Boa leitura a todos!
CAPÍTULO 20:
CAINDO NUMA ARMADILHA
Joice e eu fomos para a varanda da casa, enquanto minha irmã e o senhor Igor brindavam pela milésima vez com uma bebida chamada Hidromel, uma bebida alcoólica típica grega/romana. Deu para notar o quanto eles estavam alterados. Na varanda pude respirar melhor, toda essa confusão de data e brindes estava me sufocando:
- Um pouco de ar faz bem né.
- E como faz... Como você esta se sentido Joice?
- Um pouco enjoada e com muito sono, o doutor Lucas disse que é normal nesse primeiro trimestre sentir isso.
- Esta se alimentando direito?
- Estou, não se preocupe com isso meu bampás faz questão que eu me alimente direito.
- Bem eu até imagino o quanto ele deve estar zelando por você.
- E como está viu... Até meu irmão Lio esta ajudando com isso.
- Não conheço seu irmão?
- Ah conhece sim, ele que te levou para o banheiro no dia do nosso jantar de noivado.
Me lembrei de um jovem me chamado de adelfós, então ele era meu cunhado, puxa quem diria que Joice teria um irmão, e eu nem me lembrei desse detalhe:
- E onde esta seu irmão agora?
- Ele esta trabalhando, ele é dono de uma concessionária de carros.
- Puxa vida, que legal hein... Tomara que ele não fique decepcionado comigo.
- O Lio é igual ao meu pai, aposto que ele vai gostar de você.
Já imaginei eu sendo sacudido duas vezes num só dia ao saudar meu sogro e meu cunhado, acho que isso não seria nada legal, voltei a olhar para a paisagem, o céu estava começando a ficar alaranjado, a vista dali era uma das mais belas que já vi:
- A vista daqui é bonita.
- Eu sei, quando começo a ficar turbulenta eu sempre venho pra cá.
- E você esta sentido isso hoje?
- Não tem como não me sentir assim, viu a confusão toda por causa de uma data de casamento.
- Eu sei, nunca pensei em passar por isso antes.
Ficamos em silencio, mas desta vez eu admirava a beleza de Joice atrelada ao entardecer, ela percebeu meu olhar e voltou sua atenção para o céu:
- Você quer mesmo fazer isso?
- Por que esta me perguntando isso agora?
- Por que eu não quero que você se sinta obrigado a nada.
- Eu já te falei que vou fazer isso por que eu quero... Bem a não ser que você... Não queira.
- Mas eu quero!
A resposta foi tão imediata e direta que Joice chegou a ficar sem graça, eu me aproximei dela, e segurei sua mão direita enquanto eu depositava a outra sobre a sua barriga que já estava bem rígida:
- Eu sei que esse filho, ou filha esta ai da maneira errada, mas o que eu ando sentido por você já é algo muito forte e real...
- Fabrício...
- Escute Joice, por favor, eu não quero mais mentir sobre o que sinto, não quero mais fugir, eu prometi que vou te provar ser o homem decente que sempre fui, mas eu também tenho algo a mais para te provar.
- Tem algo a mais? O que seria esse a mais?
- Que todos os dias eu penso em você, que eu durmo pensando em você, que de alguma forma eu não consigo mesmo que eu queria... Joice...
Ela me olhou, os olhos estavam brilhosos, ela sabia o que eu ia dizer, eu também sabia, ambos sentíamos o mesmo, apesar de ser tão recente, mas eu tinha certeza e não poderia mais negar:
- Joice... Eu te amo.
Ficamos mudos, eu não sabia que se ela iria dizer alguma coisa, poderia até ser um grito, mas eu estava esperando por algo, e o que veio logo em seguida, foi ela se debruçando sobre mim e beijando-me com todo o amor que ela sentia:
- Eu também te amo meu agapitós.
Nunca pensei que ouvir algo assim em grego me renovaria tanto.
-
Fomos embora, eu e a Vivis, ela estava ainda muito alterada, ou seja, bem bêbada, mas sorria bem feliz:
- Ah... Irmãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaooo você vai casar...
- Vivis, cala a boca.
Ainda bem que conseguimos um taxi logo, por que não conseguiria levar Vivis de ônibus até em casa, mas o melhor de tudo foi que Joice e eu nos declaramos, puxa vida não pensei que isso fosse acontecer, na verdade eu não esperava que nada disso acontecesse, tudo esta indo tão rápido, que eu tenho medo de ser um sonho:
- Chegamos senhor!
- Ah obrigado, tome aqui, fique com o troco!
O taxista não se queixou, mas hoje tudo era felicidade, um troco a mais não faria mal a ninguém:
- Chegamuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...
- Vivis se fecha vai.
-
Minha folga foi bem proveitosa, liguei logo cedo para Joice e marquei com ela de irmos ao shopping, eu estava querendo comprar algumas coisas para o bebê, então dei um jeito na casa, me arrumei e resolvi partir, não queria correr o risco de me atrasar, e como já estava virando rotina, assim que sai dei de cara com Tamara:
- Ola vizinho como esta?
- Estou bem e você?
- Bem também, saindo atrasado?
- Não hoje eu estou no horário.
- Mas você sempre sai mais cedo.
- Esta marcando os meus horários é?
- Não é isso, é que eu me baseio nas pessoas para saber se estou atrasada também, tipo, você sempre sai as seis, a hora que devo acordar, tem um moço que passa aqui sempre as seis e meia entregando o jornal na casa em frente, e assim vai.
- Bem detalhista você.
- Tenho que ser né.
- Bom me deixe ir que vou me encontrar com a Joice!
- Huuum... E onde o casal vai?
- Vamos dar uma volta, aproveitar meu dia de folga, até mais ta.
- Que coincidência, hoje não tenho aula, eu bem poderia ir com vocês.
Aquilo não me agradou muito, se fosse antes, eu até ficaria contente, mas depois de toda aquela cena dos dias anteriores, eu não me sentia mais confortável em sair com Tamara:
- Bem... Eu não sei, iremos ver as coisas para o bebê... Talvez seja um programa não muito atrativo para voc..
- Eu adoro ver roupas de crianças... Peraí que vou ligar para Joice, e se ela concordar eu posso muito bem ir com você.
Que bom, meu dia tinha que começar assim:
- Alô? Oi amiga, tudo bem? Sim... Então estou aqui com seu noivo e ele me falou sobre o dia de compras... A sim eu falei justamente isso... Ta bom... Ta bom... Até já. Beijos... Pronto, podemos ir!
Não tive coragem de falar nada, mas apenas fiz um movimento com a cabeça para ela ir na frente, eu não sei por que, mas acho que Tamara esta aprontando alguma coisa.
-
De pirraça eu fui de ônibus, e ainda fiz questão de sentar longe de Tamara, talvez assim ela entenda o meu descontentamento ao tê-la participando de um momento tão íntimo e pessoal como aquele. Chegamos ao shopping e por sorte Joice já estava lá:
- Nossa vocês demoraram.
- Foi o transito amiga.
- Ai Ta ainda bem que você veio, assim fico mais a vontade.
- E comigo você não se sentiria assim?
- Claro que me sentiria amor, mas é que tem coisas que só mulheres entendem.
- Esta bem vai... Eu te perdoo.
Envolvi Joice num abraço daqueles de urso e a beijei, sem me importar com a individua ali presente:
- Ai que fofos, já estão se amando?
- Talvez sempre nos amamos e não admitíamos isso.
- Jura amiga, fico feliz por ter encontrado o seu primeiro amor, mas para você Fabrício, ela deve ser o que... A sua décima?
Eu desejei poder disparar laser com os olhos e acerta a cara de Tamara, eu jamais falei sobre meus relacionamentos passados com ela e era obvio que jamais tive algo tão intenso assim como estou tendo com Joice:
- Na verdade eu só me declarei uma vez nessa vida para uma única garota.
- A é quem é essa garota senhor Fabrício?
- Ela esta na minha frente dona Joice.
Joice ficou totalmente sem graça, ela não esperava por aquilo, uma declaração verdadeira e de coração, e claro um tapa na cara de Tamara:
- Isso foi lindo, mas que tal irmos às compras.
Tamara se pôs entre eu e Joice e a arrastou para dentro do shopping, to começando a agarrar um ódio dela.
-
Paramos em quase todas as lojas de bebês, e eu me empolgava mais que Joice nas roupas e acessórios, apesar de não saber ainda qual era o sexo, eu sempre olhava para as roupas de meninos e claro ela para as roupas de meninas, por hora decidimos comprar peças unissex e sem comprometer o sexo da criança:
- Azul é unissex.
- Fabrício desde quando azul é unissex?
- Claro que é vai me dizer que você não tem nenhuma peça azul no seu guarda roupa?
- É claro que tenho.
- Então é unissex.
- Então rosa também é.
- Rosa nunca será unissex.
- Fabrício, você tem uma camiseta rosa no seu guarda roupa.
- Não tenho não.
- Tem sim toma.
Joice me jogou uma camiseta rosa com os dizeres: O pai de uma princesa.
- Desse jeito não né.
- Não deixa de ser uma camiseta.
- Ta bom vamos esquecer o azul e o rosa.
- Combinado.
- Mas verde é unissex.
Joice revirou os olhos e riu, nesse momento e olhei para Tamara, ela encarava um body infantil branco com um anjinho bordado no centro, ela apertou com força a peça e depois a largou numa das araras, uma cena estranha, muito estranha por sinal.
-
Ao fim de uma longa maratona de compras, finalmente fomos para a praça de alimentação, onde nós três nos sentamos e ficamos a escolher o que comer:
- Eu vou de salada para não perder a forma.
- Eu te acompanho amiga.
- Nada disso, a senhora vai se alimentar bem, você precisa comer algo saudável e com muitos nutrientes.
- Aaahhh meu pai encarnou em você foi?
- Claro... Minha kóri.
- Bobo... O que você vai comer?
- O mesmo que você, afinal tenho que incentivá-la a se alimentar bem.
- Muito fofo de sua parte Fabrício, bem eu vou primeiro já volto.
Tamara se levantou e seguiu para um dos restaurantes de comida vegetariana, aproveitei a deixa para conversar com Joice sobre a sua "amiga":
- Amor eu estou sentido algo estranho em relação à Tamara.
- Tipo o quê?
- Ela anda... Meio abusada.
- Mas Tamara sempre foi assim.
- Na verdade ela esta sendo mais abusada do que o normal.
- O que você esta querendo me dizer?
- Que Tamara não é tão sua amiga como parece ser.
- Ah Fabrício, eu e Tamara somos amigas há anos, eu jamais ousaria desconfiar dela.
- Eu também era amigo dela, mas hoje tenho um pé atrás com ela.
- Nossa mas ela te fez alguma coisa?
E como uma barata voadora eis que chega Tamara com seu prato de salada:
- Cheguei casal... Sobre o que falavam?
- Sobre nada.
- Huumm... Assuntos de casal ai que fofos.
- Vou pegar nosso almoço, fique aqui sentada Joice, eu já volto.
- Ta bom... Mas me traga alguma sobremesa.
- Frutas... Essa será a sua sobremesa.
Joice ficou emburrada, e antes de sair eu beijei a sua testa e segui para o restaurante, e comecei a montar os pratos. Algo me incomodava, Tamara estava muito estranha, ela parecia querer interferir no meu relacionamento com Joice. Que doida, eu jamais lhe dei motivos de pensar que eu um dia poderia ter algum tipo de relacionamento com ela nem em sonho.
Pesei os pratos e paguei, segui para a mesa e assim como fiz com Tamara elas fizeram comigo, ficaram mudas quando me aproximei:
- Huuumm falavam do que?
- Do quanto você é idiota... Eu vou embora.
Joice se levantou furiosa e eu fiquei sem entender nada:
- Mas o que houve?
- Sei lá.
Tamara estava rindo, eu sabia ela havia aprontado alguma coisa:
- Eu acerto as coisas com você depois.
Sai em disparada a tempo de entrar no elevador onde Joice estava:
- Amor o que houve?
- Agora é amor é... Por que não vai procurar outra idiota para tentar enganar.
- Posso saber primeiro do que estamos falando?
- Tamara me contou o motivo da demora de vocês, quer dizer que você ainda continua o idiota que vive dando em cima de qualquer uma que vê e justo da minha melhor amiga.
- Espera aí... De quem você esta falando? Ou melhor do quê estamos falando.
- Tamara disse que você ficou dando em cima dela na cara larga... Por isso que demorou, pegou a rota mais demorada só para tentar fazê-la cair na sua lábia... Seu idiota.
Maldita seja essa Tamara, usou minha própria arma contra mim:
- Joice isso jamais aconteceu, eu jamais faria isso.
- Ah faria sim...
Ela reacendeu a chama da desconfiança, maldição, isso não era pra acabar desse jeito:
- Meu amor... É tudo mentira daquela víbora, eu jamais faria isso com você, não sou mais aquele idiota de antes... Eu te amo de verdade.
- Pare de mentir Fabrício... Se queria me iludir para depois me destruir pois sinta-se orgulhoso porque conseguiu.
- Não... Eu não te iludi, eu não posso viver sem você... EU TE AMO JOICE.
Não sei como, mas as lágrimas começaram a cair... Maldita seja Tamara ela queria arruinar meu noivado, mas eu não permitiria. Dentro do elevador uma senhora tocou no ombro Joice e disse:
- Moça, ele esta dizendo a verdade... Veja, essas são lágrimas de um homem perdido por ver o seu verdadeiro amor ruir.
Joice me encarou, eu não sei quem era aquela senhora, mas nunca poderia ser mais grato a ela como sou agora:
- Você me magoou muito Fabrício.
- Essa magoa não deve existir, eu jamais faria essa sujeira com a mulher da minha vida.
- Jura que você está falando a verdade?
- Juro.
Nos encaramos e logo ela se jogou aos meus braços, senti a vida voltar para o meu corpo, era como renascer ao ter Joice ali comigo:
- Eu te amo Fabrício.
- Eu também te amo Joice.
Mas acabo de começar a odiar Tamara.
-
Saímos do elevador e demos de cara com a causadora da nossa discórdia, eu já estava armado até os dentes, mas o toque de Joice me acalmou, ela me olhou com ternura e eu senti toda a minha ira se dissolver:
- Ainda bem que eu os encontrei, já fizeram as pazes.
- Tamara porque mentiu para mim, pensei que eu fosse sua amiga?
- Mas eu não menti, o que deu em você Joice?
- Já se esqueceu do que me disse momentos à trás?
- Claro que não, eu te disse que no ônibus tinha um rapaz igual ao Fabrício e que ele deu em cima de mim foi isso.
Estranho, ela não sentou ao lado de nenhum homem, mas se ela disse isso pode ser que tenha enfatizado o trecho Fabrício deu em cima de mim, da muito bem para enganar quem esta escutando assim:
- Nossa, desculpa, eu ouvi você dizer que o Fabrício deu em cima de você.
- Ele não é louco.
As duas riram, mas eu ainda não acreditei num só palavra de Tamara, depois de hoje eu definitivamente não confiaria mais nela, só espero poder abrir os olhos de Joice também, antes que alguma tragédia aconteça.
- Bem acho que podemos ir né.
- Claro amiga rola uma carona?
- Joice eu posso ir para sua casa? Quero ficar mais um tempo ao seu lado.
- Claro amor, mas eu vou levar Tamara em casa, não quer aproveitar para descansar também.
- Meu descanso é estar ao seu lado, só quero aproveitar o resto da minha folga com você.
- Ai que fofo, mas eu não dispenso a carona viu, vamos casal.
Segurei bem forte a mão de Joice, e não escondi a minha careta, era bom deixar bem claro que éramos um casal, Joice e eu, não um trio.
Ao menos eu poderei passar mais um tempo com a minha amada noiva, isso era o que me aliviada o coração.
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