Boa leitura a todos!
CAPÍTULO 7:
DANDO O MELHOR DE MIM
Os dias foram passando, logo voltei a trabalhar e senti a vida continuar, no Buffet dona Chica me dava a maior força, foi legal da parte dela se preocupar comigo. O bom era que nessa época o Buffet estava lotado de festas, o que era bom pra mim já que quanto menos eu ficasse em casa menos eu sentia a falta do meu pai.
Eu até evitava folgar, e quando era obrigado a ter esse descanso eu optava por sair, Edson sempre era minha opção de saída, ele tinha um lugar novo a cada saída, e claro saímos sempre acompanhados... Entendam que isso não significa que segui com a vida, era como não voltar a minha realidade, eu não tinha mais porque voltar para casa, não havia ninguém mais me esperando.
Infelizmente essa minha nova conduta me fez também ficar longe de Vivis, só nos falamos por telefone e poucas vezes, ou eu estava trabalhando, ou estava... Acompanhando. No começo ela estava feliz, mas acho que começou a perceber o intuito de eu estar tão ausente em casa e de sua vida:
- Preciso falar com você Fabrício.
- Hoje não da, vou ficar até mais tarde no Buffet, e depois vou sair com Edson.
Senti a inquietação de Vivis pelo telefone, eu sabia que esse dia logo chegaria:
- Não vai não Fabrício, eu vou te buscar ai no serviço.
- Vivis, eu to numa festa hoje que vai demorar muito tempo, talvez eu saia de madrugada.
- Não me importar, quando desligar o telefone, você vai ligar para o Edson e cancelar a sua saída de hoje.
- Mas Vivis...
- Me ligue quanto estiver próximo do fim da festa, e me passe o endereço certo senão você não vai querer me encontrar nunca mais.
Ameaça de uma irmã raivosa era demais, não confirmei nada, mas Vivis sabia que eu iria fazer o que ela estava pedindo, então ela simplesmente desligou o telefone. Droga, ela bem que poderia ter esperado até amanhã... Mas acho que amanha eu teria outra desculpa...
- Alô?
- Iai Edson, como é que tá.
- Fala meu camarada Fabrício, pronto para sair hoje?
- Então, estou te ligando justamente por isso.
- O que houve?
- Não vou poder ir, fui intimado pela minha irmã.
- Nossa, isso é problema.
- Nem me fale, mas eu te ligo amanha para marcarmos outra saída.
- Pode deixar, fica em paz e se precisar é só ligar.
- Ta bom, até mais Edson.
Desliguei o telefone, peguei a minha bandeja e voltei a servir, ao mesmo tempo eu rezei para que Vivis não estivesse acordada quando a festa terminasse, e claro também rezei para a festa terminar tarde, não ia ser nada boa a nossa conversa.
-
Liguei para Vivis quanto faltavam meia hora para terminar a festa, infelizmente minhas preces não foram ouvidas, a festa acabou tarde, mas a minha irmã estava acordada ainda, o pior era que a festa também era perto, então bastou dez minutos para ela encostar na porta do salão.
Luiz reconheceu o carro e veio me avisar:
- Fabrício sua irmã esta na porta do Buffet.
- Eu sei, vou terminar de arrumar as coisas para depois eu ir.
- Pode deixar tudo assim eu termino de arrumar.
- Mas chefe...
- Sem mas, sua irmã esta aqui para te buscar, então vá lá e de a atenção que ela merece.
Até meu próprio chefe conspirou contra mim, que coisa viu, acho que não tenho outra saída:
- Esta bem, mas amanha eu compenso esses minutos viu.
- Compensar... Fabrício você já fez tantas festas ultimamente que dez minutos nem afetaram o seu salário, e outra não vou descontar isso de você.
- Mesmo assim amanhã eu vou compensar.
- Amanhã você esta de folga Fabrício, agora vá.
Falei, até Luiz esta contra mim, eu não estava de folga, ele havia me dado essa folga agora mesmo. Retirei o avental e o guardei junto com os dos demais garçons, não dava tempo para me arrumar, então sai ainda com o meu uniforme de garçom e claro, Vivis teve que fazer a sua piada do dia:
- O garçom traz meu irmão de volta, por favor.
- Se fecha Vivis, vamos embora vai.
- Ta com pressa é?
- Não só to vendo todo mundo conspirar contra mim.
- Como você é cabeçudo, vamos eu te levo pra casa.
- Vamos para a sua casa né.
- Não, vamos para a sua, segura ai que eu sou piloto de fuga.
Tive que me segurar mesmo, pois Vivis saiu cantando pneus, ainda bem que estávamos a poucos metros de casa.
-
Entramos em casa, nossa o lugar estava bem empoeirado, havia louça suja, mas ao menos as roupas foram lavadas, isso eu fazia questão de deixar bem claro:
- O que esta acontecendo aqui?
- Não esta acontecendo nada.
- Eu percebi, não esta acontecendo nada mesmo... Fabrício, porque você não fica mais em casa?
- To sem tempo, trabalhando bastante, e saindo também.
- Isso é motivo para deixar a casa desse jeito? Olha o estado dessa casa.
- Ta booom... Eu ando meio desleixado com a limpeza daqui, mas as minhas roupas estão sempre limpas.
- Fabrícioooooooooooooo...
- O que foi?
- Você não quer mais morar aqui é isso?
Na verdade isso nunca me passou pela cabeça, apesar de ser uma casa de aluguel, eu jamais pensei em abandona-la, eu sempre tive boas memórias daquele lugar:
- Não é isso Vivis...
- Então qual o problema? Você esta mais ausente do que nunca, não vai mais à minha casa, não me liga, não retorna minhas ligações, sabe quando foi a ultima vez que nos vimos?
- Estamos nos vendo agora sabia.
- Sem gracinhas Fabrício... Sabe eu sei que tudo isso aqui te faz lembrar do pai, mas você precisa superar isso, se esse lugar te traz sempre a lembrança dele, eu acho melhor você se mudar.
- Eu não quero sair daqui, e por qual motivo eu sairia?
- Te arrumo cem motivos, o primeiro esta no meu dedo.
Vivis mostra o dedo indicador sujo de poeira, ta bom o lugar estava sujo, mas não significava que eu estava a fim de mudar de casa:
- Isso só prova que estou sem tempo para limpeza.
- E nas suas folgas o que você faz?
- Saio com o Edson.
- Sair é uma coisa, agora passar o dia e a noite fora, é praticamente abandonar a casa, como esta pagando as contas se não fica em casa?
- A Tamara esta recebendo a correspondência para mim.
Vivis me encarou séria com os braços cruzados, aquilo não era um bom sinal:
- Fabrício, fugir da sua realidade não vai te fazer melhor sabia.
- Eu não estou fugindo.
- Esta sim.
- Estou não.
- A é? Então me diga o que você esta fazendo da sua vida?
- Estou curtindo um pouco.
- Você chama isso de curtir, esta bem, e por que não me vê mais?
- Por que estou curtindo um pouco.
- JÁ CHEGA FABRÍCIO.
- Não grita Vivis...
- Eu estou farta disso, VOCÊ não é mais um moleque, é um homem, agora se quer ficar se escondendo dessa forma que fique.
- Vivis, espera, por fav...
Antes mesmo de eu terminar de falar, Vivian saiu e bateu a porta, a poeira se espalhou pelo ar no mesmo instante... Droga, não queria chatear a minha irmã, mas o que eu poderia dizer? Que estava ausente porque tudo ali me lembrava do pai, e da culpa que eu ainda carregava? Ela já tem preocupações demais para ter que lidar comigo e meus traumas? Até falar com ela me fazia lembrar do meu pai.
Eu só estava dando o meu melhor para superar isso, mas acho que não estava conseguindo, infelizmente o meu melhor não era o suficiente. Olhei em volta e vi toda a casa suja, mas ao mesmo tempo eu começava a ouvir os risos do meu pai... Aquilo me matava, me destruía... Eu só queria esquecer tudo, não me lembrar de que eu o magoei e que ele havia partido, ah pai, eu queria o seu perdão...
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