quinta-feira, 18 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 25

Bom dia pessoal, um pouco atrasado devido a problemas na internet, mas esta aí para vocês o capítulo vinte e cinco.

Boa Leitura!

CAPÍTULO 25:
DESCOBRINDO UMA FARSA

                

Assim que acordei, ainda estava com a decisão martelando minha cabeça, eu precisava corta o mal pela raiz e faria aquilo naquele exato momento. Me aprontei rapidamente e segui para a sala de jantar, todos estavam reunidos à mesa, Caique tinha o rosto marcado pela surra que levou ontem, e minha mãe estava com os olhos inchados, acredito que a coitada deve ter chorado por decepção, até eu ficaria decepcionada se realmente tivesse um filho tão sujo como Caique.

O único que estava feliz era Caio, pelo visto ele estava adorando trabalhar com Ludimila, tanto que havia feito à barba e cortado os cabelos, coisa que ele fazia pouco, acho que duas vezes ao ano era o suficiente.

Assim que me aproximei da mesa, minha mãe sorriu e levantou-se para me servi, como sempre fazia todas as manhãs:

- Bom dia filha, quer algo em especial hoje para o seu café da manhã?

- Quero sim mãe.

- O que vai querer filha?

- Que Caique saia dessa casa!

Aquilo foi um choque para todos, minha mãe me olhou espantada e assustada, com toda a certeza ela não esperava por aquilo, não mesmo:

- Elise você enlouqueceu?

- Não mãe, estou mais lúcida do que o normal, eu quero Caique fora de casa, e quero isso hoje ainda.

- Mãe você vai deixar ela me expulsar?

- Ah, o bebê vai pedir ajuda para a mamãe agora é? Cadê aquele homem que ontem me insultou, esnobou e me humilho na MINHA própria casa?

A ênfase na palavra “minha” foi justamente para dizer que realmente ali eu era a rainha, eu mandava e desmandava, e que não haveria ninguém mais para mandar ou desmandar:

- Elise, isso já foi... Resolvido ontem...

- Não mãe, não foi resolvido e não vai ser resolvido até ele sair da minha casa, já estou farta dele, esse moleque só me faz mal, não o quero mais aqui, não tenho mais condições de atura-lo, essa é a minha decisão final.

- Mas para onde eu vou irmã?

- Irmã? Agora sou sua irmã, na hora de me processar, você não pensou nisso, na hora em que me humilhou, você também não pensou nisso, e agora eu te pergunto, o que você vai fazer?

Caique me olhou com a expressão mais inocente, mas eu não cairia nessa farsa dele, não mais:

- Você tem até o final do dia, quando eu voltar, não quero mais vê-lo aqui.

Sai da sala decidida, não queria mais confronta-lo, se ele achou que eu cederia, achou errado, minha mãe e Caio podem até achar que estou sendo dura demais, mas eu sinto que isso foi necessário, cruzei a porta de casa e segui para a casa de Ludimila, lá eu poderia encontrar um pouco de conforto para minha cabeça, que já começa a latejar.

-

Eu estava no meu escritório, enquanto lembrava da conversa com Ludi, apesar do Caique ser tão cara de pau e um nojento, Ludi ainda achou muito radical a minha postura, mas infelizmente eu não era igual a minha amiga, não aturava tudo tão bem assim, mas ela soube me entender e disse que eu sabia o que era melhor, até chegou admitir ser bem mole com certas situações onde um punho firme faz toda a diferença.

Bom, agora eu já tinha tomado a decisão, o que me restou foi me enfiar no trabalho, passei alguns e-mails para Heitor sobre o processo de Caique, e também sobre o meu caso com Antony, não acredito que eles estavam dando continuidade naquilo. Bem segui enviado e-mails e resolvendo alguns problemas, quando nem percebi que alguém estava na porta:

- Dona Elise, posso entrar? – Era a Cris, que saudades da minha ex secretária.

- Claro que pode Cris, e já te falei para tirar esse dona, agora você é uma líder, podemos falar informalmente.

- Como queira senho... Quero dizer Elise.

- Em que posso ajuda-la Cris?

- Trouxe os relatórios que me pediu, e realmente temos um pequeno problema.

Já não me bastava os problemas atuais, agora apareciam mais.

- Que tipo de problema?

- É complicado falar sobre isso Elise...

- Envolve Caique certo.

- Sim.

Senti o pesar de Cris, acho que ela não queria falar sobre isso pois talvez traria certos problemas familiares, como se eu já não tivesse bastante:

- Não se preocupe Cris, estamos aqui falando da minha empresa, somos profissionais, caso o antigo contador tenha feito algo errado, isso só servirá de prova contra o processo que iremos abrir contra ele.

- Mas ele é seu irmão...

- Antes disso ele foi meu contador, e deve arcar com seus erros.

- Se a senhora pensa assim...

- Penso e já te falei para largar esse habito de senhora, me chame apenas de Elise.

- Vai ser difícil me acostumar com isso, bom vamos lá, levantei o ultimo balanço da empresa, e percebi que muitas das despesas lançadas, não existem.

- Como assim não existem? Toda e qualquer despesa eu mesmo verifico o fornecedor e o recebimento da nota?

- Infelizmente a senhora foi enganada, as notas eram notas falsas, e os fornecedores devem ter sido comprados, pois uma grande parte das despesas administrativa nem sequer existem no escritório.

- Isso quer dizer que eu fui roubada!

- Indiretamente sim.

Caique seu idiota, se eu te encontrar eu juro que te mato.

- To em choque Cris.

- Bom ainda tem mais!

- Mais?

- Sim, existe um adiantamento feito por fora da folha de pagamento, e que ia direto para uma conta bancária, assim como o pagamentos dessas despesas também eram feito depósitos para a mesma pessoa mas em bancos diferentes.

- Não me diga, ao nome dessa pessoa começa com C de Caique...

Cris apenas assentiu e meu odeio apenas fervilhou mais, não posso acreditar que meu próprio irmão estava me roubando, fiquei tão nervosa que sem querer eu quebrei o lápis que estava segurando com as mãos:

- Também vim informa-la que os lápis acabaram.

- Cris, o seu levantamento foi perfeito, você realmente identificou falhas e um rombo na nossa empresa, sou eternamente grata pela sua eficiência, e posso lhe garantir que todas as devidas providencias serão tomadas, fique em paz e continue a me ajudar por favor.

- Vou estar sempre lhe ajudando Elise, bem aqui esta todas as provas que necessitam para processar o seu irmão, e eu gostaria de dar uma opinião, se não estou sendo intrometida.

- Jamais Cris, sua opinião vale ouro.

- Então, acho que a senhora poderia pedir a cassação do registro do seu irmão, um contador assim não pode ficar impune, eu amo minha profissão, e acho um desrespeito a nossa classe ter um bandido assim solto.

Gente nunca vi a Cris tão nervosa, a mulher leva muito a sério o seu emprego atual, e isso só me fez admira-la mais:

- Fique em paz Cris, vou tomar as devidas providências.

- Obrigada Elise, bem tenho que voltar pois temos muito trabalho para fazer.

- Aproveitando a sua aparição, será que não poderia me indicar alguém para repor o seu lugar?

-

Sai para almoçar sozinha, desci as escadas com o auxilio do segurança da empresa, depois fui para um dos meus restaurantes favoritos, onde comi um delicioso espaguete ao molho de quatro queijos, estava saboroso o prato, mas ainda sim sentia um amargo na boca, eu ainda não acreditava que ele foi capaz de fazer aquilo.

Fiquei a observar o prato ainda incrédula, foi quando eu senti alguém tocar o meu ombro:

- Esta passando mal?

- Jorge, o que você faz aqui?

O meu fisioterapeuta surge do nada e justamente naquele restaurante, será que era uma coincidência?

- Eu vim almoçar!

- Mas aqui? Não é um pouco longe do seu consultório?

- Na verdade eu ainda não fui para o consultório, e irei logo mais após almoçar, e para o seu conhecimento eu moro aqui perto!

Bem disso eu não sabia, mas ainda sim fiquei desconfiada.

- Se você diz, sente-se então!

- Mas você não respondeu minha pergunta, esta passando mal?

- Eu estou bem, obrigado por se preocupar.

- Essa sua cara não me parece de alguém que esta bem!

- Então vou mudar a minha frase, fisicamente eu estou bem, mas internamente não.

- Se quiser falar sobre o que esta deixando seu inteiro tão mau assim, sabe que pode contar comigo.

Ah, o Jorge é um fofo, sempre prestativo e atencioso, mas acho que seria demais importuna-lo com problemas que eram meus:

- Obrigada pela preocupação, mas acho que você não merece escutar os meus problemas.

- Olha que eu sou um bom ouvinte, e também isso faz parte do seu tratamento, o estado emocional influencia e muito na sua recuperação.

- Bem eu expulsei meu irmão de casa, e descobri que ele estava roubando dinheiro da empresa.

- Puxa vida, realmente você deve estar transtornada, mas o que você vai fazer agora?

- Não sei, estou ainda pensando, mas já passei essas informações para o meu advogado.

- Acho que você foi sensata ao expulsar seu irmão da sua casa, não havia mais clima para uma convivência harmoniosa, e a sua mãe já sabe do ocorrido?

- Não, e nem sei como contar, ela já esta em choque por eu ter expulsado Caique.

- Acho que você deveria falar com ela o quanto antes!

- Por que Jorge?

- Vai que seu irmão invente alguma historia onde ele tente se passar por inocente.

- Bem, temos essa hipótese.

Fiquei mais cabisbaixa, como minha vida mudou do dia para noite, antes eu estava expulsando meu irmão por ele ser um mau caráter, agora descubro que ele é um bandido miserável, e o pior tenho que contar isso a minha mãe, acho que a dona Luluzinha não vai aguentar tanta coisa:

- Escute Elise, se você precisar de ajuda para lidar com isso, pode contar comigo, sou seu amigo, esta bem.

Ah Jorge, por que você teve que surge logo agora, se você tivesse me aparecido antes... Opa, chega desses pensamentos Elise, eu estava com Leonel, não era prudente ficar imaginando esse tipo de coisa. E por falar, até o momento não recebi nenhuma mensagem dele, puxa vida, eu precisa muito tê-lo aqui comigo agora:

- Bom vamos continuar a almoçar então, antes que a comida esfrie e fique ruim de comer.

- Sim, afinal estamos num restaurante para isso né.

Com Leonel ou sem Leonel, eu poderia me dar ao luxo de ter uma amizade saudável com Jorge e seu maravilhoso halito de eucalipto.

-

Voltei para o escritório um pouco mais animada, a conversa com Jorge foi interessante e muito revigorante, ele sabia mesmo como me animar, no fim Jorge se mostrou um bom amigo, fico ate feliz por vê-lo em breve nas consultas.

Assim que entro na minha sala, tomo o maior susto ao ver a porta aberta, eu tinha certeza de que havia trancado a porta, quem teria a ousadia de entrar ali sem a minha permissão?

- Elise!

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH...

- Calma sou eu sua mãe.

- Ai mãe quer me matar do coração?

- Você que quase me faz enfartar.

- É que eu não esperava pela senhora aqui, não sem antes avisar né.

- Na verdade eu estou aqui para falar com você sobre o seu irmão...

- Eu acho bom que a senhora tenha vindo mesmo.

- Então você não vai mais expulsar seu irmão de casa?

- Mãe, por favor sente-se, eu tenho um assunto delicado a tratar com a senhora.



Acho que minhas palavras soaram com muito mais impacto do que eu mesmo queria, pois vi minha mãe empalidecer, se nem ao menos saber do que se tratava o assunto ela já havia ficado assim imagine quando eu conta-se sobre o quanto o filho querido dela era um bandido mal caráter.

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