Boa leitura
CAPÍTULO 4:
UMA VIAGEM SEM VOLTA
O que fazer numa noite somente para mim? Eu não tinha amigos, não gostava de sair, minha vida era completamente para cuidar do meu pai...Não sei o que fazer?
Enquanto eu ficava pensando numa programação para aquela noite, eis que escuto um bater de palmas vindo da entrada da casa, vou até a janela e vejo Tamara. Será que aconteceu alguma coisa?
- Oi Tamara tudo bem?
- Oi Fabrício, tudo joia e com você?
- Tudo, aconteceu alguma coisa?
- Na verdade eu queria te fazer um convite.
- Convite?
- Sim, eu e uns amigos vamos até um barzinho para comemorar minha conquista.
Ah... Era isso!
- Então... Eu não to muito afim não.
- Ai tem o seu pai né, desculpa eu havia me esquecido disso...
- Na verdade hoje eu estou sozinho, meu pai esta na casa da minha irmã.
- Então você não tem desculpas, se arrume, vamos nos divertir e comemorar.
Eu nem tive chance de responder, Tamara entrou correndo na sua casa, bufei inconformado, eu não queria sair para comemorar algo que nem era oficial ainda, teria que fazer a linha sorridente e feliz, droga, já falei que odeio essa minha vida?
-
Tomei um banho rápido e me vesti de maneira casual, um jeans manchado, uma camiseta preta em gola V, penteei meus cabelos e dei uma aparada na barba, simples. Fiquei então sentado no sofá a espera de Tamara, só espero que essa saída repentina seja agradável.
Liguei a televisão, para ver se o tempo passava, e vi que o DVD estava ligado, sim era o stand up comedy favorito do meu pai, peguei a capa do DVD que estava jogado na mesa de centro e li o titulo em voz alta:
- Rindo é que se faz uma nação.
Apesar de sempre ouvir meu pai rir ao assistir esse DVD eu nunca parei para vê-lo, então apertei o botão play, vamos ver se realmente valia rir tanto com essa comedia.
-
Os dez primeiros minutos que passou do DVD foram o suficiente para eu cair na gargalhada, gente o cara era muito engraçado, não dava para me segurar. Infelizmente fui interrompido por alguém batendo palmas novamente na entrada da minha casa, obvio que era Tamara. Então desliguei o DVD, mas prometi a mim mesmo que voltaria a assisti-lo, e desta vez com meu pai do lado.
Fechei a casa e quando levantei o olhar vi Tamara acompanhada com mais cinco pessoas, sendo quatro mulheres e um homem, e todos estavam bem arrumados, não era assim arrumados para uma festa de gala, mas as mulheres estavam calçando salto alto, maquiadas, com os cabelos bem arrumados resumindo, glamorosas,e eu parecia um espantalho:
- Nossa Fabrício, você caprichou hoje hein.
- Engraçadinha, se eu soubesse que iriam se arrumar tanto eu teria me arrumado melhor.
- Mas você esta muito bem assim, não esta meninas.
As quatros soltaram risinhos tímidos, e eu fiquei sem graça é claro:
- Ai que indelicadeza a minha, essas são Joice, Bruna, Ester e Suzana.
- Prazer meninas, eu sou o Fabrício.
Acenei para todas simultaneamente, era jovens lindas por sinal, Joice era loira e tinhas os olhos azuis bem vibrantes, estava usando um vestido vermelho com um decote bem ousado, Bruna tinha os cabelos penteados num Black Power bem chamativo, a pele negra realçava a sua beleza e ela estava usando uma bermuda Boyfriend com uma camiseta de alcinha, Ester tinha os cabelos longos e negros a pele bem clara e os olhos bem puxados, uma oriental bem risonha por sinal, estava usando um jeans justo e uma blusa que deixava o ombro direito a amostra. Por ultimo estava Suzana, era a menos ousada das mulheres, estava de camiseta com um desenho de gatinhos, um jeans manchado e seu cabelo estava solto em longos cachos puxados em luzes loiras, apesar da simplicidade das vestes Suzana tinha uma beleza encantadora.
Era sempre bom sair na companhia de belas mulheres, isso aumentava o ego de qualquer um:
- A Fabrício esse aqui é Edson, o irmão de Suzana.
- Muito prazer.
- Igualmente.
Trocamos um breve cumprimento de mão, Edson era um rapaz que chamava atenção, ele era mais alto que eu, tinha um bom porte físico, acho que numa balada era o tipo de homem que era mais cobiçado do que saia para cobiçar, pelo menos parecia ser simpático também:
- Bom já terminamos as apresentações.
- Sim Fabrício, agora vamos nos divertir?
- Bom o ponto de ônibus fica por ali...
- Não vamos de ônibus bobinho...
- Não?
- Vamos no meu carro.
Que surpresa, Edson tinha um carro, era obvio, olha bem para ele, o cara ate inspirava dinheiro, que mico, eu falando de ônibus na frente de todo mundo, acho melhor ficar mudo até o final da noite:
- Vamos lá pessoal
Tamara ficou no meio das amigas e saiu de braços dados, enquanto eu e Edson ficamos para trás:
- Garotas são sempre empolgadas né.
- Até demais, vamos antes que elas resolvam fazer uma vibe no meu carro.
Eu não havia me enganado Edson era um cara legal, bom vamos à noite né.
-
Chegamos ao barzinho, era um lugar bem movimentado por sinal, os letreiros bem luminosos chamavam a atenção para o nome:
- Ki Balanço... Que raios de lugar é esse?
- Nossa Fabrício é o lugar mais movimentado da cidade, vamos lá gente.
As meninas entraram todas eufóricas, eu encarei o letreiro e bufei:
- Relaxa meu camarada vai ser divertido.
- Sei não, atualmente minha vida não esta lá boa para lugares como esse.
- Mas hoje você não esta na sua vida normal, viva o diferente, vamos entrar e azarar umas gatas.
Claro que para Edson isso era uma prioridade, o cara tinha uma cara de caçador, mesmo não precisando fazer muito esforço, bem como ele disse hoje não estou na minha vida normal, acho que devo me divertir um pouco, era como uma viagem sem volta:
- Já que estamos aqui vamos ver o que esse lugar tem de bom para nos oferecer.
- Falo tudo garoto.
Edson me abraçou e me levou para dentro o lugar, ele já ta se achando intimo não?
-
Internamente o lugar era bem agradável, era bem espaçoso e havia vários ambientes e varias musicas tocando:
- Esta gostando meu camarada?
- É um bom lugar, não é muito apertado, tem musica agradável...
- Um monte de gatas, olha só tem umas duas ali olhando para gente.
Cara esse Edson é praticamente um gavião.
- Na boa hoje eu só vim mesmo para prestigiar minha amiga.
- Ah para com isso vai, você vem até aqui só para ficar sentado?
- Bem esse era o meu plano.
- Pois vamos muda-lo já.
Edson me puxou pelo braço e se aproximou das duas garotas que estavam nos olhando:
- Olá garotas tudo bem?
- Melhor agora.
- E como se chama princesas?
- Eu me chamo Laura.
- E eu Cristal.
- Um belo nome para uma bela mulher.
Cristal riu do xaveco dado por Edson, enquanto eu por puro instinto revirei os olhos:
- E vocês dois como se chamam?
- Eu sou o Edson e o meu camarada aqui se chama Fabrício.
- Adoro esse nome...
Laura praticamente sussurrou ao meu ouvido, e por instinto eu senti os pelos da nuca arrepiar:
- Seu nome também é bonito.
- Chega de papo, vamos dançar.
Edson puxou Cristal pelo braço e a levou para o meio da pista, eu olhei para Laura e apenas indiquei a pista, nunca me senti tão sem graça em toda a minha vida, mas pelo menos estava me divertindo.
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