o fim perfeito.



FIM

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