Capítulo vinte e três no ar... Boa leitura a todos!
CAPÍTULO 23:
CONFUSÃO À VISTA
Fiquei acordado a manhã toda, eu não ia conseguir trabalhar, não até conseguir ter o laudo em minhas mãos, fora a ansiedade de ter que falar com Joice, isso se ela já não estiver ciente dos últimos fatos... Minha vida estava arruinada.
Em meios aos meus pensamentos desesperados, o meu celular toca, no visor eis que aparece o nome da mulher da minha vida... E agora? Eu atendo ou não? O telefone para, droga... O que eu fiz?
Pego o celular, e redisco imediatamente para Joice, eu precisava ouvir a sua voz:
- Oi amor, bom dia!
AH MEU DEUS... O QUE EU FALO... O QUE EU FALO?
- Alô?
- Oi... Joice, tudo bem?
- Tudo bem, ontem você não me ligou, aconteceu alguma coisa? Fiquei preocupada.
- Não aconteceu nada.
- Tem certeza, estou sentido você meio estranho...
Ela já deve estar sabendo, e agora?
- Fabrício?
- Oi amor, eu... Passei mal ontem por isso não te liguei.
- Nossa, deveria ter me avisado, esta melhor hoje?
- Mais ou menos, estou esperando um laudo médico para saber o que aconteceu comigo, talvez eu não vá trabalhar.
- Puxa isso é serio, quer que eu vá ficar com você ai?
- Não precisa meu amor, descanse esta bem, assim que eu estiver tudo certo eu vou até a sua casa.
- Vai passar a noite aqui de novo?
- Não sei meu amor, tudo vai depender desse resultado.
- Nossa Fabrício falando assim até parece que esse papel pode mudar a nossa vida.
Ah se ela soubesse...
- Eu desejo muito que não, mas fique descansada, eu te ligo no decorrer do dia.
- Esta bem, vou aguardar a sua ligação.
- Joice...
- Sim.
- Eu te amo muito.
- Eu também te amo Fabrício.
Ela desligou o telefone, e eu fiquei a escutar até o telefone silenciar, bem de certa forma eu não menti, realmente estava esperando um resultado, e também passei mal, mas ainda sim me senti muito mal, ah... Que droga que eu fiz, como eu pude estragar a minha vida desse jeito.
-
Liguei para Luis e contei sobre o meu mal súbito, e pelo menos ele não me questionou, apenas me desejou melhoras. De resto eu fiquei vagando pela minha casa, e às vezes olhava pela janela, na expectativa de encontrar Julia e a Vivis.
A espera me matava, e era apenas dez horas da manhã, eu ia enlouquecer, eu precisa me distrair.
Olhei para o celular e comecei a pesquisar na internet sobre o tal LSD, e só fiquei mais assustado, como Tamara teve coragem de fazer tudo aquilo? Isso já superava a inveja, ela queria mesmo era arruinar a minha vida.
Ouvi um barulho vindo de fora, era Tamara ela estava saindo ou chegando, não importar era o momento de esclarecer os pontos:
- Ei espera aí.
- O que você quer comigo Fabrício? Me usar como fez da ontem?
- Não se finja de ofendida, você armou tudo isso, agora me entregue às chaves da minha casa.
- Tó... Deseja mais alguma coisa?
- Exclua o vídeo do celular.
- Não mesmo.
- Então isso só prova que você fez isso premeditadamente.
- Fabrício, escute vamos esquecer o que aconteceu, eu prometo não atrapalhar a sua vida.
- Eu não acredito em você... Porque Tamara? Porque você quer arruinar a minha vida?
- Eu não quero arruinar a sua vida.
- Ah não, e porque invadiu a minha casa, e fez o favor se deitar comigo?
Tamara desviou o olhar, maldita, estava se fazendo de difícil, ou deveria estar tramando mais alguma coisa:
- Porque você não gosta da Joice?
- Porque ela tem tudo e eu não, eu tenho que ralar todos os dias para garantir o pão na minha casa, e agora ela vai se casar com você... E esta feliz, não suporto ver a felicidade dela.
- Desde quando você se tornou tão invejosa Tamara?
- Eu não sou invejosa, só não aceito que ela tenha uma vida feliz enquanto a minha cai na ruína.
- Você é a única pessoa que trás a ruína para a sua vida.
- Idiota.
- Vagabunda.
- Pois eu vou contar tudo a Joice, eu vou dizer que você me dopou, me usou, me obrigou a deitar com você, e ainda vou mostrar o vídeo que você fez com o meu celular.
Eu permaneci inalterado, e aquilo a perturbou:
- Não vai dizer nada.
Sorrindo eu levantei o meu celular e pressionei um botão pelo touch da tela: "Eu não sou invejosa, só não aceito que ela tenha uma vida feliz enquanto a minha cai na ruína".
Desta vez foi Tamara quem ficou chocada, ela não havia percebido, mas eu gravei toda a nossa conversa:
- Xeque!
- Isso não prova nada.
- Prova que você é uma invejosa, que odeia Joice.
- E sobre a nossa noite maravilhosa?
- Já estou mexendo meus pauzinhos... Sabe Tamara, tentar me dopar com sonífero foi muito inteligente.
- Idiota eu não usei sonífero...
Ela parou de falar, olhou para mim e eu reproduzir novamente a sua voz: "Idiota eu não usei sonífero..."
- Xeque mate! Eu sei você usou LSD, agora eu tenho tudo o que preciso para te incriminar, você esta arruinada.
- Não... Fabrício, eu não vou falar nada, mas por favor não conte nada a Joice.
- Quem disse que vou falar para a Joice.
- Não?
- Não... Vou direto para a delegacia.
O espanto tomou conta de Tamara que caiu de joelhos e começou a chorar:
- Não quero ser presa... Por favor... Não faça isso...
- Então apague o vídeo e suma da vida de Joice e da minha também.
Tamara pegou o celular trêmula, apagou o vídeo em meios aos soluços:
- Pronto.
- Você tem mais copias do vídeo?
- Não.
- Tem certeza?
- Sim... Por favor não me denuncie, eu não quero ser presa.
- Vou te dar esse ultimo voto de confiança, agora desapareça.
Tamara se levantou e correu para dentro da sua casa, eu realmente esperava que ela cumprisse com a sua palavra, já que eu cumpriria com a minha... Bem eu não a denunciaria a polícia, mas contaria tudo a Joice, não quero estar com ela e carregar essa sujeira comigo.
-
Julia e Vivis chegaram era no meio da tarde, com o resultado positivo para LSD e mais um forte estimulante sexual, maldita garantiu que eu apagasse, mas o meu corpo não.
Com esse papel em mãos eu me dirigi direto para a casa de Joice, claro Vivis queria me acompanhar, mas eu neguei a sua companhia:
- Fabrício eu sei que você vai precisar de apoio.
- Vivis eu tenho que resolver isso sozinho, não posso ficar a vida toda me apoiando em você.
- Mas Fabrício...
- Vivis, confie em mim, vai dar tudo certo.
Ela não questionou apenas me abraçou e eu desejei não ser traído pelas minhas próprias palavras, era o momento de falar a verdade.
-
Cheguei ao prédio da residência de Joice sem prévio aviso, eu estava trêmulo, o que eu ia fazer era o certo, mas ainda sim poderia acabar com tudo, e eu sairia mais ferido do que aliviado:
- Boa tarde, vou a casa do senhor Igor o consulado.
- E você quem é meu rapaz.
- Sou o gamprós dele.
Ou talvez nem fosse mais. O porteiro anunciou a minha entrada, que foi liberada rapidamente:
- Desculpe meu jovem, eu ainda não entendo grego.
- Sem problemas eu demorei para entender também.
O portão se abriu, eu caminhei sem vacilar, ah Deus da uma ajudinha por favor.
-
Joice veio me recepcionar, estava feliz pela visita inesperada:
- Fabrício... Como é bom vê-lo, esta melhor?
- Sim, estou melhor, e você como esta? Já comeu?
- Estou bem meu amor, não precisa se preocupar comigo, tenho varias babás por aqui.
Tentei não demonstrar minha inquietação e frustração, mas acho que não fui bem sucedido, pois Joice me encarou preocupada:
- Tem certeza que esta tudo bem?
- Seu pai e sua mãe estão ai?
- Sim... Você esta estranho meu amor.
- Joice, eu preciso falar com eles e com você, se possível agora.
Acho que a minha voz saiu em tom de urgência, pois Joice ficou assustada, querendo ou não era uma situação delicada, mas eu precisava falar ou não viveria feliz comigo mesmo:
- Fabrício você esta me assustando...
- Por favor, é um assunto importante.
- Mas...
- Não me pergunte ainda, quando eles estiverem aqui eu prometo falar tudo.
- Falar o que gamprós?
Olhei para a entrada da sala de jantar e encontrei o senhor Igor e a dona Vera, eles vinham caminhando, e claro sempre sorrindo:
- Senhor Igor... Dona Vera... Eu... Tenho que contar algo de extrema importância para vocês.
- Somos todos ouvidos Fabrício, vamos até a sala, lá podemos tomar um chá enquanto você nos conta o que esta acontecendo.
- Obrigado dona Vera.
Meus sogros foram na frente, enquanto eu seguia atrás junto com Joice, que segurava a minha mão, aposto que após eu contar todo o ocorrido ela não irá mais se aproximar de mim.
-
Todos ficaram sentados, exceto eu, era melhor ficar de pé, talvez assim eu não engasgasse com nenhuma palavra:
- Gramprós pode se sentar.
- Melhor eu ficar de pé senhor Igor.
- Querido aceita chá de abacaxi?
- Estou bem assim dona Vera obrigado.
- Meu amor, o que você tem para falar de tão importante?
Retirei o laudo feito por Julia onde constava a intoxicação da água pela droga LSD e o estimulante sexual e entreguei a Joice, ela leu aquilo sem entender nada, era a hora da explicação:
- Esse papel que esta em suas mãos meu amor, é um teste feito num laboratório farmacêutico onde o laudo diz que um recipiente com água continha uma alta dose de LSD e um forte estimulante sexual.
- Nossa... De onde você tirou isso gamprós?
- Senhor Igor, esse laudo foi feito da minha garrafa de água que fica na minha geladeira, ontem durante o dia, uma pessoa entrou na minha casa e drogou a minha água, o pior foi que eu bebi.
A reação foi de espanto, Joice se levantou e segurou a minha mão aflita:
- Meu Deus... Mas você esta bem amor?
- Agora sim Joice.
- Mas quem faria algo assim com você? E por que faria isso?
- Dona Vera, essa é a pior parte da história, apenas escutem isso.
Peguei o meu celular e comecei a repassar o áudio da conversar que tive mais cedo com Tamara, parte do dialogo eu adiantei, como os insultos que ela fez a Joice, queria poupá-la de sofrer mais:
- Essa foi a conversa que tive com a... Responsável por ter me dopado. Foi a Tamara quem fez isso.
- Impossível, isso só pode ser uma brincadeira...
- Joice, escute o que o seu noivo tem a dizer.
- Bampás...
- Meu amor, infelizmente Tamara não é a sua amiga, ela nunca foi, ela tem inveja de você, nem sei dizer se realmente é inveja isso que ela sente, mas infelizmente Tamara nunca gostou de você.
- Não... Não... Eu não quero mais ouvir isso... É mentira... MENTIRA.
- Querida se acalme.
- Mamá isso é mentira... Tamara sempre foi minha amiga... Não é verdade...
- Tamara é suja, entrou na minha casa, dopou a minha água e... Se deitou comigo.
Foi inevitável não sentir nojo de mim mesmo, mas eu tinha que falar aquilo, de tudo o que aconteceu, acho que essa era a pior parte:
- Vocês... Transaram?
- Joice, eu não lembro de nada, assim que acordei, eu a encontrei do meu lado, nua, eu... Sinto nojo só de lembrar... Ela tramou tudo, só para nos separar, ela... Droga.
Apertei tão fortes as mãos que sentia minha unha cravar a carne e o sangue escorrer, e aquilo ainda seria pouco diante de tudo o que eu causei:
- Ela só fez isso, por que não suporta ver você feliz, ela arruinou a minha vida, eu vou entender se não me quiserem mais aqui, vou entender se me odiarem, mas eu prometi, nunca mais fazer você, minha amada, sofrer e eu não pude cumprir com essa promessa... Eu sou sujo... Ela me sujou... ELA QUIS ACABAR COM A MINHA FELICIDADE...
Droga eu não deveria chorar, cruzo meus braços num abraço próprio, e mancho minha pele com o meu sangue, sim eu estava manchado, e o que me doía mais, foi ver a cara de desprezo de Joice:
- Você é um idiota.
- Na verdade Joice, ele é um homem honrado.
Vi o senhor Igor se aproximar e me abraçar, eu não esperava por aquilo, não dele, nem de ninguém ali:
- Kóri, esse homem aqui presente, foi manchado por uma pessoa que sempre lhe quis o mau, que tem uma inveja do que você tem, essa Tamara teve inveja do amor de vocês, da felicidade que esta crescendo ai em seu ventre minha kóri.
- Bampás...
- Apenas escute kóri... Fabrício esta aqui diante da gente, ele se sente sujo, mas eu vejo a pureza dele, a verdade, infelizmente essa... Garota, fez algo que poderia ter matado ele, ela o drogou.
- Mas eles transaram.
- Não foi algo concedido, foi algo sujo filha... Essa monstra quer arruinar a sua vida, veja as mãos de Fabrício, ele sangra por que não consegue aguentar a dor no seu corpo, eu sei o que ele sente, eu já passei por essa dor... É terrível gamprós... Mas não fique assim, se você vai se sentir melhor, eu te perdoo.
- Eu... Eu...
- Não diga nada querido, eu também te perdoo.
Desta vez foi dona Vera que se levantou e me abraçou, por que eles estão fazendo isso comigo? Eu mereço mesmo esse perdão?
- Mamá... Até a senhora?
- Joice, filha... Existe uma grande diferença entre uma traição consentida e uma traição manipulada, Fabrício foi usado, ele foi um objeto manipulado para te fazer sofrer, essa é uma traição manipulada, essa Tamara, ela foi baixa, ela deveria ser presa.
- Não... Eu disse que não a denunciaria, se ela prometesse ficar longe da Joice.
- Mesmo com tudo isso você ainda se importou com a minha filha?
- Ela sempre estará em primeiro lugar dona Vera, mesmo que ela me rejeite, a Joice sempre será a lua da minha vida.
- Ah que lindo querido.
Voltei minha atenção para Joice, eu vi a confusão no rosto dela, claro, quem aceitaria tal situação, eu não a obrigaria, a minha missão era contar a verdade, as consequências eu vou aceitar, mesmo que seja para viver longe dela. Então enxuguei as minhas lagrimas, olhei para o senhor Igor e para dona Vera, que ali e tornaram pessoas mais do que especiais para mim:
- Bem, eu vim aqui para falar a verdade, e eu cumpri com a minha missão, e vou entender Joice que não queira mais olhar na minha cara, um cara tão sujo como eu...
- Gamprós, você não é sujo.
- Sou sim, eu não mereço estar aqui, agradeço por tudo o que fizeram por mim, mas a minha vida só terá sentido se Joice estiver ao meu lado, sem ela eu serei apenas um corpo sem alma, e acho que essa é a minha punição, eu vou aceitar isso, me desculpe pelo transtorno causado.
Coloquei as minhas mãos no bolso e me virei, eu ainda dei uma olhada em Joice, que agora chorava, mas não ousou me olhar, era o fim.
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