Capítulo cinco no ar!
Boa leitura a todos.
CAPÍTULO 5:
ADEUS
Admito que eu sou meio travado para relacionamento e casos rápidos, mas antes de irmos embora eu já estava beijando Laura. Diferente de Edson que logo que chegou na pista já estava agarrando Cristal, o cara é rápido.
Trocamos telefone e e-mail, nunca se sabe onde pode estar o verdadeiro amor. Bem estávamos indo embora e as meninas estavam exaustas, Joice e Bruna estavam bêbadas, Ester e Suzana estavam sóbrias, o que me deixou bem mais aliviado, e Tamara estava dormindo no colo das amigas:
- As mina chaparam né.
- Nem todas, mas era uma comemoração né, foi divertido.
- Agora me conta, a Laura beija bem?
- Eita que pergunta direta!
- Ah desculpa, mas é que eu fiquei curioso.
Olhei para Edson que estava sorrindo, depois olhei para as meninas, eu não queria falar sobre isso com elas ali, não era um assunto um tanto confortável para se falar na frente de mulheres:
- Eu falo outro dia.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah... Por que não fala agora?
- Por que estamos dentro do carro irmão.
Ainda bem que Suzana era sensata, fico imaginando as besteiras que o Edson poderia dizer após eu responder a primeira pergunta:
- Mas você nem estavam ouvindo a nossa conversa.
- Estávamos sim.
- Seu canalha.
- Irmãzinha... Ester, isso é conversa de homem.
As duas olharam raivosas para nós, o que deixou a situação totalmente divertida, e me fez cair no riso:
- Por que esta rindo?
- Por que foi divertido vê vocês brigando, me fez lembrar da época em que eu e minha irmã morávamos juntos.
- Você tem uma irmã?
- Tenho.
- Me apresenta ela cara!
Encarei Edson e voltei a rir:
- Acho que minha irmã ia preferir conhecer a Suzana, não você.
- E por quê logo... Ela.
- Edson eu estou aqui ta bom.
- Foi mau irmãzinha, mas me diga por que sua irmã não ia gostar de me conhecer?
- Por que minha irmã é lésbica.
Ouve um silêncio profundo, me senti até um pouco mau por isso, mas não achava que a revelação sobre a irmã fosse tão impactante assim, o mundo atualmente é desse jeito, livre e desimpedido:
- Isso eu não esperava...
- Algum problema com isso Edson?
- Não... É que geralmente as pessoas inventam uma desculpa para não falar dos irmãos ou irmãs que são gays.
- Eu e minha irmã não temos isso, ela tem a opção dela, e vive feliz assim, não tem porque mentir ou esconder isso é natural.
- Nossa é lindo isso que você e sua irmã vivem, vocês são cúmplices, e parecem que um apoia o outro.
- Pois é Suzana, somos verdadeiros cúmplices mesmo.
Eu nunca havia parado para pensar nisso, mas vendo por esse lado, minha irmã sempre foi minha amiga, alguém com quem eu sempre dividi meus segredos, uma verdadeira cúmplice:
- Nossa uma ambulância aqui.
- Ambulância?
Já estávamos perto de casa, e quando vi onde a ambulância estava parada eu entrei em pânico:
- PARE O CARRO.
- O que houve?
- Esta na casa da minha irmã, a ambulância... Meu PAI.
Nem esperei o carro parar, desci dele em movimento e sai correndo, e não acreditei no que vi, a Vivis estava chorando abraçada a Julia:
- Vivis...
- Fabrício.
Nos abraçamos, e eu não sei por que mas já estava chorando:
- O que houve?
- O pai... Ele... Passou mal...
Senti um frio percorrer minha espinha, e assim que olhei para dentro da ambulância eu o vi, meu herói estava com uma mascara de oxigênio enquanto os paramédicos faziam massagem cardíaca:
- Não... Não...NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAO...
Foi quando o mundo caiu de uma vez:
- Nós o perdemos, a hora do óbito 5h55 da manhã.
-
Eu estava em cacos, meu pai havia falecido, e eu nem tive a oportunidade de estar ao lado dele, simplesmente só o vi ali, deitado, inerte. Droga...
Não queria deixar Vivis sozinha, ela estava desolada, acabada, destruída, mas alguém tinha que fazer toda a parte chata e burocrática, ou seja, eu teria que resolver isso, igual eu fiz quando a minha mãe morreu:
- Julia cuida da Vivis ta bom, eu vou resolver toda a parte burocrática.
- Ah Fabrício, obrigada por fazer isso, a Vivian não ia conseguir mesmo resolver toda essa papelada.
- Só cuide dela esta bem.
O corpo do meu pai foi levado para o IML, e eu fui começar o meu dia. Cruzei o portão da casa da minha irmã e dei de cara com Edson, Suzana, Ester e Tamara:
- Iai gente!
- Ah Fabrício, meus sentimentos.
Tamara me abraçou forte, eu senti novamente vontade de chorar, mas segurei as lagrimas, não queria fazer isso, mas também não queria chorar na frente deles:
- Ah cara, que coisa chata hein, eu nem sei o que falar.
- Fica em paz, têm horas que nada vem na cabeça né, bom eu preciso ir, tenho que resolver toda essa burocracia do falecimento do meu pai.
- Eu vou com você.
- Não precisa Tamara, eu vou sozinho, você ta cansada e outra é muito cansativo tudo isso, praticamente vou ficar o dia todo fora.
- Mas Fabrício...
- Por favor, eu preciso ficar sozinho.
Segui meu caminho, mas sabia que eles ainda me observavam, não poderia pedir para eles me acompanharem, era uma situação minha:
- Ei Fabrício espera ai.
Edson venho correndo na minha direção e ficou na minha frente, ele estava sério e eu o encarei com um sorriso forçado:
- Fala cara!
- Posso ao menos te dar uma carona, é pouco, mas pelo menos quero te ajudar.
- Não precisa, você esta cansado passou a noite toda na azaração.
- Mas eu quero fazer isso, cara eu sinto muito...
Do nada Edson começou a chorar, eu fiquei totalmente sem ação, por que será que ele estava chorando?
- Ei, pare com isso vai, eu to ficando sem graça.
- Desculpa, mas é que eu to vendo o quanto você ta triste, e eu prometi para mim mesmo que nunca mais deixaria alguém triste.
Por que ele fez uma promessa dessas? Que loucura:
- Edson, fica em paz cara, eu to bem, vá descansar, qualquer coisa eu aviso a Tamara esta bem.
Não dei tempo para ele responder, me virei e sai a passos largos, por dentro eu estava destruído, mas senti um pouco de amparo por parte de Edson, boas ações nesse momento são muito bem vindas.
-
Era começo de tarde quando eu cheguei na casa da Vivis, ela ainda estava emotiva, mas tinha melhorado um pouco a cara, e eu? Bem, eu estava do mesmo jeito:
- Oi Fabrício.
- Oi Vivis, como você esta?
- Bem na medida do possível.
- Que bom, olha já resolvi tudo e o velório será essa noite, o IML analisou ele, disse que o pai teve um enfarte, foi fulminante, não tinha nada o que se fazer.
- Hum...
Ficamos mudo, eu não sabia o que falar, na verdade eu não queria mais falar:
- Fabrício...
- Sim?
- Me perdoe...
Vivis me abraçou e começou a chorar novamente, eu a confortei, não poderia ser fraco, não agora, ela precisava de mim:
- Ei... Não fique assim, você acha que o pai ia gostar de vê-la chorando desse jeito?
- Eu... Deveria... Ter... Cuidado... Dele...
- Você cuidou, pense que ele passou os últimos momentos da vida dele ao seu lado, um privilegio viu.
Vivis desenterrou o rosto do meu peito e me encarou, ela segurou meu colarinho e disse entre dentes:
- Porque você não chora?
- Por que eu não quero que ele me veja triste, o pai sempre estava sorrindo, e em homenagem a ele, eu... Vou ficar sorrindo... Até isso tudo terminar.
Droga, porque essas lágrimas caem... Eu estou sorrindo, não chorando... Parem lagrimas... PAREM...
-
O cemitério era frio e gelado, como sempre foi, meu pai estava muito bem vestido, um terno preto com uma camiseta branca, os cabelos foram penteados para trás, ele estava lindo.
Minha irmã estava totalmente desolada, ainda bem que Julia estava ao seu lado, eu não aguentaria ter que ampara-la novamente.
Eu fiquei ao lado do caixão, esse seria o mínimo que eu poderia fazer por ele, depois te tudo o que disse no dia anterior, eu só poderia fazer isso por ele agora, nem um pedido de desculpas eu pude dar a ele, e eu só queria poder ter sido um filho melhor, assim como ele foi o melhor pai do mundo... Ah pai por que o senhor teve que ir? Por que esta me deixando aqui? Por que o senhor teve...
- Fabrício...
Olhei para trás e vi, Edson, Suzana e Tamara, não pude esconder o meu espanto ao vê-los:
- Oi gente, o que estão fazendo aqui?
- Estamos aqui para te dar uma força meu camarada.
- Obrigado.
- Meus sentimentos Fabrício.
Suzana me abraçou solidariamente, foi bom receber essa força deles:
- Obrigado Suzana.
Voltei minha atenção para o caixão... Ah pai...
- Seu pai parece feliz.
- Ele sempre sorria, até quando dormia Tamara, minha mãe dizia que ele era um eterno palhaço.
- Palhaço?
- Sim... Nem tive tempo de falar dele né Edson, meu pai foi palhaço de circo há muito tempo, por isso o chamávamos de o eterno palhaço.
Edson encarou o caixão um pouco deslumbrado, acho que ele nunca havia conhecido um palhaço de verdade:
- Pelo menos ele esta sorrindo né gente.
- Como todo palhaço faz.
Todo palhaço vive uma vida divertida, engraçada, será que meu pai viveu dessa forma? Acho que isso eu nunca irei saber... Ah pai, não era a hora de dizer adeus, eu não queria isso, não mesmo.
- Vamos ficar por aqui ta Fabrício.
- Gente, eu já falei que não precisa...
- Meu camarada, nós vamos ficar esta bem.
Edson falou aquilo sério, o que deu nele hein?
- Esta bem, obrigado por ficarem aqui, venham eu vou apresentar a minha irmã a vocês.
Indiretamente Edson acabou sendo apresentado a minha irmã, no fim ele acabou conhecendo ela, bem poderia ter sido numa situação melhor, mas tudo bem, afinal não estamos sorrindo o tempo todo né. Meu pensamento me fez voltar à atenção ao meu pai, acho que ele foi o único homem ao qual sorria o tempo todo, será que palhaços algum dia já choraram?
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