Capítulo vinte e seis para vocês.
Boa leitura a todos!
CAPÍTULO 26:
QUEBRANDO OS PRATOS
Todos os homens e eu seguimos para a igreja, eu segurava um buquê, ele era feito de rosas com diversas cores, tinha azul, rosa, vermelho, laranja, branco e lilás, era bem bonito. Dentro do carro do senhor Igor que dirigia estava com um irmão dele, chamado Lucca e atrás íamos eu, Helio e um dos filhos de Lucca, um rapaz loiro chamado Nicolas:
- Puxa Fabrício você me parece tão calmo.
- É só fachada Nicolas, eu to mais ansioso do que de costume.
- Deve estar bem ansioso mesmo, pois não falou nada, e olha que você é um tagarela adelfós.
- Sou nada.
- É sim gamprós... Você é um verdadeiro conversador.
- Puxei meu se-dikaíou.
- O bampás fala bastante mesmo.
- Falar é bom... Chegamos.
A igreja estava lotada de carros, minha nossa, eu nunca vi tanta gente reunida, era um falatório danado, assim que desci do carro, fui recepcionado por todos da família, mas graças a Deus não fui sacudido, ao longe eu vi minha irmã e Julia, ambas vestiam uma roupa discreta, Julia vestia um simples vestido verde com poucas pedrarias, e um sapato com um saltinho, e minha irmã estava com um terno feminino preto com risca de giz, e ela estava usando uma sapatilha, um fato raro:
- Vivis, você esta diferente.
- Olha quem fala, o meu irmão que se veste sempre de noivo... Você esta lindo meu irmão, cheguei a ver o semblante do pai em você.
As palavras foram carregadas de emoção, era um dia especial, sem uma pessoa especial ali presente:
- Vivis, o pai deve estar sorrindo agora, feliz por ver seu filho casando, devemos lembrar dele de forma especial, então não chore esta bem.
- Eu não vou chorar, senão a Julia me mata.
- Mato mesmo.
Só depois que eu reparei bem foi que percebi, a Vivis estava... Maquiada?
- Maquiagem... Isso é um fato inédito.
- Fui eu quem fiz cunhado, ficou bom?
- Ficou ótimo, Vivis você deveria usar mais vezes maquiagem, esta muito natural.
- Não tenho paciência para essas coisas, bastava um brilho labial.
- Brilho labial... Você acha que só existi isso de maquiagem né Vivian.
- É a única que sei usar.
Dei risada da situação, ao longe escutamos os sons de buzinas e gritos, e do meio da multidão o senhor Igor grita:
- A NÝMFI CHEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOUUU...
- Quem é essa Fabrício.
- A noiva Vivis, se acomodem a cerimônia vai começar.
-
As tradições gregas são bem diferentes das convencionais, pois eu tinha que esperar a noiva e iríamos entrar juntos, as portas da igreja estavam fechadas, eu estava do lado de foram e esperava Joice sair logo do carro, eu não me aguentava de ansiedade, o senhor Igor se certificou que ninguém ficasse do lado de foram, somente ficaram eu, ele e a noiva no carro.
Olhando para os lados e tendo absoluta certeza de que ninguém estava ali, ele finalmente abriu a porta, e toda a ansiedade que eu senti se transformou em emoção, Joice estava linda, usava o clássico vestido branco, com mangas de rendas, os cabelos foram todos enrolados em grandes cachos, o trabalho de pedraria era perfeito, um longo véu que vinha do topo da cabeça e se espalhava pelo chão, acha-la linda foi pouco:
- Não chore gamprós... Ah minha kóri.
- Parem os dois vai, senão eu acabo chorando também e vou borrar a maquiagem.
- Você esta maravilhosa minha amada, aqui esta o seu buquê.
- É lindo...
- Escutem os dois eu tenho algo para vocês.
- Mas senhor Igor, a cerimônia...
- Tome coloquem isso.
O senhor Igor nos entregou um par de narizes de palhaço, e quando percebi ele já estava usando um:
- Eu sei o quanto você desejaria que seu pai estivesse aqui, então eu resolvi fazer isso em sua homenagem.
Contive as lágrimas, essa seria a melhor demonstração de amor que eu poderia dar ao meu pai. Sorri e coloquei nariz, depois olhei para Joice que também colocou objeto:
- Se quiser não precisa colocar amor.
- Eu quero fazer isso, somos um casal, estamos juntos não importa a situação.
- Eu te amo.
- Eu também te amo.
Entrelaçamos os braços, o senhor Igor se posicionou ao lado da porta e fez a contagem com os dedos, e no três ele abriu a porta, antes de entrar eu tive a mais bela visão, todos os presentes usavam um nariz de palhaço, e num grande telão posto na igreja estava a foto do meu pai com a minha frase:
- Um palhaço nunca... Deixa...
Não pude terminar de falar, fui tomado pela emoção, pai... Obrigado... Obrigado!
-
A cerimônia foi interessante, um ortodoxo grego fez toda a consagração, na cerimônia temos apenas um padrinho que claro foi o Edson, agradeci por isso pois não imaginava ninguém melhor que ele para abençoar a nossa união. Após o ortodoxo dizer as últimas palavras em grego, todos começaram a gritar Na zisete que era vida longa, fizemos as trocas de aliança, mas não as colocamos na mão esquerda e sim prevaleceu na direita, ou seja, eu já estava casado há muito tempo com Joice, interessante não.
Saímos da igreja e fomos recepcionados por grãos de arroz algumas pétalas de rosas, alguns convidados se aproximaram nos abraçavam e depositavam envelopes dentro do paletó do meu terno:
- O que é isso?
- É tradição em casamentos gregos os convidados darem dinheiro para ajudarem os noivos.
- Mentira?
- É verdade, olha o theíos Lucca.
- NA ZISTE ANIPSIÁ
- Efcharistíes Theíos.
Ele nos abraçou e depositou um envelope no meu paletó, gente que casamento doído, e eu ia querer apenas uma geladeira nova?
- Fabrício a sua irmã
- Felicidades aos noivos...
- Obrigado irmã... E obrigado pela homenagem.
- Ficou tão na cara assim que foi armação?
- Claro, estou muito feliz, você é a melhor irmã do mundo.
- Bem eu não sou rica, mas esta aqui o meu presente.
Vivis colocou também um envelope no meu bolso, e claro que eu ia contestar, mas ela já levantou a mão e me disse com o dedo no meu nariz:
- Não reclame, resmungue ou fale qualquer coisa... Só me prometa que será feliz.
- Já estou sendo Vivis...
Nos abraçamos e os cumprimentos continuaram, até chegarmos ao carro, no pouco espaço de tempo, eu recebi cerca de cinquenta envelopes:
- Nossa to chocado com isso, o que vamos fazer com todo esse dinheiro.
- Isso nós vemos depois meu marido lindo.
Joice me beijou os lábios sorrindo, agora nós éramos marido e mulher, unidos para sempre:
- Então minha esposa o que vamos fazer agora?
- Vamos para a festa, temos que quebrar os pratos.
-
O quebrar de pratos era uma tradição antiga, hoje não muito usada, mas o senhor Igor fez questão de usar tudo o que era antigo, assim que chegamos à festa, havia uma pequena quantidade de pratos, deu para notar que era pratos de gessos, ou seja, feito para serem quebrados e não machucarem ninguém. Joice me arrastou para o meio da pista de dança, me entregou um prato e todos começaram a aplaudir num mesmo ritmo, era uma musica grega, um som costumeiro e logo todos começaram a dançar em nossa volta, talvez era o momento de jogar o prato no chão:
- Vamos amor, quebre o prato.
- Tem certeza?
- Absoluta.
Encarei o prato e sem pensar o joguei no chão, todos gritaram ao mesmo tempo assim que o objeto se despedaçou:
- NA ZISETE...
E voltaram a bater palmas e a dançar, uma orquestra surgiu e entrou no ritmo das palmas com os instrumentos, em seguida foi Joice quem quebrou o seu prato, e novamente todos gritaram a saudação na zisete, era divertido. Logo vários convidados pegaram alguns pratos e começaram a quebrar também, ao longe eu vi o brilho nos olhos de Vivis ao quebrar o seu prato, tenho certeza que ela queria fazer isso mais que qualquer um:
- Essa é a dança Quebra pratos amor, dizem que é para espantar os maus espíritos e assombros.
- É divertido.
- Então vamos quebrar mais meu amor.
Assenti com a cabeça, e pegamos mais alguns pratos e os quebramos, eu realmente queria mesmo que aquilo espantasse todos os maus espíritos.
-
A equipe de limpeza veio e limpou tudo, então começou a sessão de fotos, mais abraços, saudações, mais envelopes e tudo mais. A festa esta super animada, reconheci alguns convidados como a equipe que trabalhava comigo no Buffet e fiquei feliz em vê-los:
- Venha amor, quero te apresentar o meu chefe.
- Eu estou apresentável?
- Amor você esta de noiva.
- É verdade, havia me esquecido.
- Vamos.
Me aproximei da mesa onde Luis estava sentado, e o vi tomando um bom gole de hidromel:
- Ola chefe tudo bem?
- Tudo sim meu funcionário favorito... Que festança hein, já peguei algumas ideias aqui para aplicar ao nosso Buffet.
- Até aqui fica pensando em trabalho é.
- Tenho que gerar lucro meu amigo... Vem cá deixa eu te abraçar.
Realmente Luis não estava no seu normal, acho que o hidromel fez efeito muito rápido:
- Deixe o garoto em paz Luis, ele veio apenas nos saudar, e tem muitos outros convidados ainda.
- A Chica, vamos comemorar.
- Ele esta bêbado?
- Até por demais... Ah menino felicidades para vocês viu, e para esse anjinho que esta vindo.
Dona Chica acariciou a barriga de Joice e beijou-lhe a face:
- Obrigada dona Chica, fico honrada em conhecer a senhora, o Fabrício fala muito bem da sua comida viu.
- Nada que ninguém possa fazer melhor que eu... Agora vão curtir a festa de vocês, eu tenho que segurar o Luis.
- Obrigado por ter vindo dona Chica aproveite a folga.
Dona Chica sorriu e puxou Luis para a cadeira, pois ele já estava que nem doido dançando, esse meu chefe é uma figura, saudamos mais alguns convidados, e fomos parar na mesa da família, onde estavam dona Vera, o senhor Igor, Hélio, Vivis e Julia:
- Gampróoooooooooos... Na zisete.
- Obrigado se-dikaíou, a festa esta sensacional.
- Isso é o mínimo que faço por vocês, venham esse é o meu presente.
- Não senhor Igor do senhor eu não vou aceitar nada.
- Mas gamprós... É o meu presente.
- Presente maior eu já tive quando o senhor me deixou casar com a sua filha.
O senhor Igor recolheu o envelope e me abraçou:
- Ah gamprós... Você é maravilhoso... Te peguei.
Num rápido reflexo ele jogou o envelope no bolso do paletó, que danadinho:
- Não devolva ou você vai ter mais de sem gregos aqui querendo te bater.
- Senhor Igor, o senhor não existe.
- Agora o meu presente.
- Hélio, até você.
- Relaxa adelfós, não é dinheiro.
- E o que seria meu adelfáki?
- Isso aqui minha mikrí adelfí.
Hélio colocou em minha mão direita uma chave... Uma chave de um carro:
- Presente meu e da minha empresa, faça bom proveito.
- Ah Hélio, obrigado.
- Não precisa agradecer... Agora você não tem mais desculpa para chegar atrasado ao seu emprego.
- Não mesmo.
Todos riram, era o dia mais feliz da minha vida, nada poderia estragar:
- FABRÍCIO... AINDA BEM QUE TE ENCONTREI.
- Edson... O que foi? Por que esta ofegante?
- Tem uma pessoa querendo entrar na festa?
- Uma pessoa... Quem?
- Tamara.
Eu tive vontade de gritar, “QUEBREM MAIS PRATOS”, mas acho que nem assim esse assombro iria embora, o que essa mulher veio fazer no meu casamento:
- Eu vou resolver isso.
- Senhor Igor, por favor, fique aqui, eu vou.
- Amor, eu também vou com você.
- Lua da minha vida, não quero estragar esse dia que é o mais importante da nossa vida, deixe que eu vou resolver isso esta bem.
- Sti chará kai ti thlípsi... Sabe o que significa isso?
- Pelo pouco de grego que sei é na alegria e na tristeza.
- Juramos isso ao altar, não posso quebrar essa promessa, eu vou com você.
Sorri para minha esposa, ela tinha razão, agora éramos um só, e juntos expurgaríamos esse mau.
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