quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E CINCO

Bom dia leitores assíduos, um pouco mais tarde hoje, mas finalmente eu trago para vocês o capítulo vinte e cinco.

Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 25:
O GRANDE DIA

                

- Seus sacanas, vocês armaram para nós né.

- Ah meu camarada, eu não posso ver um amigo sofrendo, e eu sabia que você estava numa pior e a Su também ficou sabendo da situação da Joice, então demos uma mãozinha.

- Olha Edson eu só tenho que agradecer, vocês salvaram as nossas vidas.

- Salvaram mesmo, mas eu ainda to chocada, como a Tamara foi capaz de fazer aquilo, gente eu pensei que ela fosse nossa amiga.

- Joice é que você sempre foi muito inocente, eu já havia percebido isso, por isso sempre mantive distancia, mas pelo menos desse mau vocês não irão sofrer mais.

- Eu queria aproveitar à deixa para fazer um pedido a vocês meus amigos?

- Que pedido Fabrício?

- Quero que eles sejam os meus padrinhos Joice.

- Fabrício infelizmente isso não será possível.

- E por quê?

- Um casamento típico grego, são os amigos que escolhem os padrinhos, para incentivar a comunhão com os demais.

- Mentira?

- É verdade Fabrício, acho que você deveria ler um pouco mais sobre as tradições da sua futura família.

- Tenho que ler mesmo Su, por que disso eu não sabia...

- Mas pode ficar sossegado, eu me encarrego de escolher bons padrinhos para vocês...

Edson me uma chave de braço, e fez um cafuné na minha cabeça:

- Mesmo assim fico feliz em saber que você me chamou para ser o seu padrinho.

- Eu que fico feliz por saber que sempre vou poder contar com o apoio de vocês.

Era bom mesmo saber que Edson e Suzana estavam do nosso lado, fazia com que eu relembrasse da verdadeira amizade, o mundo não estava verdadeiramente perdido, não enquanto existir pessoas como eles:

- Puxa vida, olha a hora, eu tenho que ir embora já.

- Eu vou com você Joice, não quero desgrudar de você nem por um segundo.

- Que lindo amor... Então vamos, aposto que meu bampás vai ficar muito feliz ao revê-lo novamente.

- Tenho até medo de ver o seu pai novamente.

- Por que Fabrício?

- Porque ele vai me sacudir tanto que acho que desta fez eu parto para o outro mundo.

Os três começaram a rir da piada, mas no fundo eu temia mesmo pelas sacudidas do meu se-dikaíou, bom melhor receber umas sacudidas do que ficar vazio por dentro.

-

- GAMPRÓOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOS... QUE SAUDADES...

A reação do senhor Igor já era esperada, ele me abraçou, me sacudiu, voltou a me abraçar, ligou para toda a família, me sacudiu mais um pouco, pegou duas taças com hidromel, fez um brinde, voltou a me sacudir, colocou uma musica grega e começou a dançar comigo abraçado. Posso dizer que essa era uma reação esperada já:

- Senhor Igor, eu preciso me sentar, estou começando a ficar tonto.

- Que isso gamprós, temos que comemorar, vou chamar a família toda...

- NÂO...

Por Deus, esse homem não pode ter uma crise de felicidade sem ter que chamar toda a família?

- Agapitós deixe nosso gamprós respirar um pouco, senão ele vai desaparecer novamente.

- Não diga isso nem em sonho gynaíka.

- Isso eu posso garantir, mesmo com todas essas sacudidas nada irá me afastar de Joice.

- Esse é meu gamprós... MUUUUUUUUUUUUUUUUSICAAAAAAAAAAA...

Sabe aquele ditado, já que não pode com eles se juntem a eles, bem ele se aplica agora, então eu cai na dança também junto com o senhor Igor, o bom foi que ao menos já teria uma nova dança para fazer na próxima aparição do Astro Rei.

-

Após toda a comemoração, Joice e eu seguimos para a varanda, já estava escurecendo, as primeiras estrelas já começavam a aparecer. Eu envolvia Joice num abraço bem apertado, enquanto olhávamos para a cidade:

- Estou tão feliz que esteja aqui comigo.

- Eu também meu amor... Eu não quero me afastar mais de você lua da minha vida.

- Eu não vou deixar mais isso acontecer.

- Posso te fazer uma pergunta?

- Todas que quiser.

- O que te fez mudar de opinião, sobre aquele ocorrido?

- Sabe depois que você saiu, meus pais tentaram me persuadir a falar com você, mas eu estava chocada demais, não conseguia absorver tudo o que aconteceu, e depois de um tempo eu finalmente entendi o seu lado, vi que não foi culpa sua, mas não sabia se teria o seu perdão.

- Você não precisava do meu perdão.

- Ah precisava sim, eu te julguei num momento do qual você apenas queria a compreensão, eu fui mimada, infantil, mesquinha...

- Para Joice, não se insulte mais, isso só me faz ficar pior.

- Por que Fabrício?

- Porque eu sou o responsável por tais pensamentos, eu que causei tudo isso, eu que carrego a sujeira...

Me desvencilhei de Joice e encarei minhas mãos, a marca da cicatriz estava ali, ela faria com que eu me lembra-se do meu pecado:

- Não quero que pense assim.

Joice segurou minhas mãos e olhou as cicatrizes, e em seguida me abraçou:

- Vamos apagar essa marca, e iremos retomar as nossas vidas de onde paramos, eu não quero mais sofrer.

- Eu não quero mais que sofra.

- Venha morar aqui então.

- Esse é o seu desejo?

- Será meu desejo se também for o seu.

Beijei levemente os lábios de Joice e sussurrei em seu ouvido:

- A minha felicidade é estar ao seu lado, eu venho morar aqui minha amada.

Ela me abraçou, nos beijamos e logo em seguida ela ligou:

- BAMPÁS ELE VAI MORAR AQUI.

Como um tornado grego, se é que pode haver diferença entre um tornado normal e um grego, eis que surgi o senhor Igor a todo vapor:

- GAMPRÓOOOS... ATÉ QUE FIM... VAMOS COMEMORAR... MAIS HIDROMEL.

Dai foi quando meu cérebro realmente se deslocou da cabeça e foi parar em algum lugar da casa, nunca fui tão sacudido na minha vida.

-

No mesmo dia eu realizei a mudança, fui para minha casa acompanhando por toda a família grega, ajeitei as minhas roupas e alguns pertences de uso pessoal, na verdade estar ali na minha casa me fez quase repensar na minha decisão, eu estava largando tudo ali, principalmente a essência viva do meu pai:

- Casa bonita gamprós.

- Nessa casa eu vivi os últimos momentos com meus pais senhor Igor, me da uma saudade ter que deixar esse lugar

- Você... Esta pensando em não aceitar a nossa oferta de morada amor?

- Eu já tomei a minha decisão, e também ninguém pode se viver de passado. Acho que meu pai deve estar feliz por mim.

- Tenho certeza que sim querido, nós vamos trata-lo como nosso próprio filho fique sossegado.

- Obrigado dona Vera.

Olhei para a casa novamente, e vi cada detalhe dali, então caminhei até o quarto do meu pai, toquei em sua cama, peguei seu porta retrato, e admirei o seu sorriso eternizado na fotografia, a vontade de chorar me inundou, mas eu sou um palhaço, eu nunca ficou triste, então eu sorri:

- Pai é hora de eu seguir em frente, mas eu jamais o esquecerei, jamais esquecerei esse lugar, o senhor me deu uma nova vida, e eu não sei como agradecê-lo... Obrigado pai eu te amo.

Uma rajada de vento entrou pela janela, e pode até parecer loucura, mas eu senti uma brisa tocar o meu rosto como um beijo, então o aroma do lugar se intensificou, e logo desapareceu:

- Fabrício?

Forcei meu melhor sorriso e olhei para Joice, mas ainda sim as lágrimas me condenaram:

- Oi meu amor.

- Você... Esta chorando?

- Jamais, palhaços nunca deixam de sorrir.

- Ah meu amor... Se quiser podemos...

- Não... Eu vou com vocês, já era hora disso acontecer, eu preciso trilhar meu caminho.

- Trilharemos juntos.

- Então vamos minha amada.

Segurei a sua mão e começamos a caminhar, Joice era a luz que faltava na minha vida, e eu sei que de hoje em diante tudo mudaria para melhor.

-

Vivis ficou logo sabendo da minha mudança, no começo ela ficou bem triste, mas isso logo iria acontecer, afinal tínhamos apenas um mês para o casamento, um mês que passou bem rápido. Nesse período eu entreguei a casa a imobiliária, e consegui doar os móveis que ainda tinham ali, só não abrir mão do baú onde eu encontrei a roupa de palhaço e do DVD de stand up, o resto, foi tudo para doação.

A minha rotina foi reajustada, já que agora morava um pouco mais longe do meu serviço, ao qual deixei bem claro que não o largaria, mesmo contra a vontade do senhor Igor:

- Gamprós eu posso lhe arrumar um emprego melhor.

- Senhor Igor, ser palhaço é a minha vida não há outra coisa que eu faça melhor.

- Se é isso que meu gamprós deseja fazer, eu vou apoia-lo então.

Meu sogro era a melhor pessoa desse mundo. Bem e assim os dias passaram e quando menos esperávamos o grande dia chegou, eu estava num dos quartos de hóspede, e junto comigo estavam praticamente todos os homem da família:

- Fabrício, você deve carregar esse buquê?

- Mas isso é da noiva.

- Nos casamentos gregos é o homem quem segura o buquê gamprós.

- Vai me dizer que eu vou ter que joga-lo também?

- Não você vai entregar a noiva... Fabrício eu já te expliquei isso.

- Hélio eu estou nervoso, da um crédito vai.

Nesse momento eu apenas escuto um uma manada de passos e gritos eufóricos:

- VAMOS ARRUMAR A NOIVA...

- AAAAAAAHHHHH...

- Isso é normal também?

- Sim gamprós, assim como todos os homens estão aqui te arrumando, as mulheres estão lá arrumando Joice.

- Que medo.

O engraçado foi que todos os homens concordaram, bem era hora de me arrumar, que comece o casamento.

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