segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO DEZESSETE

Bom dia caros leitores, começando mais uma semana com um ótimo capítulo.
Bora ler então. Capítulo dezessete no ar!
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 17:
SENTIMENTO QUE FLORESCE

                

Ouvir o coração do bebê foi emocionante, o som era abafado, mas alto e vibrante, não sei por que mas eu logo senti que era um menino, acho que a paternidade mudou a minha vida, eu não via a hora de ter o bebê nos meus braços:

- Bom, esta tudo bem com você e com o bebê, aqui estão os exames iniciais que você precisa fazer o quanto antes e me trazer os resultados esta bem?

- Sim doutor Lucas, obrigado por enquanto.

Saímos do consultório todos eufóricos, claro que nesse quesito o senhor Igor era um mestre:

- Meu neto é muito forte, ouvirão o coração? Pulsa igual o meu.

- Menos bampás, bem menos.

- Ora kóri, é verdade.

- O importante senhor Igor é que ele tenha saúde, com quem vai parecer é o de menos.

- Sabias palavras meu gamprós.

- Obrigado dona... Como a senhora se chama?

- Pode me chamar de Vera, ou se preferir mitéra que é sogra em grego.

- São muitas palavras em gregos para se aprender, por enquanto dona Vera esta bom.

- Como queira Fabrício, estou feliz que tenha reaparecido, eu já estava pensando que iria deixar minha linda filha abandonada.

Aquilo soou um pouco ameaçador, foram dias sem aparecer, mas eu tive meus motivos e Joice sabia disso:

- Mamá eu já expliquei os motivos.

- Eu sei minha linda, mas brigas não podem afastar um casal, principalmente um casal que se combina tão bem.

Desta vez fui eu quem ficou corado, era estranho pensar em Joice como minha noiva, eu meio que não entendia como tudo isso aconteceu, mas talvez esse seja o meu destino:

- Bom agora eu vou ter que ir, tenho uma casa para arrumar e me preparar para o trabalho de amanhã.

- Gamprós você não vai aceitar a nossa oferta?

- O senhor disse que me daria tempo, e também existe outras pessoas envolvidas.

- Quem?

- Minha irmã dona Vera, ela não iria aceitar a minha mudança assim do nada, todos os dias eu vou tomar café na casa dela, depois da morte do meu pai, eu tive um surto de idiotice, mas foi ela quem me acordou para a realidade.

Olhei para Joice quando citei a palavra surto, ela tinha que saber que me arrependi de como as coisas aconteceram, e que eu estava ali para fazer a diferença na vida dela:

- Você poderia trazer a sua irmã para morar com a gente também.

- Ah senhor Igor você não conhece a minha irmã.

- Então vamos até a sua casa agora, adoraria conhecê-la e já firmamos isso tudo.

Deus, o que deu nesse homem? Voltou a surtar é?

- Senhor Igor, vamos com calma, tudo esta indo a uma velocidade fora do normal, o senhor terá sim a oportunidade de conhecer a minha irmã, mas por enquanto, vamos ficar assim esta bem, eu vou para minha casa, mas estou de olho no celular, qualquer coisa, o mínimo que seja me avise que saiu voando de onde estou para te amparar.

Segurei a mão de Joice e a olhei profundamente, minha nossa, ela ficava mais linda estando tímida, e deu para perceber que ela também estava me admirando, acho que estávamos nos correspondendo:

- Você me liga assim que chegar na sua casa?

- Sempre... Quero dizer sim.

- Então ta bom.

Ficamos nos encarando, eu não sabia se poderia beija-la ou se estaria ultrapassando um estreito limite de confiança, fiquei com receio de apenas eu estar começando a nutri um sentimento por ela, então beijei a sua testa, era um sinal de respeito, mas deu para sentir sua pele queimar, como a minha:

- Até mais meu se-dikaíou e minha mitéra, a partir de hoje vocês sempre terão noticias minhas, eu não vou mais deixa-los a mercê.

- Nós sabemos disso meu gamprós, confiamos na sua palavra.

Dona Vera me abraçou e logo em seguida o senhor Igor veio e me sacudiu e fiz uma nota mental: “procurar no internet sobre saudações gregas”. Eu tinha que me precaver né.

-

Antes de ir para a minha casa eu resolvi atualizar Vivis sobre os últimos acontecimentos, na verdade eu queria mesmo era saber a opinião dela sobre tudo isso que estava acontecendo:

- Ola irmã, como é que você está?

- Já vai desembuchando logo o quer!

- Isso é jeito de se falar com seu irmão caçula?

- Quando você vem cheio desse lenga lenga sim... O que foi desta vez?

- Na verdade não é nada, só que hoje eu fui na consulta de Joice ao obstetra.

- E já sabem o sexo?

- Pelamor foi consulta e não ultrassonografia... Você esta até parecendo meu se-diskaíou.

- Seu quem?

- Meu sogro.

Vivis me olhou espantada e parou seus afazeres domésticos e se sentou a minha frente:

- Você se encontrou com o consulado novamente.

- Na verdade ele que me procurou.

- Como assim?

- Ele foi até o buffet e me viu fantasiado de palhaço, ficou la toda a apresentação e depois foi falar comigo.

- Mentira?

- Verdade.

- Cê ta poderoso hein irmão... O consulado foi ate você.

- Pois é foi estranho isso.

Fiquei mudo depois e comecei a olhar para a mesa, Vivis me conhecia bem para saber que eu estava confuso:

- Sobre o que conversaram?

- Sobre tudo, ele perguntou por que não estava morando lá dai eu disse que não dava que tive alguns contra tempos... Mas ai ele me perguntou uma coisa.

- O que ele perguntou?

- Se eu gostava da filha dele.

- E você respondeu o que?

- Eu não respondi, na verdade mesmo ele afirmou que eu gostava dela... E agora eu estou mais confuso que tudo.

Vivis sorriu e pegou uma caneca no armário, despejou café nela e antes de tomar o primeiro gole ela disse:

- Você esta gostando de Joice.

- Até você!

- Fabrício o que tem mais em gostar de uma pessoa?

- Estamos falando da Joice a filha do consulado grego, poderosa, rica, linda e olha pra mim... O palhaço.

- Fabrício pare com isso, você é lindo meu irmão.

- Mas não posso dar a vida que ela tem hoje.

- O que o seu... Como se diz sogro mesmo?

- Se-diskaíou.

- Isso aí... Se ele não esta se opondo a vocês, porque você tem que se opor?

- Por que estamos falando de um casal com vidas sociais diferentes... Eu sei que para o senhor Igor isso não importa, mas pra mim sim.

- E porque você se importa tanto?

- Eu não sei se vou ser capaz de fazê-la feliz.

- Então você gosta dela?

Eu me calei, não teria coragem de ouvir minha voz, mas na minha mente eu já tinha a resposta:

- Fabrício eu já te falei como eu e a Julia começamos a namorar.

- Sim, vocês se conheceram numa festa, tiveram um forte laço de amizade e bimba eis que surgiu a oportunidade de começarem uma vida.

- Mas eu te falei que a Julia era filha de um deputado federal com uma ex miss?

Fiquei paralisado, eu não sabia desse detalhe da história:

- A Julia abriu mão de todo luxo para ficar comigo, já que seus pais não aceitaram a nossa relação e você sabe porque?

- Porque vocês eram um casal gay?

- Não... Porque eu não tinha nada a oferecer a ela, o pai dela chegou a querer me comprar, mas não há dinheiro no mundo que compre o meu amor por ela.

- Puxa vida... Que história.

- E sabe porque eu te contei isso?

- Para eu pedir a Joice que abra mão da sua fortuna e venha morar comigo?

- Pra que ela vai abrir mão de algo que não lhe faz mal e ainda tem o apoio dos pais?

- Por que eu sou pobre?

- Ela já chegou a te falar alguma vez que a diferença social e financeira de vocês seria um agravante para se casarem?

- Não.

- Então meu irmão... Você tem tudo para ser feliz, eu vejo de longe o quanto você gosta dela, e se quer um conselho, não perca tempo com essas bobagens, se o sentimento é recíproco não há dinheiro que os compre.

Eu amo a minha irmã, ela sempre sabe o que me dizer, não importar a situação, ela sempre sabe como calar as minhas dúvidas:

- Vivis você é ótima sabia.

- Claro que eu sei... Agora que tal você começar a agir hein.

Abracei minha irmã, que ao retribuir o gesto teve uma crise de tosse:

- Você esta bem Vivis?

- Foi seu abraço, apertou meus pulmões.

- Exagerada... Eu vou indo, te vejo amanhã esta bem.

Vivis começou a tossir e acenou com o braço, acho que realmente eu a abracei bem forte.

-

Cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi ligar para Joice, ouvi o primeiro toque, tomará que ela atenda, segundo toque, quero muito dizer que estou mesmo gostando dela, terceiro toque, não posso perde tempo, quarto toque, porque ela não atende? Quinto toque, será que ela ainda me odeia?

- Alô?

- Joice?

- Fa-Fabrício...

- Oi...

Ficamos mudo, que situação viu o que eu falo?

- Chegou agora?

- Eu estava na casa da minha irmã.

- Ah contou sobre o seu dia foi?

- Na verdade fui pedir um conselho.

- Huuum... Ela é muito sua amiga né.

- Sim, na verdade ela quase a minha mãe.

Eu não queria falar de Vivis, mas de nos dois:

- Escute, eu não sei o que meu pai te falou hoje, mas quero que você saiba que não esta obrigado a se casar comigo.

- Você não quer isso?

- Não... Quero dizer sim... Eu só quero que você faça a sua escolha por vontade própria.

- E eu só quero o melhor para você.

- Fabrício... Se fosse antes eu acreditaria nas suas palavras.

- Joice, apenas escute, eu sei que fui um idiota, te tratei mal, mas eu quero te provar que mudei, nem que isso dure a eternidade.

- Eu sei que você esta se esforçando.

- E ainda é pouco, mas se me der uma chance podemos recomeçar do zero.

- Acho difícil recomeçarmos nessa altura do campeonato.

- Saia comigo novamente, escolha o lugar, e tudo mais, eu prometo que a respeitarei, que serei um lorde.

- Eu não sei...

- Por favor... Eu quero reescrever a nossa história, quero fazer desse conto de drama no melhor dos romances.

Era verdade, eu queria aquilo mais que tudo nessa vida:

- Esta bem, amanhã a noite, eu vou escolher o lugar e te mando por mensagem.

- Combinado, eu te garanto que não irá se arrepender.

- Eu sei que não até amanhã.

Joice desligou o telefone, e eu comecei a saltitar na sala, era um inicio do qual eu não estragaria, não mais.

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