Bom dia pessoal, começando mais uma semana e com dois capítulos hoje. Começando então pelo capítulo nove.
Boa semana a todos e uma boa leitura!
CAPÍTULO
9:
UM
ALGUÉM INESPERADO
Me despedi de todos da ONG, Heitor ficou a me questionar quando voltaria, tive que dizer logo, o que realmente eu deseja mesmo, pois queria muito ver a Lisa e as outras crianças. Ludimila me colocou novamente dentro do carro, desta vez eu já aprendi a prender o cinto, para não ficar sempre dependendo da minha nova amiga, antes mesmo de dar a partida Ludi se virou para a minha direção com um olhar sapeca, o que significava vir algum tipo de pergunta que eu possivelmente não iria gostar:
- O que você achou do Heitor?
Eu sabia que viria essa pergunta, tentei não revirar os olhos, mas foi mais forte do que eu:
- Ludi, eu adorei ele assim como adorei a todos.
- Mas eu percebi o quanto você ficava sem graça ao lado dele.
- Não sei por que você diz isso, esta com medo de uma concorrente é?
- Concorrente, do que você esta falando?
- Ora Ludimila, deu para perceber que você e Heitor são bem íntimos.
- Claro, afinal Heitor é meu primo.
Primo? Mas como? Ela não me disse nada, olha que sapeca essa Ludimila, agora sim eu percebo o porque de tantas perguntas:
- Eu não sabia que ele era seu primo.
- Ele não te contou?
- Não, e nem você.
- Ai Elise desculpa, mas o Heitor pediu para eu não falar nada por que ele iria falar.
- Que estranho, ele não me falou nada.
Ficamos em silencio afinal, por que qual motivo Heitor não contaria sobre o grau de parentesco entre ele e a Ludi? Claro, ele estava me testando, queria ver se realmente quem eu era, só pode ser isso, tenho que dizer que ele é muito observador, escondeu algo só para ver minhas atitudes, só consigo ver esse motivo:
- Eu acho que Heitor escondeu isso para ver se eu realmente seria de confiança.
- Ou fez isso para te ver com ciúmes Elise.
Sabe aquele momento em que você quer voar no pescoço de uma pessoa por de te deixar sem graça, então esse era o momento, Ludimila e minha mãe formaria um par perfeito para me matar de vergonha.
Bufei ao comentário da minha amiga, afinal para que o Heitor iria querer me ver com ciúmes, era a primeira vez que havíamos nos visto:
- Acho que meu primo ficou apaixonado por você.
- Mas essa foi a primeira vez que nos vimos, como isso pode acontecer?
- Amor à primeira vista!
- Ah pare Ludi, isso não existe.
- Será que não, afinal ele realmente gostou de você, nunca vi ele agir assim com uma visitante.
Fiquei calada, aquele assunto não poderia continuar, senão teria que dizer que também gostei dele, mas não ao ponto de estar apaixonada, Heitor era bonito, muito bonito por sinal, só que não poderíamos ter nada, afinal somos agora sócios de uma ONG e eu vou me focar nisso, ajudar a quem precisa, é esse o meu pensamento e não vou mudar ele:
- Chega de baboseira Ludi, vamos embora logo, antes que minha mãe apareça aqui de helicóptero.
- Então apertem os cintos que vamos partir.
-
Seguimos para casa, Ludimila fez questão de ligar o som, colocou um pen drive no radio e começou a tocar as musicas que ela adora:
- Elise escute o meu repertório musical.
Fiquei em choque ao ouvir as musicas, não pude acreditar, ela escutava as musicas do DVD Xuxa Só para Baixinhos. Ta certo que tem gosto para tudo, mas musicas infantil? Isso já estava fora do padrão da normalidade:
- Adoooooooooooro essa musica Elise... Cinco patinhos foram passear, além das montanhas para a brincar...
Tentei não rir, mas aquilo era impossível, pois Ludimila estava tentando os movimentos com o braço que eram feitos ao tocar a musica.
Não dava para acreditar naquilo, mas aquele era o carro dela, então resolvi deixa-la com o seu gosto musical, fiquei a fitar a rua, e percebi que estávamos num transito terrível, se existia algo que me deixava totalmente irritada, era transito. Começamos a passar pela praça central, era um bom lugar para ficar de tarde, havia uma enorme fonte, com várias estatuas de anjos segurando jarros, fora o detalhe do mármore escuro que circula o monumento. Ali tinha tudo para ser um bom ponto turístico.
Havia tanta gente ali, muitos estavam sentados, talvez esperando por alguém, e um ou outro estava lendo, ou mexendo ao celular, um homem vendia pipoca e outro vendia milho, a vida continuava para aquelas pessoas, ai que legal era ver a cidade daquele jeito viva.
Eu ainda observar as pessoas quando o sinal abriu e nesse momento eu pude ver um alguém conhecido, ele estava sentado ao pé da fonte, era longe demais, mas pude perceber que ele estava chorando, entrei em choque, meu corpo começou a ficar tremulo, não poderia ser ele... Sim era ele, eu o reconheceria de longe, afinal foi ele quem cuidou de mim:
- Ludi pare o carro agora!
- O que houve?
- Eu preciso descer.
- Elise o que esta havendo?
- Não tenho tempo para explicar, só pare o carro, por favor!
Ludimila percebe a minha aflição, mas porque eu estava aflita? Afinal era apenas o Leonel que estava próximo a fonte chorando.
-
Assim que estacionamos, soltei os cintos, e sai rapidamente do carro, nessas horas eu vi a dificuldade que um cadeirante tem ao fazer o simples, atravessar uma rua onde não havia nenhum acesso para o meu atual estado me deixou furiosa, mas graça a Ludimila, consegui atravessar até a praça:
- Ludi preciso que me espera aqui esta bem?
- Sim, se precisar de ajuda eu vou estar aqui ta bom!
Como era bom ter a amizade de Ludimila, ela não questionou mais o que estava acontecendo, ela sim era uma verdadeira amiga. Segui o mais rápido que pude até a fonte e logo encontrei Leonel, onde confirmei a minha visão, ele estava chorando:
- Leonel?
- Ah... Oi Elise, como você tem passado?
Ele virou o rosto para esconder as lágrimas, típicos dos homens, se fazerem de forte na frente das mulheres:
- Eu estou bem, mas você pelo vista não esta muito bem né.
- Não... Quero dizer, estou bem sim.
- E por que estava chorando?
- Problemas Elise, problemas e mais problemas, mas deixe isso de lado, me diga como esta indo a sua recuperação?
- Vou ter retorno com o fisioterapeuta na próxima semana, e você como esta no hospital?
- Fui demitido hoje.
- Nossa que coisa, eu não sabia, me desculpa.
- Sem problema, agora tenho que procurar outro né.
- E como esta Kely? Ela deve estar arrasada por você não estar mais lá né.
- Bem... eu e ela terminamos.
Minha nossa, dois foras em menos de um minuto, eu nem consegui falar, fiquei muda e em choque, Leonel perdeu o emprego e a namorada, o que mais havia acontecido na vida dele:
- Ai Leonel, acho melhor eu ir embora, só to falando besteira.
- Relaxa Elise, não tinha como você saber né, afinal só tínhamos contato no hospital né.
- Escute, eu sei que precisamos de um dia de fossa, afinal não é fácil perder emprego e namorada assim, mas se precisar de uma amiga, eu estou aqui ta bom.
- Puxa, você esta diferente da Elise que eu cuidei.
- Vamos dizer que eu precisei passar por um tratamento de choque.
- Queria poder lhe pagar um café, mas atualmente estou sem dinheiro.
- Fica para uma próxima ta bom, eu só quero te ver melhor, bem eu vou indo, por que a minha amiga ali deve esta impaciente.
- Você veio aqui só por mim?
- Não... Quero dizer, sim.
- Nossa que legal da sua parte, agora eu até me sinto melhor.
Finalmente ele sorriu, ai meu Deus, por que ele tinha que ser tão lindo, sorri de volta, mas claro que perto daquele brilho radiante, eu era apenas uma fagulha, mas ainda sim me aproximei com a cadeira e disse:
- Posso lhe dar um abraço.
- Claro que pode.
Às vezes a gente só precisa de um abraço, mesmo as coisas não estando indo conforme queremos, e era justamente isso o que eu queria passar para ele, um conforto para o seu pesar, mas o que aconteceu foi diferente. Ai aqueles braços, aquele cheiro, que loucura... Me afastei rápido para não ficar mais embriagada de Leonel, que agora me olhava de uma forma mais terna e profunda:
- Obrigado por ter se preocupado comigo.
- É o mínimo que pude fazer por você ter cuidado de mim.
- Posso dizer que faria de novo, mas não desejo que você passe por tudo aquilo.
- Nem eu quero passar, bem se precisar de alguma coisa, pode me procurar, tem caneta para anotar meu numero?
- Sim, só não tenho papel.
- Anota na mão né Leonel.
Ele riu, e como foi bom vê-lo sorri, assim que terminei de passar o numero da minha casa, eu me despedi dele, voltei para junto de Ludimila que estava com aquele ar de sapeca novamente:
- Quem é o bonitão?
- O enfermeiro que cuidou de mim lá no hospital.
- E você é tão... Intima assim dele.
- Ai Ludi, eu só fui agradecer a ele por todo o cuidado que recebi dele, mas acabei dando dois foras.
- Me conte tudo no carro, quero saber os detalhes de tudo.
Sorri ao ver que não estava sendo julgada por Ludimila, pensei que ela me veria como uma biscate que não pode ver um homem bonito, mas ela me viu como uma pessoa que estava pronta para ajudar. Aquele era um fruto colhido da nova Elise.
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