Capítulo dezenove no ar... Boa leitura a todos!
CAPÍTULO 19:
A DATA
O jantar foi maravilhoso, a salada de frutos do mar, depois o prato principal que foi um peixe estranho que nem lembro o nome, e depois a sobremesa que foi um sorvete de damasco. O problema maior foi a conta:
- Pode deixar Fabrício que eu pago.
- Nada disso, eu sou um cavalheiro e vou pagar.
- Fabrício.
- Não vou deixar minha noiva pagar no nosso primeiro encontro.
- É estranho eu sendo a sua noiva e nós tendo o nosso primeiro encontro.
- Para mim qualquer encontro será sempre o primeiro.
Joice ficou envergonhada, eu adorava deixa-la daquele jeito:
- Senhor a conta.
-Obrigado... VALEI-ME CRISTO, TUDO ISSO?
- É um preço justo por uma boa refeição senhor.
- Deixa que eu pago Fabrício.
- Não mesmo, bem aqui esta, passa no crédito por favor... Dá pra parcelar?
- Em duas vezes.
- Ah pelamor né, hoje ninguém sobrevive assim.
- Senhor, por favor, essas são regras do restaurante.
- Ah vai fazer o quê!
Joice começou a rir, ver aquele sorriso, era o que eu mais queria, se ter que pagar um jantar caro, muito caro por sinal, me daria o prazer de fazê-la sorrir, eu não me importaria:
- Obrigado senhor, e volte sempre.
- Eu vou voltar só no ano que vem quanto eu terminar de pagar essa fortuna, vamos Joice.
Saímos do restaurante rindo, ela ria de mim, e eu ria do sorriso dela, foi um ótimo começo, tomara que para ela também tenha sido.
-
Joice me deixou em casa já era quase meia noite, diferente de quando partimos mais cedo para o nosso encontro, a volta foi mais agitada e conversamos o tempo todo, e ela sempre ria das minhas piadas:
- Ai Fabrício pare... Não aguento mais rir.
- Mas é verdade você viu como aquele garçom parecia um pinguim, só lhe faltava o bico.
- Isso eu tenho que admitir, bem chegamos.
Senti uma dor no peito ao saber que não desfrutaria mais da companhia, eu me senti tão ligado a ela:
- Bem até logo então.
- Foi maravilhoso o jantar viu.
- Maravilhoso foi ter estado ao seu lado Joice.
Trocamos um olhar daqueles bem intensos, e aos poucos fomos nos aproximando, o aroma do seu cheiro inundava minhas narinas, mais perto, seu hálito eu sinto, o gosto da sua boca eu anseio e novamente...
- OIIII GENTEEEE...
Tamara sua louca, porque teve que aparecer justo agora:
- Tamara... Ai que susto.
- Desculpa, mas eu não resistir ao ver o carro aqui parado, como acabei de chegar vim dar um oi.
- Você saiu também?
- Sim não esta vendo meu visual.
Tamara estava trajava um vestido curto com as costas nuas e um decote profundo, o que a deixa mais vulgar do que sexy:
- Ta gata amiga.
- Obrigada, e você Fabrício não vai falar nada.
- Não tenho nada a dizer... Joice a gente se fala mais tarde.
- Sim.
- Assim que chegar na sua casa me avise ta.
- Te mando uma mensagem.
- Só vou dormir depois de recebê-la.
- Ai que fofo.
Encarei Tamara, aquela situação já estava ficando insuportável, o que deu na minha vizinha para se tornar um pé no saco?
Beijei a testa de Joice e desci do carro, me posicionei ao lado do meu portão e fiquei a observar até Joice partir.
E para piorar ainda mais a minha noite, Tamara se aproximou meio cambaleado e sorrindo maliciosamente:
- Quer terminar essa noite comigo gatão?
- Tamara o que deu em você? Nunca nos tratamos assim, sempre fomos amigos.
- Eu não quero mais ser sua amiga, quero ser sua amante.
- Vá dormir, amanhã quando estiver com a cabeça no lugar voltamos a nos falar...
Na mesma velocidade em que abrir eu fechei o portão na cara de Tamara que ainda ficou ali de frente me olhando.
-
Como prometi só fui dormir depois que Joice me enviou uma mensagem e claro que eu respondi: " Sonharei com você esta noite"
A resposta veio em imediato "Eu também sonharei"
Nós somos tão fofos né.
No outro dia eu acordei atrasado, mau tive tempo para me arrumar, e sai em disparada, deixaria minha visita a casa de Vivis para mais tarde.
-
Sai de casa vestindo a camiseta e dei de cara com Tamara, no mesmo momento eu fechei a cara, a cena que me aconteceu na noite anterior não me saia da cabeça:
- Bom dia Fabrício.
- Bom dia.
A encarei com raiva, a minha vontade era de falar um monte, mas achei melhor não abrir a boca:
- Escute sobre ontem eu queria me desculpar... Não sei o que deu em mim sabe...
- Não sei e não quero saber... Só espero que aquela cena lastimável nunca mais aconteça.
- Não vai mais acontecer, eu te prometo, amigos então?
Olhei para Tamara desconfiado, não sei, uma coisa me dizia para não confiar nela, acho que deve ser um pouco de ressentimento pelo que aconteceu, então daria esse voto de confiança para ela:
- Amigos, só não me faça te ver vestida daquele jeito de novo.
- E porquê?
- Sinceramente, você estava ridícula.
- Pois eu fiz sucesso na noite.
- Ta bom... Agora eu preciso ir, já estou atrasado, até mais tarde.
Corri para o ponto de ônibus, mas antes olhei para trás e me deparei com Tamara a me encarar intensamente.
-
Depois de muito tempo sendo o palhaço Astro Rei, hoje eu fui o garçom, uma pausa nas festas infantis me ajudava a renovar as baterias, mas ainda sim eu não deixei de contar algumas piadas enquanto servia, claro que era com respeito, nada obsceno e nem pejorativo, uma boa piada não precisa ser suja para ser engraçada, ela só precisar ser bem contada:
- Ei garçom, nos conte mais piada.
- Eu preciso servir meu senhor, senão meu chefe vai servir picadinho de mim nas bandejas como aperitivo de entrada e saída.
- Esta bem... Ha Ha Ha... Você é muito engraçado.
Bem aquilo não foi uma piada, era praticamente a verdade. Assim que voltei para a cozinha onde iria recarregar minha bandeja, fui abordado por Luis que estava sério:
- Por que demorou tanto?
- Eu estava servindo.
- Se arrume então.
- Me arrumar? Mas eu já estou arrumado.
- Estou falando da roupa de palhaço.
- Pra que? Não é uma festa infantil!
- Não mas a maioria dos convidados esta falando que adoraria um show seu, você andou fazendo piadas aos convidados foi?
- A chefe... Foi mais forte que eu...
- Então vai lá pra cima e faça seu show, o dono dessa festa esta querendo pagar o dobro por um show seu.
- Comissão dupla?
- Se conseguir fazer um bom show.
- Se prepare chefe, que vai ser hoje o dia em que esse palhaço garçom vai derrubar esse buffet com tantos risos.
-
Não é que eu me gabe, mas eu sei quando sou bom numa coisa, em vez de me vestir de palhaço eu resolvi apelar para um stand up, e pelos aplausos que recebi, eu acho que fui muito bem viu:
- Um dia desses eu fui a um restaurante muito chique... Sim... Fui lá e quase deixei minhas calças e meias de tão caro que era a comida, o que eu não sabia era que se você conseguisse falar os nomes dos pratos em cinco segundos você ficaria isento de tudo, dai eu pergunto qual foi o prato que comi?
Os murmúrios ecoaram pelo salão, encarei a todos e imitei estar sussurrando um segredo:
- Querem saber o nome dos pratos? - A curiosidade agitou a plateia - Bem eu não sei por isso que paguei a conta em sete vezes no cartão de crédito e estou ate agora tentando desenrolar minha faringe por que o treco difícil viu.
O publico caiu no riso, eu então fiz a minha reverência e sai aos aplausos:
- UM SUCESSO... SUCESSO PURO...
- Falei que ia ser um sucesso.
- Falou mesmo...
- Então comissão dupla pra mim.
- Dessa parte eu não me lembro.
- A chefe...
- Brincadeirinha...
- Luiz deixe as piadas comigo esta bem.
Luis não teve tempo para retrucar, meu celular começou a vibrar, a identificação aparecia o nome de Joice:
- Alô?
- Oi Fabrício tudo bem?
- Tudo e com você?
- Bem também, eu preciso falar com você.
- Sim, mas aconteceu alguma coisa?
- Eu falo pessoalmente, tem como você vir pra minha casa agora?
- Ir agora na sua casa?
Luis fez um gesto positivo, é por isso que eu gosto do meu chefe:
- Estou saindo agora daqui.
- Vou te aguardar então um beijo.
- Outro.
Desliguei o telefone, olhei para meu chefe apreensivo:
- Algum problema?
- Espero que não, chefe.
-
Cheguei a casa de Joice o mais rápido que pude e assim que cheguei a encontrei na entrada do condomínio, senti meu coração saltitar ao vê-la, pelo menos nada de ruim havia acontecido com ela:
- Oi Joice, cheguei.
- Fabrício, que bom que chegou!
Ficamos nos olhando, era tão bom ficar ali de frente para ela, eu queria beijá-la novamente, mas não sei se poderia ir ultrapassar esse limite mais uma vez, o melhor que fiz foi sorrir:
- Por que me chamou?
- Meu bampás que falar com a gente?
- Tenho até medo do que o seu pai tem para falar com a gente.
- Humm... Alguém já esta entendendo bem grego hein.
- Andei estudando.
- Bobo, vamos lá, senão é capaz do meu pai gritar por nós lá da janela.
- Ou é capaz, dele pular de paraquedas e descer com uma faixa bem grande escrito Kóri e gamprós.
Joice riu e me puxou pelo braço, apesar das piadas eu estava realmente curioso para saber sobre o que o meu Se-dikaíou queria falar comigo... Eita já estou até pensando em grego, chique né.
-
- GAAAAAAAAAAAAAAAAAMPRÓS...
Senhor Igor me abraçou e começou a me sacudir por ambos os lados, odeio essa saudação grega, não poderíamos apenas dar as mãos?
- Senhor Igor, como tem passado?
- Com saudades do meu garotão aqui... Me conta como vão as coisas?
- Bem... Ahn... Senhor Igor o senhor me chamou aqui para isso?
- Se acomode meu agapitós Fabrício, você sabe muito bem que meu marido é muito agitado.
- Dona Vera marido não agapitós em grego?
- Muito perceptivo de sua parte gamprós, mas agapitós é querido em grego.
- Ah... Interessante.
- Vamos gamprós, me conte mais sobre a sua profissão, eu fiquei encantando com a sua demonstração naquela festa.
- Ah senhor Igor não é nada demais, eu ainda sou um garçom e em eventuais festas, me fantasio de palhaço.
- Igual o seu pai era né Fabricio.
- Ah então o seu bampás era um palhaço também meu querido gamprós.
- Sim, dona Vera, assim como Joice disse, meu pai era um palhaço, mas eu estou longe de ser como ele, meu pai era um verdadeiro sol, sempre radiante, eu nem chegaria perto de ser como ele.
- Mas esta seguindo os seus passos e não sente vergonha disso.
- Não mesmo dona Vera... Opa quero dizer mitéra.
Dona Vera sorriu, e me serviu uma xícara de chá, pelo aroma eu deduzir ser de abacaxi, meu chá favorito... Coincidência?
- Esse é seu chá favorito né gamprós?
- Sim, dona Vera como a senhora descobriu?
- Por que eu falei.
O que raios a Vivis estava fazendo ali? Isso não estava realmente acontecendo:
- SURPRESAAAAAAAAAAA... Eu e minha kóri, fomos busca-la por que hoje iremos decidir a data do seu casamento, certo filenáda Vivian
- Claro fílos Igor.
Os dois começaram a rir, enquanto eu tentava me recuperar do choque, desde quanto Vivis falava grego? E ela estava abraçando o senhor Igor... Deus o apocalipse chegou na minha vida.
-
Era apenas para decidir uma data, coisa de cinco minutos talvez, mas estava mais parecendo uma guerra entre o senhor Igor e minha irmã:
- Fílos tem que ser daqui a dois meses...
- Não filenáda, tem quer no máximo em um mês.
- Mas é pouco tempo, temos muita coisa para ver ainda...
- Um mês é o suficiente.
- Não é não.
- É sim.
- Não.
-Sim.
Os dois ficaram se encarando, e o clima de amizade entre os dois se desfez naquele momento, eu só queria dar a minha opinião sobre tudo isso, e chegarmos a uma data mais coerente, mas quem disse que eles escutavam mais alguém ali:
- Senhor Igor, dois meses ainda é pouco, deveria ser três.
- Uma eternidade, por mim já faríamos o casamento na semana que vem.
- Que absurdo, estamos falando daqueles dois, e da vontade deles sabia.
Foram sabias as palavras de Vivis, mas naquela discussão isso não se aplicava a nós, pois nem a nossa opinião pediram:
- Vivian quanto antes casarmos minha kóri e meu gamprós, logo seremos uma família.
- Pra que tanta pressa se a lua de mel já foi antecipada.
- Vivis, por favor, controle-se.
- Calado Fabrício, essa é uma conversa de gente grande.
Ata, to vendo tudo, agora até a minha vida sexual tava sendo exposta ali:
- Um mês é o meu prazo.
- Não mesmo, dois meses.
Os dois se encaram de forma ameaçadora até que a minha mitéra se levantou, fez uma tossi forçada e olhou para todos sorrindo:
- Um mês é pouco, dois meses é muito, não estão vendo que dessa forma não chegaremos a lugar nenhum.
- Amém mitéra, amém.
- Mamá o que a senhora sugeri?
- Que os noivos decidam a datas, daqui a um mês ou dois meses?
Bem eu queria resolver esse problema, mas não desse jeito, jogando a peteca em cima de nós, eu olhei para Joice aflito, não queria deixar uma pessoa feliz e outra pessoa triste, afinal aqueles dois eram bem parecidos, tanto que ficaram nos encarando de forma suplicante:
- Acho justo, vamos lá irmãzinho, decida qual é a melhor data.
- Exato, gamprós e minha doce kóri, a escolha é de vocês.
Nada de pressão vindo dos dois né, mas ao menos a escolha agora era nossa, segurei a mão de Joice, eu tinha a saída necessária para esse problema, falei baixo minha ideia ao pé do ouvido de Joice, que me olhou espantada:
- Tem certeza?
- Absoluta!
- Tudo bem então, eu vou te apoiar.
O senhor Igor e minha irmã estavam suando e aflitos, claro foi uma decisão muito rápida, mas eu não voltaria atrás:
- A data para o nosso casamento será em quarenta e cinco dias.
- O quê?
Disseram senhor Igor e a Vivis, claro eles não esperavam por aquilo, quarenta e cinco dias, exatos um mês e quinze dias:
- É pouco tempo.
- Não é muito tempo.
- Agapitós e Vivian essa foi a decisão dos noivos, e temos que aceitar isso.
- Exato, agora sim podemos brindar com esse delicioso chá a data marcada.
Vi o sorriso nascer no rosto do senhor Igor, que me abraçou, desta vez sem me sacudir e me disse:
- Fico feliz meu gamprós, agora temos que correr com a festa, pode deixar tudo por minha conta.
- Eu quero ajudar fílos.
- Claro podemos fazer algo sensacional, um tapete vermelho...
- Trompetes e muitos pratos...
- Esse é o espírito filenáda.
Em segundos, Vivis e o senhor Igor voltaram a serem os melhores amigos, e eu pude estar ao lado da minha noiva e do meu filho.
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