Mais intrigantes que as pirâmides do Egito!
É o capítulo vinte e oito!
Boa Leitura!
CAPÍTULO
28:
O
PASSADO QUE RETORNA
Como fui para uma consulta sem prévio aviso, Jorge teve que me levar de volta para o escritório, onde eu encontrei minha mãe totalmente descompensada e eufórica andando de um lado para o outro na minha sala. O problema maior foi quando ela me viu chegar, quase que eu cai cadeira de rodas, com a super investida da dona Luluzinha:
- FILHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... Onde você esteve? Estou a horas te procurando, seu celular só dá caixa postal. Você sai para almoçar e some por horas... Quer matar sua velha mãe... Epa, velha não, eu sou muito nova, gostou do meu novo batom?
- Mãe, por favor controle-se... Eu vou explicar tudo.
- Então pode começar mocinha por que eu quero saber exatamente onde e com quem você estava?
Gente do céu, minha mãe às vezes era mais birrenta que uma criança, pois ficou ali de braços cruzados e com um bico maior do que o de um papagaio, parecia até que eu havia tirado seu doce favorito de suas mãos:
- Mãe eu estava com o doutor Jorge, ele veio aqui me buscar para uma consulta.
- O doutor Jorge? Huuuuuuuuuuuuuuuuuuummm...
Pior que ter espírito de criança, era minha mãe agir como uma adolescente, pois ela se jogou sobre mim e ficou me olhando com olhos suplicantes e famintos pela história:
- Me conte tudo filha, tudinho, não esconda nada.
- Mãe pelamor...
Tem horas que da vontade de sumir mesmo.
-
Com tudo esclarecido, minha mãe se acalmou, um pouco, e me deixou trabalhar, assim que abri meu e-mail havia uma mensagem de Heitor, que estranho, ele sempre me liga ou manda mensagens com vários emotions?
Quando comecei a ler o e-mail senti meu coração palpitar mais forte, eram noticias sobre Lisa, e eram noticias boas:
Prezada Elise, venho por meio desta informar que o caso de Lisa teve andamento, após todo esse tempo no silêncio sobre esse assunto, posso agora afirma que você terá a guarda de Lisa. Sim conseguimos provar que Lisa estava sofrendo ao viver junto dos pais biológicos, pois eles a tiraram da escola, e a obrigava a mendigar em semáforos de ruas, fazendo com que a pobre criança corresse perigo.
Os fatos então foram apurados, e Lisa foi retirada da casa dos pais, agora mesmo ela esta num lar adotivo, mas não se preocupe, pois já dei continuidade no seu pedido de adoção, como você é diretora de uma ONG e sua casa é totalmente adaptável a pessoas com necessidades especiais, consegui um pedido provisório para guarda.
Lisa irá hoje mesmo para sua casa.
Me ligue assim que possível.
Do somente seu
Heitor.
Ok,o e-mail não precisava terminar com a frase “Do somente seu”, mas isso era o menos importante, a minha vida acabou de se encher de luz, Lisa agora seria minha filha, moraria comigo, eu daria todo o conforto e amor que ela tanto deseja, estou tão feliz:
- Mãe, rápido venha aqui!
- O que foi filha? Lembrou de algum detalhe do seu encontro com o doutor bonitão.
Gente, minha mãe tem que ser tão adolescente assim?
- Não mãe, não tem nada de detalhe para lembra, só escute o que vou lhe falar.
- Estou bem atenta, diga!
- Lisa, virar para casa comigo, e hoje!
- Mentira?
- Verdade mãe, Heitor conseguiu a guarda provisória já que foi provada a exploração infantil por parte dos pais biológicos dela.
- Ah minha nossa, que alegria filha.
- Nem me fale mãe, estou tão radiante.
- Então vamos filha, temos muito o que fazer!
- Temos e muito mesmo, vamos.
Cruzei minha sala, e avisei a Cintia que não voltaria mais hoje, nem dei tempo da minha secretária dizer qualquer coisa, eu estava tão feliz que nada poderia mudar o meu dia.
Bem foi o que eu achei, pois assim que minha mãe e eu cruzamos a recepção, eis que escutamos alguém nos chamar:
- Luluzinha? Elise?
Nos viramos, e foi inevitável o tremor, não poderia acreditar naquilo, de onde raios aquela pessoa havia surgido:
- Pa-pai!
- Afonso?
Meu pai biológico surgiu da mesma forma como ele havia desaparecido.
-
Eu fiquei ali parada, enquanto eu via aquele homem desprezível que destruiu a minha vida, mas como ele sabia onde nos encontrar, eu pensei que ele estava longe, e que não queria nem mais contato, bem que ele deveria ter continuado onde estava, e não ter aparecido nunca:
- Não mereço um abraço.
- Elise, fique atrás de mim.
- Não mãe, desta vez eu não preciso da sua proteção, eu sei me virar sozinha.
- Calma gente, eu vim em paz, filha eu mudei, vim para me reconciliar com vocês e voltarmos a ser aquela família harmoniosa que sempre fomos.
Harmoniosa, ele quase me matou e tem a cara de pau de dizer isso, isso já era demais:
- Como você nos achou Afonso? Pensei que ainda estava preso?
- Ah Luluzinha, o tempo lhe fez bem hein, ta uma pedaço de mau caminho.
-Limite-se a responder a minha pergunta apenas...
Como eu tenho orgulho da minha mãe, ela sim é uma guerreira, principalmente quando envolve a família dela, ela sempre foi divertida e bem humorada, mas quando alguém ou alguma coisa ameaçava a família dela, ninguém poderia segurá-la:
- Já falei Luluzinha, eu vim para nos acertar.
- Não me venha com essa, ou já se esqueceu do que fez comigo e meus filhos!
- Ora são águas passadas, eu juro que sou um homem novo!
Deu para notar a mentira escorrendo pelo canto da boca, aquele homem estava ali por interesse, maldito, eu o odeio tanto, por que teve que aparecer justo agora que estávamos indo preparar a recepção da minha Lisa, mas é como eu disse nada vai me atrapalhar, nem ele nem ninguém:
- Escute aqui... Senhor.
- Me chame de pai, filha.
- Não tenho por que te chamar com esse grau de parentesco, mas quero que volte de onde saiu, minha mãe e eu seguimos com a nossas vidas, então siga com a sua, eu te perdoo por todo mal que fez, mas não quero que se aproxime de nós novamente, então por gentileza, retire-se da minha empresa.
- Nossa filha como você é educada... Então isso aqui tudo é seu? Ta podendo hein.
- Saia Afonso! Se quer fazer algo de útil, suma das nossas vidas.
Minha mãe ainda estava um passo a minha frente, ela não ia deixar ninguém me tocar, ela queria me proteger.
Afonso começou a caminhar sorrindo, mas ao passar perto da minha mãe, ele lançou um olhar zombeteiro e malicioso, segurei firme na cadeira, pois tive medo de demonstrar minha fraqueza, ele me amedrontava, e vê-lo tão próximo assim me deixou mais vulnerável do que eu mesmo imaginava:
- Bem eu vou indo, mas eu volto tá, não irei desistir de vocês...
O que ele quis dizer é que não vai desistir da vida boa que levamos, pois olhou para o prédio com um brilho de desejo, mas pelo menos ele se foi, e desta vez eu me deixei expor meus sentimentos, comecei a tremer e a chorar, enquanto minha mãe me abraçava e sussurrava ao meu ouvido:
- Ele não vai fazer mal a você meu amor, eu prometo, ele não vai te machucar.
Enterrei a cabeça no ombro da minha mãe, ali eu encontrei o verdadeiro abrigo que precisava.
-
O que me reanimou foi fazer compras para o novo quarto de Lisa, com a reforma em casa, conseguimos fazer um quarto para ela, no andar superior ao qual agora tínhamos uma rampa interna que dava acesso para eles.
Ainda sim eu pude ver a tristeza rondando o olhar de minha mãe, ela não estava nada bem, claro rever o homem que infelizmente nos causou tanto sofrimento era o mesmo que pedir para tomar veneno e sorri. O que ainda não me saia da cabeça era como ele havia nos encontrado, como ele chegou até nós, era como se alguém tivesse contato para ele sobre a nossa vida.
Fui com esse pensamento fazer as compras para minha pequena Lisa no shopping, eu e minha mãe escolhemos todas as bonecas e pelúcias que haviam nas prateleiras, depois compramos roupas, muitas roupas.
Como era bom saber que teria minha Lisa, até minha mãe pode se contagiar com essa felicidade, ela até planejou o cardápio daquela noite:
- Hoje teremos hot dog de jantar!
- Mãe cachorro quente não é jantar.
- Não é cachorro quente, é Hot Dog, coisa chique filha, americana.
Minha mãe estava de volta, essa era a dona Luluzinha que eu tanto conhecia, sempre radiante e sempre com algo novo em mente.
- Mãe vamos embora, antes que fique tarde para buscar a Lisa.
- Mas eu nem me arrumei, não quero que ela ache que sou uma velha feia.
- A senhora é linda.
- Mas quero parecer mais uma tia do que uma avó né.
É o que falei, minha mãe é uma figura.
-
Fomos até o orfanato para buscar Lisa, meu coração não parava de saltitar, era uma emoção tão grande saber que teria Lisa, mas ao mesmo tempo eu tinha medo de me decepcionar novamente.
Minha mãe foi comigo, ela estava me dando a maior força, e tenho que dizer que era força mesmo, por que dona Luluzinha deixou bem claro que se alguém impedisse nós de trazermos a Lisa, ela iria descer do salto, digo com afirmação, pois ela fez questão de usar um salto quinze e agulha.
Ludimila e Heitor também estavam presentes, eles foram buscar a pequena enquanto eu e minha mãe aguardávamos na diretoria do orfanato. Tenho que falar que o lugar era muito bem cuidado, e havia muitas crianças, algumas até de colo, senti um aberto ao ver todos aqueles pequeninos ali, afinal quem não gostaria de viver ao lado de seus pais?
O tempo foi passando e eu já estava agoniada, bem tinham se passado dez minutos desde que Ludimila e Heitor foram buscar Lisa, mas para mim algo já não estava dando certo, será que a minha pequena não queria ir embora? Ou pior, ela não quer ir morar comigo?
Mas eu vou ser uma boa mãe, eu prometo isso, ai Lisa não me abandone...
- Chegamos!
Assim que Ludimila cruzou a porta, eu senti minha pressão cair e subir no mesmo instante, sabe aquele friozinho que da na barriga quando se desce de montanha russa, pois bem, eu estava com esse frio, mas num nível extremo, era como saltar de para quedas sem o para quedas, mas assim que vi a minha pequena entrar, com a sua mochila no colo e com aquele sorriso lindo tudo parou. Minha Lisa, minha pequena e amada Lisa:
- Desculpe a demora Elise, mas é que a Lisa estava embrulhando algo para você.
- Na verdade, quem estava embrulhando era você Ludi, mas essa não é uma das suas melhores qualidades né.
- Calado Heitor, eu fiz o melhor possível.
Ludimila fez bico pelo comentário do primo, enquanto Lisa ria, aquela risada era tão contagiante, com receio eu me aproximei e a vi tirar de dentro da mochila um pequeno embrulho, e tive que concordar com Heitor, Ludimila não sabia embrulhar mesmo:
- O que tem aqui dentro princesa?
- Abre tia, eu mesma que fiz para você.
Abrir o presente e lá tinha um pequeno quadro, um desenho feito a tinta guache, pela minha Lisa, nele havia duas pessoas cadeirantes, claro éramos eu e Lisa:
- Eu fiz você e eu tia, nos duas num campo verde bem bonito.
- Esta lindo meu anjo, vou coloca-lo na parede para todos verem.
- Tia eu vou mesmo morar com você?
- Vai sim minha princesa, ou você não quer morar comigo?
Ela ficou muda, a sensação de cair de para quedas voltou, me segurei na cadeira pois temia cair de verdade, mas logo Lisa sorriu, me beijou o rosto e disse:
- Eu quero sim tia, hoje esta sendo o melhor dia da minha vida.
Não tive como não me emocionar, abracei minha pequena, há que felicidade, que alegria, obrigado Deus, obrigado...
- Ah vem aqui Lisa, eu sou à vovó Luluzinha... Ah... Eu prometi não chorar.
- Quem é você, é a irmã da tia Elise?
- Não meu bem, sou a mãe dela, já adoro você por que tem bons olhos.
Definitivamente com esse comentário, Lisa conquistou o coração da minha mãe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário