quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO ONZE

Bom dia pessoal, na correria louca do dia a dia, porém dando uma pausa para a nossa leitura diária.
Capítulo onze no ar!
Boa leitura a todos"

CAPÍTULO 11:
REFAZENDO MEU MUNDO

               

Fui trabalhar e tudo parecia normal, até Luis percebeu isso assim que me viu: 

- Você esta bem melhor hein Fabrício. 

- Posso dizer que sim, e como foram as coisas por aqui ontem? 

- Tudo dentro dos conformes, esta pronto para botar a mão na massa. 

- Claro chefe, eu vou servir todos os convidados com o meu melhor sorriso. 

- É desse funcionário que eu gosto. 

Acenei para Luis e voltei a arrumar as coisas para a festa que aconteceria logo mais ali no Buffet. 


Era uma festa infantil, um rico casal de empresários resolveram fazer uma bela festa para comemorar o aniversário do casal de gêmeos que tinham, dois pentelhos bem bonitos e estavam fazendo oito anos. A menina tinha os cabelos longos e negros, a pele bem clara e os olhos bem puxados, e o garoto era a cara da irmã só que com os cabelos curtos em forma de tigela. 

Mas deu para perceber que uma inquietude vinda dos pais, eu acho que algo não esta indo conforme o planejado: 

- Onde esta o palhaço? 

- Não sei, ele não chegou ainda. 

- QUEREMOS O PALHAÇO... QUEREMOS O PALHAÇO. 

As crianças gritavam em alto som para os pais, de longe deu para notar que eles eram bem mimados, e claro tudo foi feito a gosto deles, mas nem tudo seguiu conforme o planejado. Foi quando o pai das crianças, um japonês de no máximo um metro e quarenta de altura se aproximou de mim, com uma expressão bem aflita e tentou sussurrar ao meu ouvido: 

- Tem algum palhaço no Buffet de vocês. 

- Não senhor, somente garçons, garçonetes e as cozinheiras. 

- Meu amigo, eu preciso de um palhaço, tem como você me fazer esse favor. 

- EU? 

- Eu te pago. 

- Espera ai senhor, eu não posso aceitar assim, tenho que ver com o meu chefe. 

- Então fale para ele que se por um acaso ele me arrumar um palhaço agora, eu pago o dobro para o Buffet. 

Isso seria musicas para os ouvidos de Luis, mas onde ele arrumaria um palhaço? 


- UM PALHAÇO, EU PRECISO DE UM PALHAÇO. 

Eu sabia que ele iria enlouquecer, Luis saiu gritando no meio dos funcionários a procura de um palhaço, mas onde raios ele achou que poderia encontrar um? 

- Fabrício eu preciso de um palhaço. 

- Eu sei que você precisa, mas aqui não tem nenhum. 

- Droga, vou perder o dobro do que eles pagaram... O dobro... Sabe o que é isso? 

- Sei, o dobro. 

- Engraçadinho, eu preciso de uma solução não de uma piada. 

- Mas você quer que eu faça o quê? 

- Me ajude a arrumar um palhaço. 

- Geralmente as pessoas pedem ajudas mais convencionais como lavar a louça ou fazer a comida, não me pedem para arrumar um palhaço. 

- Muito engraçado, até parece com um... 

Eu não gostei da hesitação dele, que veio seguida de um olhar brilhante na minha direção: 

- Por que você esta me olhando assim? 

- Você poderia se fantasiar de palhaço né. 

- EU? Não... Eu não tenho essa vocação. 

- Claro que tem... Sempre faz piada de tudo, é divertido, carismático... 

- E você é um mentiroso. 

- Esta vendo, foi super divertido... HAHAHA. 

- Luis menos, por favor, isso foi sarcasmo não engraçado. 

- Todo mundo adora sarcasmo. 

- Crianças não. 

- Vai Fabrício me ajuda... É o dobro. 

- Luis eu não sou um palhaço sabia, sou um garçom. 

Não sei por que, mas a frase que ouvi hoje no DVD e no sonho começou a zumbir na minha cabeça “Todo palhaço nunca deixa de sorrir... Todo palhaço nunca deixa de sorrir”. E ficou repetindo... Repetindo, enquanto Luis já estava de joelho me implorando: 

- Por favor... Por favor... Por favor... 

- TA BOOOOOOOOOOOM... 

- Sério? 

- Sério... Mas eu quero um aumento na comissão. 

- Claro o dobro. 

O dobro... O dobro... Tomara que eu faça também o dobro por essas crianças: 

- Mas e a roupa? 

Se o baú do meu pai estivesse aqui... 

- Temos que improvisar, veja com as meninas quais delas trouxeram maquiagem, e seja o que Deus quiser. 

- Você é um gênio Fabrício. 

Luis saiu correndo em busca das garçonetes enquanto eu respirava fundo e claro pensava na burrada que estava fazendo... “Todo palhaço nunca deixa de sorrir...” Ah cala a boca mente... Eu espero que essas crianças possam rir, porque senão quem vai chorar vai ser o meu chefe. 


Eu já estava pronto e maquiado, na hora em que Luis pediu por maquiagem, literalmente todas as meninas foram para suas bolsas e trouxeram lápis, pó branco, batons, batons, brilhos e muitas outras coisa, tinha até uma tal de panqueca que deixou meu rosto branco: 

- Como é que se chama isso? Panqueca? 

- É pancake, e não se mexa. 

Bem não importar, o caso é que me deixaram como rosto branco, usaram umas sombras e pintaram entorno do meu olho direito num losango azul e no outro deixaram normal, meu nariz foi pintado de vermelho e meus lábios da mesma cor, me arrumaram um chapéu de aba curta, de onde surgiu isso eu não faço a menor ideia, mas me caiu bem. Usei as luvas brancas e meu uniforme padrão, camisa social branca, colete e minha gravata borboleta. Pronto estava um palhaço de rua: 

- Esta perfeito Fabrício. 

- Luis, é bom que isso dê certo... 

- Vai dar, agora vai lá e anime essa festa. 

Só pra lembrar eu não sabia nada sobre animar festa, mas vamos lá. O palco estava montado, havia um punhado de crianças, todas ansiosas pelo palhaço, Luis tomou a frente no palco, pediu a atenção com a mão, e todos encaram ele: 

- Boa tarde jovens, senhores e senhoras, agora para a alegria de vocês, eu vos apresento, oooooooooooooooooooooooooooo PALHAÇO. 

- QUAL O NOME DO PALHAÇO MOÇO? 

Maldita criança porque teve que gritar isso, antes que Luis inventasse um nome ridículo, o que já bastou a sua apresentação horrível, eu entrei no palco dando uma cambalhota no chão ao qual senti minhas costelas estralarem e fiquei de joelhos de frente para o palco sorrindo: 

- SOU O AAAAAAAAAAAAAASTRO REEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIII... 

Deus obrigado por eles terem aplaudidos. 


Admito que foi divertido, apesar de não ter nenhum item surpresa, ou uma flor que cospe água, eu até que me sai bem, pulei com as crianças, dancei as musicas infantis, fiz mil e uma acrobacias, ta a minha coluna esta destruída, brinquei de trenzinho, cantamos cantigas infantis, e tudo isso por duas horas, o pai dos gêmeos ficou tão feliz que resolveu pagar o triplo para Luis, e eu queria minha fatia desse bolo: 

- Foi um sucesso, adorei o palhaço, vocês me surpreenderam. 

- Nosso prazer é em satisfazer sempre o cliente. 

Satisfazer? Sei, Luis tava de olho no cartão de crédito do cara enquanto passava na maquininha: 

- Bom senhores, estamos indo agora, vou indicar esse Buffet a todos os meus amigos e claro o serviço desse palhaço maravilho... Astro rei, você foi o rei da festa. 

- Muito obrigado senhor. 

Nos saudamos, e ele finalmente partiu, em minutos todos deixaram o salão e eu pude desabar numa cadeira: 

- To morto! 

- E eu to rico! 

- Ta mesmo, quero comissão tripla viu. 

- Combinamos dobro Fabrício. 

- Ele te pagou três vezes mais, e eu to todo moído, ou é isso ou vai receber a conta do fisioterapeuta para arrumar minhas costelas. 

- Ta bem chorão, você recebe o triplo. 

- Gosto assim. 

- Mas eu tenho que concordar viu, você foi ótimo, nunca pensei que seria um palhaço tão divertido e bem humorado. 

- Nem eu pensei que seria tão divertido assim, acho que herdei os genes do meu pai. 

- O melhor foi que você nunca deixou de sorrir. 

- Claro que não, e sabe por quê? 

- Porque? 

- Por que palhaços nunca deixam de sorrir... Agora eu vou me arrumar. 

- Mas e o salão? Você não vai ajudar a arruma-lo não? 

- Trabalhei por dois hoje, fui garçom e palhaço, quer que eu faça mais ainda? 

- Bem... Por hoje então você esta liberado, mas amanhã você trate de ficar até o final. 

- Pode deixar chefe... Ah, amanhã eu vou trazer minha roupa de palhaço vai que surja outro convite desse. 

Apesar de ser brincadeira, eu bem estava cogitando a hipótese de fazer isso de verdade, ser o Astro Rei me fez ver algo novo para minha vida, e talvez essa seja a forma da qual eu poderia usar da fantasia que encontrei, tomara que tudo isso tenha sido um sinal para o meu recomeço.

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