terça-feira, 30 de agosto de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 35

Bom dia pessoal, mais um capítulo de tirar o fôlego, entramos na reta final.
Ansiosos?
Bora ler então!

CAPÍTULO 35:
A ARMADILHA

                

Minha conversa com Heitor foi simples, eu pedi para que ele vir ao escritório com urgência e foi justamente isso que ele fez. Eu já havia me recomposto e deixei Lisa aos cuidados de Cindi, assim poderia ter uma conversa mais sossegada com Heitor:

- O que houve Elise? Vim o mais rápido que pude.

- Meu pai esteve aqui.

- O QUÊ?

- Exatamente isso que você ouviu, ele esteve aqui e me trouxe a Lisa.

- Quem raios deixou ele com a Lisa?

- Não sei Heitor, eu estou desesperada, já é a segunda vez que ele vem aqui, e sempre para pedir dinheiro.

- Segunda? Elise você estava escondendo isso da gente?

- Na primeira vez sim, eu pensei que lhe dando dinheiro seria o suficiente para sumir da minha vida, mas ai ele voltou, e dessa vez estava com a Lisa.

- Como ele conseguiu vir com a Lisa?

- Acho que meu irmão Caique o ajudou, Lisa perguntou sobre Caio a ele, então deduzi que Caique se passou por Caio na escola e a retirou de lá. Heitor eu estou em pânico, se algum mal acontecer a minha Lisa eu jamais vou me perdoar.

- Calma, quero que você me conte tudo, assim posso entrar novamente com pedido judicial, mas agora com a certeza de que ele esta lhe fazendo mal.

Suspirei fundo, e contei toda a história a Heitor. Sabe eu me sinto bem em falar com ele, era bom desabafar com um amigo, só espero que isso não alimente falsas esperanças nele:

- E foi isso que aconteceu.

- Elise você errou ao dar dinheiro ao seu pai, ele esta extorquindo você, isso é crime.

- Eu sei, mas eu só queria que ele se afastasse da minha vida.

- Mas agora você só alimentou uma fera, e ele vai ficar cada dia mais próximo, hoje ele pegou Lisa amanhã ele pode fazer sua mãe de refém e lhe exigir não só dinheiro, mas como parte da sua empresa.

- Eu sei... Eu sei, mas eu não quero mais isso Heitor, por favor me ajude.

- Vou te ajudar Elise, sempre vou te ajudar.

Me senti protegida ao lado de Heitor, eu poderia confiar nele, sem hesitação, uma pena Heitor não arrumar alguém para ele poder proteger dessa forma como ele faz comigo:

- Dona Elise?

- Sim Cindi, o que foi?

- Lisa quer algo para beber, posso dar um suco para ela?

- Claro Cindi obrigada.

- O senhor deseja alguma bebida?

- Não Cindi, obrigado por oferecer.

Cindi saiu da sala encabulada, era impressão minha ou ela estava com vergonha de Heitor?

- Bem vamos ligar para dona Luluzinha que deve estar descabelada sem saber do paradeiro de Lisa.

- Bem lembrado Heitor, aproveito e já conto tudo para ela.

- É bom contar mesmo senão eu acabo contando.

Ele sorriu, mas eu pude sentir que era um sorriso diferente, acho que aos poucos ele estava superando a rejeição e aceitando minha amizade, queria também poder ser igual a ele e aceitar a minha falha com Jorge... Ai ai.

-

Bom à conversa com a minha mãe foi mais tensa do que eu mesmo imaginava, resolvi contar a ela no escritório, assim evitaria o contato com Caio que não sabia de nada da história. Nunca pensei que minha mãe tivesse aquela reação, primeiro ela surtou feito uma louca:

- PORQUE NÃO ME CONTOU ELISE? VOCÊ TINHA QUE TER ME FALADO DESDE O COMEÇO?

Depois ela teve uma crise de raiva:

- EU JURO QUE VOU MATAR AQUELE DESGRAÇADO!

Daí partiu para um lado mais sensível:

- Aaaaaaaaaahhh... Minha doce Lisa, ainda bem que não fizeram nada com ela.

E voltou para a loucura:

- MAS AINDA SIM TE CULPO ELISE, VOCÊ TINHA QUE ME AVISAR...

Fiquei escutando o bla bla bla por quase uma hora, até Heitor já estava cansado de ouvir os ataques da minha mãe, mas por fim ela se rendeu e parou de falar:

- Podemos ir então mãe!

- Sim filha, podemos eu ainda tenho que fazer o jantar, tomara que Lisa goste de frango.

Ela voltou ao normal, mas deu para sentir que ainda carregava um ar de preocupação, acho que ela ainda teme por Afonso, tenho que ser mais cautelosa, afinal eu não quero perder ninguém que amo.

-

Passaram-se três semanas, nesse tempo tivemos a audiência sobre o processo contra Antony, ali foi determinado pelo juiz uma causa sem validade, já que não havia nada o que eles pedirem de indenização ou qualquer valor sobre a minha empresa.

Foi um alivio muito grande me ver livre desse passado que não queria mais contato, o que mais me assombrou foi ver Antony sozinho, parece que ele e Minerva estavam separados, ela havia encontrado um engenheiro japonês rico e foi para a Ásia com ele. Senti pena do meu ex, mas o que se planta é o que se colhe.

Minhas consultas com Jorge se tornaram algo normal, eu conversava com ele, mas não dava mais sinais de interesse, eu tinha que esquecê-lo de uma vez por todas, afinal Jorge tinha alguém na vida dele, do qual ele tinha certeza absoluta gostar. Sendo assim eu não poderia ser uma pedra no caminho dele.

Finalmente minha mãe e Carlão iniciaram um relacionamento, demorou, mas pelo visto agora vai, os dois vivem trocando mensagens de texto e telefonemas curtos, chega até ser engraçado ver dona Luluzinha agir como uma adolescente eufórica. O que não esta sendo legal nessa situação é que minha mãe se apossou de todos os meus sapatos.

Caio e Ludimila estão também num amor que só, e praticamente um vivia na casa do outro, mesmo sendo vizinhos. Pelo visto o amo esta no ar.

Lisa esta indo muito bem na escola, tira boas notas e já tem varias amiguinhas e amiguinhos, em especial um tal de Vinicius, lembrete importante, intimar esse garotinho! Tenho que cuidar da minha princesa.

E quanto a Afonso... Não tive mais noticias dele, nem de Caique, a vida parecia estar entrando nos eixos, mas nem assim minha mãe deixou de me acompanhar dia e noite ao escritório e de monitorar Lisa na escola. Depois daquele episódio que poderia ter acabado em tragédia minha mãe fez questão de armar o maior escândalo da vida dela na escola e deixou bem claro que somente ela e eu poderíamos retirar a Lisa.

Admito que foi necessário aquilo, mas por outro lado não tinha como alguém da escola saber que Caio tinha um irmão gêmeo.

Com todo esse tempo sem ter contato com Afonso, eu até pensei em retirar a liminar de aproximação, mas eu não tinha como saber quando e onde ele poderia aparecer, o melhor era continuar com essa liminar por segurança.

Seguindo a vida, eu estava no meu escritório como sempre e via meus novos contratos como sempre, até que meu celular toca, chamada privada, deve ser alguma propaganda:

- Alô?

- Ola filha linda!

Sinto o corpo enrijecer, aquela voz ainda me causa pânico, eu não sabia o que falar, ou agir, o que Afonso queria comigo novamente?

- Ficou muda filha?

- O que você quer?

- Quero apenas a sua atenção meu anjo.

- Estou ocupada, tenho que desligar.

- Espere eu tenho uma surpresa para você.

- Não vou cair nessa Lisa esta em segurança, minha mãe foi busca-la agora mesmo.

- Tem certeza disso, escute.

Um grito alto eu ouço e logo em seguida alguns insultos:

- MALDITO ME SOLTE, FILHAAA...

- Reconhece essa voz querida filha.

Minha mãe, ela estava presa nas garras daquele maldito.

- O que você quer?

- Quero outro cheque, mas desta vez eu quero que você venha me trazer.

Estranho, geralmente ele que sempre vem até mim, novamente eu escuto um grito, ele esta torturando minha mãe, não eu não posso perdê-la:

- Me passe o endereço, eu vou até ai só não machuque mais ela.

- Boa garota, ah venha sozinha viu, ou você não vai querer ver sua mãe toda machucada né, melhor dizendo, mais do que ela esta.

Cerro os punhos, aquele maldito, eu o odeio, eu o quero morto, só assim voltarei a ter paz:

- Diga o endereço, irei sozinha.

- Você vai receber o endereço por uma mensagem de texto, assim que recebê-la venha sem dizer uma palavra a ninguém esta bem.

- De acordo.

- Até já então filha, eu te amo viu.

Desligo o telefone com raiva, minha mãe estava em perigo, eu tinha que fazer algo. A mensagem chega, olho para o endereço, escrevo num papel o local, vou até a mesa de Cindi, tento não parecer nervosa, mas acho que não consigo disfarçar:

- Aconteceu alguma coisa senhora?

- Cindi, ligue para Ludimila peça para ela ir buscar a Lisa na escola,eu preciso sair.

- Mas senhora a dona Luluzinha não foi até lá para busca-la.

- Faça só o que digo... Ah, mais uma coisa, pegue esse papel, se eu não aparecer em duas horas, abra-o e ligue para a policia.

- Dona Elise o que a senhora vai fazer?

- Por favor só cumpra minhas ordens sim.

Cindi pega o papel, eu sei que ela é competente e não vai descumprir a minha ordem:

- Sim senhora.

Sigo meu caminho, mas estou meio preocupada, há algo de errado nisso tudo, bem não é hora para pensar nisso, eu preciso salvar minha mãe.

-

O lugar era meio estranho, afastado de tudo, parecia até um sitio, era bem isolado do mundo. O terreno era um pouco irregular, mas dava para seguir com a minha cadeira de rodas sem muitos problemas. Na entrada logo eu pude ver que o portão estava aberto, não sei se entro, tenho medo do que pode acontecer nesse lugar, mas um grito vindo de dentro casa não me deixa duvidas, Afonso ainda estava torturando minha mãe.

Empurro as rodas com mais força, até chegar à entrada da casa, eu estava ofegante, era uma subida e tanto. Respiro fundo e abro a porta, ela estava destrancada, dentro o lugar era escuro, com pouca iluminação, eu apenas me pergunto onde esta a minha mãe.

Vou seguindo com o máximo de cuidado, não queria ser vista por Afonso, ele poderia muito bem me trancar aqui dentro e...

- Ola filha!

Droga! Olho para trás e o vejo, ele estava na porta e com uma mulher ao seu lado, jovem demais para ele:

- Vim como me pediu, aqui esta o seu cheque, agora solte minha mãe!

- Como você é bobinha filha.

Não entendo o que ele diz, por que eu sou boba? Eu fiz justamente o que ele mandou, será que é isso que ele esta tentando dizer?

- Tome seu cheque, e deixe minha mãe e eu em paz.

Ele e a mulher começam a gargalhar, eu fico sem entender até que tudo começa a fazer sentido, e realmente eu fui uma boba:

- Era mentira...

- Exatamente, a minha doce companheira aqui fez o favor de imitar muito bem a voz da sua mãe, na verdade você confundiu a voz dela, dizem que na hora do pânico tudo fica confuso, e você caiu direitinho.

Vou empurrando a cadeira para trás até ficar pressionada contra a parede, Afonso vem caminhando lentamente, sorrindo de forma maligna:



- Agora você é minha.

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