sexta-feira, 19 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 26

Bom dia pessoal, bora ler mais um capítulo?
Capítulo vinte e seis para vocês.

Boa leitura!

CAPÍTULO 26:
MAIS UMA DECEPÇÃO

                

A reação da minha mãe não fui uma das melhores, primeiro ela teve uma crise nervosa, e se negou a acreditar que Caique era um ladrão, e um ladrão que roubava a própria irmã:

- ISSO É MENTIRA, MEU CAIQUE JAMAIS IRIA FAZER ISSO?

Depois ela teve uma crise de raiva súbita, onde eu tive que me esconder por de trás da mesa, com medo da sua raiva:

- EU VOU ACABAR COM A RAÇA DAQUELE MOLEQUE, COMO ELE OUSA MANCHAR A NOSSA FAMILIA ASSIM... CAIIIIQUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE.

Não sei por que ela gritou o nome do meu irmão, ele nem estava ali, e por ultimo, uma crise de choro, que acabou molhando todos os papeis da minha mesa e borrando a sua maquiagem:

- POR QUÊ? O QUE EU FIZ DEUS PARA MERECER UM FILHO ASSIM...

Só sei que saímos da sala quando ela já estava num nível considerado normal de ser, ou seja menos louca, e já maquiada, afinal mesmo decepcionada ela não queria ser vista borrada e lambuzada pelas lagrimas.

Fomos para casa e assim que entramos já demos de cara com Caique que estava com as malas feitas e colocadas no meio da sala, olhei em desaprovação por ainda ver a sua presença, eu sei que ele ainda queria que eu mudasse a minha opinião, mas depois de tudo que descobri, não tinha mais condição de mantê-lo ali.

Nós dois trocamos um olhar, eu pude sentir a repulsa ao ele me ver, mesmo ainda tentando demonstrar uma cara triste e solitária, e a única coisa que fiz foi passar por ele sem lhe dizer uma única só palavra e segui para a sala de jantar. 

Ao contrario da minha mãe que teve novamente seus três surtos psicóticos só que desta vez ela torcia a orelha de Caique e lhe dava alguns tapefes:

- NÃO ACREDITO QUE VOCÊ SE REBAIXOU TANTO, EU NÃO TE ENSINEI A SER UM LADRÃO...

- Mãe o que esta acontecendo... Ai... Ai...

- CALA A BOCA!

Eu sabia que nada poderia segurar dona Luluzinha, e eu também não queria isso, diga-se de passagem que ainda fui boazinha pois eu deveria ter chamado a policia, mas isso seria demais para minha mãe, então a deixei cuidar daquela situação a melhor forma que ela achava melhor, enquanto eu fui para o meu quarto para tentar não ouvir mais nada do que acontecia na sala.

-

Passaram se duas semanas desde a ida de Caique, eu não tive mais noticias do meu irmão, acho que apenas Caio que mantinha contato com ele e por e-mail, por isso minha mãe e eu ficávamos a par de tudo o que acontecia na vida dele.

De acordo com Caio, Caique estava morando numa kit net e estava a procura de emprego, mas estava bem por que tinha algumas reservas, não vou dizer que as tais reservas referia-se ao dinheiro roubado da minha empresa, mas resolvei não comentar.

De tudo isso que aconteceu, uma coisa boa, Caio estava empenhado no seu atual serviço, a reforma na minha casa e no escritório estava seguindo a todo vapor, eu já não dependia das pessoas para sair de casa, pois as rampas foram instaladas, tanto em casa como no escritório, a acessibilidade ficou bem melhor, tanto que esse projeto foi apresentado como o trabalho final de Caio, e por incrível que pareça, o meu irmão que antes era relaxado e sempre estava com matérias pendentes havia concluído com mérito a faculdade. Pelo menos alguém que me dava orgulho.

Agora o que me incomodava mais era saber que em duas semanas eu havia falado apenas quatro vezes com Leonel visto ele apenas duas vezes, será que estamos no meio de uma crise, ou será que namorar um enfermeiro é assim mesmo?

Tentei ligar para ele já no escritório, mas como sempre caia na caixa postal, aquilo estava me preocupando, será que aconteceu alguma coisa?

- Com licença dona Elise?

Ah eu finalmente consegui uma secretária, ela era prima de Cris, uma pessoa super meiga, se chamava Cintia, tão prestativa e atenciosa quanto à prima:

- Já falei para deixar essa formalidade Cindi, mas diga o que houve?

- Telefone para senhora, parecer ser importante é um senhor chamado Leonel.

- Não precisa me avisar toda vez que alguém me ligar sabia.

- Mas é que a senhora estava com o ramal ocupado.

Realmente, eu liguei tantas vezes para Leonel que não tinha como a coitada me passar a ligação:

- Desculpe, pode passa-lo por favor.

Cintia fechou a porta e logo meu telefone tocou, eu atendi antes de terminar o primeiro toque:

- Alô?

- Oi Elise, tudo bem?

Era bom ouvir a voz de Leonel, isso revigorava meu dia:

- Tudo bem? Só isso que você tem para me dizer, depois de três dias sem nos falarmos?

- Desculpa Elise, mas eu estive tendo uns problemas pessoais...

- Isso não é desculpa Leonel, eu te liguei varias vezes, se ao menos você tivesse retorando alguma vez apenas para dar noticias...

- Elise eu realmente tive um problema pessoal, que envolvia meus pais.

Ta bom agora eu fiquei sem ação, talvez eu estava exagerando um pouco.

- Nossa eu não sabia... Ai que vergonha...

- Não precisa se envergonhar Elise, olha esta tudo bem agora, prometo que vou lhe dar a atenção merecida esta bem.

- Certo, bem vou deixar você agora, e desculpa ter incomodado.

- Você jamais incomoda, te ligo mais tarde.

Desliguei o telefone sem me despedir, eu realmente estava sem graça, como fui insensível, ai acho que Leonel deve estar me odiando nesse momento.

-

Assim que sai para almoçar, eu encontrei Ludimila me esperando, tínhamos combinado de sair naquele dia para fazer algumas compras de materiais e outros arranjos para a reforma, e também aproveitamos para por a conversa em dia:

- Oi amiga, como esta linda a sua empresa?

- É que eu tive os melhores engenheiros cuidando da reforma.

- Pare com isso vai.

- Então vamos às compras?

- Vamos, eu achei uma loja super em conta, onde podemos comprar tudo.

- Então vamos.

Seguimos para a loja de carro, Ludimila foi o caminho todo falando sobre a reforma e em como Caio era especial, as ideias para a reforma que ele deu e também no quanto ele era divertido. Huuuummm não pude deixar de sentir um clima formando entre eles, mas resolvi não comentar nada, ainda não.

Chegamos a loja e logo fomos para a parte mais chata que era comprar o material de construção, ainda bem que Ludimila estava comigo, porque eu realmente não entendo nada dessas coisas.

Em seguida fomos para os acessórios de decoração, amo essa parte pois decorar é comigo.

- Que tal esse abajur?

- Lindo Elise, vai combinar com a escrivaninha que você comprou.

- Sim e eu penso nesse papel de parede com essa árvore cerejeira.

- Arrasou amiga.

Eu realmente tinha um dom para decorar, eu tenho um olhar clinico para essas coisas, diferente do olhar que tenho para outros assuntos. Pensar nisso me fez lembrar da conversa que tive com Leonel, eu ainda me sentia mau pelo que fiz, ah eu queria encontrá-lo e lhe pedir desculpas.

Minhas preces foram atendidas, pois ao olhar para o lado de fora da loja, eu o vi, Leonel estava ali do lado de fora da loja, e ele estava sorrindo, acho que me viu, claro pois aquele sorriso era somente meu, e de mais ning...

Calo meu pensamento, pois não acreditei no que acabei de ver, uma mulher surgiu e abraçou Leonel, ela enlaçou-o no pescoço e... Eles se beijaram! O meu Deus grego, aquele que eu achava ser alguém especial estava com outra pessoa.

Desviei o olhar e desejei acordar desse pesadelo.

-

Seguimos dentro do carro, Ludimila toda eufórica e eu toda destruída, como Leonel pode me enganar assim? O que foi que eu fiz de errado para merecer tamanha humilhação? Por que Leonel? Por que fez isso comigo?

Após ter desviado o olhar, perdi totalmente o interesse pelas compras, pois a minha vontade era de atravessar a rua e fazer o maior escândalo, mas do que isso iria servir? Não queria mais esse tipo de problema, já bastava a tristeza que me inundava, então pegamos as nossas compras, pagamos e fomos embora, claro que Ludimila percebeu meu estado, mas menti dizendo que estava passando mal, o que na verdade era minha alma se deteriorando por dentro... Por que Leonel? Porque?

Assim que chegamos na empresa eu desembarquei e me despedi rapidamente de Ludimila, que me abraçou bem forte e segurou as minhas mãos:

- Eu sei que você não esta bem, e não é nada sobre a sua saúde.

- Ai Ludi... Eu não quero falar sobre isso...

- Tudo bem Elise, eu não vou pressiona-la, mas se precisar de qualquer coisa, você pode me procurar, afinal eu sou sua amiga, tantos nas horas boas como nas horas ruins.

Apenas assenti, pois se eu ousasse abrir a boca eu sei que iria desmoronar. Entrei na empresa e segui séria até minha sala, pedi a Cintia para cancelar qualquer compromisso para aquela tarde, e que não me interrompe-se para nada, me tranquei e finalmente desabei, solucei em silencio para não alarmar sobre meu estado, e comecei a sentir a dor no peito queimar, a traição é suja, e fere mais do que eu mesmo imaginei, pela segunda vez fui enganada, primeiro por Antony, mas eu sabia que ele não prestava, mas Leonel, ele era perfeito, sempre foi prestativo, estava me dando apoio.

Não, na verdade eu o via dessa forma, ele é um traidor, um lixo maldito que apenas me usou, me fez pensar que eu era especial, o que na verdade eu apenas fui um brinquedo, droga, porque isso aconteceu comigo? O que eu fiz para merecer sofrer tanto assim?

Tenho tantas perguntas, e tão poucas respostas, mas por hora eu apenas queria me entregar a essa dor, me deixar levar por isso, mas eu garanto que vou exigir respostas. Cedo ou tarde eu sei que vou saber.

-

Era fim do dia, eu já havia chorado mais que o necessário, ainda bem que sempre carrego comigo um kit maquiagem na bolsa, assim pude melhorar um pouco a minha cara.

Despedi-me de Cintia e fui para o elevador, mas não conseguia esquecer a cena que vi mais cedo, e ainda carregava aquela duvida cruel comigo? Por que Leonel me enganou? Por que ele não foi honesto comigo? Por que não me procurou antes de me destruir dessa forma?

Eram perguntas que rodavam na minha mente, e possivelmente eu não teria uma resposta tão breve como eu deseja.

Assim que cheguei ao térreo lembrei que deveria ao menos ter ligado para minha mãe, afinal não tinha como eu ir embora sem a ajuda dela e de Carlão, peguei o celular e comecei a digitar parada na recepção, foi ai que senti que alguém me observava, olhei para o lado, sentado na poltrona ao lado de um bebedouro, o destruidor da minha alma estava ali sorrindo:

- Ola Elise, vim lhe fazer uma surpresa!

Eu tive vontade de gritar tudo o que aquele mau caráter fez, mas me segurei, não poderia me expor assim na frente dos funcionários que saiam aos poucos da empresa. Leonel levantou, se aproximou de mim e tentou me beijar, mas eu afastei seu rosto com a mão e mantive a minha expressão seria:

- Precisamos conversar!

- Quando uma mulher fala nesse tom, acho que o assunto não é muito bom.

Ignorei o seu comentário e segui para fora da empresa, e ele me seguiu. A minha vontade era de manter o máximo de distancia possível dele, mas não tinha como isso acontecer, pois Leonel fez questão de empurrar a cadeira. Cerrei os punhos por estar naquela situação, mas acho que não havia outra solução.

Seguimos para a padaria da esquina, escolhi um lugar com menos movimento e poucos olhares curiosos:

- Bem, sobre o que você quer falar comigo Elise?

Cara de pau, ai que vontade de arrancar o par de olhos dele e fazê-lo comer:

- Eu te vi hoje!

- Viu?

- Sim, próximo a uma loja de material de construção.

- O que você fazia lá?

- Isso não é da sua con... – Hesitei, não podia estourar logo agora, tinha que me manter firme. – Tive assuntos a tratar ali.

- Numa loja de construção?

- Sim, numa loja de construção.

- Acho que uma loja dessas não é muito a sua cara para gastar.

- E que tipo de loja você acha que eu devo frequentar?

- Sei lá, uma loja de roupas, um shopping, ou até mesmo uma loja de sapatos.

- Bom eu gosto sim de uma boa roupa, um bom shopping, adoro um sapato confortável, e principalmente gosto de ver a pessoa que quase chamei de namorado abraçado com outra.

Eu queria poder ver a minha cara ao dizer aquilo, pois a cara de Leonel foi de puro e completo espanto, ele pelo menos abriu a boca cerca de quatro vezes, mas não soou nenhuma palavra:

- Vai ficar mudo agora?

- Elise, eu...

Se eu pudesse descrever aquele momento, eu não tinha uma palavra exata, mas ao menos eu pude ter o prazer de ver Leonel ficar desesperado:

- Eu só queria saber, por que você fez isso?

Ele não queria responder, claro não tinha um porque daquele acontecimento, eu bufei pela falta de coragem dele, fraco, odeio homens fracos, na hora de fazer a coisa errada ele era o machão agora que foi descoberto fica mudo:

- Esta bem, já que não vai falar eu digo então, primeiramente você mentiu sobre seus pais para fazer com que eu me sentisse mal, assim você poderia aproveitar o seu dia com a sua... Nova namorada que pode andar, e ser apresentada a todos os seus amigos como uma pessoa normal.

- Não é isso Elise, eu jamais tive vergonha de você.

- Claro não é vergonha, você sentiu pena por isso ficou comigo.

- Não Elise... Eu gosto de você, gosto muito.

- Então porque estava agarrado com outra?

Ele se cala, claro que não tem um porque, ele é igual a todos os homens, adoram ser cobiçados, e não podem ver um rabo de saia, vivem sempre a ter varias, e no fim serão sempre infelizes, idiota:

- Seu idiota!

- Eu mereço seu desprezo.

- Não você não merece, pois ainda seria muito, me faz um favor, some da minha frente, depois de tudo o que me aconteceu eu ainda pensei que você era alguém ao qual eu poderia confiar.

- Você pode confiar em mim.

- Jura que posso?

- Elise, eu falhei, eu... Não sei por que fiz aquilo, mas eu fiz, sabe a Lia estava insistindo muito, e eu acabei cedendo fui fraco, não deveria ter feito aquilo...

- Deu para perceber o quanto ela estava te pressionando.

- Elise, me perdoe...

- Leonel... Quando eu te vi hoje mais cedo com a tal de Lia, eu senti raiva, odio de você, mas agora vendo você com esse novo olhar, eu percebo que você nem é digno de pena, nem de confiança, nem de nada, você é apenas um pobre coitado, infeliz, vai saber se realmente a sua separação foi verdade, se não foi você quem acabou traindo a sua ex namorada.

- Não isso eu não fiz, eu fui fiel a ela.

- Mas você não foi fiel a mim depois dela, e por que não foi fiel comigo Leonel? Por que me traiu?

- Eu não sei...

- Faz o seguinte, eu não quero uma resposta mais para isso, só me faz um ultimo favor, desapareça da minha vida, pois eu não tenho tempo para pessoas que não me acrescentam em nada.

Me afastei da mesa e ia seguindo para a porta da padaria, mas antes eu me virei e fitei uma ultima fez Leonel, suspirei e disse:

- Ah, você paga a conta, não quero gastar nada do que é meu com alguém tão baixo.

Segui pela calçada rumo a frente da empresa, onde minha mãe já estava me esperando junto com Carlão:

-Filha, onde você estava? Não me ligou para vir busca-la, eu estranhei e vim para cá o mais rápido possível.

- Eu esqueci de ligar mãe, vamos para casa?

- Sim, mas você esta bem?



Toda mãe sabe quando um filho estava em apuros, mas aquele não era o lugar nem o momento para contar o que realmente estava acontecendo, eu decidi me calar, era o melhor a se fazer, senão eu temia cair em prantos, mesmo sabendo que não valeria a pena chorar por Leonel, pois ele não valia nem uma lagrima, não valia nada.

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