Bom dia pessoal, um pouco mais atrasado do que de costume, mas esta ai, capítulo doze para vocês.
Boa Leitura!
CAPÍTULO
12:
ARREGAÇANDO
AS MANGAS
Nunca pensei que o Jorge seria tão divertido, fora o almoço que estava uma delicia, eu como sempre pedi a minha salada, e ele foi de contra filé acebolado com arroz, feijão e fritas.
Ri tanto nesse almoço que até fiquei com dor na barriga, realmente a passagem de Jorge por ali foi para me animar, nem estou mais tão abatida pelo aconteceu hoje cedo, na verdade passei até a ver tudo com outra visão de que os dois crápulas e meu irmão são dignos de pena, e que eles podem fazer qualquer coisa contra mim, eu sempre sairei vitoriosa porque não agirei mais com maldade. É como dizem o bem sempre prevalece no final
Saímos do restaurante, eu e Jorge, ele empurrava a cadeira enquanto falava sobre a sua rotina naquele dia:
- Nossa hoje já fui para academia, yoga, passei numa sorveteria, depois te encontrei, almoçamos e agora vou fazer um pouco de caminhada até a minha casa.
- Já fiquei cansada só de ouvir tudo isso que você fez e vai fazer.
- Tenho que aproveitar cada minuto da folga Elise, afinal eu não sei quando vou poder ter um dia desses novamente.
- Falando assim parece que você vive para o trabalho.
- Não é isso, mas é que minhas folgas são destinadas a outra pessoa.
Outra pessoa?! Ah não, ele tem namorada, ou pior é casado. Eu almocei com um homem casado?
- Você é casado?
- Não.
- Tem namorada?
- Não.
- Então é namorado...
- Não... Que isso Elise.
Ta fiquei tão eufórica que não consegui pensar direito, ainda bem que Jorge levou tudo na esportiva, sorte a minha:
- Então quem é a pessoa que te rouba as suas folgas?
- Minha filha!
De tudo que eu ouvi, realmente aquilo foi o que me deixou mais surpresa, aquele pedaço do céu tinha uma filha, ai minha nossa, ele era pai solteiro, ou será que foi um relacionamento passageiro?
- Calma não é isso que você esta pensando... Veja essa é a minha filha?
Jorge mostrou a tela do celular, a filha que lhe roubavas as folgas era uma cadela da raça fox paulistinha, fiquei tão aliviada que suspirei fundo:
- Ficou assustada com a ideia de eu ter uma filha?
- Na verdade eu me assustei, porque você não me parece alguém que tenha um filho assim aleatoriamente.
- Ainda bem que consigo passar essa imagem ainda, por que para algumas pessoas sou o maior canalha.
- Ai que absurdo pensarem isso de você, um rapaz tão educado e bonito.
- Então você me acha bonito é.
Jorge sussurrou em meu ouvido, que cara saliente, ele estava tentando me seduzir? Mas eu sou paciente dele, isso não pode acontecer, ai e agora, o que faço?
- Chegamos princesa.
- Ai que bom.
- Então que tal responder a minha pergunta, de qual Jorge você gostou?
- Ah pare com isso vai, para que você quer saber isso?
- Por que eu adoraria saber o que você acha de mim.
Ai que enrascada, e agora o que eu respondo, eu que gosto dele assim ou do Jorge doutor? Tenho que permanecer neutra quanto a isso.
- Não tenho preferência alguma.
- Então tanto faz um como o outro, isso é bom então.
- Por que isso é bom?
- Por que assim eu não preciso modificar meu jeito de ser só para te agradar.
Ele quer me agradar? Ai Deus, o que acontece com esse homem? Acho melhor deixa-lo ir, senão serei vista por...
- ELISEEEEEEEEEEEE...
Minha mãe... Agora pronto, to arruinada.
- Elise... Filha te procurei por todos os can.... Doutor Jorge?
- Olá dona...
- Me chame de Luluzinha, e sem o dona por favor.
- Como queira Luluzinha, bem vou ajudar Elise e depois tenho que ir.
Não consegui falar nada, apenas sorri e assenti, o olhar da minha mãe já dizia tudo, com certeza ela diria alguma coisa do tipo “O que deu no doutor? Ele esta um tipão”, já estou até preparada para isso:
- Doutor o senhor esta muito bem assim viu.
Na frente dele não mãe, ai minha nossa, será que ela não percebe que já estou envergonhada?
- Que bom que gostou Luluzinha, fora do consultório eu sou mais despojado, a Elise disse que prefere tanto esse meu eu quanto o outro.
Quero morrer, já não me basta o parafuso a menos da minha mãe, agora o Jorge esta no mesmo barco?
- Nossa, então isso significa que ela gosta de você de qualquer jeito.
- Mãe, por favor, não vamos atrapalhar o Jorge.
- Tudo bem Elise, posso dizer que gostei de você também de qualquer jeito viu, bem preciso ir, até semana que vem no consultório hein.
Fiquei passada com esse comentário, o Jorge realmente gosta de mim? Ah não... Isso não pode ser verdade, sacudi a cabeça tentando voltar para a realidade, mas dou de cara com a minha mãe, ela estava com aquele sorriso de sapeca, lá vem jumbo:
- Eu viro as costas e você foge com o doutor?
- Primeiro eu não fugi com o Jorge, foi uma casualidade ter nos encontrado, e ele me convidou para almoçar, eu aceitei e agora estou aqui.
- Pois agora você vai entrar e vai pedir desculpas ao seu irmão, mas antes eu quero saber de tudo que aconteceu nesse almoço, porque filha esse doutor é um pedaço de mau caminho, ai... Quem dera eu ter meus vinte e poucos anos...
Não comentei nada, eu teria que confrontar o Caique mais uma vez, só que agora eu estava relaxada, talvez o pedido desculpa aconteça, mas apenas para apaziguar as coisas, por que ainda estou bem desconfiada dele.
-
Voltei para minha sala e encontrei Cristina arrumando a minha mesa, antes dela sair pedir que chama-se novamente Caique, e claro que ela ficou meio tensa ao meu pedido:
- Dona Elise a senhora não deveria se estressar.
- Obrigada pela preocupação Cris, mas desta vez será uma conversa, não uma discussão, eu prometo que não vou me exaltar.
Acho que consegui convencê-la, pois Cris saiu sem questionar e ligou para a sala de Caique, que em menos de dois minutos surgiu na frente da minha sala com minha mãe junto:
- Me chamou para continuar a me insultar Elise.
- Te chamei para esclarecer alguns pontos só isso.
- Meus filhos, não vão começar a discutir novamente né.
- Mãe, mas foi ela quem começou.
- Caique. – Minha voz saiu mais calma do que eu mesmo imaginei. – Eu não tenho como provar que você armou esse encontro lamentável que tive com Antony e Minerva, e muito menos tenho provas de que você já sabia que por culpa deles eu estou aqui, resumindo, eu peço desculpa por não ter provas e te acusar, mas ainda sim desconfio de você.
- Elise eu sempre me dediquei a essa empresa, trabalhei mais que todos aqui e ainda sim sou visto com desconfiança.
- Querido irmão, confiança é algo que se conquista, e para dizer a verdade você nunca foi alguém capaz conquistar nada, sem ter a ajuda de uma terceira pessoa.
- Elise não fale assim do seu irmão...
- Desculpa mãe, mas é a verdade, pensando numa linha de raciocínio, eu sempre lhe dei tarefas ao qual era de extrema confiança, e como agora eu não confio mais em você eu vou querer supervisionar cada passo seu aqui.
- Você só pode esta de brincadeira comigo?
- Eu falo a verdade Caique.
- Mãe esta vendo, eu não fiz nada de errado e ainda sou penalizado, eu não aguento mais, vou pegar minhas coisas e sair daqui agora mesmo.
- Sinta-se livre para fazer isso caro irmão, mas te garanto que a sua atitude só demonstra que realmente você não é digno de confiança, ou melhor dizendo que você não tem capacidade para me provar que pode ser confiável.
Xeque mate, Caique ficou paralisado, realmente a sua atitude demonstrou bem mais do que eu desconfiava, afinal se você não deve, para que vai fugir?
- Elise, por favor não faça isso com seu irmão, ele sempre trabalhou direito.
- Essa é a minha condição, quer ficar aqui e trabalhar, pode ficar, mas tudo passará pelas minhas mãos antes de qualquer coisa, agora se esta se sentido lesado, ofendido e ainda quiser sair e processar a empresa, fique a vontade, mas se eu descobrir alguma fraude sua, quem vai ser processado será você.
Caique deu um passo para trás, ele percebeu que agora eu estava agindo racionalmente, claro, perder um contador que sempre esteve presente ali na empresa era algo muito ruim, mas não seria impossível substituí-lo.
Continuei a encara-lo, estava a espera de uma resposta, e ele fez o que realmente eu pensei que faria:
- Vou pegar minhas coisas, eu não tenho que provar nada para você, ou tem confiança ou não tem.
Permaneci inalterada, bem o que me restava agora era arrumar um substituto para Caique, então peguei o telefone e disquei para o ramal da Cris:
- Cris, por favor anuncie na empresa uma vaga em aberto no departamento contábil, quem estiver interessado pode vir falar diretamente comigo.
- Ok dona Elise.
Desliguei o telefone, e fitei meu irmão, ele ficou em choque, pensou o que? Que eu iria me jogar no chão por ele? Jamais.
- Esta esperando o que Caique, vai lá pegar as suas coisas.
- Elise, filha, não faça isso com seu irmão...
- Mãe, eu sou a diretora dessa empresa, fundei ela quando ainda não tínhamos nada, lutei, cheguei a ser humilhada por muita gente grande, só Deus sabe o que pastei para chegar até aqui, agora não vou admitir que um homem mimado e mau caráter tente me manipular, e outra a confiança que tinha nele se foi, vou aproveitar e pedir para rever os relatórios contábeis dos últimos cinco anos, vou contratar uma empresa de auditoria para levantar tudo que foi feito nessa empresa, e reze meu irmão, reze para eu não encontrar nada de errado.
- Você... Me odeia Elise?
- Não te odeio Caique, mas você chegou a um nível que não da mais para aguentar, deixar aqueles dois entrarem na minha sala foi demais, e como eu te disse não tenho como provar o que você diz não saber, mas eu sei que você já sabia de tudo, e em vez de ficar do meu lado, você preferiu me trair.
- Eu sempre estive do seu lado Elise.
- Não Caique, você jamais esteve do meu lado.
- Chega filha, reconsidere sua decisão agora.
- Mãe, aqui a senhora não tem poder algum, estou agindo como uma diretora, não como uma irmã, tenho que pensar no futuro da empresa, doa a quem doer.
Não voltaria atrás com a minha palavra, percebi que aquilo me deixou triste, não porque perdi um funcionário, mas por que perdi meu irmão. Caique deixou a sala desolado, me cortou o coração vê-lo daquele jeito, não fui cruel, fui justa, ele fez algo errado, e não quis ao menos negociar, simplesmente tentou se fingir de bom homem, mas eu havia voltado, uma nova Elise, mais justa e estava na hora de por a mão na massa.
-
Depois de muito reclamar, minha mãe saiu da sala, ela queria que eu voltasse atrás com a decisão que tomei sobre Caique, expliquei que havia outras prioridades a cumprir, e que talvez isso mostre as pessoas da empresa que não estou mais para brincadeiras, enfim, para agora eu precisava procurar pessoas interessadas em ajudar a ONG ao qual eu faria parte, isso era a minha prioridade naquele dia. Comecei a disparar os e-mails para todos os meus contatos, claro tive que fazer uma separação entre os que tinham muita condição para os que não tinham tanta opção assim, mas pelo menos já estava iniciando.
Como meu dia foi duramente interrompido varias vezes, não consegui enviar para todos que realmente teriam condição em ajudar, mas ao menos inicie a busca.
Em contra partida recebi alguns e-mails de candidatos à vaga no departamento contábil, isso já era um alivio, um problema que poderia ser resolvido até que rápido.
Fiquei tão imersa a trabalhar que não vi as minhas poucas horas passar, o sol já estava se pondo, quando minha mãe entrou na sala novamente:
- Vamos para casa Elise?
- Sim, mal pude trabalhar hoje, e espero não ter contratempos amanhã.
- Filha, você pensou no caso do seu irmão?
- Mãe, a decisão já foi tomada, Caique não faz mais parte da empresa, ponto final.
- Mas filha...
- Chega mãe, isso é um assunto finalizado.
- Como você é cabeça dura viu.
- Ata, isso eu puxei da senhora sabia.
Minha mãe sorriu ao meu comentário ao menos o nosso relacionamento não parecia ter mudado. Olhei para a tela do computador e percebi recebi um e-mail, era de um dos meus maiores clientes, e o melhor de tudo, era uma resposta sobre o patrocínio necessário para a ONG, o diretor da empresa, ao qual eu tenho contato direto, se comprometeu em ajudar, ele esta querendo marcar uma reunião com os responsáveis pela ONG e esta muito interessado em conhecer a instalações. Senti uma enorme felicidade, ao menos meu dia finalizou com um resultado positivo ao inicio das buscas pelo patrocínio.
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