sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO DOZE

Bom dia leitores, bora começar mais um dia com uma boa leitura?
Capítulo doze no ar!
Boa leitura a todos e um excelente final de semana!

CAPÍTULO 12:
UM SORRISO NO MEIO DO DESESPERO

                

Voltei para casa feliz comigo mesmo, fiz algo novo e diferente, literalmente o meu dia não foi convencional, mas pelo menos eu me divertir. Desci no ônibus e de longe eu reconheci Joice e Tamara, as duas estavam conversando, acredito que seja ainda sobre a perda repentina da virgindade da Joice, será que esse seria o momento de me aproximar? E como uma resposta vinda do céu, meu celular vibra, era Edson:

- Alô.

- Fala meu camarada como você esta?

- Bem e você?

- Estou na atividade, escuta eu tenho que te falar uma coisa.

- Aposto que é sobre a Joice.

- Como você sabe meu camarada?

- Por que ela esta aqui na frente do portão da casa da Tamara.

- Então nem se aproxime viu.

- Edson, eu fiquei sabendo pela Tamara que ontem as duas ficaram conversando, você sabe o que foi que elas falaram?

- Bem, eu fiquei sabendo pela Suzana que Tamara não quer te ver vestido de sunga branca com os pelos do peito depilado.

- Eu não tenho o peito cabeludo e muito menos sunga branca.

- Eu sei, mas eu quis deixar tudo mais divertido.

Cara, tem gente que sabe contar piada, mas tem outras que se esforçam e no fim da isso:

- Enfim, aposto que ela não quer falar comigo por conta do que eu falei e tudo mais.

- Exato, ela disse que você a tratou como uma qualquer.

- Bem na verdade eu fiz isso, eu disse que não contaria a ninguém e que poderíamos esquecer o que aconteceu.

- Então ta explicado a revolta dela, bem já que ela esta ai então nem se aproxime ta bom.

Não respondi, eu queria esclarecer logo tudo isso, eu sei que jamais teria a amizade de Joice novamente, mas também não quer ser o vilão eterno:

- Fabrício você não esta pensando o que eu estou pensando esta?

- E eu lá sei o que você esta pensando?

- Sabe sim.

- Edson, eu te ligo mais tarde.

- Caaaaaaara não vá fazer burrada.

- Tchau Edson.

Burrada, eu faço sempre, mais uma para a coleção não seria uma novidade.

-

Elas perceberam que eu me aproximava, e eu pude ver Joice ficar aflita, quase desesperada, realmente eu fiz uma burrada:

- Ola garotas.

Sem respostas, e agora o que eu poderia fazer? Passar direto seria como confirmar que eu ainda sou um canalha, mas tentar conversar e ser ignorado também seria demais:

- Ninguém vai responder mesmo?

- Boa tarde Fabrício.

- Obrigado Tamara.

Olhei para Joice, ela estava de rosto virado, talvez fosse um misto de apavoro com receio, sei lá, mas ela não queria manter contato visual comigo, eu no lugar dela faria o mesmo:

- Joice, eu queria... Me desculpar pela minha atitude na noite anterior.

Ela não respondeu, ficou a olhar para o céu, mas eu não vou desistir assim tão fácil:

- Eu não sabia... Da sua situação, e mesmo que você não fosse mais... Ah você sabe, eu não tinha o direito de assedia-la sem estar no seu juízo perfeito.

Um pequeno olhar ela deu, foi de relance, mas ao menos ela estava começando a ceder:

- Sei que não posso mais ser seu amigo, e você tem todo o direito de ficar me ignorando, eu aceito isso, é a minha punição pelo mal que já fiz, ou talvez seja apenas o começo, eu de todo o coração sinto muito, se eu pudesse fazer...

- Não você não pode fazer nada.

Ela quebrou seu voto de me dirigir à palavra, sem me olhar eu puder sentir a raiva que sua voz transmitia:

- Não tem nada mesmo que eu possa fazer mesmo...

- Você acha que é assim né? Faz a coisa toda errada, e simplesmente quer corrigir de alguma forma?

- Corrigir eu não posso, mas ao menos quero demonstrar que estou arrependido e que não vou fazer isso outra vez.

- E não vai mesmo, e se quer fazer algo de bom para demonstrar o seu arrependimento, faça o seguinte, desapareça da minha vida.

- Se esse for o seu desejo, eu faço.

Cruzei o portão da minha casa, e o fechei logo atrás, é como eu disse se esse seria a minha punição eu aceitaria. Abrir a porta e entrei, logo a fechei e fui tomar um copo de água, minha garganta estava seca, mas pelo menos eu havia esclarecido esse acontecimento.

-

O tempo foi passando, como prometido pelo pai dos gêmeos o Buffet foi indicado e nossas festas infantis duplicaram, eu me tornei o palhaço oficial, e claro utilizei as roupas do meu pai para o papel, definitivamente o Astro Rei existia e fazia Luis ficar radiante com o pagamento.

Tamara e eu estávamos nos falando como antigamente, tá havia um certo receio ainda, mas pelo menos não tocávamos mais nesse assunto e eu definitivamente não perguntava nada sobre Joice, apesar de eu ainda querer saber dela, se realmente ela já havia superado todo o ocorrido. Eu realmente deseja que sim, ela não merecia ficar presa a esse tipo de magoa.

Meu tratamento com Edson também deu uma caída, com a vinda do Astro Rei, eu consegui alguns trabalhos pro fora então não tinha tempo para ficar saindo de noitada com ele, o que era bom já que não gostaria de voltar a ser o mané que fui um dia. Não que o Edson seja um mané, mas ele é dessa vida, isso faz parte dele, sabe tem coisas que devemos entender, como o predador que é o Edson, e o mané que era eu ao tentar imita-lo.

Quase todos os dias eu passava na casa de Vivis, mesmo quando ela não estava eu ficava conversando com Julia, e ela me confessou o projeto que elas tinham sobre adotar uma criança, achei sensacional, eu seria tio, algo que nunca passou pela minha cabeça acontecer.

Havia se passado dois meses, eu estava em casa de folga, uma merecida folga, e assistia alguns DVD’s infantis, isso era material bom para minhas apresentações, afinal cada musica nova tinha que estar na ponta língua. Eu estava na sala comendo um lanche feito por mim mesmo, claro eu havia reposto os pratos e copos quebrados, e também a casa estava limpa, não deixaria mais o meu santo e sagrado lar ficar imundo como antes. Enfim, no meio do meu lanche e entre a nova versão da musica Atirei o Pau no Gato, eu percebi um movimento do lado de fora, alguma coisa estava acontecendo. Fui até a janela e vi Joice no portão, ela estava chorando, e Tamara a amparava, não sei o que me deu, mas eu corri do jeito que estava e fui até elas:

- O que houve meninas?

Vi o olhar de Tamara chamuscar para o meu lado, enquanto Joice estava enterrada com a cabeça no ombro da amiga:

- O que houve? Aconteceu alguma coisa com ela Tamara?

- Aconteceu sim.

- Eu posso fazer algo... Ajudar em alguma coisa.

Tamara trincou os dentes, droga o que foi que eu fiz agora?

- Ta... Não... Diga... Nada...

- Mas Joice...

- Eu conto... Eu preciso fazer isso.

- Gente o que houve? Eu estou começando a ficar preocupado?

Joice me encarou, e foi estranho, não sei quando foi a ultima vez que realmente trocamos um olhar, mas deu para ver que por de trás das lagrimas havia o desprezo, ela não havia superado:

- Eu estou grávida Fabrício!

Fiquei espantado, minha nossa, essa foi uma noticia chocante:

- Puxa... Parabéns, quem é o pai?

Vi Tamara cerrar os punhos e Joice me olhar com mais desprezo ainda, não... Aquilo não era possível:

- Peraí... Eu sou o pai?

- Parabéns pela descoberta bonitão. O que pensa em fazer?

O sarcasmo não me atingiu, o choque ainda era demais para retrucar as alfinetadas de Tamara, e agora, e agora?

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