CAPÍTULO 9:
PERDÃO
Cheguei no portão da casa de Tamara e bati palmas, se era para sofrer que fosse logo agora, eu estava me sentido péssimo, não queria magoar Joice, se eu soubesse que ela era virgem, jamais teria levado ela para o motel:
- Como eu sou um idiota...
- É mesmo.
- TAMARA...
- O que você fez dessa vez para se achar um idiota?
- Primeiro preciso saber como você esta? Ta nervosa, calma, irritada, agitada...
- Eu estou normal, o que foi que você fez? Já que só vem aqui quando esta enrascado.
- Não é bem assim vai Tamara.
- Ah não, me diga quando foi a ultima vez que veio aqui me chamar?
- Ontem mesmo, eu não vim aqui falar com você.
- Só veio por um milagre, vamos me conte o que aconteceu?
- Tamara, eu e Joice...
- O que tem minha amiga?
- Nós transamos.
Houve uma pausa no tempo momentaneamente, foi ai que eu vi a transformação de indiferença de Tamara para a fúria:
- VOCÊS O QUÊ?
- Calma, por favor, se controle eu vou explicar tudo.
- Explicar, não tem nada para explicar, você e Joice, desde quando isso?
- Desde ontem...
- Peraí você esta me dizendo que ontem, quando você chamou a Joice para sair, o seu intuito era transar com ela.
- Bem visto por esse lado, sim...
O tapa foi certeiro e inusitado, eu nem vi quando Tamara levantou a mão, simplesmente quando percebi recebi o impacto junto com o estralo do tapa:
- SAFADO... CAFAJESTE... VOCÊ ACHA QUE É QUEM PARA FICAR USANDO MINHAS AMIGAS PARA SUAS AVENTURAS SEXUAIS.
- Tamara, eu...
- CALADO... Eu não acredito que você se tornou tão sujo.
- Tamara, eu não...
-CALADO... Como você ousou fazer isso com a Joice... Gente ela deve estar acabada, foi a primeira vez dela.
- É justamente isso que eu quero falar, eu não sabia disso.
- Então se você soubesse que ela era virgem jamais teria transado com ela?
- Bem... Não, jamais teria feito isso.
- Deixa eu entender uma coisa, se ela não fosse mais virgem, essa situação teria sido normal para você?
- Sim, afinal somos adultos, o que tem mai...
O segundo tapa foi mais forte, e desta vez eu vi a repulsa na cara dela, aquilo me assustou de verdade:
- Seu idiota... Você acha que nós mulheres somos objetos de puro prazer?
- Não é isso...
-Não? Você me diz que se ela não fosse mais virgem teria sido uma situação normal. Fabrício, você já parou para pensar que das garotas que você anda transado por ai, algumas delas podem estar sofrendo por achar que você seria um cara diferente, mas não você se mostrou o verdadeiro idiota que sempre foi...
- Eu... Não pensei dessa forma.
- Não pensou... Eu sei... Eu vi... Você é igual a todos, me faz um favor some da minha frente.
Vou te dizer que aquilo doeu, o olhar de Tamara, o seu desprezo, isso sim machucou, eu não tinha mais o que falar, eu acho que mereci aquilo... Droga, por que eu faço tudo errado?
-
Me tranquei no meu quarto, fiquei sentado sobre a cama, encarei a parede... O que foi que eu fiz? Quantas pessoas eu fiz sofrer ao meu bel prazer? Desde quando eu me tornei esse cara tão... Imundo. Ao pensar nisso eu começo a esfregar as mãos como se de alguma forma eu pudesse limpar a sujeira que eu sentia no meu corpo, mas eu não seria limpo...
Afastei a minha irmã da minha vida, afastei meus amigos, eu me afastei da vida, foi igual quando eu machuquei os sentimentos do meu pai, eu não pude me desculpar, e ele se foi para sempre... Será que essa seria a solução então? A morte era uma escapatória? Uma porta de saída mais rápida?
Quando me dei conta estava no banheiro de casa, a caixa de medicamentos estava aberta na minha frente, ali havia ainda alguns remédios do tratamento do meu pai, talvez se eu tomasse, dois ou três dos comprimidos, isso resolveria o problema... Melhor vou tomar o frasco todo, se é para acabar com isso tudo que ao menos eu tenha a certeza de que será o meu fim, irei fazer isso pelo bem das pessoas... Vivis, Tamara, Joice e todas as outras que eu fiz sofrer, me perdoem.
Virei o frasco de uma vez, em três minutos eu vi tudo girar, e tudo ficou escuro.
-
Que lugar estranho, esta tudo branco, e eu estou aqui deitado... Será que é o céu? Isso esta errado, eu não deveria ter ido para um lugar tão puro.
- Senhoras e senhores com vocês o nosso palhaço AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAASTRO REEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI.
O que diabos é isso?
Me olhei e vi que estava fantasiado de palhaço, de onde surgiu esse picadeiro?
- Vai lá Astro Rei...
- Te amamos...
Por que esse povo esta gritando pra mim? Que doidera é essa? Esfrego os olhos tentando não acreditar no que vejo, e do nada tudo voltou a ser branco, exceto por mim que continuo a vestir a roupa amarela de palhaço:
- Filho...
Isso pode ser um sonho, mas a voz me soou muito real, olho para traz e vejo meu pai, ele estava também vestido que nem eu:
- Pai.
- Você esta tão lindo meu garoto.
Era inevitável não chorar, meu pai estava ali, que saudades dele... Que saudades...
- Pai... Eu...
- Não diga nada meu filho, vem aqui vem, eu quero um abraço.
Fiquei de frente para ele, eu senti o seu cheiro, era do perfume que ele sempre usava, o seu sorriso sincero, sempre divertido, mas o que me emocionou foi o seu toque, era vivo, quente e amoroso, o abracei e me senti feito uma criança, as lagrimas mancharam a maquiagem do meu rosto, isso não importa... Meu pai estava ali, era o que eu mais desejei nessa vida:
- Pai... Eu... Pai...
- Xiiii... Não diga nada filho, eu vi tudo, eu sei de tudo.
- Sabe?
- Sei sim, escute, você precisa seguir em frente filho.
- Eu estou seguindo.
- Não esta não, você esta se perdendo.
- Pai...
- Filho me escute, se afastar da sua irmã, fazer o que você fez aquela moça e a tantas outras... Não foi isso que eu lhe ensinei.
Realmente meu pai sabia de tudo mesmo:
- Eu fui um idiota né pai.
- Foi, mas você pode consertar isso.
- Como?
- Encontre-se primeiro, afinal um palhaço jamais deixa de sorrir!
- O quê?
Meu pai começou a se afastar, eu estava perdendo ele de novo... Não, eu quero ele de volta, eu preciso dele, eu nem me desculpei com ele, pai... Paaaaiiii... PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIII...
Eu não o vi mais, mas a sua voz eu escutei nitidamente ressoando ao pé do meu ouvido:
- Eu te perdoo.
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