sexta-feira, 12 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 20



Bom dia pessoal, ultimo capítulo da semana, então bora lá ler?

Lembrando que no final de semana não teremos capítulo, sendo assim na segunda trago dois capítulos um seguido do outro para vocês.

Boa Leitura!

CAPÍTULO 20:
ENCARANDO A DOR

               

Não tínhamos mais nada para fazer, apenas vi Tatiana levar Lisa que estava toda feliz ao rever a mãe e finalmente poder viver com ela. Não pude negar estar chateada com aquela cena, mas Lisa era uma criança, e talvez mais do que ganhar bonecas o que ela poderia mais desejar era viver com a mãe e finalmente ter uma família.

Fiquei desolada, totalmente sem forças, foi quando Ludimila empurrou novamente a cadeira de rodas para dentro do carro e se despediu de Pamela, que parecia mais chocada do que eu mesmo imaginava, mas o meu estado atual era de total inerte.

Como ia dar a noticia para minha mãe e para o Caio? Eles ficariam arrasados. Por que Deus? Por que me arrancou a filha que tanto quis cuidar?

- Elise você esta bem?

Ludimila sempre solicita, ela com certeza percebeu o quanto eu estou sofrendo, mas não tem porque atormenta-la, com o meu sofrimento:

- Estou tentado digerir tudo que aconteceu.

- Não se preocupe amiga, vai dar tudo certo, vou falar com Heitor, ele vai nos dar uma luz.

- Não quero mais criar falsas esperanças, mas se pelo menos eu souber que Lisa vai estar bem e feliz, isso já me consola.

Claro que não era isso o que eu queria dizer, estava sendo egoísta pois eu queria que Lisa fosse feliz ao meu lado, mas isso não seria mais possível, tentei afastar esse pensamento, e comecei a olhar pela janela, e passei a olhar para o céu, estava nublado e parecia que iria chover. Noticias cinzas para um céu cinza, situação irônica não?

-

A noticia foi recebida com tristeza, Caio ficou desolado, ele era o que estava mais ansioso, tanto que se trancou em seu quarto e ficou por lá, minha mãe veio me consolar, afinal ela sabia o quanto ter Lisa comigo era importante, mas eu sei que nada poderia mudar, eu a perdi e para sempre:

- Ah filha, não fique assim, tudo tem um motivo, e pense que Lisa agora vai estar com a família dela.

Forcei o melhor dos sorrisos, não tinha mais o que falar, eu não achava justo o que estava acontecendo, e infelizmente eu não tinha o que fazer, segui para o meu quarto, onde ali eu finalmente pude derramar minhas lágrimas, nunca sofri tanto na minha vida. Me joguei na cama e enterrei a cabeça no travesseiro, me senti fraca, eu havia perdido, e infelizmente isso eu não sabia como lidar, eu só queria ser feliz, mas por que tal felicidade me foi negada? Por quê isso estava acontecendo comigo? O que eu fiz de tão errado para me custar um preço tão alto? 

Será que estou pagando pelos meus erros do passado? Será que Deus esta me fazendo sofrer por eu ter feito tanta gente sofrer assim? Eu realmente fui tão ruim assim? Ou será que sou tão ruim que apenas me fingi ser boazinha, mas no fundo eu ainda sou a mesma?

Droga, tudo é minha culpa, eu sou a responsável por ter perdido Lisa, eu... Droga.

-

Agarrei num sono profundo que nem percebi, e quando acordei já era manhã cedo, mas eu não tinha forças para levantar, queria apenas ficar deitada. Ainda estou sofrendo pela perda que tive ontem.

De tudo que me aconteceu na vida, eu pensei que seria mais forte para lidar com as perdas, mas acho que não sou capaz de superar essa queda... Ah minha pequena Lisa, será que você esta sendo bem cuidada, será que a sua mãe esta sendo realmente uma mãe, assim como eu seria para ela?

- Elise, já esta acordada filha?

Minha mãe... Sempre ela estava para me amparar, mas acho que desta vez nem ela poderia me ajudar. Fiquei muda, não queria ser incomodada ou incomodar alguém, eu precisava desse momento para mim, só isso.

- Será que ela esta dormindo, dona Luluzinha?

Quem esta com a minha mãe? Eu reconheço essa voz masculina:

- Não sei moço... Ai Desculpa esqueci seu nome de novo!

- Heitor, me chamo Heitor.

O que raios Heitor estava fazendo na minha casa? E a essa hora da manhã ainda?

- Eu volto mais tarde então dona Luluzinha, vou estar aqui na casa da minha prima, peça por favor para ela me procurar.

- Claro Heitor, eu a aviso sim, vamos eu o ajudo até a entrada.

Ouvi o barulho das rodas se movimentando, eu ainda não pude acreditar que Heitor foi até a minha casa? O que ele queria ali? Bom, pensando bem, era possível que Ludi já tenha contado sobre o ocorrido de ontem, mais um a me consolar, eu não quero consolo, eu quero Lisa, ela sim me salvaria dessa tormenta que estou vivendo... Droga, por que estou chorando de novo?

-

Já se passava do meio dia, e minha mãe fez questão de vir bater na minha porta no mínimo umas quinze vezes, tenho que admitir que ela era insistente, mas eu ainda precisava viver minha dor, ainda tinha que senti-la mais profunda, eu precisa disso.

E pela décima sexta vez ela veio bater a minha porta, minha mãe era realmente o que se chama de persistente, e o pior foi que desta vez ela não dizia nada, apenas batia insistentemente na porta, ai que raiva, odeio esse barulho.

Subo na cadeira e abro a porta, para minha surpresa não era minha mãe quem batia insistentemente na porta:

- Ludimila?

- Eu sabia que uma hora você iria atender!

- O que faz aqui?

- Vim aqui para te ajudar!

- Não preciso da sua ajuda!

- Ah precisa sim.

Não evito o revirar de olhos, por que todos acham que eu preciso de ajuda, o que eu realmente preciso é de Lisa.

- Pois então diga Ludi, do que tipo de ajuda eu preciso?

- Você precisa entender a sua dor.

Agora pronto, Ludimila queria dar uma de psicóloga, era só o que me faltava.

- Olha eu agradeço a sua ajuda, mas eu to bem...

- Não esta não.

Ludimila estava séria, ela me olhava com olhos penetrantes e intensos, tanto que cheguei há recuar um pouco, mas ai Ludi suavizou a sua expressão, ela segurou minhas mãos de uma forma tão terna que senti meus olhos marejarem:

- Elise eu sei o quanto você esta decepcionada com você mesma, mas isso não é culpa sua, na verdade não há um culpado. Infelizmente tivemos a infelicidade de encontrar a mãe de Lisa, e não temos força sobre isso, pense que Lisa esta feliz ao ter a sua mãe de volta.

- Mas eu seria uma mãe melhor.

- Isso não é um jogo Elise, ninguém aqui quer saber quem vai ser uma mãe melhor para Lisa, e sim a vontade dela, ou você por um acaso teria a coragem de trazer Lisa a força mas ciente de que ela estaria infeliz ao seu lado.

Pensando por esse lado, Ludi tinha razão, do que adiantava ter Lisa ao meu lado se ela não sorriria mais, era como rouba-la da própria família, deixa-la infeliz, acho que isso seria o pior, mesmo eu achando que poderia ser uma boa mãe, ainda sim Lisa não seria minha filha de verdade e não me amaria.

- Você entende Elise, tudo isso aconteceu pelo bem de Lisa, não se culpe, não se machuque mais.

Não pude deixar de sorrir, Ludimila foi como um raio de luz na minha vida, ela sim sabia o que eu realmente queria, me entendia de verdade, era uma amiga muito querida:

- Obrigado Ludi, eu não sei o que seria de mim sem você.

- Não precisa agradecer minha linda, bem meu primo quer falar com você, ele esta lá em casa, podemos ir lá falar com ele?

- Claro, aproveito também para conversar com você sobre um assunto.

- Huuuuummm será que é um segredo intimo, adoooooooooooooooooooooooro segredos íntimos.



E eu adoro quando a Ludi é a Ludi de sempre.

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