sexta-feira, 5 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 14

Bom dia pessoal, vamos a mais uma leitura?
Capítulo quatorze no ar.
Lembrete importante, nesse final de semana não teremos capítulos postados, mas segunda feira eu trago dois capítulos novos para vocês.

Um ótimo final de semana a todos e boa leitura!

CAPÍTULO 14:
A NOVA VIDA

               

A conversa com Heitor foi agradável, até me senti mais leve depois de tudo que havia acontecido naquele dia, foram tantos altos e baixos, mas agora eu estava focada em querer a guarda de Lisa, eu farei o que for necessário para poder cuidar dela, não quero vê-la sofrer estando num orfanato, não iria me perdoar se isso acontecesse. 

Apesar de ser de noite, as pessoas ali presentes decidiram enterrar a pobre senhora ainda naquele dia, assim pouparia o tempo de muitos, a pequena Lisa estava no colo da tal vizinha, senti uma onda de ciúmes da mulher, mas Heitor estava certo, por agora ela deveria ficar junto da vizinha que parecia ser alguém muito gentil. 

Algumas pessoas levaram o caixão da senhora que já estava lacrado, o enterro foi algo simples, alguns vizinhos jogaram flores no tumulo e logo começaram a jogar a terra, esse era o fim. Senti um pesar tão grande em ver aquela cena, não conhecia a pobre senhora, mas senti pena por ela não ter conseguido cuidar de Lisa até ela se tornar maior e independente. 

Diante então da sepultura da senhora, eu li o nome em sua lapide, Izaura, e rezei por ela: 

- Não se preocupe Izaura, eu irei cuidar da sua neta, farei dela uma mulher grande, forte, e claro sempre direi o quanto a senhora a amava, Lisa saberá que teve uma avó guerreira, agora pode descansar. 

Uma rajada de vento balançou os meus cabelos, e envolvia meu corpo, era como se alguém em abraçasse. Não tenho como afirmar, mas senti que Izaura agora poderia descansar, pois ela sabia assim com eu que Lisa estaria em boas mãos. 


Voltei para casa junto com Ludimila, agradeci por ter me transportado e entrei para dentro de casa, onde tive o desprazer de encontra Caique sentado no sofá, agi naturalmente, afinal ele ainda era meu irmão, mesmo sendo mal caráter. Na outra poltrona estava minha mãe, apagada de cansaço, a cutuquei para acorda-la, pois não permitiria que ficasse ali a noite toda: 

- Mãe... Acorde, vá para cama. 

- Huuum... Elise, ai que bom que chegou filha estava te esperando. 

- Bom já cheguei, agora pode ir dormir. 

- Está bem, até amanhã filha. 

Ela saiu bocejando e subiu para seu quarto, coitada a nova rotina a estava deixando exausta, bem segui meu caminho, eu também estava exausta, e amanhã terei muito o que fazer, preciso cuidar das coisas de Lisa, preparar a casa, afinal eu estava muito confiante, e também tinha que cuidar dos assuntos da empresa, como a contratação do novo contador. Esse pensamento me levou a encarar Caique, que me encarava com desprezo, nem vou ligar para aquilo, afinal o errado foi ele: 

- Esta feliz com que fez irmã? 

Pelo visto eu não iria dormi tão cedo assim: 

- O que foi Caique? 

- O que foi? Você me demiti na frente da nossa mãe, e ainda pergunta o que foi? 

- Eu já disse tudo o que tinha para dizer a você, não vou ficar martelando numa mesma tecla, boa noite. 

- Mas eu não te disse tudo o que queria ainda. 

O que ele tinha para dizer afinal? Caique não tinha caráter, fez muita coisa errada, tentou me prejudicar, me arrumou um processo trabalhista dos pesados e ele ainda queria que eu o venerasse? Só no mundo dos sonhos: 

- Elise você é tão desprezível que tenho nojo de você. 

- Eu sou desprezível Caique, pense em tudo o que fiz por você, hoje você é formado por que eu paguei a sua faculdade, você veste roupas boas porque eu lhe dei dinheiro, seu status é tudo fruto do meu trabalho, e o que eu ganhei em troca? Sua traição, você não tem caráter, agora me diga quem é desprezível aqui? 

- Ata, a pobre Elise é sempre a santa da história! 

- Não sou santa coisa nenhuma, já fiz muita coisa errada, e estou disposta a mudar o que fiz de errado e pagar pelos meus erros, mas e você? Nem se deu ao trabalho de tentar se redimir, olha Caique eu não quero mais discutir sobre esse assunto, se você me acha desprezível o problema é seu, eu vou dormir e descansar por que tenho um longo dia pela frente. 

Sai antes mesmo que meu irmão falasse mais alguma coisa, estou farta dele, a minha vontade era de expulsá-lo de casa, mas eu tinha dó dele, para onde ele iria? O que me resta é apenas esperar ele se acalmar, por isso não vou absorver nada do que ele disser, afinal a magoa ainda é recente, e sei que logo ele vai entender que a minha atitude foi a melhor para ele e para a empresa. 




Acordei totalmente exausta, como estava cansada, acho que já não estou mais acostumada a ficar dormindo tarde e acordando cedo, sinto minha cabeça pesada, mas não posso me abater, preciso sair o quanto antes e ver com Heitor como esta a solicitação de guarde provisória de Lisa, e por falar nisso acho que devo comunicar minha mãe sobre essa noticia, não que eu precise de sua autorização, mas eu preciso comunica-la sobre a minha decisão, eu espero do fundo do meu coração que ela não seja contra, diferente dos meus irmãos que talvez hajam da forma contrária. 

Bem é hora de me levantar e iniciar meu dia, cada minuto parado é valioso, para o monte de coisas que tenho que fazer. 


Dei a noticia a minha mãe e ao Caio assim que fui para a mesa, Caique estava dormindo, bem pelo menos foi o que Caio disso, mas acho que ele não queria mesmo era me ver, como seu eu fosse sofrer com isso. 

O mais engraçado foi que tanto minha mãe como Caio me apoiaram na decisão ao qual estava tomando, bem o que mais me surpreendeu foi ver que meu irmão estava de pleno acordo: 

- Quer dizer que vou ter uma sobrinha? 

- Calma Caio, não é certeza, estou vendo com um amigo meu toda a autorização para ter a guarda provisória de Lisa. 

- Mas ela vai me chamar de tio né. 

- Você escutou o que eu disse? 

Nunca vi Caio tão empolgado, ele parecia que tinha ganhado na loteria, até em planos com Lisa ele já estava fazendo: 

- Vou ensina-la a jogar videogame, leva-la ao shopping, será que ela gosta de desenhos também? Minha nossa, eu preciso comprar um presente para ela, Elise será que ela vai gostar de uma pelúcia. 

- Caio se controle, ainda não temos como saber se realmente Lisa vai vir morar aqui! 

- Quem é Lisa? 

Caique surge na entrada da sala de jantar, estava descabelado e usava apenas uma cueca samba canção, uma pergunta surgiu na minha mente, desde quando ele estava malhando para ter um tórax daquele tamanho? 

Mesmo assim revirei os olhos a suas vestes, se Lisa estivesse ali, eu já teria repreendido ele, assim como minha mãe faria também, pois seu olhar foi totalmente de desaprovação as suas vestes: 

- Caique isso são modos de aparecer na minha frente e da sua irmã? 

- Eita, mas eu estou pelado por um acaso? 

- Andar de samba canção pela casa é uma falta de respeito, ao menos deveria vestir uma camiseta, e uma bermuda né filho. 

- Pelo visto até minhas roupas estão sendo injustiçadas aqui. 

Lá vem ele de novo. 

- Respondendo a sua pergunta querido irmão, Lisa é uma garota de uma ONG ao qual conheci e estou interessada e ter a sua guarda provisória. 

- Mas ela não tem pais? 

- Não tem mais ninguém o mundo. 

- Mãe você vai deixar uma fedelha vir morar aqui... Aposto que ela é irritante como todas as crianças, que correm, gritam e suam a casa. 

Fedelha? Como ele ousa chamar a minha Lisa de fedelha? Senti meu corpo enrijecer, ele poderia me insultar, mas jamais perdoaria qualquer tipo de ofensa a minha doce Lisa, ela faria parte da minha nova vida, melhor, ela já faz parte da minha nova vida: 

- Primeiramente Lisa não é nenhuma fedelha, ela é uma garota especial, meiga, doce e muito, mas muito carinhosa, e sim ela vai fazer o que eu quiser aqui na MINHA casa querido irmão, e sobre correr, infelizmente ela não pode porque é deficiente física igual a mim. 

- Alem de pirralha irritante é toda quebrada, digna de ser sua filha mesmo. 

Aquilo me deixou furiosa, minha vontade era de voar sobre ele, arrancar aquele sorriso sínico daquele rosto falso, mas o que eu vi acontecer não se paga, minha mãe se levantou da cadeira, e lhe deu um forte tapa no rosto, e tenho que dizer senti minha alma ficar lavada nesse momento: 

- Garoto insolente, como ousa fala assim com a sua irmã? – Fiquei assustada com o tom de voz da minha mãe, ela até tremia de raiva. – Deficiente ou não, Lisa é uma pessoa, e será muito bem vinda a essa casa, eu cuidarei dela como se fosse minha neta. 

- Essa piralha mal chegou e já esta me dando dor de cabeça. 

Ele poderia ficar quieto, pois o segundo tapa foi até mais forte, pois o seu rosto ficou vermelho na hora: 

- Retire o que disse agora, eu não lhe dei esse tipo de educação Caique, peça desculpas pelas ofensas feita a sua irmã e a Lisa, agora. 

- Mas mãe... 

- AGORA CAIQUE. 

Puxa vida, eu posso afirmar que não tenho medo de muitas coisas, mas ver a minha mãe nervosa, era algo que me deixou com medo, levando em conta que Caique tinha um metro e oitenta cinco de altura, e minha mãe não passava dos um metro de cinquenta e sete, dona Luluzinha era corajosa viu: 

- Desculpa Elise. 

- Muito bem, agora vá para o seu quarto e vista algo decente. 

Caique saiu desolado, era obvio que sua raiva poderia aumentar, mas ainda sim, achei muito bem feito a lição que levou. Aos pouco fui ficando menos rígida, até que minha mãe foi para o meu lado e segurou na minha mão, me olhou profundamente nos olhos, e eu pude ver o quanto ela estava feliz e orgulhosa de mim: 

- Saiba que Lisa será muito bem cuidada, eu estou orgulhosa de você Elise, nunca pensei que você mudaria tanto. 

- Obrigado mãe, eu sei que sempre poderei contar com a senhora. 

- E comigo também irmã, ai eu preciso ir comprar uma pelúcia para minha sobrinha... E a senhora mãe não vai comprar num presente para sua neta. 

- Vou sim, mas já tenho que ensina-la a não me chamar de avó, por que sou jovem demais para ser chamada assim. 
Não tive como não rir desse comentário, minha mãe e meu irmão eram realmente excepcionais.

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