terça-feira, 11 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO QUATORZE

Bom dia pessoal, bora começar nosso dia com mais uma excelente leitura!
Capítulo quatorze no ar!

Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 14:
UM JANTAR NADA CASUAL

                

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH MEU GAROTO, ACERTOU EM CHEIO HEIN... VOU SER TITIAAAAAAA...

Essa foi à reação de Vivis, bem esse foi o segundo momento, por que antes eu tive que contar toda a historia de como tudo aconteceu, e claro ouvi aquele sermão que toda irmã sempre dá e depois ouvi outro sermão por ela ser mulher:

- É por isso que eu optei por gostar de mulher, se um homem faz isso que você fez comigo eu acho que eu teria matado ele.

- E hoje teria um filho solteira sem o apoio do super pai que eu vou ser.

Tem horas que a Vivis se esquece do bom senso viu:

- Mas ao menos tudo agora esta se encaixando né Fabrício, o que você vai dizer para os pais da Joice... Ah eu quero conhecê-la também viu.

- Eu não sei o que vou dizer aind... CONHECÊ-LA? Pra que?

- Como pra quê? Eu quero conhecer a prometida do meu irmão.

- Prometida... Que termo mais antigo... Ei ela não é minha prometida.

- Então o que vai dizer aos pais dela quando for lá amanhã... Olha eu vou dar todo apoio ao sua filha, mesmo sendo o pai e não vou me casar com ela.

- Vivis isso não tem graça, filho não segura ninguém... Muito menos arruma casamento.

- Fabrício, eu só estou te falando no que eu iria pensar se um rapaz viesse aqui na minha casa e falaria que a minha filha estava grávida dele. Obvio, ele vai assumir e se casar com ela, por que para isso ter acontecido é muito evidente que vocês estão tendo um relacionamento, e que isso não foi uma noite de loucuras e bebidas onde nenhum dos dois se lembrou do que era camisinha, e o detalhe principal, que a menina ainda era virgem.

Tem horas que eu odeio a minha irmã, principalmente quando ela tem razão, eu não havia pensando nisso. Amanhã é como se eu confirmasse que estava tendo um caso com a Joice, o que será que ela estava achando disso tudo?

- Bom o importante é que amanha eu vou lá e decido na hora o que vou falar.

- Só não vá fazer burrada.

- Maior burrada que essa é impossível né Vivis.

- Meu irmãozinho, nós estamos falando de você, e nos últimos quinze minutos você me contou burradas em cima de burradas, então eu não vou me surpreender com mais nada vindo de você.

Em respeito a minha irmã, eu não a mandei por inferno, mas vontade não faltou:

- Obrigado pelo apoio viu irmã querida.

- Pare de sacarmos e vamos contar a novidade a Julia, ela vai adorar saber que vai ser titia... Será que podemos ser as madrinhas? Gente e se for gêmeos... Nossa que emoção.

- Vivis dá pra calar a boca.

-

Trabalhar foi como uma distração, principalmente agindo como palhaço, fazer o povo rir era revigorante, me fez esquecer por horas da minha atual situação, porem eu aprendi que não posso fugir dos meus problemas, eu tinha que encara-los de frente:

- O Astro Rei precisa ir embora...

Um coro de aaaaaaaaaaaahhh vindo das crianças era hilário:

- Mas antes de rir vamos repetir a nossa frase... Todo palhaço...

- NUNCA DEIXA DE SORRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIR...

Aplaudi junto com as crianças, e percebi que aquela frase também tinha que ser valida para mim, não poderia deixar de sorrir, mesmo se a vida me derrubasse eu cairia sorrindo e me reergueria sorrindo. Só espero que hoje à noite eu não tenha motivos para forçar um sorriso.

-

Me vesti da melhor forma que podia, um terno azul escuro, uma camisa branca e uma gravata preta, bem formal para causar uma boa impressão, mesmo que na minha mente ficasse ainda zunindo a conversa que tive com Vivis... Será que Joice iria me apresentar como seu namorado? Não que isso fosse ruim, mas eu não queria que as coisas acontecessem dessa forma, bem eu poderia ter evitado, enfim... Agora não posso chorar pelo leite derramado, meu filho já esta lá dentro da Joice crescendo e eu tenho que assumir minhas responsabilidades.

Olho para o relógio que marca dezenove horas, bem era o momento de sair, assim que abro a porta de casa já encontro Tamara de frente ao portão:

- Ainda bem que saiu, já ia te chamar.

- Era mais fácil eu ir te chamar porque estou pronto há horas. Então com o estou?

- Esta um verdadeiro lorde, mas acho que vai precisar mais do que um terno bonito para impressionar os pais de Joice.

- Tenho até medo de perguntar, mas por que vou precisar de mais?

- Por que eles são dois executivos internacionais de uma ONG de combate à fome no mundo, fora isso são embaixadores de um consulado Europeu, e possuem ótimas referencia no exterior.

- Ta bom, e eu sou apenas um garçom e um palhaço num Buffet, e infelizmente para eles eu engravidei a filha querida deles.

- Calma garotão, eu apenas estou falando de como os pais de Joice são pessoas importantes.

- Na verdade você esta dizendo o quanto os pais dela tem dinheiro e eu não, esta bem claro isso ta bom.

- Entenda com quiser.

- Vamos antes que eu me arrependa de ir.

- Agora é tarde meu bem, a criança já esta lá dentro, não tem como voltar atrás.

- Eu sei... Eu falei isso para Joice, darei toda a assistência que a criança precisar, se ela quiser eu até cuido do bebê para ela poder seguir a vida.

- Até parece que ela vai aceitar isso.

- Para quem falou um monte de besteiras hoje acho que ela aceitaria sim.

Ficamos ali nos encarando, Tamara sempre estaria do lado da amiga, e eu sempre seria o vilão, mas eu estou pagando pelos meus erros, estou arrependido e vou tentar a todo custo consertar minhas falhas, mas isso não significaria que para todo o sempre eu seria um crápula:

- Vamos Fabrício, antes que eu estrague esse seu disfarce de bom homem.

- Sem comentários sobre o que você acabou de falar.

Seguimos para o ponto de taxi mais próximo, fui no banco da frente enquanto Tamara seguia para o banco traseiro, ela passou o endereço ao motorista que logo deu a partida e saímos. Apesar da nossa pequena discussão eu estava feliz por Tamara esta ali, querendo ou não ela foi à pessoa com quem eu mais poderia contar naquele exato momento. 

Tomara que esse jantar não seja uma catástrofe mundial.

-

Chegamos ao local indicado, era a parte mais rica da cidade, cara o prédio ao qual paramos era enorme, deveria ter uns trinta andares, eu mal consegui enxergar o topo dele. Tamara desceu do taxi e se posicionou ao meu lado:

- É grande né.

- Imenso, já pensou o quanto deve ser difícil limpar esse prédio por fora?

- Essa seria a ultima pergunta que eu pensaria, mas vindo de você...

- Vai começar é?!

- Escute Fabrício, vamos estar diante de pessoas poderosas, que tem classe, por favor não haja feito um idiota.

- Eu vou ser eu mesmo, estou aqui para ajudar Joice, não para ser visto com bons olhos por ninguém, deixo isso bem claro.

Tamara abriu a boca, mas não retrucou, ela sabia que seria uma discussão desnecessária, e para aquele momento tenso de nossas vidas, algo desnecessário era o que menos importava:

- Então como vamos entrar? Tipo como vamos chamar a Joice?

- Antes de chegarmos eu enviei uma mensagem de texto para ela, ele deve estar descendo agora... Olha ela lá.

Joice apareceu na entrada do condomínio, vestida num vestido de festa em formato de sereia vermelho e com vários brilhos, ela estava reluzente, mas se era apenas um jantar pra que ficar tão arrumada:

- Oi gente!

- Arrasou na produção amiga!

- Obrigada Tamara.

- Pra que tudo isso se é apenas um jantar.

Tamara e Joice trocaram um longo olhar... Ok havia um segredo do qual eu não sabia:

- Vão contado o que esta acontecendo aqui, agora mesmo.

- Calma Fabrício, eu posso explicar tudo.

- Eu estou esperando uma explicação mesmo Joice, pois eu vim para um jantar no intuito de conversar com seus pais sobre... Você sabe.

- É exatamente isso que vai acontecer, você vai jantar com a minha família.

- Então porque você esta vestida como se fossem para uma festa de quinze anos.

- Ou para um noivado!

- É ou para um noivado... NOIVADO... COMO ASSIM TAMARA?

- Fabrício, a família de Joice é muito tradicional, ela não pode dizer para todos que esta... Você sabe a situação em que ela esta e simplesmente todos vão aceitar, então ela vai te apresentar como noivo dela, e tudo ficará bem.

- Tá eu estou indo para uma festa de noivado onde eu sou o noivo e eu não sabia e nada?

- A Fabrício, não banque o ofendido agora.

- Ofendido, se toca garota, eu vim com a melhor das intenções e sou surpreendido com isso. Me arrumam um casamento sem me consultar... Droga viu.

Eu realmente estava chateado, odeio esse tipo de surpresas, se elas tivessem me dito tudo desde o começo teria sido mais fácil, mas não, elas tiveram que agir pelas minhas costas:

- Ta vendo Tamara eu falei que ele não ia aceitar... Agora eu estou frita.

Vi Joice começar a fungar, e se tem uma coisa que eu odeio mais do que ser surpreendido, é ver uma mulher chorar:

- Escute Joice, eu... Eu vim aqui para conversar com seus pais, para deixar claro que vou dar todo o apoio possível para o nosso filho, não quero que as coisas fujam disso entendeu.

- Falou o homem do ano.

- Tamara cala essa boca.

- Não calo não, escute você essa situação só aconteceu por que você foi um idiota.

- Eu já me desculpei pelo que fiz, e estou pagando pelos meus erros, prometi que vou ajudar e estou aqui, mas isso não significa que tenho que sair com uma aliança no dedo direito.

- Na verdade meus pais são gregos, então não trocamos alianças ainda.

- Joice, eu vou dar o suporte para o nosso filho, mas agora casar com você... Já é outro assunto.

- E o que tem demais você se casar com ela?

Eu não queria admitir, mas acho que não havia alternativa:

- Eu não vou poder a vida que ela tem hoje, eu sou um palhaço, não um embaixador, nem formação eu tenho, e você mesmo Tamara disse que eles eram pessoas importantes, e eu sou um nada, como posso me casar com uma filha de gente tão importante.

As duas caíram na gargalhada, e eu claro fiquei com cara de mané:

- Por que vocês estão rindo?

- Você é um fofo sabia.

- Fofo? Eu to aqui preocupado como o seu pai vai me receber, o que ele vai achar e você diz que eu sou fofo?

- Chega de conversa vai, vamos entrar antes que fique mais tarde.

Tamara e Joice seguiram de braços dados enquanto eu ficava sem entender nada, mas a única certeza que tive era que estava indo para o meu noivado... Acho que Vivis acertou em cheio viu.

-

Bom se aquilo era considerado um apartamento, então a minha casa eu a chamaria de ovo de codorna, aquilo ali era tão grande que acho que apenas a sala era do tamanho da minha casa toda:

- Venham gente eu vou apresentar a minha família.

- Como assim a sua família?

- Ah então... Aqui moram eu, meus pais, meus avós paternos e maternos, dois tios meus, três tias, meus padrinhos, e alguns primos.

- Mora tanta gente aqui? Quantos cômodos tem nessa casa?

- Nesse andar acho que uns vinte, mas o andar de baixo já esta quase pronto para acomodar o resto das pessoas que estão por vim.

Ta bom eu tive o pior choque de realidade da minha vida, eu queria sair correndo e me esconder na humilde casa de poucos cômodos e contar minhas moedas pra comprar o pão de amanhã:

- O que foi Fabrício? Esta chocado?

- Eu estou aterrorizado.

- Eu bem suspeitei disso, agora vamos, não tem mais volta.

Tamara me puxo pelo braço, enquanto eu tentava me lembrar de como era respirar. Ao longo da sala encontramos Joice a nossa espera, ela se posicionou ao meu lado, e entrelaçou seu braço ao meu:

- Preparado meu noivo?

- Acho que não tenho escapatória.

- Se liga Fabrício, vai ser divertido.



Respirei fundo, era melhor não dizer mais nada ou eu sairia correndo, estufei o peito e assenti com a cabeça, e começamos a caminhar, rumo à sala de jantar que estava muito silenciosa por sinal.

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