Boa leitura a todos!
CAPÍTULO
18
MAIS
CONFUSÃO
Fiquei indo atrás de Heitor o dia todo, tentei pressiona-lo, mas não consegui nenhuma informação, tenho que dizer que ele sabe muito bem como guardar uma informação, acho que todos os advogados eram assim.
O que me restou foi ajudar na ONG naquele dia, fiquei um pouco com as crianças, depois fui conhecer melhor as instalações, conversei com Ludi sobre a creche e como poderíamos fazer para ampliar mais o local. Ainda bem que eu trouxe meu notebook, pois de lá mesmo já enviei alguns novos e-mails e até divulguei na empresa sobre a ONG, e o melhor foi que muitos ali estavam a fim de colaborar, até a própria Cris se prontificou em ser voluntária, pois ela havia feito um curso de contadora de histórias. Gente essa minha ex-secretária é uma máximo.
Finalmente chegamos a hora do almoço, Heitor se aproximou sorridente e estava com o envelope em mãos, lutei contra a vontade de pegar o envelope e sair a toda velocidade, mas não fiz, prometi o almoço e daria a ele o almoço que ele queria:
- Vamos almoçar Elise.
- Claro, eu aceitei o seu convite, e aonde vamos?
- Tem um restaurante aqui perto, não sei se atenderá ao seu padrão né.
- E qual é o meu padrão?
- Não vai se ofender?
Eu já estava ofendida.
- Eu já estou ofendida.
- Me desculpa, mas é que você se veste tão bem, fala tão bem, tem uma postura tão elegante, o mínimo que eu pensei era que você também se alimentava muito melhor que eu.
Fiquei mais chateada comigo mesmo, eu não queria passar essa visão para as pessoas, eu mesma achei que tinha quebrado essa imagem:
- Desculpa, você não tem culpa, é que por muito tempo eu fui esnobe e metida, sabe deixei o dinheiro subir a minha cabeça, mas hoje eu sinto que nem todo o dinheiro pode fazer eu voltar a andar.
- Me desculpe por ter tido essa visão de você.
Sorri para Heitor, não tinha como ele saber que eu era diferente, ninguém ali sabia o quanto eu era esnobe, então não tinha porque eu ficar chateada. Eu tinha que provar o contrario, demonstrar que realmente eu era diferente, uma nova mulher:
- Podemos ir então?
- Claro, e pode deixar que eu pago a conta.
-
O almoço foi maravilhoso, ri bastante com Heitor, ele me demonstrou ser uma ótima companhia, fora também ser um excelente profissional, pois conversamos também sobre os vários casos que ele já resolveu, e isso só me fez admira-lo mais:
- E foi assim que ganhei a causa, o funcionário recebeu todas as suas verbas recalculadas com juros, e todos viveram feliz para sempre, todos menos a empresa.
- Isso é verdade, no final o dono da empresa que teve que arcar com juros altíssimos.
- Pois é, então gostou do almoço?
- Adorei, a comida daqui é simples, mas saborosa, sempre que puder vou vir almoçar aqui, e claro tendo a honra da sua companhia.
- E você acha que seu namorado vai gostar?
De novo a mesma história, não dava para acreditar que Heitor não aceitava meu inicio de relacionamento com Leonel, já estava começando a me cansar disso:
- Escute Heitor, eu estou sim com Leonel, mas não significa que estou presa, e muito menos que não devo ter amigos.
- Bom, se você fosse minha namorada, eu não deixaria você se encontrar a sós com nenhum homem.
- Justamente por isso que não sou sua namorada, e também não sou namorada de Leonel, estamos numa fase de nos conhecermos melhor, eu já te falei sobre isso.
- Deu para ver o quanto estava querendo se conhecer.
Aquilo me irritou profundamente, se algum dia eu já fui mimada daquele jeito, eu tenho que dizer que era muito chata, mas se ver na situação ao contrario onde uma pessoa não admitia a perda era irritante.
Bufei de raiva e comecei a me afastar da mesa, Heitor percebeu minha atitude e segurou minha cadeira:
- Aonde você vai?
- Vou pagar a conta e voltar para a ONG oras.
- Mas por quê?
- Por que eu já estou cansada de ter que falar sempre a mesma coisa. Poxa Heitor eu te acho um rapaz tão legal, inteligente e bonito, por que tem que ficar toda hora falando do me relacionamento com Leonel?
- Porque eu não consigo aceitar isso.
- E por que não aceita?
- Por que eu sou o cara para você.
Revirei os olhos, não adiantava falar com ele, acho que para esse assunto eu necessitava de ajuda, ou acabaria perdendo uma amizade valiosa:
- Quero voltar para a ONG.
- Então vamos voltar, só me deixe pegar a carteira para pagar a conta.
- Não precisa, eu pago a minha.
- Eu convidei, eu que pago.
- Já falei que não precisa.
- E posso saber por que?
- Por que eu não quero.
Ficamos nos encarando, ai que raiva me dava do Heitor, ele sabia como me tirar do sério, mas ao mesmo tempo eu gostava daquilo, me fez até sentir mais admiração por ele, acho melhor parar de olha-lo não sei por que, mas não consigo manter um olhar fixo nele.
- Isso não é resposta, tem que haver um motivo para não me deixar pagar a conta, é por que você gosta de mim né.
- Era só o que me faltava, Heitor se te faz feliz pensar assim que pense, tome pague a conta e vamos logo.
Fui para frente do restaurante e esperei até que Heitor saísse, e claro ele estava sorrindo de uma forma tão irritante, que ele ficava lindo daquele jeito, ai meu Deus por que eu tive que me ficar nesse enrosco todo?
- Podemos ir?
- Antes uma coisa?
- O que foi desta vez?
- Calma, não quer saber o resultado do pedido de guarda provisória?
Heitor me deixou tão irritada que por um momento eu me esqueci do real motivo de ter ido até o restaurante:
- Claro que quero saber abra logo esse envelope.
- Não é que eu queira ser chato, mas acho melhor fazermos isso na ONG.
- E por quê?
- Quando você souber do resultado você entenderá.
Fiquei mais apreensiva do que curiosa, o que será que Heitor quis dizer com aquilo? Bem não adiantava nada ficar com ideias na cabeça, se para o meu bem era melhor saber do resultado na ONG era lá então vamos para lá.
-
Entramos na nossa sala, eu, Ludimila e Heitor, eu não ia aguentar receber uma noticia ruim e não ter minha amiga do lado, por isso eu estava segurando a sua mão. Se eu pudesse descrever aquele momento seria algo como aguardar ansiosamente pelo resultado da loteria, não sabia se seria a ganhadora ou a perdedora, mas claro que estávamos falando de Lisa, e eu não queria perdê-la.
Heitor começou a abrir o envelope, retirou um papel timbrado, encarou o papel e olhou de mim para Ludimila, ai que aflição:
- Vai dizer o que esta escrito ou eu vou ter que arranca-lo da sua mão.
Adorei as palavras de Ludimila, praticamente ela leu a minha mente.
- Calma prima, quanta afobação, eu não vou ler, mas vou explicar o que vou expedido.
- Pois leia logo, ai que aflição.
Ludimila estava mais ansiosa do que de costume, mas eu já estava farta do suspense, será que Heitor não percebeu que estávamos lidando com uma vida inocente?
- Bem como eu disse, tenho boas e más noticias, vou começar pela boa, Elise você consegui a guarda provisória de Lisa.
Acho que aquela foi a melhor noticia que recebi no dia, explodi de uma forma tão eufórica que comecei a girar a cadeira de rodas e me tremer toda, tinha acabado de inventar a dança do boitatá giratório:
- Gente ela esta fazendo a dança do boitatá giratório.
Ludimila tinha que estragar minha dança né, mas ainda sim não acabou com a minha felicidade, a abracei bem forte tentando demonstrar o quanto eu estava radiante, mas foi quando Heitor fingiu estar tossindo para chamar a nossa atenção:
- Como eu disse essa foi a boa noticia, agora temos a má noticia.
- E qual é a má noticia.
- Os pais de Lisa apareceram.
Entrei em choque, de onde surgiram os pais delas? Pois a mãe não estava presa e o pai era desconhecido?
- Mas... De onde surgiram eles?
- A mãe esta respondendo os crimes em liberdade, ela conseguiu esse regime especial por boa conduta, e o pai surgiu depois da mãe ter saído da cadeia, parece que ela foi procura-lo.
- Como você descobriu isso primo?
- A vizinha dela me disse que a mãe de Lisa estava solta Ludi, e consequentemente já fiquei sabendo do pai também.
- E agora como Lisa vai ficar? Como eu vou ficar?
- Por enquanto você esta com a guarda provisória Elise, o problema será se os pais pedirem ela de volta, ai não temos o que fazer?
- Ou seja, terei de devolver a Lisa.
Heitor não quis afirmar, mas a sua atitude já dizia tudo, teria que haver uma saída, mas qual?
- A única solução seria se os pais dela abrissem mão de Lisa e para você poder da entrada no pedido de adoção.
Claro, se os pais dela não quisessem mais ter Lisa como filha, tudo ficaria mais fácil, então havia uma saída:
- Então temos uma saída.
- Essa é a única saída Elise.
- Não importa, eu vou falar com os pais de Lisa.
- Eu vou com você amiga.
Sorri para Ludimila, como sempre ela parecia ler minha mente.
- Acho que não terei outra opção senão ir com vocês.
- Podemos ir amanhã Elise, afinal hoje nós temos uma super missão para fazer?
- Qual Ludi?
- Arrumar sua casa para receber Lisa, e até já sei como vamos fazer isso, é hora de ir as compras.
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