quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO QUINZE

Bom dia leitores, retomando após um feriado divertido com a nossa leitura diaria.
Capítulo quinze para vocês.
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 15:
SURPRESAS E MAIS SURPRESAS

                

Assim que entramos na sala de jantar, eu fiquei em choque, a família toda se levantou e veio me abraçar como se eu fosse um parente da família, eu até fiquei sem jeito:

- Oh meu gamprós.

- Seu o que?

- Meu pai ta dizendo genro em grego.

- Então todo mundo já ta sabendo?

Tamara e Joice assentiram com a cabeça... Eu fui enganado, e duas vezes:

- Meu genro querido, sente-se aqui venha.

Uma senhora de longos cabelos loiros me puxou para sentar entre ela e o pai de Joice, depois todos se sentaram a volta e ficaram me olhando:

- O que foi? Estou com alguma coisa no rosto?

- Estamos esperando...

- Esperando o que senhora?

- O pedido...

Eu não estava entendendo, até olhar para Tamara a ver fazendo um gesto de colocar um anel no dedo direito... Mentira, eles estavam esperando o pedido de casamento assim? Nós nem nos falamos direito:

- Vamos gamprós, tenha coragem.

Eu não iria me acostumar aquilo, que povo mais doido:

- Bampás não assuste o Fabrício.

- Minha kóri, faço isso para o seu bem.

Agora eles começaram a falar em códigos só pode ser...

- Er... Será que eu poderia usar o banheiro?

- Claro, meninos levem ele.

Uma legião de uns vinte homens me arrastaram da mesa, o que diabos estava acontecendo? Eu só queria usar o banheiro:

- Pronto, pode usar o banheiro.

Eu e a legião de homens entramos num grande comodo com algumas portas... Mentira que aquilo ali era um banheiro comunitário?

- Vamos adelfós, é bom fazer logo o pedido e para podermos comer.

- Eu me chamo Fabrício.

- Adelfós é cunhado em grego.

Diz um dos rapazes rindo da minha cara... Eu só queria saber por que tanta gente estava ali, bom eu precisava de privacidade, então entrei no banheiro privativo, e fiquei ali sentado no vaso respirando um pouco, e imaginado a loucura na qual eu me enfiei.

-

Não tinha muito tempo para pensar, logo fui retirado do banheiro, e levado de volta à sala de jantar, onde novamente eu fui colocado entre os pais de Joice:

- Então...

- Tá eu vou fazer o pedido.

Gritos e vivas foram feitos por todos, minha nossa que família mais barulhenta, o meu futuro sogro me entregou uma caixinha de joia e sussurrou ao meu ouvido:

- Faça o pedido e dê isso a ela.

Eu me levantei fui até Joice que estava vermelha de tanto rir, aposto que ela estava se divertindo com isso tudo, então me ajoelhei e fiz o tão aclamado pedido:

- Joice gostaria de ser a minha esposa.

- Sim aceito.

Novamente tivemos gritos, vivas, uivos e... Pratos se quebrando, eu ouvi dizer que no casamento se quebravam os pratos, não num pedido:

- Essa é uma pré celebração meu querido, vamos comemorar.

Uma musica que nunca ouvi começou a tocar, e logo todos começaram a dançar, eu fiquei mais confuso e tonto diante de tanta gente, pensei que meu noivado seria desse jeito:

- Vamos lá gamprós, venha dançar.

A mãe de Joice me puxou para o meio do povo e começou a se sacudir de forma estranha, eu mal sabia dançar, muito menos sabia dançar essas danças gregas:

- Mas eu não sei...

- Venha...

Logo o povo começou a pular, e me jogar de um lado para outro... Se aquilo era uma dança eu não queria imaginar como seria uma briga. Tamara estava afastada ao lado de Joice que riam euforicamente da minha situação.

Pelo menos alguém tinha que se divertir né, mesmo que seja com o meu sofrimento, eu pude ver o quanto Joice sorria, acho que os temores se foram, isso era bom, bom para ela e para o bebê.

-

Depois de toda aquela farra, finalmente nos sentamos a mesa e começamos a comer, eu estava ao lado de Joice e Tamara do outro lado, eu não sabia se já poderíamos abordar sobre a gestação, se aquilo seria um choque, vai saber que os gregos ali tirassem espadas debaixo da mesa e me degolassem. Afinal eles eram imprevisíveis, mas é quando Joice se levanta e claro me levanta junto também:

- Aproveitando esse evento eu e meu noivo temos uma novidade.

- Novidade minha kóri... O que mais pode trazer felicidade a esse seu velho pai?

- Eu estou énkyos.

Eu não sei o que aquilo significava,mas pelo gesto acho que foi grávida, daí choveram mais abraços, beijos, empurrões, danças e eu só queria comer meu jantar...

- Gampros, você é rápido hein, que felicidade.

O pai de Joice me abraçava de um lado ao outro, eu já estava tonto com as sacudidas dele:

- Ah... Obrigado, mas eu queria terminar de com...

- Vamos comemorar, gynaíka bota a musica.

A mãe de Joice ligou o aparelho de som e novamente começamos a nos sacudir, nos empurrar e tudo mais... Que purgatório eu estava vivendo ali, eu até preferiria que esses consulados fossem frios e apenas me olhassem com desprezo... Tá eu estou mentido vai, eu até que gostei dessa loucura toda, exceto de tanta comemoração:

- Tenho um comunicado a fazer.

Ah meu Deus, agora eu ia ter um treco, o pai de Joice subiu em cima do sofá claro comigo ao seu lado e berrou:

- Meu gamprós e minha kóri vão morar aqui a partir de já, quero ver meu engonós crescer lindo e saudável.

Tá eu não sei quem era o engo-alguma-coisa, mas morar ali? Não aquilo era demais:

- Só um momento senhor... Como o senhor se chama?

- Me chame de Se-dikaíou.

- Senhor Se-dicailhou.

- Não gamprós... Se-Di-ka-íou.

- Que nome estranho.

- Fabrício esse não é o nome do meu pai, isso é sogro em grego, ele se chama Igor.

Não era mais fácil ele ter dito isso desde o começo

- Senhor Igor, eu estou adorando tudo isso, mas morar aqui, eu já não posso, tenho um casa para cuidar, e tenho um trabalho também.

- Gamprós, aceite meu pedido, eu quero mesmo ter minha kóri junto de mim.

Ah pai do céu, onde eu fui amarrar meu jumento:

- Mas senhor Igor.

- Se-dikaíou... Me chame assim esta bem.

- Eu não sei falar isso senhor.

- Mas vai aprender, então traga as suas coisas pra cá sim, essa noite mesmo.

Eu não tive tempo de recusar ou falar qualquer coisa, logo todos os homens começaram a pular e a se jogar em cima de mim, me empurraram e eu já não sabia mais o que estava acontecendo ali.

-

- A sua cara Fabrício... Estava impagável... Ai minha barriga como dói.

- Pare de rir Tamara, isso é sério.

- Ah Fabrício, sinta-se honrado não é sempre que meu pai elogia uma pessoa assim.

- Joice, eu vim aqui para jantar, conversar, e no fim eu fui sacudido, lançado para o teto, para o chão, nem pude usar o banheiro em paz, e agora tenho que mudar para cá.

- E isso é ruim, você vai ter todo o conforto e luxo que eu tenho.

Aquilo foi como uma ofensa para mim, eu não queria aquilo, eu tinha minha casa, meu trabalho a minha vida, não queria viver a custa de ninguém:

- Eu nunca pedi isso Joice, eu vim para dar o meu apoio a sua gestação, não vim com o intuito de ser um abusado que quer se aproveitar do seu pai, diga a ele que eu não vou morar aqui com ele sim.

Eu me virei e comecei a andar, Tamara saiu correndo e me segurou pelo braço sem entender absolutamente nada:

- Fabrício o que deu em você?

- Eu que pergunto, o que deu em vocês duas? Vocês acham que eu vim aqui para se comprado? Que eu não fui sincero ao dizer que vou dar meu apoio a meu filho... Você acha que só porque a sua família Joice tem dinheiro que eu me venderia? Pois esta enganada, eu amo meu trabalho, amo ser o palhaço que sou agora, eu trago o riso e a felicidade, e não me importo de morar numa casa pequena.

- Calma Fabrício, não foi isso que eu quis dizer, é só que agora com a ajuda do meu pai, nós podemos ter tudo o que quisermos.

Eu ainda não acreditei no que Joice disse, ela achou eu poderia me vender assim, de tudo que aconteceu, acho que aquilo me machucou muito, mas era melhor não dizer nada, voltei minha atenção para a rua voltei a caminhar:

- Até mais Joice, mande minhas desculpas ao senhor Igor esta bem.

Caminhei a passos largos, e fiquei a pensar na minha filosofia de vida: “todo palhaço nunca deixa de sorrir... todo palhaço nunca deixa de sorrir”. Apesar da vontade de gritar que eu estava. Foi humilhante ver que Joice me via daquele jeito, talvez esse seja apenas o inicio do acerto de contas pelo mau que fiz.

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