terça-feira, 25 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E TRÊS

Bom dia pessoal, hoje o dia esta corrido, mas sempre podemos para alguns minutos para a nossa leitura diária.
Capítulo vinte e três no ar... Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 23:
CONFUSÃO À VISTA

                

Fiquei acordado a manhã toda, eu não ia conseguir trabalhar, não até conseguir ter o laudo em minhas mãos, fora a ansiedade de ter que falar com Joice, isso se ela já não estiver ciente dos últimos fatos... Minha vida estava arruinada.

Em meios aos meus pensamentos desesperados, o meu celular toca, no visor eis que aparece o nome da mulher da minha vida... E agora? Eu atendo ou não? O telefone para, droga... O que eu fiz?

Pego o celular, e redisco imediatamente para Joice, eu precisava ouvir a sua voz:

- Oi amor, bom dia!

AH MEU DEUS... O QUE EU FALO... O QUE EU FALO?

- Alô?

- Oi... Joice, tudo bem?

- Tudo bem, ontem você não me ligou, aconteceu alguma coisa? Fiquei preocupada.

- Não aconteceu nada.

- Tem certeza, estou sentido você meio estranho...

Ela já deve estar sabendo, e agora?

- Fabrício?

- Oi amor, eu... Passei mal ontem por isso não te liguei.

- Nossa, deveria ter me avisado, esta melhor hoje?

- Mais ou menos, estou esperando um laudo médico para saber o que aconteceu comigo, talvez eu não vá trabalhar.

- Puxa isso é serio, quer que eu vá ficar com você ai?

- Não precisa meu amor, descanse esta bem, assim que eu estiver tudo certo eu vou até a sua casa.

- Vai passar a noite aqui de novo?

- Não sei meu amor, tudo vai depender desse resultado.

- Nossa Fabrício falando assim até parece que esse papel pode mudar a nossa vida.

Ah se ela soubesse...

- Eu desejo muito que não, mas fique descansada, eu te ligo no decorrer do dia.

- Esta bem, vou aguardar a sua ligação.

- Joice...

- Sim.

- Eu te amo muito.

- Eu também te amo Fabrício.

Ela desligou o telefone, e eu fiquei a escutar até o telefone silenciar, bem de certa forma eu não menti, realmente estava esperando um resultado, e também passei mal, mas ainda sim me senti muito mal, ah... Que droga que eu fiz, como eu pude estragar a minha vida desse jeito.

-

Liguei para Luis e contei sobre o meu mal súbito, e pelo menos ele não me questionou, apenas me desejou melhoras. De resto eu fiquei vagando pela minha casa, e às vezes olhava pela janela, na expectativa de encontrar Julia e a Vivis.

A espera me matava, e era apenas dez horas da manhã, eu ia enlouquecer, eu precisa me distrair.

Olhei para o celular e comecei a pesquisar na internet sobre o tal LSD, e só fiquei mais assustado, como Tamara teve coragem de fazer tudo aquilo? Isso já superava a inveja, ela queria mesmo era arruinar a minha vida.

Ouvi um barulho vindo de fora, era Tamara ela estava saindo ou chegando, não importar era o momento de esclarecer os pontos:

- Ei espera aí.

- O que você quer comigo Fabrício? Me usar como fez da ontem?

- Não se finja de ofendida, você armou tudo isso, agora me entregue às chaves da minha casa.

- Tó... Deseja mais alguma coisa?

- Exclua o vídeo do celular.

- Não mesmo.

- Então isso só prova que você fez isso premeditadamente.

- Fabrício, escute vamos esquecer o que aconteceu, eu prometo não atrapalhar a sua vida.

- Eu não acredito em você... Porque Tamara? Porque você quer arruinar a minha vida?

- Eu não quero arruinar a sua vida.

- Ah não, e porque invadiu a minha casa, e fez o favor se deitar comigo?

Tamara desviou o olhar, maldita, estava se fazendo de difícil, ou deveria estar tramando mais alguma coisa:

- Porque você não gosta da Joice?

- Porque ela tem tudo e eu não, eu tenho que ralar todos os dias para garantir o pão na minha casa, e agora ela vai se casar com você... E esta feliz, não suporto ver a felicidade dela.

- Desde quando você se tornou tão invejosa Tamara?

- Eu não sou invejosa, só não aceito que ela tenha uma vida feliz enquanto a minha cai na ruína.

- Você é a única pessoa que trás a ruína para a sua vida.

- Idiota.

- Vagabunda.

- Pois eu vou contar tudo a Joice, eu vou dizer que você me dopou, me usou, me obrigou a deitar com você, e ainda vou mostrar o vídeo que você fez com o meu celular.

Eu permaneci inalterado, e aquilo a perturbou:

- Não vai dizer nada.

Sorrindo eu levantei o meu celular e pressionei um botão pelo touch da tela: "Eu não sou invejosa, só não aceito que ela tenha uma vida feliz enquanto a minha cai na ruína".

Desta vez foi Tamara quem ficou chocada, ela não havia percebido, mas eu gravei toda a nossa conversa:

- Xeque!

- Isso não prova nada.

- Prova que você é uma invejosa, que odeia Joice.

- E sobre a nossa noite maravilhosa?

- Já estou mexendo meus pauzinhos... Sabe Tamara, tentar me dopar com sonífero foi muito inteligente.

- Idiota eu não usei sonífero...

Ela parou de falar, olhou para mim e eu reproduzir novamente a sua voz: "Idiota eu não usei sonífero..."

- Xeque mate! Eu sei você usou LSD, agora eu tenho tudo o que preciso para te incriminar, você esta arruinada.

- Não... Fabrício, eu não vou falar nada, mas por favor não conte nada a Joice.

- Quem disse que vou falar para a Joice.

- Não?

- Não... Vou direto para a delegacia.

O espanto tomou conta de Tamara que caiu de joelhos e começou a chorar:

- Não quero ser presa... Por favor... Não faça isso...

- Então apague o vídeo e suma da vida de Joice e da minha também.

Tamara pegou o celular trêmula, apagou o vídeo em meios aos soluços:

- Pronto.

- Você tem mais copias do vídeo?

- Não.

- Tem certeza?

- Sim... Por favor não me denuncie, eu não quero ser presa.

- Vou te dar esse ultimo voto de confiança, agora desapareça.

Tamara se levantou e correu para dentro da sua casa, eu realmente esperava que ela cumprisse com a sua palavra, já que eu cumpriria com a minha... Bem eu não a denunciaria a polícia, mas contaria tudo a Joice, não quero estar com ela e carregar essa sujeira comigo.

-

Julia e Vivis chegaram era no meio da tarde, com o resultado positivo para LSD e mais um forte estimulante sexual, maldita garantiu que eu apagasse, mas o meu corpo não.

Com esse papel em mãos eu me dirigi direto para a casa de Joice, claro Vivis queria me acompanhar, mas eu neguei a sua companhia:

- Fabrício eu sei que você vai precisar de apoio.

- Vivis eu tenho que resolver isso sozinho, não posso ficar a vida toda me apoiando em você.

- Mas Fabrício...

- Vivis, confie em mim, vai dar tudo certo.

Ela não questionou apenas me abraçou e eu desejei não ser traído pelas minhas próprias palavras, era o momento de falar a verdade.

-

Cheguei ao prédio da residência de Joice sem prévio aviso, eu estava trêmulo, o que eu ia fazer era o certo, mas ainda sim poderia acabar com tudo, e eu sairia mais ferido do que aliviado:

- Boa tarde, vou a casa do senhor Igor o consulado.

- E você quem é meu rapaz.

- Sou o gamprós dele.

Ou talvez nem fosse mais. O porteiro anunciou a minha entrada, que foi liberada rapidamente:

- Desculpe meu jovem, eu ainda não entendo grego.

- Sem problemas eu demorei para entender também.

O portão se abriu, eu caminhei sem vacilar, ah Deus da uma ajudinha por favor.

-

Joice veio me recepcionar, estava feliz pela visita inesperada:

- Fabrício... Como é bom vê-lo, esta melhor?

- Sim, estou melhor, e você como esta? Já comeu?

- Estou bem meu amor, não precisa se preocupar comigo, tenho varias babás por aqui.

Tentei não demonstrar minha inquietação e frustração, mas acho que não fui bem sucedido, pois Joice me encarou preocupada:

- Tem certeza que esta tudo bem?

- Seu pai e sua mãe estão ai?

- Sim... Você esta estranho meu amor.

- Joice, eu preciso falar com eles e com você, se possível agora.

Acho que a minha voz saiu em tom de urgência, pois Joice ficou assustada, querendo ou não era uma situação delicada, mas eu precisava falar ou não viveria feliz comigo mesmo:

- Fabrício você esta me assustando...

- Por favor, é um assunto importante.

- Mas...

- Não me pergunte ainda, quando eles estiverem aqui eu prometo falar tudo.

- Falar o que gamprós?

Olhei para a entrada da sala de jantar e encontrei o senhor Igor e a dona Vera, eles vinham caminhando, e claro sempre sorrindo:

- Senhor Igor... Dona Vera... Eu... Tenho que contar algo de extrema importância para vocês.

- Somos todos ouvidos Fabrício, vamos até a sala, lá podemos tomar um chá enquanto você nos conta o que esta acontecendo.

- Obrigado dona Vera.

Meus sogros foram na frente, enquanto eu seguia atrás junto com Joice, que segurava a minha mão, aposto que após eu contar todo o ocorrido ela não irá mais se aproximar de mim.

-

Todos ficaram sentados, exceto eu, era melhor ficar de pé, talvez assim eu não engasgasse com nenhuma palavra:

- Gramprós pode se sentar.

- Melhor eu ficar de pé senhor Igor.

- Querido aceita chá de abacaxi?

- Estou bem assim dona Vera obrigado.

- Meu amor, o que você tem para falar de tão importante?

Retirei o laudo feito por Julia onde constava a intoxicação da água pela droga LSD e o estimulante sexual e entreguei a Joice, ela leu aquilo sem entender nada, era a hora da explicação:

- Esse papel que esta em suas mãos meu amor, é um teste feito num laboratório farmacêutico onde o laudo diz que um recipiente com água continha uma alta dose de LSD e um forte estimulante sexual.

- Nossa... De onde você tirou isso gamprós?

- Senhor Igor, esse laudo foi feito da minha garrafa de água que fica na minha geladeira, ontem durante o dia, uma pessoa entrou na minha casa e drogou a minha água, o pior foi que eu bebi.

A reação foi de espanto, Joice se levantou e segurou a minha mão aflita:

- Meu Deus... Mas você esta bem amor?

- Agora sim Joice.

- Mas quem faria algo assim com você? E por que faria isso?

- Dona Vera, essa é a pior parte da história, apenas escutem isso.

Peguei o meu celular e comecei a repassar o áudio da conversar que tive mais cedo com Tamara, parte do dialogo eu adiantei, como os insultos que ela fez a Joice, queria poupá-la de sofrer mais:

- Essa foi a conversa que tive com a... Responsável por ter me dopado. Foi a Tamara quem fez isso.

- Impossível, isso só pode ser uma brincadeira...

- Joice, escute o que o seu noivo tem a dizer.

- Bampás...

- Meu amor, infelizmente Tamara não é a sua amiga, ela nunca foi, ela tem inveja de você, nem sei dizer se realmente é inveja isso que ela sente, mas infelizmente Tamara nunca gostou de você.

- Não... Não... Eu não quero mais ouvir isso... É mentira... MENTIRA.

- Querida se acalme.

- Mamá isso é mentira... Tamara sempre foi minha amiga... Não é verdade...

- Tamara é suja, entrou na minha casa, dopou a minha água e... Se deitou comigo.

Foi inevitável não sentir nojo de mim mesmo, mas eu tinha que falar aquilo, de tudo o que aconteceu, acho que essa era a pior parte:

- Vocês... Transaram?

- Joice, eu não lembro de nada, assim que acordei, eu a encontrei do meu lado, nua, eu... Sinto nojo só de lembrar... Ela tramou tudo, só para nos separar, ela... Droga.

Apertei tão fortes as mãos que sentia minha unha cravar a carne e o sangue escorrer, e aquilo ainda seria pouco diante de tudo o que eu causei:

- Ela só fez isso, por que não suporta ver você feliz, ela arruinou a minha vida, eu vou entender se não me quiserem mais aqui, vou entender se me odiarem, mas eu prometi, nunca mais fazer você, minha amada, sofrer e eu não pude cumprir com essa promessa... Eu sou sujo... Ela me sujou... ELA QUIS ACABAR COM A MINHA FELICIDADE...

Droga eu não deveria chorar, cruzo meus braços num abraço próprio, e mancho minha pele com o meu sangue, sim eu estava manchado, e o que me doía mais, foi ver a cara de desprezo de Joice:

- Você é um idiota.

- Na verdade Joice, ele é um homem honrado.

Vi o senhor Igor se aproximar e me abraçar, eu não esperava por aquilo, não dele, nem de ninguém ali:

- Kóri, esse homem aqui presente, foi manchado por uma pessoa que sempre lhe quis o mau, que tem uma inveja do que você tem, essa Tamara teve inveja do amor de vocês, da felicidade que esta crescendo ai em seu ventre minha kóri.

- Bampás...

- Apenas escute kóri... Fabrício esta aqui diante da gente, ele se sente sujo, mas eu vejo a pureza dele, a verdade, infelizmente essa... Garota, fez algo que poderia ter matado ele, ela o drogou.

- Mas eles transaram.

- Não foi algo concedido, foi algo sujo filha... Essa monstra quer arruinar a sua vida, veja as mãos de Fabrício, ele sangra por que não consegue aguentar a dor no seu corpo, eu sei o que ele sente, eu já passei por essa dor... É terrível gamprós... Mas não fique assim, se você vai se sentir melhor, eu te perdoo.

- Eu... Eu...

- Não diga nada querido, eu também te perdoo.

Desta vez foi dona Vera que se levantou e me abraçou, por que eles estão fazendo isso comigo? Eu mereço mesmo esse perdão?

- Mamá... Até a senhora?

- Joice, filha... Existe uma grande diferença entre uma traição consentida e uma traição manipulada, Fabrício foi usado, ele foi um objeto manipulado para te fazer sofrer, essa é uma traição manipulada, essa Tamara, ela foi baixa, ela deveria ser presa.

- Não... Eu disse que não a denunciaria, se ela prometesse ficar longe da Joice.

- Mesmo com tudo isso você ainda se importou com a minha filha?

- Ela sempre estará em primeiro lugar dona Vera, mesmo que ela me rejeite, a Joice sempre será a lua da minha vida.

- Ah que lindo querido.

Voltei minha atenção para Joice, eu vi a confusão no rosto dela, claro, quem aceitaria tal situação, eu não a obrigaria, a minha missão era contar a verdade, as consequências eu vou aceitar, mesmo que seja para viver longe dela. Então enxuguei as minhas lagrimas, olhei para o senhor Igor e para dona Vera, que ali e tornaram pessoas mais do que especiais para mim:

- Bem, eu vim aqui para falar a verdade, e eu cumpri com a minha missão, e vou entender Joice que não queira mais olhar na minha cara, um cara tão sujo como eu...

- Gamprós, você não é sujo.

- Sou sim, eu não mereço estar aqui, agradeço por tudo o que fizeram por mim, mas a minha vida só terá sentido se Joice estiver ao meu lado, sem ela eu serei apenas um corpo sem alma, e acho que essa é a minha punição, eu vou aceitar isso, me desculpe pelo transtorno causado.

Coloquei as minhas mãos no bolso e me virei, eu ainda dei uma olhada em Joice, que agora chorava, mas não ousou me olhar, era o fim.

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