Bora ler então?
Capítulo dezesseis no ar!
Boa leitura!
CAPÍTULO 16:
SE-DIKAÍOU E GAMPRÓS
Quando acordei eu ainda estava chateado com o ocorrido da noite anterior, poxa vida eu pensei que depois de tudo o que aconteceu estava mais que claro o quanto eu estava disposto a ficar com Joice, e não era por interesse. Tudo bem que era pelo bem do bebê, mas ainda sim, eu me dispus a fazer parte de toda uma farsa que no fim se tornou verdade... Droga, eu estava noivo.
Me levantei e fui tomar um banho, eu precisava colocar tudo isso na minha cabeça, e também deveria contar a Vivis todo o ocorrido, já estou até ouvindo o sermão e claro a famosa frase: "Eu te avisei".
-
Sai de casa cedo e fui para casa da minha irmã, era obvio que Vivis já me esperava:
- Me conte todos os detalhes de ontem.
- Bom dia para você também Vivis, ah e eu estou ótimo também obrigado por perguntar.
- Eita... Ta mal humorado?
- Na verdade estou chateado.
- O que houve? Tem haver com o jantar de ontem.
- Sim... Bem não, não em específico no jantar.
- Me conte o que houve então, quer chocolate quente?
- Adoraria.
Enquanto Vivis colocava minha bebida na caneca de vidro eu fui relatando os detalhes do jantar, e claro ela riu muito quando falei que eles eram uma família grega:
- Eles quebraram os pratos?
- Uma dúzia deles.
- Eu adoraria ver isso.
- Acho que você logo verá isso.
- Não entendi Fabrício.
Levantei a mão direita e mostrei a aliança reluzente no meu dedo anelar:
- Estou noivo.
O riso foi alto e estrondoso, tanto que Vivis se esbarrou na mesa e derrubou todo o chocolate quente, depois rolou pelo chão e ficou se retorcendo de tanto rir:
- Isso... Só... Pode... Ser... Piada.
- Não Vivis, eu estou noivo de Joice e não tem nada de engraçado.
- Eu queria muito ter visto a sua cara... Eu te avisei não avisei.
- Avisoooou.
- E pra quando é o casório?
- Vivis não começa vai.
- Estou falando sério!
- Eu sei lá, só sei que fui lá para falar sobre a gravidez não planejada e saiu de lá noivo e com uma família de gregos gigantescas que se sacodem a qualquer notícia, você tem noção do quando me sacudiram?
- Não faço ideia... Mas e vocês falaram sobre a gestação?
- Sim dai foi outra farra e o senhor Igor subiu no sofá, me levou junto e anunciou que eu deveria me mudar para lá naquele exato momento.
A expressão de Vivis mudou drasticamente, ela estava em choque e perplexa:
- E o que você disse?
- Rejeitei, foi ai que as coisas começaram a desandar, quando estava indo embora Joice chegou a insinuar que eu consegui o que queria, tipo dar o golpe nela.
- Quem essa garota pensa que é para falar de você assim?
- Fiquei tão chateado que vim e pedi para ela se desculpar com o pai dela, mas eu não iria morar lá, e que muito menos ia largar minha vida atual para morar um apartamento de quase cem metros quadrados.
- Falou tu... Cem metros... Podemos reconsiderar isso.
- Viviiiis.
- Ta bom... Ta bom... E o que ela falou?
- Não dei tempo para ela responder, pois eu vim para casa e a deixei lá... Sabe eu to fazendo o melhor e ainda sim sou criticado, eu sei que mereço isso porque fui um idiota, mas não é notável minha mudança?
- Fabrício não se menospreze assim, ela vai entender o quanto você é especial, e até acho que ela fez isso como um teste.
- Um teste?
- Claro... Pense se você aceitasse logo de cara a proposta do pai dela, isso deixaria bem claro que você é um interesseiro, mas como não fez...
- Não sei não Vivis... Mas eu sei que jamais deixarei minha casa, e também não vou me vender assim, prometi ajuda-la e vou cumprir meu papel.
- Você já esta cumprindo o seu papel meu irmão... Bem já esta ficando tarde, hoje você vai trabalhar?
- Sim tenho outra festa para fazermos, tenho que animar aquelas crianças como nunca.
- Você sempre faz isso Fabrício... Aposto que o pai esta feliz por você esta trazendo o riso as pessoas assim como ele fez um dia.
Abracei minha irmã e foi como sentir que, mesmo com o meu mundo de pernas para ar, eu poderia sempre contar com ela:
- Obrigado Vivis por me ouvir.
- Agora vá seu futuro grego.
- Você gostou da ideia desse casamento né.
- Eu adorei... E vou quebrar vários pratos no dia viu.
Essa Vivis não tem jeito viu.
-
Apesar de não estar mais tão chateado com Joice, eu não a procurei nos dias que se passaram, eu envia mensagens de textos perguntando como ela estava e recebia sempre a mesma resposta: " Você ainda esta chateado comigo?"
Mas eu não respondia, não queria dar esse gostinho a ela. Nisso havia se passado duas semanas já, as poucas notícias que recebi vieram de Edson que passou a ser meu informante, já que também passei a evitar Tamara e qualquer outra das meninas. Através dele que soube da primeira consulta de Joice ao obstetra:
- Vai ser hoje meu camarada.
- Hoje... Que horas?
- Acho que vai ser lá pra quatro da tarde.
- Puxa eu queria muito ir.
- E porque não vai?
- Ah Edson, eu ainda não a perdoei pelo que disse, não sou interesseiro, jamais pensei me aproveitar dessa situação.
- Eu sei meu camarada, bom eu vou te mandar o endereço do consultório por mensagem de texto, dai você decide se vai ou não.
- Valeu Edson, bem vou voltar a trabalhar agora, eu te ligo depois.
- Vai lá meu Brother... Até mais.
Desliguei o celular e voltei a me maquiar, logo mais eu teria que ser o palhaço Astro Rei e não poderia deixar transparecer uma gota de preocupação no meu rosto.
-
O buffet estava todo decorado e o salão cheio, eu fiz minha entrada e joguei confetes ao ar, os aplausos vieram ao me por em pé. Olhei para cada uma das crianças ali sentadas, e seus pequenos olhos brilhavam ao ver o palhaço, logo iniciei meu número de cambalhotas seguidos das flores espirradoras de água, as gargalhadas surgiram, eu fiquei tão feliz em ouvir aqueles risos, que nem percebi que ao fundo de todas as mesas, um senhor de cabeços brancos e com um forte pulmão gargalhava também, e para meu espanto eu reconheci aquele riso forte:
- Senhor Igor?
- GAMPRÓS...
Isso não estava acontecendo... Não mesmo.
-
Eu não consegui me concentrar em mais nada, foi difícil ter que dar o meu melhor com um senhor de idade gritando aos berros toda hora que eu dava uma cambalhota:
- Vai lá Gamprós.
Acho que o pessoal estava mais rindo dele do que da minha encenação. Te garanto que as duas horas da qual eu tive que realizar o meu trabalho foram intermináveis, mas eu consegui fazer com que todos se animassem:
- Hora de me despedir crianças... Então lembre-se que todo palhaço...
- NUNCA DEIXA DE SORRIR.
Essa era a minha parte favorita, o que só estragou foi o senhor Igor que bateu palmas tão forte e ficou rugindo ao fundo:
- Esse é o meu Gamprós.
Sai pelas coxias e já dei de cara com Luis que estava chorando de tanto rir:
- Do que esta rindo?
- Daquele senhor que fica gritando a todo momento a palavra grampos.
- Aquele senhor ali é um rico consulado e não é grampos que ele esta falando é gamprós.
- E o que significa isso?
- Genro em grego.
- Eita... Desde quando você entende de grego.
- Desde quando aquele senhor se tornou meu sogro... Agora me da licença que eu tenho que descobrir o que ele esta fazendo aqui.
Luis ficou boquiaberto, por que todos tinham aquela reação quando eu falava do senhor Igor? Era pelo fato dele ser grego ou ser consulado internacionalmente famoso? Melhor eu ficar sem a resposta, apesar de já saber.
-
Fui para o vestuário do buffet e comecei a tirar a maquiagem, quando o senhor Igor entrou sorrindo e me abraçou fortemente:
- Gamprós... Que saudades de você.
- Senhor Igor? Como... O que o senhor faz aqui?
- Ah um rapaz muito educado me disse onde você estava.
Aposto que isso tem o dedo do Luis, esse me chefe me paga:
- Senhor Igor, eu não estou trajado adequadamente para receber o senhor... E como o senhor me achou?
- O dono dessa festa é um grande amigo meu de negócios gamprós e você esta ótimo assim.
- Eu estou usando uma roupa de palhaço.
- Eu amo palhaços.
Olhei desconfiado para ele, desde quando gregos gostavam de palhaços?
- Vou fingir que acredito senhor Igor.
- Me chame de Se-dikaíou, afinal logo seremos familiares próximos... Aproveitando porque ainda não se mudou gamprós? Eu estava a sua espera.
- Tive... Um contra tempo.
Como é que eu iria dizer que não ia morar na casa dele porque não sou interesseiro? Acho que deveria ser direto e falar abertamente:
- Gamprós, você é um ótimo palhaço, mas mente muito mal sabia.
- Porque esta dizendo isso senhor Igor?
- Depois que você saiu eu conversei com a minha kóri.
- Conversou com a Joice? O que tem demais nisso?
- Falamos sobre você meu querido gamprós.
Daaah... Óbvio né:
- E sobre o que falaram?
- Ela me contou que discutiram... Gamprós casal discutem sempre, mas sempre cabe a um ceder para um convívio saudável e honesto.
Honesto essa era a única coisa da qual nem eu nem Joice estávamos sendo com ele:
- Senhor Igor... Não foi bem uma discussão, mas eu não posso aceitar a sua oferta de morar com vocês e nem de me casar com a sua kóri.
- Mas por que gamprós?
- Por que eu fui um idiota com ela, não dei o valor que ela merecia, e muito menos posso dar a ela a vida que ela tem atualmente, como o senhor ver eu sou um palhaço, não tenho riquezas e pago aluguel, o que eu posso oferecer a sua filha?
- Meu gamprós eu nunca me engano sobre uma pessoa, e eu não me enganei sobre você.
- O que o senhor esta querendo dizer com isso?
- Gamprós você gosta da minha filha não gosta?
Fiquei paralisado, de onde ele tirou aquilo? Joice realmente era linda, mas eu não gostava dela, mesmo ela tendo os cabelos longos e sedosos, com perfume de flores silvestres e um sorriso cativante... Ai caramba porque estou pensando dessa forma?
- Senhor Igor... Eu machuquei os sentimentos da sua filha.
- Mas esta tentando conserta esse erro não é?
Caramba como é que ele sabe disso tudo?
- Estou tentando, mas acho que jamais poderei reparar esse erro.
- Gamprós só de pensar assim você já conquistou o coração da minha kóri.
- Mas senhor Igor, infelizmente eu não posso dar o melhor para ela.
- Ah pode sim gamprós, a sua sinceridade já a conquistou, o seu jeito de lidar com ela, o seu apoio, a sua vontade de querer encarar aquela família louca de gregos... Tudo isso demonstra o quanto você é especial.
- O senhor disse família louca?
O senhor Igor gargalhou estrondosamente, mas eu não pude deixar de frisar esse comentário:
- Você quer fazer parte dessa família meu querido gamprós?
- O que um palhaço pode oferecer a sua família senhor Igor?
- Hoje eu aprendi uma frase que vou carregá-la comigo sempre, sabe qual é?
- Não faço a menor ideia.
- Todo palhaço nunca deixa de sorrir.
A frase do meu pai, essa era a minha filosofia de vida, nunca deixar de rir, ouvi-la me fez sorrir. O senhor Igor me segurou pelos ombros e olhou me profundamente nos olhos:
- Minha Kóri não busca alguém rico, mas alguém que a faça feliz, e você faz isso a ela.
- Mas eu... Sou pobre.
- Mas rico de alegria, e contagia a todos gamprós, reconsidere a minha oferta, venha morar comigo e faça parte da nossa família.
- Senhor Igor...
- Não responda agora, e vamos que estamos atrasados.
- Atrasados?
- A consulta da minha kóri, ou você não vai?
Esse senhor Igor é uma figura, olha-lo me fez lembrar do meu pai, que saudades do meu velho:
- Eu vou sim senhor... Quero dizer Se-dikaíou.
- OH GAMPRÓOOOS.
Senhor Igor me abraçou, me jogou de ambos os lados e depois me largou, apesar de zonzo eu estava feliz, talvez ele estivesse certo sobre mim.
-
Chegamos ao consultório e lá estava a mãe de Joice e a Joice é claro:
- Oh agapitós você o trouxe?
- Sim minha doce gynaíka... E você minha kóri como esta?
- Estou bem bampás... Ola Fabrício.
- Oi Joice, como esta se sentido?
- Bem, ontem tive muitos enjoos, mas to bem?
- Eu li que no começo é assim mesmo, vamos ver o que o médico vai dizer sobre isso ta bom.
Fiquei de frente para Joice, puxa ela estava linda, acho que a gravidez a deixou mais reluzente:
- Você sabia que o gamprós é um ótimo palhaço.
- Bampás...
- É verdade kóri...
- Não se preocupe Joice, seu pai assistiu a todo o meu show hoje.
- Sério?
- Sim, ele estava mais animado que as crianças.
- HA HA HA HA... Esse é meu gamprós, te falei kóri que ele era o homem perfeito para você.
Joice corou, acho que ela não esperava por aquilo, nem eu, mas senti que poderíamos sim ser um casal, e quem sabe um casal igual ao meu sogro:
- Vamos entrar então gente, afinal se atrasar por ficar aqui na frente do consultório não seria muito legal né.
Todos riram da minha pior piada, mas acho que riram mesmo por estarem felizes, Joice segurou a minha mão e balbuciou a palavra OBRIGADA, na verdade eu que deveria agradecê-la pelo que esta acontecendo na minha vida hoje:
- Gamprós será que já vamos descobrir o sexo hoje?
- Claro que não Se-dekaíou, ainda é muito cedo.
Acho que posso me acostumar a falar grego, estou até gostando.
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