Boa leitura a todos!
CAPÍTULO 25:
O GRANDE DIA
- Seus sacanas, vocês armaram para nós né.
- Ah meu camarada, eu não posso ver um amigo sofrendo, e eu sabia que você estava numa pior e a Su também ficou sabendo da situação da Joice, então demos uma mãozinha.
- Olha Edson eu só tenho que agradecer, vocês salvaram as nossas vidas.
- Salvaram mesmo, mas eu ainda to chocada, como a Tamara foi capaz de fazer aquilo, gente eu pensei que ela fosse nossa amiga.
- Joice é que você sempre foi muito inocente, eu já havia percebido isso, por isso sempre mantive distancia, mas pelo menos desse mau vocês não irão sofrer mais.
- Eu queria aproveitar à deixa para fazer um pedido a vocês meus amigos?
- Que pedido Fabrício?
- Quero que eles sejam os meus padrinhos Joice.
- Fabrício infelizmente isso não será possível.
- E por quê?
- Um casamento típico grego, são os amigos que escolhem os padrinhos, para incentivar a comunhão com os demais.
- Mentira?
- É verdade Fabrício, acho que você deveria ler um pouco mais sobre as tradições da sua futura família.
- Tenho que ler mesmo Su, por que disso eu não sabia...
- Mas pode ficar sossegado, eu me encarrego de escolher bons padrinhos para vocês...
Edson me uma chave de braço, e fez um cafuné na minha cabeça:
- Mesmo assim fico feliz em saber que você me chamou para ser o seu padrinho.
- Eu que fico feliz por saber que sempre vou poder contar com o apoio de vocês.
Era bom mesmo saber que Edson e Suzana estavam do nosso lado, fazia com que eu relembrasse da verdadeira amizade, o mundo não estava verdadeiramente perdido, não enquanto existir pessoas como eles:
- Puxa vida, olha a hora, eu tenho que ir embora já.
- Eu vou com você Joice, não quero desgrudar de você nem por um segundo.
- Que lindo amor... Então vamos, aposto que meu bampás vai ficar muito feliz ao revê-lo novamente.
- Tenho até medo de ver o seu pai novamente.
- Por que Fabrício?
- Porque ele vai me sacudir tanto que acho que desta fez eu parto para o outro mundo.
Os três começaram a rir da piada, mas no fundo eu temia mesmo pelas sacudidas do meu se-dikaíou, bom melhor receber umas sacudidas do que ficar vazio por dentro.
-
- GAMPRÓOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOS... QUE SAUDADES...
A reação do senhor Igor já era esperada, ele me abraçou, me sacudiu, voltou a me abraçar, ligou para toda a família, me sacudiu mais um pouco, pegou duas taças com hidromel, fez um brinde, voltou a me sacudir, colocou uma musica grega e começou a dançar comigo abraçado. Posso dizer que essa era uma reação esperada já:
- Senhor Igor, eu preciso me sentar, estou começando a ficar tonto.
- Que isso gamprós, temos que comemorar, vou chamar a família toda...
- NÂO...
Por Deus, esse homem não pode ter uma crise de felicidade sem ter que chamar toda a família?
- Agapitós deixe nosso gamprós respirar um pouco, senão ele vai desaparecer novamente.
- Não diga isso nem em sonho gynaíka.
- Isso eu posso garantir, mesmo com todas essas sacudidas nada irá me afastar de Joice.
- Esse é meu gamprós... MUUUUUUUUUUUUUUUUSICAAAAAAAAAAA...
Sabe aquele ditado, já que não pode com eles se juntem a eles, bem ele se aplica agora, então eu cai na dança também junto com o senhor Igor, o bom foi que ao menos já teria uma nova dança para fazer na próxima aparição do Astro Rei.
-
Após toda a comemoração, Joice e eu seguimos para a varanda, já estava escurecendo, as primeiras estrelas já começavam a aparecer. Eu envolvia Joice num abraço bem apertado, enquanto olhávamos para a cidade:
- Estou tão feliz que esteja aqui comigo.
- Eu também meu amor... Eu não quero me afastar mais de você lua da minha vida.
- Eu não vou deixar mais isso acontecer.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Todas que quiser.
- O que te fez mudar de opinião, sobre aquele ocorrido?
- Sabe depois que você saiu, meus pais tentaram me persuadir a falar com você, mas eu estava chocada demais, não conseguia absorver tudo o que aconteceu, e depois de um tempo eu finalmente entendi o seu lado, vi que não foi culpa sua, mas não sabia se teria o seu perdão.
- Você não precisava do meu perdão.
- Ah precisava sim, eu te julguei num momento do qual você apenas queria a compreensão, eu fui mimada, infantil, mesquinha...
- Para Joice, não se insulte mais, isso só me faz ficar pior.
- Por que Fabrício?
- Porque eu sou o responsável por tais pensamentos, eu que causei tudo isso, eu que carrego a sujeira...
Me desvencilhei de Joice e encarei minhas mãos, a marca da cicatriz estava ali, ela faria com que eu me lembra-se do meu pecado:
- Não quero que pense assim.
Joice segurou minhas mãos e olhou as cicatrizes, e em seguida me abraçou:
- Vamos apagar essa marca, e iremos retomar as nossas vidas de onde paramos, eu não quero mais sofrer.
- Eu não quero mais que sofra.
- Venha morar aqui então.
- Esse é o seu desejo?
- Será meu desejo se também for o seu.
Beijei levemente os lábios de Joice e sussurrei em seu ouvido:
- A minha felicidade é estar ao seu lado, eu venho morar aqui minha amada.
Ela me abraçou, nos beijamos e logo em seguida ela ligou:
- BAMPÁS ELE VAI MORAR AQUI.
Como um tornado grego, se é que pode haver diferença entre um tornado normal e um grego, eis que surgi o senhor Igor a todo vapor:
- GAMPRÓOOOS... ATÉ QUE FIM... VAMOS COMEMORAR... MAIS HIDROMEL.
Dai foi quando meu cérebro realmente se deslocou da cabeça e foi parar em algum lugar da casa, nunca fui tão sacudido na minha vida.
-
No mesmo dia eu realizei a mudança, fui para minha casa acompanhando por toda a família grega, ajeitei as minhas roupas e alguns pertences de uso pessoal, na verdade estar ali na minha casa me fez quase repensar na minha decisão, eu estava largando tudo ali, principalmente a essência viva do meu pai:
- Casa bonita gamprós.
- Nessa casa eu vivi os últimos momentos com meus pais senhor Igor, me da uma saudade ter que deixar esse lugar
- Você... Esta pensando em não aceitar a nossa oferta de morada amor?
- Eu já tomei a minha decisão, e também ninguém pode se viver de passado. Acho que meu pai deve estar feliz por mim.
- Tenho certeza que sim querido, nós vamos trata-lo como nosso próprio filho fique sossegado.
- Obrigado dona Vera.
Olhei para a casa novamente, e vi cada detalhe dali, então caminhei até o quarto do meu pai, toquei em sua cama, peguei seu porta retrato, e admirei o seu sorriso eternizado na fotografia, a vontade de chorar me inundou, mas eu sou um palhaço, eu nunca ficou triste, então eu sorri:
- Pai é hora de eu seguir em frente, mas eu jamais o esquecerei, jamais esquecerei esse lugar, o senhor me deu uma nova vida, e eu não sei como agradecê-lo... Obrigado pai eu te amo.
Uma rajada de vento entrou pela janela, e pode até parecer loucura, mas eu senti uma brisa tocar o meu rosto como um beijo, então o aroma do lugar se intensificou, e logo desapareceu:
- Fabrício?
Forcei meu melhor sorriso e olhei para Joice, mas ainda sim as lágrimas me condenaram:
- Oi meu amor.
- Você... Esta chorando?
- Jamais, palhaços nunca deixam de sorrir.
- Ah meu amor... Se quiser podemos...
- Não... Eu vou com vocês, já era hora disso acontecer, eu preciso trilhar meu caminho.
- Trilharemos juntos.
- Então vamos minha amada.
Segurei a sua mão e começamos a caminhar, Joice era a luz que faltava na minha vida, e eu sei que de hoje em diante tudo mudaria para melhor.
-
Vivis ficou logo sabendo da minha mudança, no começo ela ficou bem triste, mas isso logo iria acontecer, afinal tínhamos apenas um mês para o casamento, um mês que passou bem rápido. Nesse período eu entreguei a casa a imobiliária, e consegui doar os móveis que ainda tinham ali, só não abrir mão do baú onde eu encontrei a roupa de palhaço e do DVD de stand up, o resto, foi tudo para doação.
A minha rotina foi reajustada, já que agora morava um pouco mais longe do meu serviço, ao qual deixei bem claro que não o largaria, mesmo contra a vontade do senhor Igor:
- Gamprós eu posso lhe arrumar um emprego melhor.
- Senhor Igor, ser palhaço é a minha vida não há outra coisa que eu faça melhor.
- Se é isso que meu gamprós deseja fazer, eu vou apoia-lo então.
Meu sogro era a melhor pessoa desse mundo. Bem e assim os dias passaram e quando menos esperávamos o grande dia chegou, eu estava num dos quartos de hóspede, e junto comigo estavam praticamente todos os homem da família:
- Fabrício, você deve carregar esse buquê?
- Mas isso é da noiva.
- Nos casamentos gregos é o homem quem segura o buquê gamprós.
- Vai me dizer que eu vou ter que joga-lo também?
- Não você vai entregar a noiva... Fabrício eu já te expliquei isso.
- Hélio eu estou nervoso, da um crédito vai.
Nesse momento eu apenas escuto um uma manada de passos e gritos eufóricos:
- VAMOS ARRUMAR A NOIVA...
- AAAAAAAHHHHH...
- Isso é normal também?
- Sim gamprós, assim como todos os homens estão aqui te arrumando, as mulheres estão lá arrumando Joice.
- Que medo.
O engraçado foi que todos os homens concordaram, bem era hora de me arrumar, que comece o casamento.
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