sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO VINTE E SEIS

Bom dia leitores, sexta feira no ar e com ela mais um capítulo dessa história fascinante.
Capítulo vinte e seis para vocês.
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 26:
QUEBRANDO OS PRATOS

                

Todos os homens e eu seguimos para a igreja, eu segurava um buquê, ele era feito de rosas com diversas cores, tinha azul, rosa, vermelho, laranja, branco e lilás, era bem bonito. Dentro do carro do senhor Igor que dirigia estava com um irmão dele, chamado Lucca e atrás íamos eu, Helio e um dos filhos de Lucca, um rapaz loiro chamado Nicolas:

- Puxa Fabrício você me parece tão calmo.

- É só fachada Nicolas, eu to mais ansioso do que de costume.

- Deve estar bem ansioso mesmo, pois não falou nada, e olha que você é um tagarela adelfós.

- Sou nada.

- É sim gamprós... Você é um verdadeiro conversador.

- Puxei meu se-dikaíou.

- O bampás fala bastante mesmo.

- Falar é bom... Chegamos.

A igreja estava lotada de carros, minha nossa, eu nunca vi tanta gente reunida, era um falatório danado, assim que desci do carro, fui recepcionado por todos da família, mas graças a Deus não fui sacudido, ao longe eu vi minha irmã e Julia, ambas vestiam uma roupa discreta, Julia vestia um simples vestido verde com poucas pedrarias, e um sapato com um saltinho, e minha irmã estava com um terno feminino preto com risca de giz, e ela estava usando uma sapatilha, um fato raro:

- Vivis, você esta diferente.

- Olha quem fala, o meu irmão que se veste sempre de noivo... Você esta lindo meu irmão, cheguei a ver o semblante do pai em você.

As palavras foram carregadas de emoção, era um dia especial, sem uma pessoa especial ali presente:

- Vivis, o pai deve estar sorrindo agora, feliz por ver seu filho casando, devemos lembrar dele de forma especial, então não chore esta bem.

- Eu não vou chorar, senão a Julia me mata.

- Mato mesmo.

Só depois que eu reparei bem foi que percebi, a Vivis estava... Maquiada?

- Maquiagem... Isso é um fato inédito.

- Fui eu quem fiz cunhado, ficou bom?

- Ficou ótimo, Vivis você deveria usar mais vezes maquiagem, esta muito natural.

- Não tenho paciência para essas coisas, bastava um brilho labial.

- Brilho labial... Você acha que só existi isso de maquiagem né Vivian.

- É a única que sei usar.

Dei risada da situação, ao longe escutamos os sons de buzinas e gritos, e do meio da multidão o senhor Igor grita:

- A NÝMFI CHEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOUUU...

- Quem é essa Fabrício.

- A noiva Vivis, se acomodem a cerimônia vai começar.

-

As tradições gregas são bem diferentes das convencionais, pois eu tinha que esperar a noiva e iríamos entrar juntos, as portas da igreja estavam fechadas, eu estava do lado de foram e esperava Joice sair logo do carro, eu não me aguentava de ansiedade, o senhor Igor se certificou que ninguém ficasse do lado de foram, somente ficaram eu, ele e a noiva no carro.

Olhando para os lados e tendo absoluta certeza de que ninguém estava ali, ele finalmente abriu a porta, e toda a ansiedade que eu senti se transformou em emoção, Joice estava linda, usava o clássico vestido branco, com mangas de rendas, os cabelos foram todos enrolados em grandes cachos, o trabalho de pedraria era perfeito, um longo véu que vinha do topo da cabeça e se espalhava pelo chão, acha-la linda foi pouco:

- Não chore gamprós... Ah minha kóri.

- Parem os dois vai, senão eu acabo chorando também e vou borrar a maquiagem.

- Você esta maravilhosa minha amada, aqui esta o seu buquê.

- É lindo...

- Escutem os dois eu tenho algo para vocês.

- Mas senhor Igor, a cerimônia...

- Tome coloquem isso.

O senhor Igor nos entregou um par de narizes de palhaço, e quando percebi ele já estava usando um:

- Eu sei o quanto você desejaria que seu pai estivesse aqui, então eu resolvi fazer isso em sua homenagem.

Contive as lágrimas, essa seria a melhor demonstração de amor que eu poderia dar ao meu pai. Sorri e coloquei nariz, depois olhei para Joice que também colocou objeto:

- Se quiser não precisa colocar amor.

- Eu quero fazer isso, somos um casal, estamos juntos não importa a situação.

- Eu te amo.

- Eu também te amo.

Entrelaçamos os braços, o senhor Igor se posicionou ao lado da porta e fez a contagem com os dedos, e no três ele abriu a porta, antes de entrar eu tive a mais bela visão, todos os presentes usavam um nariz de palhaço, e num grande telão posto na igreja estava a foto do meu pai com a minha frase:

- Um palhaço nunca... Deixa...

Não pude terminar de falar, fui tomado pela emoção, pai... Obrigado... Obrigado!

-

A cerimônia foi interessante, um ortodoxo grego fez toda a consagração, na cerimônia temos apenas um padrinho que claro foi o Edson, agradeci por isso pois não imaginava ninguém melhor que ele para abençoar a nossa união. Após o ortodoxo dizer as últimas palavras em grego, todos começaram a gritar Na zisete que era vida longa, fizemos as trocas de aliança, mas não as colocamos na mão esquerda e sim prevaleceu na direita, ou seja, eu já estava casado há muito tempo com Joice, interessante não.

Saímos da igreja e fomos recepcionados por grãos de arroz algumas pétalas de rosas, alguns convidados se aproximaram nos abraçavam e depositavam envelopes dentro do paletó do meu terno:

- O que é isso?

- É tradição em casamentos gregos os convidados darem dinheiro para ajudarem os noivos.

- Mentira?

- É verdade, olha o theíos Lucca.

- NA ZISTE ANIPSIÁ

- Efcharistíes Theíos.

Ele nos abraçou e depositou um envelope no meu paletó, gente que casamento doído, e eu ia querer apenas uma geladeira nova?

- Fabrício a sua irmã

- Felicidades aos noivos...

- Obrigado irmã... E obrigado pela homenagem.

- Ficou tão na cara assim que foi armação?

- Claro, estou muito feliz, você é a melhor irmã do mundo.

- Bem eu não sou rica, mas esta aqui o meu presente.

Vivis colocou também um envelope no meu bolso, e claro que eu ia contestar, mas ela já levantou a mão e me disse com o dedo no meu nariz:

- Não reclame, resmungue ou fale qualquer coisa... Só me prometa que será feliz.

- Já estou sendo Vivis...

Nos abraçamos e os cumprimentos continuaram, até chegarmos ao carro, no pouco espaço de tempo, eu recebi cerca de cinquenta envelopes:

- Nossa to chocado com isso, o que vamos fazer com todo esse dinheiro.

- Isso nós vemos depois meu marido lindo.

Joice me beijou os lábios sorrindo, agora nós éramos marido e mulher, unidos para sempre:

- Então minha esposa o que vamos fazer agora?

- Vamos para a festa, temos que quebrar os pratos.

-

O quebrar de pratos era uma tradição antiga, hoje não muito usada, mas o senhor Igor fez questão de usar tudo o que era antigo, assim que chegamos à festa, havia uma pequena quantidade de pratos, deu para notar que era pratos de gessos, ou seja, feito para serem quebrados e não machucarem ninguém. Joice me arrastou para o meio da pista de dança, me entregou um prato e todos começaram a aplaudir num mesmo ritmo, era uma musica grega, um som costumeiro e logo todos começaram a dançar em nossa volta, talvez era o momento de jogar o prato no chão:

- Vamos amor, quebre o prato.

- Tem certeza?

- Absoluta.

Encarei o prato e sem pensar o joguei no chão, todos gritaram ao mesmo tempo assim que o objeto se despedaçou:

- NA ZISETE...

E voltaram a bater palmas e a dançar, uma orquestra surgiu e entrou no ritmo das palmas com os instrumentos, em seguida foi Joice quem quebrou o seu prato, e novamente todos gritaram a saudação na zisete, era divertido. Logo vários convidados pegaram alguns pratos e começaram a quebrar também, ao longe eu vi o brilho nos olhos de Vivis ao quebrar o seu prato, tenho certeza que ela queria fazer isso mais que qualquer um:

- Essa é a dança Quebra pratos amor, dizem que é para espantar os maus espíritos e assombros.

- É divertido.

- Então vamos quebrar mais meu amor.

Assenti com a cabeça, e pegamos mais alguns pratos e os quebramos, eu realmente queria mesmo que aquilo espantasse todos os maus espíritos.

-

A equipe de limpeza veio e limpou tudo, então começou a sessão de fotos, mais abraços, saudações, mais envelopes e tudo mais. A festa esta super animada, reconheci alguns convidados como a equipe que trabalhava comigo no Buffet e fiquei feliz em vê-los:

- Venha amor, quero te apresentar o meu chefe.

- Eu estou apresentável?

- Amor você esta de noiva.

- É verdade, havia me esquecido.

- Vamos.

Me aproximei da mesa onde Luis estava sentado, e o vi tomando um bom gole de hidromel:

- Ola chefe tudo bem?

- Tudo sim meu funcionário favorito... Que festança hein, já peguei algumas ideias aqui para aplicar ao nosso Buffet.

- Até aqui fica pensando em trabalho é.

- Tenho que gerar lucro meu amigo... Vem cá deixa eu te abraçar.

Realmente Luis não estava no seu normal, acho que o hidromel fez efeito muito rápido:

- Deixe o garoto em paz Luis, ele veio apenas nos saudar, e tem muitos outros convidados ainda.

- A Chica, vamos comemorar.

- Ele esta bêbado?

- Até por demais... Ah menino felicidades para vocês viu, e para esse anjinho que esta vindo.

Dona Chica acariciou a barriga de Joice e beijou-lhe a face:

- Obrigada dona Chica, fico honrada em conhecer a senhora, o Fabrício fala muito bem da sua comida viu.

- Nada que ninguém possa fazer melhor que eu... Agora vão curtir a festa de vocês, eu tenho que segurar o Luis.

- Obrigado por ter vindo dona Chica aproveite a folga.

Dona Chica sorriu e puxou Luis para a cadeira, pois ele já estava que nem doido dançando, esse meu chefe é uma figura, saudamos mais alguns convidados, e fomos parar na mesa da família, onde estavam dona Vera, o senhor Igor, Hélio, Vivis e Julia:

- Gampróoooooooooos... Na zisete.

- Obrigado se-dikaíou, a festa esta sensacional.

- Isso é o mínimo que faço por vocês, venham esse é o meu presente.

- Não senhor Igor do senhor eu não vou aceitar nada.

- Mas gamprós... É o meu presente.

- Presente maior eu já tive quando o senhor me deixou casar com a sua filha.

O senhor Igor recolheu o envelope e me abraçou:

- Ah gamprós... Você é maravilhoso... Te peguei.

Num rápido reflexo ele jogou o envelope no bolso do paletó, que danadinho:

- Não devolva ou você vai ter mais de sem gregos aqui querendo te bater.

- Senhor Igor, o senhor não existe.

- Agora o meu presente.

- Hélio, até você.

- Relaxa adelfós, não é dinheiro.

- E o que seria meu adelfáki?

- Isso aqui minha mikrí adelfí.

Hélio colocou em minha mão direita uma chave... Uma chave de um carro:

- Presente meu e da minha empresa, faça bom proveito.

- Ah Hélio, obrigado.

- Não precisa agradecer... Agora você não tem mais desculpa para chegar atrasado ao seu emprego.

- Não mesmo.

Todos riram, era o dia mais feliz da minha vida, nada poderia estragar:

- FABRÍCIO... AINDA BEM QUE TE ENCONTREI.

- Edson... O que foi? Por que esta ofegante?

- Tem uma pessoa querendo entrar na festa?

- Uma pessoa... Quem?

- Tamara.

Eu tive vontade de gritar, “QUEBREM MAIS PRATOS”, mas acho que nem assim esse assombro iria embora, o que essa mulher veio fazer no meu casamento:

- Eu vou resolver isso.

- Senhor Igor, por favor, fique aqui, eu vou.

- Amor, eu também vou com você.

- Lua da minha vida, não quero estragar esse dia que é o mais importante da nossa vida, deixe que eu vou resolver isso esta bem.

- Sti chará kai ti thlípsi... Sabe o que significa isso?

- Pelo pouco de grego que sei é na alegria e na tristeza.

- Juramos isso ao altar, não posso quebrar essa promessa, eu vou com você.

Sorri para minha esposa, ela tinha razão, agora éramos um só, e juntos expurgaríamos esse mau.

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