Pensaram que eu deixaria vocês na mão né... Pela minha ausência ontem, hoje eu trago neste inicio de tarde o capítulo vinte e quatro para vocês.
Boa leitura!
CAPÍTULO
24:
UMA
ALEGRIA E UMA DOR
Mal cheguei e já fui surpreendida por um forte abraço de Ludimila, mas tenho que admitir já esta acostumada a esse tipo de recepção, afinal minha amiga é muito afetuosa:
- Ai Elise como você esta?
- Bem amiga, mas precisamos fazer algo, não posso deixar Lisa nas mãos daqueles dois que exploram minha pequena.
- Calma, eu já falei com Heitor, ele deve estar vindo para cá agora mesmo, vamos entrar, eu fiz um chá com alguns biscoitos... Aproveito também para lhe mostrar os projetos para a reforma na sua casa que começo amanhã como o auxilio do seu irmão, olha tenho que lhe dizer ele é um ótimo estagiário, venha.
Apesar de Ludimila ser uma tagarela e continuar a falar da reforma e muito no meu irmão,eu não pude deixar de pensar que ficaria novamente cara a cara com Heitor, droga como seria a minha atitude, afinal o episodio de hoje mais cedo não foi nada agradável?
-
Enquanto eu via o projeto das reformas da minha casa e do escritório, mal percebi a presença de Heitor na sala, fiquei tão maravilhada com o serviço que até me esqueci do ocorrido de hoje cedo, mas a cara de Heitor me fez lembrar na hora:
- Ola Heitor!
- Seu namorado esta mais calmo?
- Não vamos começar com uma discussão desnecessária.
- Gente o que houve entre vocês?
- Nada Ludi, só houve um pequeno contra tempo hoje cedo, mas já esta tudo esclarecido.
- Se você chama aquilo de contra tempo e a atitude final do namorado de esclarecido tudo bem...
- Ai gente não vão me contar mesmo o que aconteceu?
Fiquei tão nervosa com as palavras de Heitor que explodi pela falta de bom senso dele, afinal tudo aquilo começou toda aquela situação:
- SEU PRIMO FEZ QUESTÃO HOJE DE NÃO ME RESPEITAR E TENTOU ME BEIJAR, SABENDO MUITO BEM QUE EU TENHO UM NAMORADO, FOI ISSO QUE ACONTECEU LUDIMILA...
Me contive, queria falar mais, eu ia dizer que estava tão indecisa quanto a quem ficar, mas do que isso adiantaria? Nada, então voltei minha atenção para a tela do computador, queria esquecer tudo o que havia me acontecido, e principalmente das palavras de Heitor sobre Leonel:
- Primo não acredito que você fez isso...
-Foi sem querer.
- Sem querer ou não você poderia ter causando sérios problemas a Elise.
- Um problema para ela e uma solução para mim.
- E você se satisfaz ao ver que a nossa sócia da ONG, nossa amiga que esta levantando fundos para a nossa instituição, que esta sofrendo com tanta coisa e ainda teria mais um sofrimento só por que você não sabe aceitar que ela tem uma pessoa em especial na vida, é exatamente isso que eu estou entendendo.
Gente, eu fiquei espantada com Ludimila, apesar dela sempre estar a favor de Heitor, hoje ela demonstrou o quanto poderia ser justa, e eu me senti aliviada, pois Ludi disse exatamente o que eu gostaria de dizer e o melhor ter o efeito que causou em Heitor, culpa:
- Não prima, eu não quero isso para Elise...
- Não quer, mas quase fez com que ela sofresse por um ato egoísta seu, se o caso que temos que tratar não fosse tão urgente, eu juro que te expulsaria de casa.
- Calma Ludi, não é para tanto.
- É sim Elise, eu espero realmente que seu namorado não tenha brigado com você por conta... Dele.
A palavra “dele” soou com um tom de nojo, estranhei pois Ludimila não falava assim de ninguém:
- Estamos bem sim, conversamos e eu disse que Heitor é o meu advogado, que vai cuidar das causas trabalhistas e uma causa particular minha.
Olhei para Heitor e percebi o quanto ele ficou chateado com as palavras de Ludimila, cheguei a sentir um pouco de pena dele, mas ele merecia sofrer um pouco, afinal jogar terra no ventilador e depois tentar limpar é praticamente impossível, então ele deve arcar com as consequências de seus atos:
- Bem, problemas a parte nós te chamamos aqui Heitor por que Elise tem algo para te falar.
- Sim, diga então.
Agora ele esta fazendo o birrento, odeio esse tipo de atitude:
- Eu encontrei Lisa.
- Como assim encontrou a Lisa?
- Quando estava voltando hoje da empresa, eu há vi num semáforo, junto com a sua mãe e um homem que deduzi ser seu pai.
- Até ai tudo bem, o que tem demais?
- Lisa estava sendo obrigada a pedi dinheiro entre os carros, ou estava sendo usada, pois o homem que estava com Tatiana hoje me pediu dinheiro logo cedo, isso seria exploração a menor correto?
- Sim claro, é uma acusação muito séria, afinal Lisa é uma criança especial, ela tinha que estar estudando como uma criança normal, tendo acompanhamento médico também, não ser usada como objeto de pedinte.
- Foi justamente por isso que nós te chamamos, o que podemos fazer para reaver a guarda de Lisa para Elise?
- Calma Ludimila, não é assim que as coisas funcionam...
- Heitor a Lisa esta sendo privada de ser uma criança pelos próprios pais...
- Sim Elise eu sei, eu entendo também, mas não eu não posso simplesmente chegar tomar a Lisa dos pais, tudo tem um apuração de fatos, então temos que agir com cautela, e sermos o mais paciente possível.
- Enquanto somos lentos, a minha Lisa fica sofrendo.
Não pude acreditar que não poderia ser feito nada, minha pequena Lisa estava sofrendo, eu sentia isso. Aquela maldita da Tatiana, como ela tinha a capacidade de usar a própria filha para meios tão baixos de ganha dinheiro.
- Elise, eu prometo que amanha mesmo, vou solicitar a uma assistente social que vá a casa de Lisa, e também ao semáforo que você a viu, se eles a encontrarem, sei que posso reaver a guarda para você, mas infelizmente talvez demande um pouco de tempo para isso acontecer.
- Quanto tempo?
- Não tenho um prazo certo para isso, pode ser uma semana, um mês ou até um ano.
- UM ANO?
- Calma Elise, tudo depende de pedidos judiciais, não é nada feito da noite para o dia, mas eu posso lhe garantir, se for comprovado a verdade, você terá a Lisa ao seu lado.
Ao menos aquela promessa aqueceu meu coração, era uma vaga luz no fim do túnel, mas ainda sim, era uma esperança, minha Lisa, eu desejava que ela realmente também quisesse estar ao meu lado, assim como eu desejava.
-
Fui para minha casa assim que finalizamos a conversa, de nada iria adiantar ficar lá, e também estava exausta, posso dizer que tive muita agitação para um dia que poderia ser normal e terminar normal.
Porém nada na minha vida estava sendo normal, quando entrei em casa foi que percebi o quanto tudo estava anormal, pois Caique estava lá sentado todo folgado e ainda sorrindo, eu queria mesmo era arrancar aquele sorriso sínico do rosto dele:
- Ola irmãzinha.
Ignorei, não queria discutir mais, já estava farta de tanta discussão desnecessária:
- Recebeu a minha intimação Elise!
Ele queria mesmo comprar briga, e hoje não estava sendo um dia bom para isso, dei mais uma chance dele se calar, mas parece que minha noite também seria igual o meu dia:
- Não vai dizer nada, sua quebrada!
- Quebrada vai ficar a sua cara se não parar de me seguir.
- Ora a invalida tem voz!
- Posso estar numa cadeira de rodas, mas ao menos tenho mais caráter que você.
- Isso não me atinge mais sua frouxa, molenga, sem perna, quebrada...
Fui para cima dele empurrando as rodas da cadeira o mais rápido que pude, Caique então correu para os degraus da escada que davam para os quartos e ficou lá me encarar com olhos de desprezo:
- É tão inútil que não consegue nem subir uma escada.
- DESÇA AQUI SE VOCÊ FOR HOMEM.
- Não preciso provar minha masculinidade a uma pessoa quem nem inteira estar... Ai, ai.. como é bom poder subir e descer escadas.
Eu queria matar ele, segurar o seu pescoço até ver a sua vida ir sumindo aos poucos, sim eu queria aquilo, e muito:
- Vamos Elise, venha até aqui, venha me pegar, ou você não é mulher para fazer isso?
- Idiota...
- Invalida, quebrada...
- Repita mais uma vez isso Caique!
A voz surgiu do alto da escada, minha mãe o olhava com raiva, a voz de Caique não saia mais, já eu não sabia se continuava a odia-lo ou a ter pena:
- Mã- Mãe...
- CALE A BOCA MOLEQUE!
O tapa foi dado com tamanha força que até eu senti aquela dor e claro uma onda de prazer por vê-lo ter a lição que tanto merecia:
- VOCÊ ESTAVA INSULTANDO A SUA IRMÃ, ESSA NÃO FOI A EDUCAÇÃO QUE EU LHE DEI.
- Mas mãe...
- CALADO...
Minha mãe estava com raiva mesmo, pois começou a bater ele com tapas e socos, acho que Caique se tornou uma decepção para ela:
- Para mãe, ta doendo... Para...
- VOCÊ É UM MOLEQUE... ONDE FOI PARAR A EDUCAÇÃO QUE EU LHE DEI...
Sai da sala, pois de nada adiantaria ver minha mãe bater mais em Caique, apesar da repreensão, o que meu próprio irmão fez comigo não tinha palavras, ele tentou me humilhar, me insultou sabendo o quanto eu estou sofrendo, para mim acho que chegamos a um limite do qual não posso mais tolerar isso, e mesmo alegre por saber que posso ter minha Lisa de volta, eu também carrego essa dor da qual acabei de adquirir.
Em meio aos gritos de lamentos e desculpas, eu tomo uma decisão que vai revolucionar a minha casa.
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