quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO DEZ

Bom dia leitores, bora para a nossa leitura diária? Capítulo dez no ar!
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 10:
RECOMEÇAR

                

Abrir o olho e estava de noite, minha cabeça latejava, eu estava deitado no banheiro, puxa vida, que loucura eu fiz, olhei para o chão e vi uma poça de vomito com uma boa parte dos comprimidos, bem fui salvo pelo meu próprio organismo.

Eu me levantei ainda zonzo, e lavei meu rosto, aquilo me fez bem, fiquei ate... O que raios era aquilo? Nas minhas costas, pendurado sobre o boxe havia um macacão amarelo... Era o mesmo macacão que eu usei no sonho que tive, como aquilo estava ali? De onde surgiu?

Só pode ser efeito dos remédios, que maluquice, não tinha como um macacão daquele existir em casa, não um amarelo florescente com um coração laranja na bunda... Não mesmo. Ignorei a miragem e fui para o meu quarto, ainda me senti zonzo, melhor descansar, logo de manha eu vou ter que resolver muitas coisas.

Abro a porta do quarto e me jogo na cama, ah finalmente poderia dormir e me recuperar da maluquice que fiz... Bom eu vou ajeitar o meu travesseiro, vou tirar essa peruca azul... PERUCA AZUL?

- O QUE DIABOS ESTA ACONTECENDO AQUI?

Eu precisava gritar daquele jeito para ter certeza de que não estava sonhando, primeiro era o macacão agora a peruca azul... Meu Deus estou ficando doido?

Sai do quarto e fui em direção a cozinha, eu precisava de água, estava com muita sede, abro o armário e vejo que só tem xícaras, claro eu ainda não havia reposto os copos que quebrei, assim que pego a xícara mais próxima a encho com água, dou um primeiro gole, foi a melhor sensação que já tive, quando volto a dar o segundo gole a água some e dentro da xícara tem um nariz vermelho...

- MAS... O QUÊ?

Eu só poderia estar louco, não tem outra explicação... Droga... Droga...

- Um palhaço jamais deixa de sorrir...

- QUEM ESTA AI?

- Um palhaço jamais deixa de sorrir... Um palhaço jamais deixa de sorrir... Um palhaço jamais deixa de sorrir...

O que esta havendo aqui? Quem esta falando isso? Por que essa esta repetindo a mesma frase... Pare... PAAAAAAAAAAAREEEEEEEEEEEE...

Finalmente abro os olhos, um sonho dentro de outro sonho... Que loucura, eu estava zonzo... Muito zonzo, a poça de vomito era real, mas graça a Deus não havia nenhuma macacão amarelo pendurado no Box, vou para o quarto e reviro a cama, sem peruca nenhuma, bom sinal.

Na cozinha reviro todas as xícaras, nada de nariz de palhaço nenhum... Estou aliviado, pelo menos não estou ficando louco. Voltou para sala e pego o celular, eram duas horas da manhã muito cedo para estar acordado, mas o sono foi embora... O que vou fazer então?

Apesar da zonzeira eu não queria ficar ali parado, era como se uma força me pedisse para ficar acordado, olhei para a televisão e depois olhei para o DVD, acho que poderia assistir alguma coisa, liguei os dois aparelhos e me espantei o que vi:

- Rindo é que se faz uma nação... O DVD do esteve ai todo esse tempo?

Encarei a letras na tela da TV, bom agora não ia voltar atrás, espero que esse DVD me traga ao menos um pouco de distração, apertei o play e comecei a assisti-lo.

-

Eu assisti ao DVD todo sem desgrudar os olhos, os participantes eram todos engraçados, e cativavam a plateia que os assistiam e claro a mim... Volto a dizer não era a toa que meu pai gostava tanto desde DVD, uma pena que já esteja no fim:

- A todos aqui presente na gravação desse nosso DVD, deixo os meus mais sinceros agradecimentos e lembrem-se todo palhaço nunca deixa de sorrir.

Paralisei, a mesma frase que escutei no meu sonho... Então era dali que vinha a frase, mas espera aí, eu nunca assisti ao DVD todo, essa era a primeira vez. Senti os pelos da nuca se arrepiarem, e uma ideia me passou pela cabeça, corri ate o quarto do meu pai, e me surpreendi, de todos os cômodos aquele era o único que estava totalmente limpo, sem poeira alguma ou qualquer vestígios de sujeira, manter uma porta fechada por tanto tempo economiza na fascina.

Afastei meus pensamentos de limpeza e me concentrei no baú que estava localizado no canto do quarto. Era um baú velho que meu pai guardava as suas tranqueiras da época de circo, o móvel era azul e tinha umas estrelas amarelas desenhada em todos os lados, se você esta ainda se recuperando de quase uma overdose de remédios, aconselho a não olhar diretamente para um baú repleto de estrelas, era estonteante demais.

Me aproximei do baú e tentei abri-lo claro que estava trancando, droga onde meu pai poderia ter guardado as chaves? Pense Fabrício, pense... Huumm... Se eu fosse um palhaço aposentado e com Alzheimer onde eu guardaria um objeto importante... Ta bom eu teria esquecido já que teria Alzheimer.

Droga onde ele poderia ter guardado a chave? Olhei em torno do quarto, e aquela foi a primeira vez desde a morte do meu pai que eu havia entrado ali, puxa vida como eu me sentia em paz ali, inspirei fundo, o cheiro dele ainda estava ali, dava até para imaginar que meu pai jamais havia morrido, e que a qualquer momento ele surgiria na porta com o seu sorriso brincalhão e sentaria na cama, pegaria o retrato da nossa família, um retrato antigo e... Peraí, o retrato.

Corri para o criado mudo e vi o porta retrato, na foto estavam eu criança no colo do meu pai, e minha mãe abraçada a Vivis que estava emburrada, mas o que realmente me chamou a atenção, foi a chave que estava presa por detrás do porta retrato, bingo!

Com as chaves em mãos me posicionei novamente de frente para o baú, coloquei a chave na fechadura e a girei, ouvi o som da trava se abrindo e levantei a tampa, na me espantei com o que vi, eu sabia, eu sabia.

-

Não acreditei quando vi tudo aquilo, as roupas do palhaço estavam todas aqui, o macacão, a peruca, o nariz vermelho... Até os sapatos um de cada cor, minha nossa, meu pai se vestia com aquilo?

Senti algo ao ver aquelas vestes, algo forte, como se aquilo tudo fosse um novo caminho a seguir, uma direção que me levaria de volta ao que era certo, mas o que eu poderia fazer com uma roupa de palhaço? Ficar andando por ai com elas?

Bem eu ainda não tinha ideia, mas pelo menos eu as tinha comigo, será que eu poderia ser um palhaço tão bom quanto o meu pai foi?

-

Finalmente amanheceu, e eu não dormi nada, na verdade estava sem sono, então fui pesquisar o que poderia fazer com uma roupa de palhaço, olha até que achei umas boas vagas de emprego, mas não era isso o que eu realmente queria, não sentia empolgação em fazer alguém rir sempre.

O celular desperta ao meu lado, bem era hora de voltar a minha realidade, voltar a trabalhar e tentar fazer tudo dar certo hoje, e até já sei por onde começar.

-

- OLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA...

Ninguém atende, bato palmas forte, e grito novamente:

- TEM ALGUEM AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII...

Finalmente escuto o barulho da porta se abrindo:

- Fabrício? O que você faz aqui a essa hora?

- Bom dia para você também irmãzinha, veja eu trouxe pão de queijo e manteiga, estou te convidando para me deixar tomar café ai na sua casa.

- Isso é convite que se faça Fabrício? E há essa hora?

- Mas já são sete e meia.

- Eu trabalho de tarde Fabrício, e a Julia ainda esta dormindo.

Fiquei ali parado com as sacolas na mão, acho que ela ainda não queria a minha presença, também eu agi feito um idiota esse tempo todo:

- Bem então fique com o pão de queijo, eu vou voltar para casa tá, desculpa te incomodar.

Passei as sacolas pelas grades do portão e as estiquei os máximo que pude:

- Dá pra pegar logo as sacolas.

Vivis se aproximou rindo, pegou as sacolas e destrancou o portão:

- Venha vamos tomar o seu café.

- Mas você não vai voltar a dormi?

- Agora eu já acordei né, venha eu faço o seu chocolate quente que tanto gosta.

Uivei de felicidade e Vivis caiu na gargalhada, que coisa idiota de se fazer, mas era uma forma de me sentir feliz:

- Agindo assim você lembra do pai sabia.

- Escute, eu sei que andei agindo feito um idiota durante esses dias...

- Agindo não, você é um idiota ainda.

- Dá pra não estragar o momento.

- Desculpa... Continue.

- Como eu dizia, eu sei que estava agindo como um idiota durante esses dias, mas eu percebi que só fiz isso para escapar da minha realidade. Eu te magoei Vivis, magoei mais gente, e eu só quero me desculpar pelo mal que fiz.

- Você não me fez mal Fabrício, então não tem que se desculpar.

- Mas Vivis.

- Escute agora, você fez mal a você mesmo, então peça desculpa para você, não para mim, esta bem.

Olhei para Vivis sorrindo, poxa eu tinha a melhor irmã do mundo:

- Obrigado Vivis.

- De nada, agora vamos entrar antes que o pão de queijo fique frio e sem gosto.

- Sim... Só mais uma coisa.

- O que foi?

- Essa samba canção é minha não é?

- Ah notou né, ficou ótima em mim, agora vem.

-

Sai da casa de Vivis radiante, o café da manhã estava uma delicia, ela fez o meu chocolate quente e comemos o pão de queijo juntos, conversamos animadamente, até chegar a hora em que eu deveria partir, não tive coragem de contar sobre a minha aventura na noite anterior e muito menos falar sobre o meu quase suicídio que graças a Deus meu corpo me salvou...

Ao menos Vivis e eu voltamos a ser melhores amigos. Chegando no portão da minha casa, eu ouvi passos vindo da casa vizinha, Tamara estava saindo para ir a faculdade, ela não me notou de imediato, mas assim que me viu vez a pior careta que já vi:

- Bom dia Tamara.

Ela não respondeu, isso era obvio, ela ainda estava chateada pelo que falei no dia anterior, acho que pedir desculpas não ia adiantar nessa altura do campeonato:

- Você vai mesmo me ignorar.

- Eu não falo com pessoas mesquinhas, nojentas e podres.

- Eu não sou tudo isso que você falou... Bem eu fui assim ontem, mas hoje eu sou diferente.

- Diferente é? Então é um otário hoje.

- Não, eu sou um amigo arrependido do que fiz, mas infelizmente eu não posso apagar o que falei, não posso apagar a forma como agi com você e com a Joice, eu queria muito poder voltar atrás e ter recobrado a consciência, foi errado da minha parte o que fiz, e agora o que me resta é apenas pedir desculpas.

- Acho que é um pouco tarde para se dizer isso não.

- Bom... Estou reconhecendo meu erro, é pouco, mas é o que posso fazer por hora.

Tamara me encarou séria, ao menos a careta se desfez, eu sei que reconquistar a amizade dela seria algo árduo, mas valia a pena:

- É bem pouco mesmo isso que você esta fazendo, no mínimo você deveria assumir um relacionamento com Joice.

Senti um cala frio percorrer a espinha, eu estava falando de desculpas e reconhecimento de meus erros, e ela me vem com relacionamento, acho que os assuntos se misturaram:

- Não sei se seria uma boa...

- E por quê?

- Por que Joice talvez nem queira me ver mais, e isso também seria algo do qual eu deveria tratar com ela, eu vou me redimir com ela sim, quero fazer o máximo para que ela pense que o Fabrício que saiu com ela não existe mais.

- Ela veio falar comigo ontem...

Senti novamente o frio percorrer minha espinha, o que será que elas conversaram? Antes mesmo de eu perguntar Tamara se virou e saiu caminhando:

- Eu tenho que ir agora, antes que eu me atrase.



Ela se afastou me deixando com varias perguntas sem respostas, aquilo foi o jeito dela se vingar, mulheres são sempre vingativas, mas eu sinto que logo irei saber dessa conversa.

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