Trago para vocês um novo romance O ASTRO REI, bora então descobrir mais sobre essa história?
Boa leitura a todos!
O ASTRO REI
PRÓLOGO
Fogos de artifícios explodiam no ar, aquilo tudo era um exagero para um casamento.
Eu estava sentado na cadeira enquanto os noivos se despediam dos convidados, tudo isso é tão falso, tios e tias desejando felicidade sendo que esses sempre falavam por trás. Não acredito que tem gente até chorando, fora o povo que quer se exibir de alguma forma, seja mostrando a elegância das roupas, ou tentando falar de forma culta.
Esse povo que tem dinheiro se acha né?
- Fabrício o que você esta fazendo ai sentado?
- Ah... Chefe, eu estava... Retirando os pratos da mesa.
- Você estava era descansando, vamos levantando eu não te pago para ficar de preguiça ai.
Luiz era meu chefe e sim, eu não era convidado daquela festa e sim um empregado, eu trabalhava no Buffet Asas da Felicidade, sou um garçom, mas o meu sonho é ser alguém na vida, alguém grande e com dinheiro:
- Fabriiiiicio...
- Já to indo chefe.
Bem enquanto eu não sou grande e poderoso, eu tenho que me virar com que posso, então mãos a obra.
-
CAPÍTULO 1:
RIR É O MELHOR REMÉDIO
Finalmente posso ir para casa, já estava amanhecendo, assim que a festa acabou, o pessoal do Buffet teve que desmontar as mesas, lavar os pratos, limpar o chão, fazer a contagem das louças e muitas outras coisas, mas pelo menos eu pude comer um pouco de caviar, pensa num treco bom:
- Hei Fabrício.
- Olá Tamara.
Tamara era minha vizinha, linda de morrer, com seus longos cabelos vermelhos, os olhos claros como mel, a pele pintada de sardas e um sorriso encantador. Tamara tinha 27 anos assim como eu, e praticamente era uma das poucas pessoas a quem eu tinha como amiga:
- Esta saindo cedo mulher?
- Sim hoje vou fazer a prova do vestibular.
- Puxa vida é hoje!
- Sim, torça por mim viu.
- Você já passou Tamara.
- Adoro essa sua confiança... Olha a hora tenho que ir... Tchau Fabrício.
Tamara saiu correndo desesperada, era uma mulher sonhadora, era a quarta fez que fazia esse vestibular, seu sonho era ser uma dentista, mas nunca passava, tadinha, mais uma tentativa em vão. Bom cada um gasta seu dinheiro da forma que bem entender.
-
- Pai cheguei.
- Chegou cedo hoje filho.
- Você esta sendo sarcástico novamente?
- Na verdade eu tentei ser engraçado.
Meu pai era uma figura, com seus sessenta e cinco anos ainda se achava o palhaço que um dia trabalhou num circo, só preciso sempre lembra-lo de que isso não é mais a sua realidade:
- Vou descansar um pouco pai.
- Tudo bem só não faça barulho que sua mãe pode acordar.
Infelizmente meu pai sofre de Alzheimer, essa maldita doença se agravou desde que minha mãe faleceu. Meu pai sempre se esquecia desse fato... Situação complicada essa que vivo:
- Esta bem senhor Arnaldo, não vou fazer barulho, se precisar de mim estarei no quarto.
- Pode deixar... Onde foi que deixei meus óculos?
- Estão no seu bolso pai.
- Ah que cabeça a minha, devo estar ficando velho mesmo.
Pai, por que isso foi acontecer com você?
-
Acordei com o celular despertando, na atual situação do meu pai eu não podia deixa-lo sempre sozinho, então passei a dormir duas horas de manhã, duas horas a tarde, e as vezes um breve cochilo nos intervalos entres uma festa e outra.
Fui para a cozinha preparar o almoço, mas antes fui procurar pelo meu velho, ele estava como sempre de frente para a televisão e assistia a um DVD de stand up comedy:
- Esta tão divertido assim esse DVD?
- Ai filho, esse DVD é ótimo, eu comprei ele ontem você deveria assistir junto comigo.
Na verdade o DVD foi comprado a dois meses atrás, e todos os dias ele o assistia:
- Outra hora pai, vou preparar o almoço.
- Deixe isso para sua irmã.
- Pai...
- Sente-se aqui comigo, a Vivian cuida do almoço.
Meu pai me puxou pelo braço e eu fui forçado a assistir ao programa pela milésima vez, por sorte eu estava com o meu celular, pois consegui enviar uma mensagem de texto para minha irmã Vivian sem que meu pai percebesse:
"Vivis o pai fez aquilo de novo, tem como você vir aqui tipo... AGORA!"
Vivian era minha irmã mais velha, ela tinha trinta e cinco anos, era casada com Julia, sua companheira desde a adolescência. Devo afirmar que não é estranho ter uma irmã gay, por que querendo ou não eu nunca tive que brincar de bonecas já que ela sempre gostou de carrinhos e futebol:
- Ola meus amores.
- Vivis que bom que esta aqui, venha assistir ao esse DVD que eu comprei.
- Agora não pai, eu tenho que fazer o almoço.
Meu pai levantou os ombros e voltou a gargalhar, pobre coitado, se soubesse a realidade em que vive talvez não ficaria rindo dessa forma.
- Fabrício venha me ajudar.
Esse teatro já estava ficando manjado, toda vez que meu pai falava na Vivian eu manda uma mensagem de texto, e graça a Deus que ela mora a duas casas de distancia daqui, depois ela ia até a cozinha e me chamava, peça teatral encerrada:
- Já volto pai.
Ele nem me escutou, pois continuou a gargalhar, que bom, sai da sala e fui para a cozinha onde Vivian me esperava:
- Esta cada vez mais frequente né.
- Sim, ai Vivis desculpa ter feito você sair correndo de novo.
- Tudo bem Fabrício, eu não me importo. Como vão as coisas por aqui?
- Indo né, eu tento manter tudo em ordem, mas ta ficando difícil.
Do nada escutamos meu pai rindo histericamente, acho que isso era o que mais me matava, saber que a cada dia ele estava pior:
- Isso esta me matando Vivis.
- Fabrício, você precisa ter calma, essa doença do pai é assim mesmo, tem horas que se agrava.
- Mas todo o santo dia é a mesma coisa, ele assisti esse maldito DVD a toda hora e rir sempre, será que ele não sabe o quanto esta doente?
Vivian passou a mão no meu rosto, aquele gesto foi igual o que minha mãe fazia:
- Você acha que ele não sabe que esta doente?
- Eu acho que não, para ficar rindo daquele jeito.
- Às vezes Fabrício a pessoa rir para esquecer os problemas, você deveria fazer o mesmo sabia.
- A vá eu não vou ficar rindo a toa.
- Não é rir a toa, é rir de verdade, só por diversão.
- Eu não tenho tempo para me divertir Vivis, eu tenho um almoço para fazer, você fica com a gente?
- Infelizmente não, tenho que buscar a Julia no serviço, mas eu passo aqui de noite.
- Vou ficar esperando então.
Vivian me beijou no rosto e saiu pela porta do fundo:
- Vê se procurar sair um pouco uma namorada iria lhe fazer bem.
- Tchau Vivis.
Essa minha irmã inventa cada uma.
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