quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E QUATRO

Bom dia meus leitores, mais um dia começando e seu capítulo diário já esta no ar.
Capítulo vinte e quatro para vocês.
Boa leitura!

CAPÍTULO 24:
A LUA DA MINHA VIDA

                

Voltei para minha casa, eu sentia um vazio tremendo no corpo, saber que eu viveria longe da única pessoa que eu realmente posso afirmar que amo, era como caminhar no gume de faca, a qualquer momento poderia cair e me cortar.

Nem vou passar na casa da Vivis, pode ser egoísmo da minha parte, mas eu não estava afim de ser consolado, eu precisava encarar essa situação sozinho, era dolorido, mas eu não poderia fazer mais nada.

Entrei em casa e tranquei a porta, e por segurança coloquei o sofá encostado na porta, assim ninguém mais entraria ali.

Caminhei para o meu quarto, olhei tudo bagunçado, mas pelo menos as roupas da vagabunda que destruiu a minha vida eu joguei fora. Suspirei fundo, eu me senti perdido, sem rumo, o que seria de mim agora? O que eu tenho que fazer?

Nesse momento, a porta do quarto do meu pai abre, e de onde eu estou eu vejo o seu baú... Aquele baú foi onde eu encontrei a roupa de palhaço, puxa vida, foi ali onde tudo começou, o meu inicio foi ali, onde eu deixei meu antigo eu, ou melhor dizendo, naquele quarto foi onde eu me encontrei.

Então segui para ele, ah o aroma do meu pai ainda ficava ali, era reconfortante ficar por ali, eu me sentei na cama e observei o quarto, era como se tudo ali fosse novo, mas na verdade eu já conhecia cada canto daquele cômodo. O mofo da parede, os porta retratos, o baú... Aquele baú.

O Astro Rei surgiu dele, e com ele também veio a minha frase:

- Todo palhaço nunca deixa de rir.

Cai na gargalhada, mesmo que a minha vontade era cair em prantos, mas não, eu não iria deixar o meu sorriso desmoronar, enquanto eu ria, as lágrimas resolveram vir junto. Talvez seria assim que eu deveria viver, sempre a sorrir, mesmo que o mundo me destrua, o meu sorriso prevalecera sempre.

-

Havia se passado duas semanas, e eu me esqueci de Joice, pois todas as noites eu sonhava com ela, mas posso dizer que estou conseguindo viver, meu trabalho estava seguindo muito bem, eu e minha irmã também estávamos numa boa, apesar dela ficar sempre choramingando sobre não ter mais o meu casamento:

- Eu queria tanto quebrar alguns pratos...

Só essa Vivis mesmo para fazer uma piada no meio da tragédia.

Sobre a minha infeliz vizinha, eu não há vi mais, e agradeci por isso, dela eu só queria distancia, viver longe desse problema, nem sequer eu fazia questão de saber dela. 

Sendo assim eu estava vivendo a minha vida, um dia de cada vez, assim era mais fácil lidar com a dor e a saudades.

-

Bem amanhece mais um dia, eu estava de folga, e resolvi dar uma volta no shopping com Edson, fazia tempo que eu não saia com ele, claro que a muito custo consegui convencê-lo a não irmos a uma balada, já que seu forte sempre foi azaração:

- Cara... Não pode ser ao menos num bar.

- Não Edson, não to no espírito para azaração, quero paz, mas se não quiser ir, tudo bem.

- Você sabe que eu vou né amigão, e também no shopping sempre tem alguém querendo andar de montanha russa.

Tem horas que o Edson chega a ser terrível, mas no fundo eu sei que ele é uma boa pessoa.

Bem marcamos as treze na praça de alimentação e ele esta atrasado, será que aconteceu alguma? O Edson sempre foi pontual:

- Oi Fabrício.

A voz doce e suave, como um canto angelical, eu não queria me virar e achar que estou ficando louco e escutando coisas, mas por instinto virei, e agradeci aos céus, eu não estava louco:

-Joice...

- Podemos... Conversar?

-

Sentamos numa mesa bem no centro da praça de alimentação, claro foi a pedido dela isso, por mim ficaríamos num lugar mais reservado, mas para não perder a oportunidade de olhá-la e admirar a sua beleza eu não contestei:

- Como tem passado Fabrício?

- Vou indo na medida do possível, e você e o bebê como estão?

- Bem também, sinto muito enjoo ultimamente, e algumas dores.

- Dores... Mas esta tudo bem mesmo?

- Sim, o doutor Lucas disse que é normal... Nossa você age igual o meu bampás.

- Desculpa, tem horas que é involuntário, mas não se preocupe, que existe uma grande diferença entre eu e o senhor Igor.

- Que diferença é essa?

- Eu jamais vou sacudir alguém tão bem como ele.

Joice riu da minha piada, como era bom ouvir aquele riso, senti vontade de despejar tudo o que sentia, mas eu prometi para mim mesmo, respeitar a vontade de Joice:

- Ai só você para me fazer rir.

- Desculpa, mas é involuntário, e como estão seus pais?

- Bem... Eles estão tristes.

- Nossa, mas porque se você esta bem? É algo com os negócios ou o seu irmão Lio?

- Não... Eles estão triste... Por você não estar lá em casa.

Ah... Como fui ingênuo, mas também não poderia ser exibido e achar logo de cara que eu seria o motivo da tristeza deles:

- Bom... Infelizmente a vida faz umas curvas, da qual eu não esperava, eu sinto muito pela infelicidade dos seus pais.

- Eles vão ficar bem... Logo isso passa.

- O tempo vai ajudar né...

- Sim, o tempo sempre ajuda...

Encarei minhas mãos, mesmo não tento citado o evento da nossa separação eu sei que ele ainda era vivo, as cicatrizes que tenho na palma da mão são as marcas de que um dia eu fui sujo... Droga por que estou tremendo...

- Não precisa ficar assim Fabrício.

- Preciso sim... Eu... Não superei tudo isso.

- Eu também não...

Ficamos mudos, e a vontade de abraça-la foi imensa, eu só queria saber por que tudo isso tinha que acontecer com a gente, nós nos amávamos, teríamos um filho, por que conspirar contra duas pessoas querem estar juntos e vivendo aquilo juntos?

- Já marcou o ultrassom?

- Então eu já fiz um, mas eu não vi nada para se sincera.

- Puxa... Eu queria ter ido assistir...

- Ah, eu... Esqueci de avisá-lo.

- Tudo bem, posso ir ao próximo?

- Claro... Er... Se pude ir.

- Pelo nosso filho eu sempre vou poder tudo... Não só por ele.

Eu a encarava agora, não pude resistir, ela estava ali, na minha frente, não poderia perdê-la novamente:

- Fabrício, por favor...

- Joice eu sei que você me odeia, que me despreza, que não suporta me olhar, mas eu não posso deixar de tentar novamente, mesmo não merecendo, eu jamais te esqueci, jamais te esquecerei, por que você será para sempre a lua da minha vida, a única que vou amar...

Joice começou a chorar, ela estava de cabeça baixa, eu não queria fazê-la chorar e muito menos reviver todo o sentimento que sentiu dias atrás, então eu enfiei a mão no bolso e retirei um lenço e entreguei a ela:

- Desculpe ter feito você chorar.

- Fabrício eu só tenho duas coisas para lhe dizer.

- Se me dizer apenas uma já será o suficiente, apenas de ouvir a sua voz eu já sinto uma força renovadora.

Ela suspirou, me olhou nos olhos e disse:

- Em primeiro, eu jamais te odiaria, jamais te menosprezaria e muito menos não suportaria te olhar, e em segundo, se eu sou a lua da sua vida, saiba que você é o meu sol, eu... Senti tanto a sua falta... Quis ser orgulhosa, mas estava errada, Tamara tentou nos afastar... Mas eu não consigo mais... Eu não quero viver longe de...

Não deixei ela terminar, em meio as lagrimas eu a beijei, ela era a minha força, meu céu e minha luz:

- Eu...

- Não diga nada meu amor... Eu te amo Joice... Te amo... Te amo... Te amo...

Nos abraçamos ali no meio do shopping, e todos começaram a aplaudir. Não senti vergonha, na verdade eu senti a vida voltando, e ali no meio das pessoas eu reconheci Edson e Suzana, e pela cara deles, tenho quase certeza que eles tramaram tudo isso. Eles sim são verdadeiros amigos.

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