sexta-feira, 29 de julho de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 8

Bom dia pessoal, mais um capítulo para vocês. 
Mas antes um comunicado importante, nesse final de semana não teremos capítulos postados, porém na segunda-feira trarei dois capítulos inéditos para vocês.

Então boa leitura a todos e um excelente final de semana.

CAPÍTULO 8:
A PROPOSTA DE MUDAR




Tentei manter a calma, mas estava difícil, Ludimila e Heitor me encaravam intensamente, cheguei ate a me sentir envergonhada, mas não poderia abaixar a cabeça não naquele momento.

Devolvi o olhar da mesma forma, bem pelo menos eu acho que foi da mesma forma, entrelacei as mãos e finalmente quebrei o silencio:

- Que tipo de proposta vocês querem me fazer?

- Bem Elise, quando você disse ontem que queria conhecer a nossa ONG eu fiquei muito surpresa.

- Pensei que você tinha ficado radiante, até chegou a fazer a dança do saci.

- Aquele é o meu jeito de ficar surpresa.

Se aquilo era um jeito de ficar surpresa, eu não queria ver o dia em que ela ficaria realmente radiante.

- Mas isso não vem ao caso agora Elise, voltando ao assunto, quando você disse que queria conhecer a ONG eu entrei em contato com Heitor no mesmo momento.

Então ela tem o telefone dele, os dois se falam fora daqui, será que já tiveram um caso? Ai que loucura nós estamos falando sobre a ONG, por que eu tenho que pensar tanta besteira?

- E sobre o que vocês conversaram Ludi?

- Sobre você minha cara.

A voz de Heitor era suave e gentil, e ele me olhava fixamente, tive que desviar o olhar, pois não sabia como encara-lo, ai que constrangedor, eu jamais pensei viver esse tipo de situação na minha vida. Sacudi a cabeça para tentar me concentrar na conversa, olhei para Ludimila e disse:

- O que vocês falaram sobre mim?

- Eu falei super bem de você, fique despreocupada.

- Ludimila, não foi sobre isso que eu quis dizer, eu quero saber sobre o real motivo de vocês terem falado sobre mim.

- Fora o quão bem eu falei de você, nós discutimos sobre um possível acordo entre nós e você.

Desta vez tive que encarar o Heitor, que tipo de acordo aqueles dois pensariam comigo? Será que tinha a ver com a minha real situação?

- Então digam logo que tipo de acordo é esse.

- Queremos que você faça parte da administração da nossa ONG.

Fiquei mais que surpresa, eu não tenho uma palavra para descrever aquilo, eu ajudando uma ONG, mas como eu poderia fazer isso? Estou começando a trilhar por um novo caminho, do qual eu não sei se dará certo.

O mais engraçado foi a minha reação, eu cai na gargalhada, não sabia por que, mas me deu uma vontade louca de rir, acho que os dois pensaram que eu havia surtado, pois me encaram com as sobrancelhas franzidas:

- Você esta bem amiga?

- Ai... Desculpa, mas eu não sei por que pensaram nisso, por que justamente eu seria alguém importante para essa ONG.

- Por que você é destemida Elise. – Ludimila se levantou da cadeira e começo a caminha em minha direção. – É corajosa, tem bom coração, sabe o que quer, tem todo o potencial necessário para ser uma líder, e a sua ajuda, só nos beneficiária, por favor, aceite o nosso acordo.

Fiquei muda, jamais pensei que poderia ser vista dessa forma, mas ainda estava em duvida, não sei como administrar uma ONG, eu sou uma publicitária, não uma administradora, apesar de todos aqueles elogios, eu já tinha minha resposta formada, mas foi quando Heitor se aproximou também e disse:

- Não diga nada ainda, venha eu vou te mostra uma coisa.

Eu sei qual é o propósito dele, mas ainda assim o segui, queria ver o que ele tinha para me mostrar.

-

Seguimos por um corredor amplo, ao fundo deu para ver que aquele caminho daria numa área externa e fomos justamente parar numa ala onde haviam crianças. Era um pátio enorme, com uma fonte de água cheia de peixinhos coloridos, um gramado sintético estava em volta da fonte. Tinha também brinquedos espalhados e alguns tutores ao lado, notei que as crianças eram especiais, contei cerca de vinte crianças, sendo a maior parte cadeirante e o restante com alguma deficiência motora ou até mental.

Era lindo ver a ingenuidade deles, cheguei a me lembrar da minha infância, onde nunca pude brincar com bonecas ou qualquer tipo de brinquedo, mas ainda assim me sentia feliz. Heitor ficou ao meu lado, ele também encarava as crianças, só que de uma forma mais terna, ele parecia até emocionado, toquei lhe o ombro, e lhe disse sorrindo:

- São tão inocentes né.

- Sim, elas veem o mundo sempre de forma diferenciada, mas isso pode acabar sabia?

- Por quê?

- Elise, nós não temos fundos para arcar com toda a ONG, essa seria uma ala destinada a crianças, queremos separar os adultos das crianças, afinal cada um tem uma necessidade diferente, e precisa de tratamento diferenciado.

- E aposto que isso custa muito para vocês.

- É um custo que não podemos arcar. Ludimila já tentou conseguir algum tipo de ajuda governamental, mas não conseguiu, a sua vinda para essa ONG seria a nossa salvação.

- Então o problema real é dinheiro? – Não pude esconder minha indignação, eles queriam o meu dinheiro.

- Não, queremos a sua ajuda na questão de conseguir lidar com tais problemas, eu cuido de toda a parte burocrática e jurídica dessa ONG, a Ludimila tenta fazer a parte de relações publicas, mas ela não tem tanta influencia assim, e você sendo publicitária poderia nos ajudar nessa questão.

Realmente eu tenho muita influencia e acho que nessa questão eu poderia ajudar, mas será que eu conseguiria? A duvida ficou estampada na minha testa, por que Heitor percebeu o meu debate interno:

- Está em duvida Elise?

- Não sei se sou capaz de tanto Heitor. – Resolvi me abrir com ele, não sei por que, mas aquele homem me inspirava confiança. – Fui sempre uma pessoa egoísta, eu não pensava nos outros, e vocês me pedem tanto, tenho medo de não ser capaz de atender a suas expectativas.

- O seu medo é normal, sair da sua zona de conforto é difícil, não quero pressiona-la, mas pense se você realmente quer mudar, por que não se arrisca? O máximo que pode acontecer é você não conseguir, afinal todos estamos sujeitos a falhas.

Ah que fofo, ele realmente sabe convencer uma pessoa, mas esse era um problema que não poderia haver falhas:

- Posso te dar uma resposta ao longo do dia?

- Então você vai ficar aqui com a gente até o fim do dia?

- Sim, assim posso conhecer melhor sobre esse lugar.

- Então eu lhe faço a devida companhia.

Heitor segurou a minha mão, senti meu rosto corar e meu coração acelerar, porém um lado meu pensou em Leonel e Jorge e eu pressenti que muitas emoções ainda estariam para acontecer.

-

Nunca pensei que me envolver com as crianças fosse tão divertido, cada uma tem um jeito especial de encarar o mundo, cada uma tem seu próprio sonho, e eu me simpatizei muito com uma garotinha de sete anos, seu nome é Monalisa, mas todos as chamam de Lisa, ela disse querer ser presidente da republica quando crescer:

- Tia, quando eu for grande vou ser presidente.

- E por que você quer ser presidente?

- Por que vou ser a primeira presidente deficiente da história, e vou ajudar a todas as crianças que tem problema.

Uma fofa, e vendo pelo lado sério do seu sonho, realmente, a ajuda governamental seria de extrema importância, eu tenho alguns contatos políticos que podem sim ajudar com isso, talvez até mais, poderíamos ampliar esse lugar, para trazer mais crianças, e talvez... Espera, eu não sei se quero isso, e se eu falhar, e se ninguém me ouvir, o que vai ser da Lisa e das outra crianças? Ai meu Deus que confusão.

- Elise? – Heitor estava ao meu lado, ele não saiu um minuto sequer dali. – Esta tudo bem?

- Só estou pensando ainda na minha resposta!

- E você ainda esta confusa né?

- Como você sabe?

- Eu sei muito bem ler as expressões das pessoas, venham vamos para o refeitório, hoje teremos um dos melhores pratos para almoçar.

- Tio o que vamos ter hoje para comer? – Perguntou Lisa sorridente, há que menina adorável, adoraria saber mais sobre ela.

- Como hoje temos uma convidada tão especial que é a Elise, vamos ter um prato também especial.

- EBA VAMOS COMER STROGONOFF... – Grita Lisa.

- Garotinha você estragou a surpresa.

Não pude deixar de rir, a ingenuidade de Lisa era cativante, e vê-la tão enérgica me deixa forte, não quero que aquele sorriso se apague, não posso permitir isso. Droga, por que sinto esse nó formando em minha garganta, e por que estou chorando agora, não posso ser fraca na frente deles, tenho que manter a postura:

- Tia por que você esta chorando?

- Lisa, ela esta chorando de felicidade, não esta percebendo.

Ah Heitor, você é realmente muito fofo, sorte da Ludi que sempre esta ao seu lado, aposto que ela sim é a mulher perfeita para você, bem vou me recompor, afinal tenho que esta bem para o almoço especial:

- Exatamente isso Lisa, a tia chorou de felicidade, por te conhecido você, uma garota tão linda e meiga.

- Ah para tia...

- Vamos lá então criançada, quem chegar por ultimo não ganha sobremesa.

Ao Heitor dizer aquilo, algumas das crianças saíram em disparadas, as tutoras ajudaram com as crianças que não podiam se locomover por terem paralisia infantil, e o restante seguiu ordenadamente, puxa que lugar organizado, nem a minha mesa do escritório era daquele jeito. Olho para Heitor, e ele estava sorrindo ao meu lado, fiquei meio sem graça, pois ficou apenas nós dois ali, ai se a Ludi nos ver aqui o que vai pensar hein:

- Eu sei por que você chorou.

Ah, ele queria falar sobre isso então:

- Desculpa se demonstrei a minha fraqueza.

- Ao contrário, você demonstrou muito mais força ao externar o que realmente estava sentido, não são todos que fazem isso.

Pela primeira vez não fiquei envergonhada, realmente Heitor sabia bem o que eu sentia:

- Vamos então para o almoço especial?

Assenti e nós seguimos juntos, lado a lado.

-

Nunca comi algo tão bom em toda a minha vida, o strogonoff estava uma delicia, nunca pensei que um prato tão simples fosse me agradar tanto, acho que a mudança esta me fazendo muito bem.

Fomos para o pátio central, eu, Heitor e Ludimila, eu observava a tudo e via como aquele lugar era especial, e o quanto ele era importante para cada um que ali frequentava, não só por ser um espaço reservado para deficientes, mas por ser um espaço de igualdade, ali não havia preconceito, todos eram tratados iguais, independente da sua deficiência.

Acho que ficar esse dia, nesta ONG me ajudou muito a ver como é esse mundo, e posso afirmar, eu realmente estou aprendendo o que é viver agora, o luxo é bom, mas não aquece um peito vazio.

Lisa se aproximou com a sua cadeira, ela estava bem sonolenta, eu percebi o quanto ela queria estar ao meu lado, acho que a minha ligação com ela ficou muito forte, pois eu também queria muito ficar ao seu lado, lhe pegar no colo e lhe fazer carinho, mas não sei se ela deixaria eu fazer isso, será que se eu pedir ela vai deixar?

- Tia me pega no colo.

Realmente essa menina era especial, com ajuda de Ludimila, a tiramos da cadeira e a coloquei no meu colo, Lisa encostou a cabeça no meu peito e fiquei a alisar seus cabelos, eram sedosos e cheiravam a tutti frutti, em minutos, a pequena menina caiu um sono profundo, senti o peso do seu sono, mas ainda continuei a acariciar sua cabeça.

Fiquei a admira-la, era tão linda, como isso pode acontecer a ela, uma menina tão doce e meiga, viver presa numa cadeira de rodas? Novamente o nó se forma na minha garganta, mas desta vez eu me segurei, não poderia chorar toda vez que me depara-se com uma criança deficiente:

- Lisa vive com a avó, numa favela da região. – Diz Ludimila me olhando. – A mãe esta presa por trafico de drogas e o pai é desconhecido, pela má gestação ela nasceu com uma rara deformidade na coluna, por isso não pode andar.

Ok depois de toda a história da garota, eu poderia me permitir chorar um pouco:

- Que história triste para um anjo tão lindo.

- A maioria das crianças daqui tem uma vida sofrida Elise, infelizmente nós somos o seu abrigo, muitas vão para a escola publica e sofrem opressão por outros colegas, tanto que a maioria prefere deixar a escola do que a frequenta-la.

Heitor tinha razão, se você é humilhado num lugar por ser especial, que motivos teríamos de frequentar:

- Somos a única opção deles Elise, eu não sei o vai ser dessas crianças sem a nossa ajuda.

Desta vez foi Ludimila quem caiu no choro, era uma situação complicada e triste, realmente cada um ali precisava de ajuda, e acho que cabia a mim fazer a diferença:

- Eu aceito!

- O quê? – Ludimila enxugou as lagrimas e me olhou espantada.

- Eu aceito o acordo de vocês, vou fazer o melhor por esse lugar, quero ajudar Lisa, e todos aqui, então eu aceito o acordo de vocês.

Era para ser algo comovente, mais lagrimas e abraços, essas coisas sabe, mas o que aconteceu foi Ludimila a dançar a famosa dança do saci e Heitor ficar rodando com a cadeira de rodas fazendo barulhos estranhos com a boca:

- O que pelo amor de Deus significa isso?

- É a nossa dança da comemoração Elise, eu faço a dança do saci e o Heitor a do pião doido.

Pião doido? Era só o que me faltava né:

- Venha Elise se junte a nós.

Neguei o convite de Heitor, uma coisa era eu aceitar o convite de administrar a ONG, outra coisa era eu começar a rodar quem nem uma louca no meio do pátio, posso ter mudado, mas ainda sim tinha amor próprio e senso de vergonha.

Enquanto eles dançavam eu fiquei a olhar Lisa, essa menina que me deu coragem e por ela eu vou conseguir ajuda necessária para essa onde:



- Pernas Que Te Quero, aguarde que Elise esta na área.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 7

Bom dia pessoal, começando o dia com mais um capítulo para vocês.

Boa Leitura!

CAPÍTULO 7:
O TERCEIRO

               

Depois de muitas lagrimas e muitos abraços, finalmente saímos da sala de jantar. Eu levei Ludimila para o meu novo quarto, onde ela adorou o espaço e parabenizou minha mãe pela atitude e pela reforma feita no cômodo:

- Elise do céu, sua mãe tem o dom para decorar, esse seu quarto ficou ótimo.

- Eu também adorei ele, ficou tão fofo né.

- Ficou mais que fofo, você tem parabenizar sua mãe, ela fez um serviço que muitos design não fazem.

- Bem, mas eu te chamei aqui por outro motivo, não foi apenas para mostrar o meu quarto.

- Pois então diga o outro motivo que me chamou aqui!

- Enquanto almoçávamos eu pensei sobre a sua ONG, e gostaria de ajudar de alguma forma, ou até mesmo participar ativamente das reuniões ou sei lá o que vocês fazem nesse lugar.

- Ai Elise você não sabe o quanto eu fico feliz de ouvir isso. Bem eu vou te explicar tudo como funciona, vai ser maravilhoso, e quando você pretende começar essa sua inclusão na ONG?

- Se possível amanhã mesmo.

Eu estava determinada, não poderia voltar atrás, se Ludimila iria me ajudar eu tinha que retribuir esse ato no mesmo nível, sei que vai ser difícil, mas eu quero tentar, quero abraçar esse mundo. Bem antes mesmo de eu continuar ou ousar falar, Ludimila fez o favor de fazer a dança do saci e ainda aderiu um sacudir de braços, o que a deixou mais estranha do que já era:

- Ai Eliseeeeeeeeeeee, não acredito que você esta tão determinada, eu passo amanhã cedo para te chamar, vamos no meu carro esta bem.

- Claro que vai ser no seu carro né, já se esqueceu que não posso dirigir?

- Vou te contar uma coisa, sabia que mesmo você estando numa cadeira de rodas isso não te impossibilita de dirigir, hoje em dia já fizeram vários veículos adaptados para todos os tipos de deficiências físicas.

- Sério?

- Sério, não pense que só porque esta nessa condição que você não pode fazer muita coisa, é uma questão de adaptação.

- Tomara que eu consiga me adaptar...

- Claro que vai conseguir, o primeiro passo já foi dado, que é a aceitação, agora tudo vai depender da sua força de vontade.

Era incrível como Ludimila sabia dizer a coisa certa, na hora certa e no momento certo, estou amando essa nova amizade e o quanto ela é positiva na minha vida. Se era de força de vontade que precisava para mudar, eu teria a força de vontade necessária para isso.

-

Acordei bem cedo, me vesti com uma roupa simples, claro tive ajuda da minha mãe que teve todo o cuidado comigo, o que me restava era esperar agora por Ludimila, mas logo a minha espera acabou, pois a minha nova amiga era totalmente pontual, e no horário marcado a campainha foi tocada, coloquei minha bolsa no colo e me despedi rapidamente da minha mãe:

- Filha tem certeza de que quer ir sozinha?

- Eu não vou sozinha mãe, terei a Ludimila do meu lado, e também eu preciso ter essa confiança e começar a sair sem a senhora.

- Mas é que eu fico tão preocupada...

- Mãe eu estou com o celular, e prometo se eu quiser ir embora eu te ligo para a senhora ir me buscar, combinado?

- Combinado filha.

Puxa vida, esse lado super protetora da minha mãe estava demais, eu até posso imaginar que ver a sua única filha numa cadeira de rodas não seja fácil, mas ela tem que começar a entender que mesmo eu estando numa cadeira, isso não me torna uma invalida, assim como Ludimila disse, eu preciso ter a determinação para seguir com a minha vida normalmente, esse “pequeno” detalhe pelo qual estou passando, é apenas um desvio de rota, ao qual vai me modificar de dentro para fora.

Assim que cruzo a porta dou de cara com Ludimila sorrindo dentro de sua Doblô Prata, era um carro grande para uma única pessoa, enfim, cada um com seus gostos, fui me aproximando com a cadeira, até que Ludimila desceu do carro mais eufórica do que nunca e me abraçou bem forte:

- Bom dia Elise, como passou a noite?

- Muito bem, obrigada, e você como passo a sua?

- Foi uma maravilha amiga, está pronta para ir.

- Claro que estou.

- Bem, então vamos lá.

Estranhei a atitude de Ludimila ela me levou para de trás do carro, se aquilo foi uma piada eu não gostei, mas foi ai que tudo fez sentido, ela abriu as portas traseiras do carro e eu percebi que o espaço para os bancos e porta malas foi totalmente adaptado para cadeirantes, fiquei tão admirada que eu necessitava de exclamar a minha surpresa:

- Isso é totalmente demais!

- Gostou Elise? Esse é um carro adaptado para transportar cadeirantes, geralmente eu levo alguns cadeirantes embora então resolvi adaptar meu carro para isso, assim ninguém precisar ficar pulando da cadeira para o banco.

Era incrível como Ludimila pensava nas pessoas, ela modificou seu carro apenas para atender as necessidades alheias, acho que ajudar o próximo era algo muito importante para ela, mas por que querer ajudar tanto assim um próximo? Será que ela não tem amor próprio? 

Bem isso eu iria descobrir, cedo ou tarde, tentaria fazer ela se abrir e me contar o que ela esconde, afinal ninguém é radiante como sol todos os dias.

Com ajuda da Ludi, entrei no carro e ela travou as rodas a dois suportes fixos no chão do carro e me envolveu num cinto de segurança especial, havia suportes onde pude me apoiar os braços e até mesmo colocar minha bolsa, quando Ludimila foi para o volante ela me olhou pelo retrovisor a fim de checar se estava tudo em ordem:

- Tudo certo por ai Elise?

- Sim, já podemos partir.

- Ai que emoção, então vamos Elise, ONG Pernas que te Quero ai vamos nós.

Finalmente partimos, mas eu não pude deixar de rir do nome da ONG, se aquilo era uma piada eu não sei, mas que ficou cômico a ficou.

-

Apesar do nome estranho o lugar da ONG era lindo, uma casa muito bem localizada, próximo a polos comerciais e com vias de acessos de todos os cantos, que até a maioria das linhas de ônibus que ali passavam eram adaptados para pessoas cadeirantes. Acredito eu que o lugar escolhido foi justamente aquele por conta da necessidade dos envolvidos na ONG.

Assim que chegamos, Ludimila estacionou o carro dentro da própria ONG, e me ajudou a sair do carro, o espaço externo do lugar era bonito também, havia um jardim com algumas orquídeas brancas, rosas, margaridas e copos de leite, o lugar também era cheio de rampas com corrimões, e nada de degraus, tudo para facilitar a vida dos que ali viviam.

Enquanto Ludimila me empurrava, ela me explicava sobre o lugar e as suas particularidades e necessidades:

- Aqui acolhemos pessoas deficientes Elise, damos o devido tratamento a elas sem custo algum, por que muitos aqui mal possuem alimentos em sua própria casa, nossa maior preocupação aqui é com a arrecadação que recebemos, pois vivemos de doações de terceiros, pense que para atender a todos aqui vai um belo dinheiro.

- Eu imagino Ludi, mas que tipo de atividades vocês fazem aqui?

- Acho melhor te mostrar do que te explicar.

Ela abre a porta principal e eu sigo para dentro do lugar, ali eu tenho outra surpresa, o lugar era amplo, tinha vários aparelhos fisioterápicos, rampas de acesso há sanitários, o lugar era bem ventilado e claro, deu para ver um jardim interno numa outra saída que daria para outro espaço, talvez fosse uma área de refeição, ou até mesmo dormitórios, e eu pude sentir toda a vibração positiva, era contagiante. Assim que entramos algumas crianças em suas cadeiras vieram para cima de nós, ou melhor, dizendo foram para cima de Ludimila. 

As crianças gritavam pela atenção de Ludi, era notável o quanto todos ali gostavam dela, fiquei a sorrir ao ver o gesto dela com as crianças, ela tratava cada um de uma forma única, será que um dia alguém me amaria desse jeito?

Eu estava tão imersa que nem vi um cadeirante se aproximar, e ficar ao meu lado, olhei de relance, mas assim que enxerguei vi algo extraordinário, belo, lindo e perfeito:

- Ola, eu me chamo Heitor, você é nova por aqui?

-

Não sei o que esta acontecendo comigo, mas olhar para o Heitor era como ver um pedaço do céu, que homem lindo, apesar de ser cadeirante, ele tinha um porte físico bem másculo, os cabelos eram ruivos, e sua pele toda pintada de sardas e os olhos eram cor de mel, totalmente perfeito, enquanto eu o admirava, ele me observava confuso, afinal ele havia me feito uma pergunta e eu apenas estava paralisada:

- Moça você esta bem?

- Ahn... Ai desculpa, sim estou bem sim, e respondendo a sua pergunta, sim sou nova por aqui, me chamo Elise.

Estendi a minha mão e ele a apertou firmemente, como o toque dele era caloroso, percebi que estava rindo, mas rindo do quê? Acho que estou ficando louca viu, se toda vez que vir um cara bonito eu ficar assim, vou ter que me internar.

- Ah pelo visto já se encantou pelo Heitor.

Era só o que me faltava, deixei minha mãe em casa, mas trouxe uma miniatura dela, não era possível que a dona Luluzinha tinha uma legião de seguidoras iguais a elas espalhadas pelo mundo:

- Ludi, ele só esta sendo gentil comigo.

- Com esse ai tem que tomar cuidado, como vai Heitor?

- Você e essa sua língua hein Ludimila, eu estou bem e você?

Os dois se cumprimentaram com um forte abraço, não posso negar que senti um pouco de inveja, eu também queria um abraço dele, mas me contive, afinal acabei de chegar.

Por fim, seguimos pelo vasto lugar, Ludimila foi empurrando a cadeira e Heitor ao meu lado, logo pude perceber a ligação entre os dois, ambos eram os responsáveis por todo aquele lugar, Heitor cuidava da parte jurídica, ele era formado em direito e tinha um pequeno escritório próximo dali, a maior parte do tempo era dedicada a ONG, e o mais importante, ele era solteiro:

- Você acha Elise, esse pedaço de mau caminho solteiro, eu acho um desperdício.

Tenho que te falar que Ludimila era uma forma evoluída da minha mãe, mas não pude deixar de rir do comentário feito:

- Não diga isso Ludi, é capaz da nossa visitante achar que já tivemos um caso.

Isso não havia passado pela minha cabeça, mas a forma como eles se tratavam era de se esperar que eles sim já foram íntimos em algum momento, tentei não me abalar por tal pensamento, afinal eu era apenas um visitante.

Seguimos por um corredor que tava até uma sala onde havia duas mesas de mogno antigo, logo pude perceber que ali era a diretoria, ou seja a sala de Ludimila e Heitor, pois cada um seguiu para a sua mesa e puseram a me encarar, devolvi o olhar de forma confusa para eles, afinal não sabia o por que deles me levado ate aquela sala:

- Elise nós temos uma proposta para te fazer.



Essa foi a primeira vez que vi Ludimila séria, e tenho que falar, foi aterrorizante.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 6

Bom dia galera, vamos lá para mais um capítulo?
Boa Leitura a todos

CAPÍTULO 6:
UMA NOVA AMIZADE

              

De inicio Jorge me fez varias perguntas, acho que esse primeiro contato era mais para conhecer o paciente do que já para iniciar as sessões, foi divertido, eu me senti melhor. O triste foi quando acabou ele me cumprimentou com um aperto de mão e me levou para fora da sala, talvez esse foi um dos piores erros da minha vida, pois minha mãe o viu e soltou um longo assovio:

- Minha nossa eu também quero ser atendida por esse médico.

Depois desta frase, eu praticamente desejei ser abduzida por um buraco negro, ou melhor, queria que minha mãe fosse abduzida. 

Jorge sorriu com comentário, acho que ele já deve estar acostumado a esse tipo de situação, bem antes mesmo que minha mãe abrisse a boca eu já fui me despedindo do doutor e já marquei a próxima consulta para a próxima semana:

- Então doutor nos vemos na semana que vem.

- Até lá se cuide Elise.

Jorge termina a frase sorrindo, será que ele sabe o quanto o seu sorriso é lindo? Retribuo o gesto com o meu melhor sorriso, e me retiro do consultório com a minha mãe a sussurrar ao meu ouvido:

- Ele é tão bonito quanto o Leonel né filha.

Ignorei o comentário, afinal nunca mais veria o belo enfermeiro, e mesmo que o visse, ele era comprometido. Talvez até Jorge fosse comprometido, e também quem iria olhar para uma paralitica... Epa vamos para com isso, prometi aceitar minha nova condição, sei que é difícil esse caminho pelo qual quero trilhar, mas tenho certeza de que vou conseguir, e acho que sei bem por onde começar, entrando no taxi e eu penso em como tentar ser uma nova pessoa:

- Mãe eu preciso que me faça um favor!

- Pode pedir minha filha.

- Quero convidar Ludimila para almoçar em casa.

Aquilo pegou minha mãe de surpresa, nem ela esperava por isso, e nem eu também, afinal eu ainda não era a miss simpatia do condomínio, mas acho que precisava começar a me relacionar melhor com os vizinhos, e por que não começar com a minha vizinha?

O silencio da minha mãe deixou claro que eu tinha algo há conquistar: Confiança. Ela me olhou totalmente desconfiada, achando que eu iria fazer algo contra a nossa vizinha, mas logo eu falei as minhas reais intenções:

- Mãe, eu não vou fazer nada de mal contra a Ludimila, e sim quero me desculpar pela minha atitude de ontem, afinal eu não sou a personificação da educação com ela né.

- Tem certeza disso Elise? Você sempre a detestou.

- Tenho mãe, eu acho que sempre tive inveja dela, então que tal eu recomeçar a ver as coisas de outro modo, e eu preciso entender quem realmente eu sou.

Foi um bom começo, pois minha mãe aceitou chamar Ludimila para almoçar em casa, eu espero que ela aceite, pois se eu fosse ela, eu jamais aceitaria um convite vindo de mim mesma.

-

Assim que chegamos na frente do condomínio, demos de cara com a Ludimila, era o momento certo para fazer o pedido a ela, vou dizer que essa foi a situação mais difícil que vivi, eu praticamente a odiava. 

Mas ainda sim eu tinha que tentar, se mudar meu jeito era a lição que eu queria aprender eu iria fazer até o impossível para isso, encarei Ludimila que estava sorridente como sempre, me esforcei o máximo para não revirar os olhos, por que ela sempre estava sorrindo? O que há fazia tão feliz? 

Preciso parar de pensar nisso, ou não conseguirei cumprir com o meu propósito:

- Ola Ludimila!

- Como vai Elise? – Dava pra notar que até o seu tom de voz era cheio de brilho.

- Seguindo a vida.

- Que bom, vejo que você esta com uma fisionomia diferente, parece até mais reluzente.

Ata eu reluzente? Jamais né.

- Eu queria lhe fazer um pedido.

- Claro, no que eu puder ajudar, eu estarei à disposição.

- Gostaria muito que você fosse almoçar em casa hoje, sabe é uma forma de me desculpar com você pelo jeito que venho demonstrado, acho que não fui muito...

- Aaaaaaaaaahhh... Que tuuuuuuuuuuuuuuuudooooooooooo...

Ok eu não esperava por isso, Ludimila estava saltando com um pé só e girando feito uma louca, desta vez eu não tive como me segurar, revirei os olhos, e foi quando senti um abraço, isso era algo que eu jamais pensei receber de Ludimila, um abraço:

- Estou tão feliz pelo convite, sempre quis me aproximar de você, ser sua amiga, ai que realização... Acho que vou chorar...

- Menos ta bom, não precisa chorar ou... Fazer isso que você fez agora?

- Ah... A dança do saci.

Acho que minha expressão deixou bem claro que não conhecia esse tipo de dança, e que muito menos eu queria aprender essa dança:

- Exato, então eu te espero às treze horas?

- Pode contar comigo... Ai Elise estou tão feliz... Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu....

Gritando e pulando ela se afastou, e eu fiquei ali, chocada e incrédula, até que minha mãe tocou o meu ombro, ela estava sorrindo, acho que a deixei muito orgulhosa, afinal eu consegui ter conversa, mesmo que bem estranha, com Ludimila:

- Adorei aquela dança, você conhecia já aquele passo?

- Mãaaaaeee...

- É brincadeira, vamos entrar, afinal temos um almoço para preparar.

-

Ludimila foi mais pontual do que eu imaginava, ela chegou exatamente às treze horas, ela estava vestida de forma simples, um jeans manchado e uma camiseta branca, os cabelos foram presos num rabo de cavalo, mas ainda sim exibia seu melhor sorriso.

Eu a recepcionei da melhor forma que pude, mas ainda sim ela me surpreendeu com um forte abraço e um beijo estralado no rosto:

- Ai Elise, não acredito que isso esteja acontecendo.

- Eu que não acredito no que você acabou de fazer.

- O que eu fiz?

- Me saudou dessa forma tão...

Que palavra poderia usar para aquele gesto? Nada me vinha na cabeça.

- Carinhosa.

- Exato. Por que você me trata assim?

- Porque eu sempre gostei de você.

Como alguém que eu rejeitei tanto poderia nutri um sentimento tão forte assim por mim? Senti um nó se formando na garganta, mas o engoli, e aquilo doeu. Senti tudo de ruim que um dia cheguei a falar de Ludimila, e posso garantir, não foi algo fácil de digerir, por fim sorri, mas nada forçado foi algo espontâneo e sincero.

Fomos ate a sala de jantar e no pequeno percurso Ludimila foi apontando correções que poderia fazer a casa para me adaptar ao meu novo estado:

- Esse espaço esta muito apertado, você deveria modular seus móveis assim ganharia mais espaço para você poder circular melhor.

- Mas estou num estado passageiro, eu sei que vou voltar a andar logo.

- Mesmo assim, tantos móveis deixam a sua casa escura.

Ri de Ludimila, realmente ela não entendia nada de moda, mas isso não a impediu de continuar a pontuar suas observações:

- Essa parede deveria estar pintada de outra cor, talvez um salmão ficaria ótimo. E esse quadro? Gente que pintura estranha, eu colocaria um quarto de flores ou um papel de parede mais animado.

- Minha nossa você mudaria toda muda casa.

- Desculpa, mas eu não resisto a ver uma casa tão linda sendo mal aproveitada.

Ignorei aquele comentário afinal eu contratei o melhor dos designes para decorar minha casa. Ao entrarmos na sala de jantar me deslumbrei com a mesa servida, literalmente minha mãe não poupou esforços, havia arroz a grega, salada de grão de bico com bacalhau, uma enorme travessa com várias folhas de saladas, salmão grelhado e filé de Frango a parmegiana. Tudo muito bem colocado e quente, o cheiro inundou minhas narinas que cheguei a ficar com água na boca, minha mãe surgiu na entrada da sala de jantar sorrindo e disse:

- Espero que gostem meninas.

- Mãe esta tudo tão lindo.

- Fiz especialmente para você minha filha, bom almoço queridas.

Olhei para tudo aquilo, então sorri para Ludimila que disse:

- Sua mãe não vai comer com a gente?

- Ela disse que prefere almoçar na cozinha.

- Ah por favor chame-a para partilhamos desse delicioso almoço feito com tanto amor e carinho.

Realmente, se alguém merecia se deliciar com tudo aquilo, era obvio que seria a dona Luluzinha que surgiu antes mesmo de eu chama-la:

- Se me querem aqui eu fico.

Minha mãe não seria minha mãe se estivesse ouvindo atrás da porta.

-

Nunca pensei que Ludimila fosse tão legal, descobri que ela trabalha numa ONG que ajuda pessoas com deficiências físicas, fora que ela é formada em engenharia civil, e se especializou em designs interiores, ta ai o motivo dela sempre pentelhar a decoração da casa dos outros. Foi um momento super agradável ao lado dela, fora que Ludimila era muito divertida, adorava contar piadas, e sempre sorrindo.

Por um momento me senti mal por ter sido tão dura com ela, nunca imaginei vê-la do jeito que a vejo hoje, uma mulher determinada, centrada e muito, mas muito divertida, ao fim do almoço, Ludimila se levantou da mesa segurou minha mão e da mão de minha mãe, encarou nos duas e disse:

- Que esse momento fique eternizado em nossa mente para sempre, e lembre-se não importa a dificuldade, tudo pode ser resolvido com um sorriso, afinal após a chuva forte sempre surge um lindo arco-íris.

- Que linda frase. – Deu para nota que minha mãe se emocionou ao dizer isso, ela mesma sabia o quanto era viver dias chuvosos e pedregosos.

Não sei por que, mas essa frase foi familiar, da época e que vivíamos sobre o mesmo teto que aquele homem... Peraí essa frase, eu me lembro:

- Ludimila onde você ouviu essa frase?

- Minha avó que sempre me dizia essa frase, eu cresci ouvindo isso dela, até no seu ultimo suspiro ela estava sorrindo.

- Da sua avó? 

- É por que a pergunta Elise?

- Essa sua frase me fez lembrar de um passado triste.

- Filha você se refere à dona Helena.

Helena, esse era o nome na nossa protetora, sim ela sempre dizia essa frase toda vez que nos ajudava, agora eu me lembro, ela nunca deixou de nos ajudar, e sempre estava sorrindo, um sorriso alegre, cativante, brilhante...

- O nome da minha avó era Helena.

Aquilo não poderia ser possível, será que Ludimila era a neta da mesma Helena que um dia cuidou da minha família? 

Fico muda, pois não sabia o que dizer, até que minha mãe abaixa a cabeça e começa a chorar, sim, era verdade Ludimila só poderia ser a neta da dona Helena, a nossa vizinha sorridente e afetuosa que sempre nos ajudou.

Eu não consigo aguentar, caio no choro também, é quando Ludimila ainda segurando as nossas mãos diz:

- Demoraram tanto tempo para me reconhecer né.

- Mas Ludi, eu não sabia que você era a neta de Helena, ela sempre nos ajudou, sempre esteve presente nos nossos dias mais sofridos, eu... Queria tanto agradecê-la.

Minha mãe não consegue mais falar, ela é tomada por lagrimas que a deixam em prantos, apesar da felicidade de conhecermos a neta de dona Helena, as lembranças de dias amargos a tomavam, era triste ver minha mãe daquele jeito, eu queria ampara-la, mas não tinha forças, pois também estava revivendo toda dor que sentia quando criança, involuntariamente começo a tremer, até que novamente Ludimila exibi o seu mais belo sorriso e diz:

- A dor ainda habita em vocês, mas eu estou aqui, hoje como uma mensageira de Deus, se foi da vontade Dele que nos reencontra-se, então será da vontade dele que farei o mesmo trabalho que minha avó um dia fez com vocês, trarei a alegria para a sua vida, se me permitirem eu quero ajuda-las a sorrirem com o coração.

Acho que não precisamos nem dizer uma só palavra, pois o nosso gesto já respondeu por sim só, me aproximei de Ludimila com a cadeira de rodas e a abracei, e pude sentir que ali uma nova e verdadeira amizade nasceu.

terça-feira, 26 de julho de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 5

Bom dia leitores, hoje estamos inspirados, capítulo cinco já adicionado. Então como esta indo o andamento da história? Qualquer dica será bem vinda.
Bora lá ler então.

Boa leitura!

CAPITULO 5:
OLHOS QUE ENCANTAM

                

Com muito esforço me deitei na cama, eu precisava começar a agir de forma independente, se a todo o momento eu tivesse que pedir ajuda, ai sim seria uma completa invalida, mas por hora eu apenas quis me deixar enterrar no sofrimento que sentia.

Aqueles traidores, como eu pude ser traída daquele jeito? Eu sempre fiz de tudo por Antony, eu até me via casada com ele, apesar da minha mãe nunca ter gostado dele, será que ela já desconfiava de que o crápula do Antony era um mau caráter?

Dizem que as mulheres possuem um sexto sentido, mas as mães devem ter um sétimo sentido quando se trata de proteger os filhos, bem o que isso importar agora? Eu não dei ouvidos a única pessoa que realmente se importa comigo, como fui idiota.

Sempre me achei esperta, mas agora vejo o quão burra fui, parece que tudo o que eu jamais pensei em ser estava acontecendo comigo, todas as fraquezas das quais sempre quis me afastar estão me rondando. 

Enterro a cabeça no travesseiro e começo a chorar, eu queria destruir aquele meu eu fraco, mas não era tão simples... Por que Deus? Por que esta fazendo isso comigo? Sou uma pessoa tão má que precisei cair tanto?

Acho que estou ficando louca, nunca fui religiosa, por que agora estou pedindo ajuda a um Deus que me deixou ficar nesse estado? Se realmente esse Deus que muitos falam existisse, ele jamais me deixaria cair tanto, por que agora eu não sou nada, eu não consigo fazer nada. Isso é culpa de um Deus tirano, que me tirou a liberdade, me tirou a vida, me fez sentir traída, nada mais faz sentido para mim, será que esse Deus benevolente esta me punindo? Só pode ser afinal nunca o ajudei em nada.

Em meio a essa loucura do meu drama vivido, o telefone do criado mudo começa a tocar, eu me recomponho rapidamente, respiro fundo e atendo:

- Alô?

- Elise sou eu sua mãe maravilhosa. 

- Oi mãe, o que foi?

- Nada só queria saber se esta tudo bem ai no seu quarto e também testar a ligação entre os telefones.

- Esta tudo uma maravilha mãe, o quarto esta lindo, e a cama é maravilhosa.

- Esta vendo filha, isso prova que você pode se sentir bem com o pouco, Deus esta te mostrando um novo caminho Elise, aceite-o meu anjo.

- Mãe por que a senhora esta falando em Deus?

- Sei lá, eu senti que você precisava ouvir isso.

Fico muda ao telefone, realmente as mães possuem um sétimo sentido sobre seus filhos, sem perceber eu sorrio e choro simultaneamente, somente aquela mulher sabia da minha dor, acho que descobrir o lado mais extraordinário dela:

- Ah mãe, a senhora é uma luz na minha vida.

- Ah Elise... Assim você me faz... Chorar... AAAAAHHHH!

- O que foi mãe?

- Borrei a maquiagem, filha se arrume que mais tarde irei leva-la a sua sessão de fisioterapia viu, desligando.

Ri da situação, realmente a minha mãe era o meu raio luz, me deitei na cama e senti a dor no meu peito diminuir, talvez esse fosse o momento de nascer uma nova Elise.

-

Segui para a fisioterapia com a minha mãe, tentei não ficar frustrada por ter que ir de taxi novamente, afinal eu não posso mais dirigir, então coloquei na minha cabeça que ao menos posso pagar um taxi, isso já era um luxo que muitos não poderiam ter, e para me distrair trouxe comigo um livro chamado O Vaso de Porcelana, é um livro espírita, nunca fui muito fã de livros desse gênero, mas resolvi arriscar a lê-lo da mesma forma, quem sabe me ajudaria a mudar toda a minha visão do mundo.

Claro que para tentar ler com a dona Luluzinha dentro do taxi era praticamente impossível, nunca pensei que ela fosse tão rápida em fazer amigos, literalmente eu não era parecida em nada com a minha mãe, que sempre foi uma mulher extrovertida e muito comunicativa. Posso até afirmar que ela já superou todo o passado triste que tivemos quando ela ainda era casada com meu pai, como a filha mais velha eu assistia a todo aquele sofrimento. 

Meu pai nos maltratou muito, chegamos a ficar eu, minha mãe e meus irmãos ainda de colo trancados em casa, sem comida e sem água, já que ele fez questão de desligar o relógio de água sempre que saia, nós conseguíamos comer por conta de uma senhora muito gentil que era nossa vizinha, engraçado não consigo me lembrar do nome dessa senhora, mas eu adoraria poder vê-la um dia e agradecer por sempre ter nos ajudados.

Fora as surras que meu pai davam em nós pelo simples fato de chorarmos por fome, eu dou graças a Deus que meus irmão não se lembram dele, afinal a figura de pai que era para ser protetora e acolhedora na nossa vida era ao contrário.

Vivemos nesse tormento por quase dez anos da minha vida, mas minha mãe deve ter vivido mais, foi quando numa noite, esse homem que se denomina pai, voltou para casa bêbado e sujo, ele tinha perdido uma aposta e não tinha dinheiro, por isso foi espancado pelos apostadores. Revoltado pela situação que viveu, nós fomos usados como instrumento de tortura para eliminar as suas frustrações, acho que nunca apanhei tanto na minha vida, foram quase trinta cintadas que levei do lado da fivela, enquanto minha mãe estava amarrada numa cadeira e assistia a tudo, sinto uma raiva profunda dele desde esse dia, um homem covarde que bate na própria mulher e filhos pelo bel prazer, sem justificativa, sem um porque. E mesmo que tivesse um motivo, ele jamais deveria ter feito àquilo comigo.

Lembro-me que minha mãe gritava, e a cada grito ela a esbofeteava, o tormento só teve fim quando os vizinhos arrombaram a porta, e encontraram meu pai tentando me sufocar com as mãos em volta do meu pescoço, a partir daí eu tive um apagão na memória, e só me lembro de ter acordado na casa nossa vizinha, minha mãe com os olhos roxos ao meu lado me observando e meus irmãos dormindo calmamente, foi ai que decidi ser forte, jamais deixaria minha familiar passar por aquilo e o mais importante, jamais deixaria que aquele homem voltasse para nossas vidas.

-

Chegamos ao consultório do fisioterapeuta, era uma casa simples, mas acomodada para pessoas com necessidades especiais, pude sentir a diferença daquele lugar e da minha casa, ali tudo era acessível, já em casa era tudo bem difícil, talvez fosse necessário fazer uma reforma para atender a minha nova vida, bem vamos deixar isso para depois, minha mãe já estava falando com a recepcionista, que confirmou a minha presença na consulta, e logo me indicou para sala:

- Mãe pode ficar aqui, eu quero ir sozinha.

- Tem certeza filha, eu posso te acompanhar nessa primeira sessão.

Minha mãe é tão carinhosa, mas eu senti que precisava fazer isso sozinha, então segurei a sua mão e disse:

- Mãe a senhora já fez muito por mim, eu agora preciso encarar isso de frente, pode ficar tranquila.

Eu precisava falar aquilo, não diretamente para minha mãe, mas para mim, eu precisava encarar tudo aquilo, seguir em frente. A resposta que tive foi um beijo na minha bochecha direita e um sozinho sincero, ela havia entendido meus sentimentos, e sentou-se na poltrona e começou a folhear uma revista que estava na recepção.

Era hora de encarar o médico, comecei a empurrar as rodas até que a recepcionista abriu a porta e eu entrei, a sala era ampla, tinha uma maca, alguns aparelhos de ginástica bem diferente do normal, as paredes eram pintadas de azul, e do outro lado da mesa... UAAAAAAAAAAUUU, esse não pode ser o médico:

- Ola Elise, me chamo Jorge, sou o seu fisioterapeuta.

Deus me ajude, que médico que era esse? Tive vergonha de chama-lo de doutor, afinal ele aparentava ter a minha idade, tinha os cabelos negros, e os olhos castanhos, a pele era branca e seu sorriso era cativante, fiquei tão admirada com a beleza do médico que acho que paralisei, por que foi ele quem empurrou a cadeira para próximo da mesa:

- Todos sempre ficam em choque ao me ver, não se preocupe, sou novo mas não sou inexperiente.

Senti o aroma de seu hálito, era eucalipto estonteante, teria que me concentrar para não mergulhar mais e mais nele, que loucura, era a primeira que vez que o via, e me senti completamente perdida.

Chega de besteira Elise, você esta ali como paciente, e era isso que eu queria ser:

- Ola doutor, desculpa pela minha atitude, fui indelicada, e jamais o julgaria por ser novo, afinal eu sou publicitária e todos também ficam boquiaberto quando falo da minha empresa.

- Pelo visto sofremos da mesma forma, nossas profissões são conhecidas por pessoas mais velhas, mas estamos mostrando o quão os jovens também podem ser competentes mesmo em profissões mais qualificadas.

Senti seu olhar me penetrar por dentro, desviei o olhar para não ficar envergonhada, eu não sabia o que estava acontecendo, mas olhar para o doutro Jorge me fez lembrar de Leonel e do quanto ele havia sido gentil comigo.

- Podemos começar a consulta doutor.



Foi o melhor que consegui dizer, afinal não sei quanto tempo resistiria ao charmoso fisioterapeuta.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 4

Promessa é divida, e esta cumprida! Capítulo quatro no ar.

Boa leitura!

CAPÍTULO 4:
DESCOBRINDO O QUE PASSOU

             

Desta vez eu fui para casa, à saída foi normal, exceto pelo fato de eu estar numa cadeira de roda, ao menos estaria de volta para minha casa, meu recanto. 

Dentro do taxi minha mãe estava a tagarela com o motorista enquanto eu fiquei a ver a paisagem, não sei por que, mas o lugar por onde estávamos passando me parecia familiar, com o farol fechado, comecei a desenha na minha mente aquele lugar de noite, luzes acessas, muita chuva e eu chorando parada no meio da rua, com um grande fogo de luz aumentando... Aumentando... Aumentando e...: 

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH! 

- O que foi filha? 

Eu estava ofegante e suada, que pensamento louco, será que foi justamente aquilo que aconteceu comigo? Minha cabeça começa a doer, jogo todo meu corpo para o encosto do banco e olho para minha mãe e o taxista que estavam assustados com o meu grito: 

- Não foi nada, eu apenas tive um pesadelo. 

- Que susto Elise eu pensei que você estava tendo algum mal súbito. 

- Mãe sem exagero vai. 

Era só que me faltava, ter um mal súbito nessa altura do campeonato, bom de todo o ocorrido eu posso ter certeza de uma coisa, já descobri como fui parar no hospital, mas agora fica outra pergunta: “Por que eu fiz isso?”. 


Minha casa, ai como eu ansiava por ela, minha vontade era de sair correndo e me jogar no meu sofá caríssimo, ou beber da minha água natural importada, adoro o meu luxo, afinal eu sou linda, jovem, rica e posso fazer tudo o que quero, bom agora não posso tanto, estou presa a uma cadeira de rodas, ao menos tenho minha mãe para cuidar de mim, por que se fosse depender dos meus irmãos, eu acho que o hospital se tornaria um lugar bem mais agradável. 

Logo que descemos do taxi, tivemos o desprazer de encontrar Ludimila a pior vizinha que já tive, ela tinha a minha idade, sempre estava sorrindo e sendo generosa com as pessoas, da para acreditar que ela foi à única do condomínio onde moro há modificar a calçada rebaixando a guia para receber pessoas invalidas na sua casa, tanta generosidade me deixa enjoada: 

-Elise e Dona Luluzinha, sejam bem vindas. - Ludimila só pode ter saído de uns dos clássicos da Disney, com aqueles longos cabelos loiros cheios de cachos e seus olhos de um profundo azul, ai que raiva dela. 

- Estamos ótimas, vamos mãe. 

- Estamos bem Ludi, e como você esta? 

- Estou bem, mas por que Elise esta numa cadeira de rodas? 

- Ah querida, ela esta impossibilitada de andar. 

- Não acredito, que tragédia. 

Pior do que ser invalida é ver a cara de dó das pessoas, sinto meu rosto queimar de tanta raiva, eu queria sumir dali, evaporar se possível, mas não quero ver aquela cara de dó das pessoas, e muito menos da Ludimila. 

Eu tento subir a calçada de casa, mas não consigo, aumentei tanto o degrau entre a rua e a calçada justamente para dificultar o acesso a cadeirantes, também eu jamais pensaria viver aquela situação. Não sendo o bastante, Ludimila se aproxima de mim e segura a minha mão e olha profundamente em meus olhos: 

- Suba pela minha calça, a sua guia esta alta demais, venha eu te ajudo. 

- EU NÃO PRECISO DA SUA PIEDADE! 

Já estava farta daquilo, Ludimila queria me humilhar, eu sei disso, estava jogando na minha cara tudo aquilo que eu fiz para atrapalhar o seu lado de boa samaritana. Minha mãe se aproxima de mim e diz: 

- Eu sinto muito por isso Ludimila, eu sei que a Elise não queria gritar com você... 

- Não se preocupe dona Luluzinha, eu também sei que Elise ainda não aceitou a sua nova condição, mas eu prometo ajuda-la a encarar tudo isso de frente. 

Apesar do meu grito e da minha cara de limão azedo, ela ainda sorri, desisto de vez. Mas ao menos ela se foi, e eu finalmente entrei na minha casa. 


Dentro de casa eu me senti protegida, longe de olhos curiosos e cheio de pena ao verem a pobre Elise invalida, mas até o meu próprio lar conspirou contra mim, não havia como eu ir para o meu quarto, em casa tínhamos um lanche de quinze degraus até os quartos, não tinha como eu chegar até lá, e agora o que iria fazer? 

- Filha não temos como te levar lá para cima. – Diz minha mãe se apoiando em meus ombros 

- Eu sei mãe, e também não iria suportar ter que ser carregada no colo toda vez que quisesse dormir. 

- Eu só vejo uma solução para o seu problema. 

- Qual? 

- Temos o quarto que seria da empregada... 

- Ah não, quarto de empregada não... 

- Elise é temporário, você sabe que não tem como ficar te locomovendo de cima para baixo e vice versa, ou você prefere dormir no sofá? 

Minha mãe tinha razão, essa era a única opção para mim, mas tinha quer justo o quartinho da empregada, ali era pequeno, sujo e feio: 

- Ali é pequeno, sujo e feio. 

- Então vai ser o sofá? 

Não tem saída, reviro os olhos e digo: 

- Não, sofá não, vamos para o quarto da empregada então. 

- Eu sabia que você iria aceitar, e por isso já providenciei tudo para o lugar. 

Apunhalada pelas costas pela minha própria mãe, ela tinha arquitetado tudo, até que chegamos na porta do quarto e eu senti uma diferença, a fechadura foi trocada, e a porta estava pintada de um verde suave, a minha cor favorita era verde, assim que abrir o quarto me deslumbrei com o cômodo, estava limpo, impecável, mas ainda pequeno, só que aconchegante, uma cama de solteiro estava no canto da parede com um pequeno guarda roupas provençal branco, as paredes estavam verdes oliva e vários papeis de parede colados em formas de flores, pássaros e arvores, um pequeno artefato de cristal em forma de coruja ao lado de um criado mudo e um abajur com um telefone em forma de salto alto. 

Ali era até mais bonito que meu próprio quarto, eu fiquei fascinada com a simplicidade e beleza que havia nele, minha mãe me empurrou para dentro do quarto e disse: 

- Eu sei que não é tão luxuoso como o seu quarto, mas providenciei tudo para que ficasse cômodo, o telefone é uma extensão que vai até o meu quarto, assim o que precisar é só me ligar que venho correndo aqui ta bom. 

- Mãe... Esta lindo o quarto... 

- Que bom que gostou Elise, venha eu vou te ajudar a se arrumar, há também modifiquei o lavabo daqui de baixo e fiz um banheiro exclusivo para você, nem Caio ou Caique poderão usa-lo esta bem. 

Olhei para minha mãe emocionada, apesar dela ser completamente fora de série, ainda sim teve todo cuidado de se preocupar comigo, definitivamente eu não poderia viver sem essa mulher, só penso que se a situação fosse ao contrário, será que eu teria a mesma preocupação? 


Minha mãe fez questão de colocar meu notebook na gaveta do pequeno criado mudo, lá pude acessar meu email e poder trabalhar um pouco, talvez assim eu pudesse esquecer um pouco dos meus problemas. 

Aproveitei e vim que recebi um e-mail anônimo, poderia ter deletado ele, mas o titulo estava endereço a mim, ao abri-lo tive o segundo maior choque da minha vida, havia fotos de Antony com Minerva, numa balada noturna, eu reconhecia o lugar, era no centro da cidade, era o Marvelus Dance, a maior balada da cidade e a melhor de todos os tempos, e também era a destruidora da minha vida, sim... Eu sei agora o que realmente aconteceu, eu vi Minerva e Antony se agarrando próximo aos banheiros, me lembro de ter chego com eles naquela noite a balada, e no meio da musica Antony pediu para ir ao banheiro. 

E por um acaso que descobrir a traição ao também seguir para o banheiro feminino e pegá-los no flagra. 

Lembro também de ter esbofeteado Minerva, posso ate sentir a ardência na palma da minha mão, traidora, ambos eram traidores, foi ai que sai da balada e tudo aconteceu, as imagens de hoje cedo, era reais então, o que eu vi foi realmente real, eu chorava de raiva, por ter sido traída, enganada. 

Tudo fez sentido, mas quem mandou aquelas fotos? Quem fez aquela maldade? Quem queria me ver sofrer mais? 

Bem o que importa agora é que eu sei da verdade, e infelizmente não posso negar, que sinto uma dor, não física, mas emocional. 

O sentimento voltou, mas agora mais intenso, porque fiquei assim por culpa deles, e eu prometo, irei me vingar.

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 3

Bom dia pessoal, começando mais uma semana de muita leitura. Como prometido, o capítulo três esta disponível para leitura.
Não esqueçam de deixar seu comentários sobre o capítulo e sobre o que estão achando da história até agora. Logo mais trago para vocês o capítulo quatro ainda hoje.

Boa leitura!

CAPÍTULO 3:
O PIOR DO PIOR

                

Retornei imediatamente para o hospital, Leonel estava me carregando nos braços, enquanto minha mãe estava em prantos. Eu nem sei mais o que pensar, o que poderia ter dado de errado, eu estava bem, já havia andado antes, mas agora eu não tinha forças, abraçada ao pescoço de Leonel, ele tinha um cheiro bom, o que me confortava, porque de uma coisa eu tinha certeza, assim que voltasse para o quarto, eu desabaria. 

Logo fui enviada a fazer novos exames, e teria que ficar mais uma noite no hospital, essa noticia não me animou, já contava poder voltar a minha rotina, poder ver minha amiga Minerva, e por falar nela, que saudades eu estou dela, estranho ela não ter vindo me visitar, bem, depois eu vejo isso, a questão agora era eu me recuperar, procurar logo a causa desse problema que me atingiu e voltar a minha vida. 


Dizem que Deus traça um caminho ao qual devemos aceitá-lo, mas eu não quero aceitar o meu, após duas horas de baterias de exames e eu novamente travada em cima daquela cama de hospital o doutor Fredy, entrou no meu quarto acompanhado da minha mãe, que claro, estava com os olhos inchados, eu percebo que não receberei boas noticias: 

- Ola Elise como se sente? 

Eu apenas assentiu positivamente, era uma pergunta idiota a se fazer, eu queria logo uma resposta, e esse médico vem e me pergunta como estou? Queria ver ele aqui sentando numa cama de hospital, bom ao menos guardei meus pensamentos, senão acho que seria taxada de louca: 

- O que eu tenho doutor? 

- Seus exames dizem que você esta tão bem quanto nós todos aqui. 

Se eu não queria ser taxada de louca, bem não consegui, gargalhei na frase do médico, como eu poderia estar bem se estava entravada e não conseguia mexer as minhas pernas: 

- Doutor, que eu saiba quando entrei no hospital eu sabia andar. 

- E que eu saiba você chegou ao hospital depois ter sido atropelada e inconsciente então não poderíamos saber se você podia andar ou não. 

Aquilo foi ríspido demais, mas eu mereci vai, sou uma pessoa centrada, e tenho noção de quando sou inconveniente e fui agora, o que fiz apenas foi me calar, e terminar de escutar tudo o que o doutor Fredy tinha para dizer: 

- Bem, supondo que você andava antes de chegar aqui, mas agora esta com certas dificuldades para se locomover, mas seu corpo esta intacto, partimos então para um estado de choque mental, acredito eu que o seu subconsciente esta se negando a deixa-la andar. 

- Mas por que meu subconsciente faria isso? 

- Geralmente pessoas que sofrem certos acidentes tendem a ficar traumatizadas, mesmo que não percebam, tudo começa com uma pequena amnésia, que é o que você tem, por que justamente o motivo que te levou a sofre o acidente você não lembra. 

- E o que posso fazer doutor para poder voltar a andar? 

- Não temos um remédio ou tratamento para isso Elise, infelizmente sua melhora só depende de você. 

Ótimo, eu realmente era uma invalida taxada de louca, já não tinha coisas o suficiente para me preocupar, minha empresa esta nas mãos do meu irmão, não vejo minha melhor amiga há séculos, meu namorado também, o que me falta acontecer? 

- Elise, estou te recomendando fisioterapia e consultas semanais com um psiquiatra. 

Melhor eu calar meus pensamentos por hora, antes que o doutor Fredy solte mais uma noticia arrasadora. 


Caio e Caíque vieram me visitar, fiquei contente em ver meus irmãos oportunistas, fazia tempo que não os via e sentia a falta de cada um deles, o que me fez recordar de algo muito importante sobre eles: 

- Irmã eu queria te perdi uma coisa. – Obvio, mesmo no meu atual estado Caio sempre tinha algo a pedir. 

- Pedir você até pode, mas se vou atender já é outra coisa. 

- Eu vi um novo jogo de videogame que todo mundo já esta jogando, e eu não posso ficar por fora né, então queria pedir esse novo jogo para você. 

Reviro os olhos ao ouvir aquilo, será que meus irmãos olham para mim e veem cifrões? Ao menos minha mãe percebe a minha indignação e repreende Caio: 

- Isso é lá horas para se pedir isso garoto? Sua irmã esta hospitalizada ainda, deixe de atormenta-la com tais pedidos. 

- Mas mãe é apenas um jogo novo... 

- Caio, por que você não cresce um pouco hein? Não vê que Elise ainda esta mal? 

Caíque às vezes era gentil só não sabia usar as palavras direitos, mas esse era o jeito dele, apesar de tudo era bom ver meus irmãos e a minha mãe, me senti até emocionada por um momento: 

- Elise eu vim aqui também em relação à empresa. – Meu momento de felicidade tinha que acabar com as palavras de Caíque. 

- O que houve? 

- Por enquanto nada, mas nesses dois dias em que você esteve fora, eu tive que aplicar duas justas causa a duas funcionarias da empresa. 

- Justa causa? Mas por quê? 

- Sabe o comercial da concessionária de carros Magnus? 

- Sei, havíamos já escolhidos as modelos que iriam posar ao lado do carro e o próprio dono, o Sr. Geraldo faria o comercial ao lado delas. 

- Sim, só que esse velho tarado deu em cima das duas modelos, foi um barraco daqueles, e infelizmente você sabe da política da empresa, nada de brigas em comerciais então tive que demiti-las. 

- Tenho até medo disso, até ai eu acho que apenas demiti-las seria o mais sensato. 

- Bem achei que a justa causa seria o ideal. 

- Pensou errado, e o que as duas modelos fizeram? 

- Processaram a empresa! 

- Ai Caíque... Ta vendo o que deu a sua atitude... 

- Mas eu segui as normas da empresa... 

- Onde estava escrito que brigas na empresa geram justa causa? 

- Na legislação trabalhista é bem claro sobre isso... 

- MAS EU NÃO QUERO ISSO NA MINHA EMPRESA. 

Senti que estava à beira da loucura, tudo estava ruindo ao meu redor, invalida, com processos trabalhistas, sem minha amiga e meu namorado, gostaria muito de saber onde eles estão nesse momento tão difícil da minha vida. 


Apesar do meu mau súbito, minha alta foi agendada para o outro dia pela manhã, sairei daqui rumo a minha vida antiga, ou melhor, a uma nova vida, minha mãe havia conseguido uma cadeira de rodas para que eu pudesse me locomover em casa, e também já havia marcado sessão de fisioterapia para amanha de tarde. 

Bom pelo menos eu iria voltar para casa e assim poderia ao menos tratar dos assuntos da empresa com maior comodidade, mas ainda estou imersa nos meus problemas, literalmente aquele não foi um bom dia, eu fecho os olhos e logo sinto alguém me tocar: 

- Elise? – Era o Leonel. 

- O que foi desta vez? 

- Pelo visto alguém anda mais ríspida do que o normal, vim apenas pergunta se precisa de mais alguma coisa? 

- Me desculpa, mas é que ainda não acredito que tanta coisa aconteceu comigo, tudo em um único dia. 

- Eu posso imaginar como é isso, bem meu plantão acabou, não estarei aqui amanhã pois é a minha folga, então não irei mais vê-la. 

Aquilo doeu em mim, saber que não irei mais ver Leonel me deixou triste, apesar do pouco tempo eu sabia que ele era uma pessoa atenciosa, sempre esteve ao meu lado, me pegou no colo quando cai, foi tão caloroso aquele gesto, o que me restou então foi lhe estender a mão sorrindo: 

- Foi um prazer de conhecer, e de todo o meu coração desejo não encontra-lo mais. 

- Sou tão ruim assim para você não querer me ver? 

- Seu bobo, você sabe que estou falando de não querer vê-lo aqui, eu nesse estado. 

- Então você gostaria de me ver lá fora? 

Aquilo me pegou de surpresa, Leonel estava me passando uma cantada? Ah fala sério, e eu estou corando ainda, mas é quando uma mulher abre a porta e diz: 

- Leon vamos? 

- Vamos... Kely eu quero te apresentar a Elise, ela é a paciente que te falei mais cedo. 

- Ah... Então você que é a famosa Elise que meu lindo namorado está cuidando... Muito prazer. 

Eu fico paralisada, como fui idiota de pensar que Leonel estaria interessada em mim, tudo bem que sou linda, mas bonita que essa tal de Kely, de todas as situações que vivenciei hoje essa foi a pior delas, eu tinha quase certeza de que Leonel estava interessado em mim, mas me enganei e pior do que ser fraca era eu me sentir enganada. 

Forcei o melhor dos sorrisos para a moça tentando esconder a minha revoltada, mas Leonel percebeu o quanto eu fiquei abalada, e tocou nos ombros e Kely de uma forma tão carinhosa que me senti mal: 

- Melhor deixa-la descansar, bem até um dia Elise. 

O casal sai do quarto e eu finalmente posso desabar, triste e solitária.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 2

Assim como prometido, esta ai o capítulo 2 para vocês. Boa leitura a todos, não esqueçam de deixar a sua opinião depois.
Lembrete: Aos finais de semana não terá publicação do capítulo, mas na segunda eu irei postar dois capítulos para compensar os dias que ficaram sem leitura.


CAPÍTULO 2:
PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

                

Nunca pensei que a bolsa da minha mãe pudesse ter tantas coisas, ela carregava um verdadeiro kit de maquiagem completo, com algodão e tudo mais, acho que o medo de deixar sua idade aparentar a incomodava. 

Fora isso eu tenho que admitir, minha mãe sabe como se maquiar e também como maquiar os outros, depois de meia hora paralisada e com o troca-troca de produtos, minha mãe me entrega um espelho e fico admirada com a perfeição em que estava a minha pele, eu estava linda, apesar de meus cabelos não estarem na melhor forma, mas ainda sim estou linda, o toque do batom rosado foi delicado e perfeito, a maquiagem escondeu até um sinal de nascença.

Enquanto eu me admirava nem notei que Leonel havia entrado no quarto, só me dei conta de sua presença quanto ele assoviou ao me ver:

- Acho que entrei no quarto errado hein?

- Seu bobo. – Respondi totalmente sem graça.

- Diga meu rapaz, minha filha não ficou uma princesa?

- Ela já era uma princesa senhora...

- Ah por favor, me chame de Luluzinha, ou você acha que tenho cara de uma senhora?

Ah pelo amor né, minha mãe as vezes se acha a adolescente, principalmente quando ela faz a pose fatal dela, jogando os cabelos lisos para traz e se empinando toda. Ainda bem que Leonel tem bom humor porque acabou rindo daquilo, talvez essa fosse a melhor reação, pois comigo acho que teria dito a verdade:

- Mãe se comporte por favor.

- Mas Elise, eu tenho cara de senhora? – Minha mãe parecia chocada por não ter ouvido a resposta que tanto queria de Leonel.

- Não parece não, mas aqui no hospital temos que tratar todos com o máximo respeito possível.

Além de lindo era educado, ah... Que pena ele ser apenas um enfermeiro:

- A que devo a honra de sua visita no meu quarto Leonel, o médico já veio e disse que logo receberei alta.

- Exato, eu vim aqui para lhe ajudar com as suas coisas, a sua alta já esta assinada.

Eu até ficaria feliz com essa noticia, mas o fato de não ver mais Leonel me afligiu, não sei porque estou pensando isso, afinal essa foi a primeira vez que o vejo. Devo me concentrar na minha recuperação primeiro, e também não sou mais adolescente para ficar aos suspiros toda vez que ver um homem bonito, sou uma mulher de vinte sete anos, bem sucedida, não posso me rebaixar assim.

Engraçado a palavra rebaixar me traz um pouco de lembranças, mas nada muito agradável, acho que tem haver com o meu motivo de ter parado aqui no hospital. Infelizmente o esforço de tentar me recorda me fez lembrar de que não comi nada nutritivo e senti uma tontura, agradeci que Leonel estava ao lado da minha cama, pois eu tombei justamente para o seu lado e ele me amparou:

- Elise esta tudo bem?

- Sim, só... Estou faminta.

- Claro, vou pedir para a cozinha lhe providenciar algo leve para comer.

- Por favor, quero apenas frutas, pois sigo uma dieta balanceada e como não sei do preparo da comida daqui, não quero arriscar burlar o meu regime.

- Tudo bem Elise, mas se me permite dizer, você não precisa de regime algum, você já é tão linda, que acho que não tem como melhorar.

Fiquei muda por dois motivos, primeiro pelo super elogio de Leonel e segundo por que minha mãe fez o favor de soltar um alto e sonoro HUUUUUUUUUUUUUUUUUMMM... Mas pelo menos ele havia saído do quarto o que me deixou a vontade para me recompor da cena, já minha mãe fez questão de comentar:

- Alguém ficou balançada com o elogio do enfermeiro foi?

- Mãe, ele é um enfermeiro, onde já se viu isso, uma mulher da minha classe com uma pessoa igual a ele.

- Elise você julga muito fácil às pessoas, é por isso que seu relacionamento com Antony esta indo de mal a pior, ele pode ter status, mas é um nojo de pessoa.

Ao ouvir o nome do meu namorado Antony tive uma sensação desagradável, ele não veio me visitar, presumo eu, espero que ele tenha um bom motivo para não ter vindo me ver:

- Mãe me poupe dos seus sermões esta bem.

- Não tá mais aqui quem falou... Eu vou dar uma saidinha, também preciso me alimentar, tudo bem se ficar só por alguns minutos?

- Tudo bem sim mãe, vai lá comer senão será a senhora a cair aqui.

- Se o enfermeiro bonitão me segurar também eu caio a cada cinco minutos.

Reviro os olhos para não discutir, ter uma mãe adolescente não é fácil.

-

Não demorou muito e eu recebi minha alta, o próprio Leonel veio me dar a noticia e me dizer para preparar as minhas coisas. Obvio que fiquei radiante, voltar a minha vida normal era o que eu mais queria, e também ainda estou curiosa para saber o que deu em mim há dias atrás. 

Minha mãe me ajudou com os meus pertences, claro que foram poucas coisas que tinha talvez menos que uma bolsa, afinal o que eu levaria de um hospital? O que só me desagradou foi quando disseram que meu celular foi jogado fora, isso me deixou louca, bom fazendo minhas nota mentais já adicionei comprar um celular o mais rápido possível. Já trocada e pronta para ir, eu tive que sair empurrada por uma cadeira de rodas, Leonel me disse que era um protocolo do hospital, odeio esses protocolos bestas.

Logo senti o doce ar da liberdade, o cheiro de vida lá fora me animou, e assim que cruzamos a porta pude sentir ainda mais o quanto era bom estar viva. 



Um taxi nos aguardava do lado de fora do hospital, minha mãe fez questão de abrir a porta para mim e Leonel se aproximou dizendo querer me colocar dentro do taxi, obvio que neguei, afinal eu já estava boa, e poderia andar normalmente, me levantei da cadeira, simplesmente dei três passos e cai. Algo estava errado, minhas pernas não me obedeciam, eu podia senti-las, mas a força não vinha até elas, minha mãe correu para me amparar aos prantos, enquanto eu continuava em choque, o que estava acontecendo comigo?