segunda-feira, 25 de julho de 2016

EU, TU, ELES - CAPÍTULO 4

Promessa é divida, e esta cumprida! Capítulo quatro no ar.

Boa leitura!

CAPÍTULO 4:
DESCOBRINDO O QUE PASSOU

             

Desta vez eu fui para casa, à saída foi normal, exceto pelo fato de eu estar numa cadeira de roda, ao menos estaria de volta para minha casa, meu recanto. 

Dentro do taxi minha mãe estava a tagarela com o motorista enquanto eu fiquei a ver a paisagem, não sei por que, mas o lugar por onde estávamos passando me parecia familiar, com o farol fechado, comecei a desenha na minha mente aquele lugar de noite, luzes acessas, muita chuva e eu chorando parada no meio da rua, com um grande fogo de luz aumentando... Aumentando... Aumentando e...: 

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH! 

- O que foi filha? 

Eu estava ofegante e suada, que pensamento louco, será que foi justamente aquilo que aconteceu comigo? Minha cabeça começa a doer, jogo todo meu corpo para o encosto do banco e olho para minha mãe e o taxista que estavam assustados com o meu grito: 

- Não foi nada, eu apenas tive um pesadelo. 

- Que susto Elise eu pensei que você estava tendo algum mal súbito. 

- Mãe sem exagero vai. 

Era só que me faltava, ter um mal súbito nessa altura do campeonato, bom de todo o ocorrido eu posso ter certeza de uma coisa, já descobri como fui parar no hospital, mas agora fica outra pergunta: “Por que eu fiz isso?”. 


Minha casa, ai como eu ansiava por ela, minha vontade era de sair correndo e me jogar no meu sofá caríssimo, ou beber da minha água natural importada, adoro o meu luxo, afinal eu sou linda, jovem, rica e posso fazer tudo o que quero, bom agora não posso tanto, estou presa a uma cadeira de rodas, ao menos tenho minha mãe para cuidar de mim, por que se fosse depender dos meus irmãos, eu acho que o hospital se tornaria um lugar bem mais agradável. 

Logo que descemos do taxi, tivemos o desprazer de encontrar Ludimila a pior vizinha que já tive, ela tinha a minha idade, sempre estava sorrindo e sendo generosa com as pessoas, da para acreditar que ela foi à única do condomínio onde moro há modificar a calçada rebaixando a guia para receber pessoas invalidas na sua casa, tanta generosidade me deixa enjoada: 

-Elise e Dona Luluzinha, sejam bem vindas. - Ludimila só pode ter saído de uns dos clássicos da Disney, com aqueles longos cabelos loiros cheios de cachos e seus olhos de um profundo azul, ai que raiva dela. 

- Estamos ótimas, vamos mãe. 

- Estamos bem Ludi, e como você esta? 

- Estou bem, mas por que Elise esta numa cadeira de rodas? 

- Ah querida, ela esta impossibilitada de andar. 

- Não acredito, que tragédia. 

Pior do que ser invalida é ver a cara de dó das pessoas, sinto meu rosto queimar de tanta raiva, eu queria sumir dali, evaporar se possível, mas não quero ver aquela cara de dó das pessoas, e muito menos da Ludimila. 

Eu tento subir a calçada de casa, mas não consigo, aumentei tanto o degrau entre a rua e a calçada justamente para dificultar o acesso a cadeirantes, também eu jamais pensaria viver aquela situação. Não sendo o bastante, Ludimila se aproxima de mim e segura a minha mão e olha profundamente em meus olhos: 

- Suba pela minha calça, a sua guia esta alta demais, venha eu te ajudo. 

- EU NÃO PRECISO DA SUA PIEDADE! 

Já estava farta daquilo, Ludimila queria me humilhar, eu sei disso, estava jogando na minha cara tudo aquilo que eu fiz para atrapalhar o seu lado de boa samaritana. Minha mãe se aproxima de mim e diz: 

- Eu sinto muito por isso Ludimila, eu sei que a Elise não queria gritar com você... 

- Não se preocupe dona Luluzinha, eu também sei que Elise ainda não aceitou a sua nova condição, mas eu prometo ajuda-la a encarar tudo isso de frente. 

Apesar do meu grito e da minha cara de limão azedo, ela ainda sorri, desisto de vez. Mas ao menos ela se foi, e eu finalmente entrei na minha casa. 


Dentro de casa eu me senti protegida, longe de olhos curiosos e cheio de pena ao verem a pobre Elise invalida, mas até o meu próprio lar conspirou contra mim, não havia como eu ir para o meu quarto, em casa tínhamos um lanche de quinze degraus até os quartos, não tinha como eu chegar até lá, e agora o que iria fazer? 

- Filha não temos como te levar lá para cima. – Diz minha mãe se apoiando em meus ombros 

- Eu sei mãe, e também não iria suportar ter que ser carregada no colo toda vez que quisesse dormir. 

- Eu só vejo uma solução para o seu problema. 

- Qual? 

- Temos o quarto que seria da empregada... 

- Ah não, quarto de empregada não... 

- Elise é temporário, você sabe que não tem como ficar te locomovendo de cima para baixo e vice versa, ou você prefere dormir no sofá? 

Minha mãe tinha razão, essa era a única opção para mim, mas tinha quer justo o quartinho da empregada, ali era pequeno, sujo e feio: 

- Ali é pequeno, sujo e feio. 

- Então vai ser o sofá? 

Não tem saída, reviro os olhos e digo: 

- Não, sofá não, vamos para o quarto da empregada então. 

- Eu sabia que você iria aceitar, e por isso já providenciei tudo para o lugar. 

Apunhalada pelas costas pela minha própria mãe, ela tinha arquitetado tudo, até que chegamos na porta do quarto e eu senti uma diferença, a fechadura foi trocada, e a porta estava pintada de um verde suave, a minha cor favorita era verde, assim que abrir o quarto me deslumbrei com o cômodo, estava limpo, impecável, mas ainda pequeno, só que aconchegante, uma cama de solteiro estava no canto da parede com um pequeno guarda roupas provençal branco, as paredes estavam verdes oliva e vários papeis de parede colados em formas de flores, pássaros e arvores, um pequeno artefato de cristal em forma de coruja ao lado de um criado mudo e um abajur com um telefone em forma de salto alto. 

Ali era até mais bonito que meu próprio quarto, eu fiquei fascinada com a simplicidade e beleza que havia nele, minha mãe me empurrou para dentro do quarto e disse: 

- Eu sei que não é tão luxuoso como o seu quarto, mas providenciei tudo para que ficasse cômodo, o telefone é uma extensão que vai até o meu quarto, assim o que precisar é só me ligar que venho correndo aqui ta bom. 

- Mãe... Esta lindo o quarto... 

- Que bom que gostou Elise, venha eu vou te ajudar a se arrumar, há também modifiquei o lavabo daqui de baixo e fiz um banheiro exclusivo para você, nem Caio ou Caique poderão usa-lo esta bem. 

Olhei para minha mãe emocionada, apesar dela ser completamente fora de série, ainda sim teve todo cuidado de se preocupar comigo, definitivamente eu não poderia viver sem essa mulher, só penso que se a situação fosse ao contrário, será que eu teria a mesma preocupação? 


Minha mãe fez questão de colocar meu notebook na gaveta do pequeno criado mudo, lá pude acessar meu email e poder trabalhar um pouco, talvez assim eu pudesse esquecer um pouco dos meus problemas. 

Aproveitei e vim que recebi um e-mail anônimo, poderia ter deletado ele, mas o titulo estava endereço a mim, ao abri-lo tive o segundo maior choque da minha vida, havia fotos de Antony com Minerva, numa balada noturna, eu reconhecia o lugar, era no centro da cidade, era o Marvelus Dance, a maior balada da cidade e a melhor de todos os tempos, e também era a destruidora da minha vida, sim... Eu sei agora o que realmente aconteceu, eu vi Minerva e Antony se agarrando próximo aos banheiros, me lembro de ter chego com eles naquela noite a balada, e no meio da musica Antony pediu para ir ao banheiro. 

E por um acaso que descobrir a traição ao também seguir para o banheiro feminino e pegá-los no flagra. 

Lembro também de ter esbofeteado Minerva, posso ate sentir a ardência na palma da minha mão, traidora, ambos eram traidores, foi ai que sai da balada e tudo aconteceu, as imagens de hoje cedo, era reais então, o que eu vi foi realmente real, eu chorava de raiva, por ter sido traída, enganada. 

Tudo fez sentido, mas quem mandou aquelas fotos? Quem fez aquela maldade? Quem queria me ver sofrer mais? 

Bem o que importa agora é que eu sei da verdade, e infelizmente não posso negar, que sinto uma dor, não física, mas emocional. 

O sentimento voltou, mas agora mais intenso, porque fiquei assim por culpa deles, e eu prometo, irei me vingar.

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