quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O ASTRO REI - CAPÍTULO DOIS

Bora para mais um dia de leitura?
Capítulo dois no ar!
Boa leitura a todos!

CAPÍTULO 2:
MELHOR FICAR QUIETO

                

Deixei meu pai descansar um pouco, e fui mexer na internet, era uma das minhas poucas distrações para os meus dias de folgas, apesar que eu viveria melhor sem essas folgas.

Consultei meu e-mail nada de novo, depois acessei minha conta bancaria, ótimo Luiz depositou o dinheiro do evento, já tenho como pagar o aluguel desse mês, fui para as redes sociais, nada de interessante, só gente falsa escrevendo frases de incentivos ou alfinetando alguém. Tinha até uma frase da Tamara “Tudo posso naquele que me fortalece, Rumo a vestibular, serei uma dentista qualificada”. Gente ela não se cansa disso, ela não vai passar no vestibular, não passou até hoje.

Bom deixe ela com seus sonhos, enquanto eu vivo minha infeliz realidade. Eu continuei a ver as publicações, nada de novo... Odeio minhas folgas...

- Marisa... Marisa...

Levanto atordoado, meu pai estava sonhando com a minha mãe novamente, mesmo tendo os surtos dele, eu sei que ele sente falta dela:

- Marisa... Não se vá... Não me deixe sozinho... Marisa.

Me aproximo da cama e sento ao lado dele, não dava para acreditar que meu pai, um homem forte e robusto estava agora vivendo daquele jeito:

- Pai... Pai acorde.

- Hum... Filho, o que foi?

- O senhor estava resmungando agora a pouco.

- Ah eu tive um sonho com a sua mãe Fabrício... Sabe eu ainda não acredito que ela tenha partido.

Ele voltou ao normal, se lembrou de todo o ocorrido, mas até quando ele vai ficar assim? Droga, odeio a minha vida!

-

Eu estava assistindo a televisão quando o telefone toca, quem estaria ligando aquela hora?

- Alô?

- Oi Fabrício.

- Tamara?

- Euzinha.

- Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu sim, uma coisa espetacular.

La vem...

- O que aconteceu de tão espetacular oh fada ruiva.

- Eu passei no vestibular.

- O quê?

- Ai estou tão feliz.

Como isso aconteceu? Ela havia feito a prova tantas vezes e conseguiu passar:

- Puxa que legal, como você soube que passou?

- Ah liberaram um gabarito não oficial na internet, por ele eu acertei exatamente a metade.

Ata... Agora ta explicado, então ela não passou oficialmente, coitada mau sabe que esse gabaritos sempre tem alguma questão que foi corrigida errada:

- Não acha melhor esperar sair o gabarito oficial para ai sim comemorar?

- Não eu tenho certeza de que fui aprovada.

Sonhadora mesmo:

- Parabéns então Tamara e boa sorte na sua jornada.

- Huuum...

- O que foi?

- Você não esta tão feliz assim?

- Quem deve estar feliz é você.

- Fabrício seu pai esta bem?

Tamara era uma das poucas pessoas que sabia sobre o estado do meu pai, ela me ajudava a carregar esse fardo:

- Ele teve uma crise novamente.

- Nossa estão sendo mais frequentes né.

- Sim... Eu não sei mais o que fazer Tamara, não posso deixa-lo sozinho mais, hoje quando ele descansava de tarde, ele começou a gritar o nome da minha mãe.

- Fabrício você precisa ser paciente.

- Eu sei... Eu sei... Desculpa te perturbar com meus problemas, vá comemorar sua conquista.

- Olha se precisar de ajuda não hesite em me chamar.

- Obrigado Tamara, bom vou desligar, parabéns mais uma vez.

- Obrigada Fabrício, vê se descansa viu.

Não respondi, desliguei o telefone antes disto, não tinha como eu descansar mais, pois meu pai estava agora diante de mim, somente de cuecas e com um olhar vago:

- Eu perdi as minhas roupas.

- Vamos pai, eu vou ajuda-lo a se vestir.

Ele estava piorando cada vez mais... Sinto que logo eu irei perdê-lo.

-

Demorei a dormir, mas assim que agarrei no sono foi de uma vez, só acordei mesmo com alguns barulhos estranho na cozinha... Na cozinha?

Levantei a todo vapor, sem me tocar que estava apenas vestido com uma samba canção:

- Pai o qu... Vivis?

- Oi Fabrício... Bonita cueca.

- A se fecha vai... O que você esta fazendo aqui?

- Estou de folga hoje e vou cuidar do pai.

- Ai que susto por um momento eu pensei que ele estava mexendo nas panelas.

- Ainda bem que você dorme bem antenado... Desculpa pelo barulho viu.

- Fica em paz, eu vou tomar um banho e trocar de roupa.

- Faça isso mesmo, e depois me fala onde você comprou essa cueca, quero uma pra mim também... É bem máscula.

A minha vontade era de xingar, mas me contive... Essa Vivian é fogo.

-

Estávamos todos sentados a mesa, hoje eu teria uma festa para trabalhar, o bom é que meu pai ficaria aos cuidados de Vivian, isso me deixa menos preocupado, mas o avanço da doença dele só fez piorar naquela manhã:

- Onde esta Marisa?

- Ela não vem pai, a mamãe esta na cama.

- Ah eu vou chamar aquela preguiçosa.

- Pai, por favor fique sentado, não incomode a mamãe.

- Vivian você mima muito a sua mãe, onde já se viu esta deitada a essa hora.

- Então deixa que eu a chamo para o senhor.

Meu pai ficou calado e olhou fixamente para a xícara a sua frente, depois encarou minha irmã totalmente confuso:

- Quem é você?

- Pai, sou eu a Vivian a sua filha.

- Eu não tenho filha.

Passei a mão no rosto, aquilo já estava fora de controle:

- Pai senta ai e toma seu café.

- Ei rapaz você é namorado dela?

- Não... Sou irmão dela.

- E cadê a mãe de vocês?

- Paaaaiiii.

- Calma Fabrício, eu cuido disso... Pai sou eu a Vivian.

- Não minha filha não usa essas roupas, e ela também tem um cabelão não esse cabelo curto.

- Eu cortei ontem não se lembra.

Ele olhou desconfiado para Vivis, mas logo sorriu e a abraçou:

- Filha, como você esta linda, eu nem te reconheci... Mas cadê a sua mãe?

Tem horas que devemos ficar calado, mas eu não aguentava mais:

- Ela morreu pai.

- Fabrício pare.

- Morreu? Mas quando? Eu não fui avisado?

- Pai pare com isso vai, eu não aguento mais, todo dia é a mesma coisa, a mesma conversa, as mesmas falas, chega... Pra mim chega.

- Fabrício fique calado.

- Meu filho porque esta tão alterado, assim você pode acordar a sua mãe.

- A MÃE MORREU SEU VELHO DESMIOLADO.

Eu não acredito no que eu falei, vi meu pai ficar em choque e começar a chorar, droga eu e minha boca grande:

- Pai... Me desculpa... Eu...

- Fabrício me faz um favor, vai dar uma volta.

- Mas Vivis...

- Vá... Você já fez muito estrago para uma manhã.

Me levantei com um nó formado na garganta, eu não queria falar aquilo, mas falei, machuquei o homem que sempre foi meu herói.



Cruzo a porta para a rua e ainda escuto os soluços do meu pai... Eu odeio a mim e a minha vida.

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