Lembrete: Aos finais de semana não terá publicação do capítulo, mas na segunda eu irei postar dois capítulos para compensar os dias que ficaram sem leitura.
CAPÍTULO 2:
PERGUNTAS SEM RESPOSTAS
Nunca pensei que a bolsa da minha mãe pudesse ter tantas coisas, ela carregava um verdadeiro kit de maquiagem completo, com algodão e tudo mais, acho que o medo de deixar sua idade aparentar a incomodava.
Fora isso eu tenho que admitir, minha mãe sabe como se maquiar e também como maquiar os outros, depois de meia hora paralisada e com o troca-troca de produtos, minha mãe me entrega um espelho e fico admirada com a perfeição em que estava a minha pele, eu estava linda, apesar de meus cabelos não estarem na melhor forma, mas ainda sim estou linda, o toque do batom rosado foi delicado e perfeito, a maquiagem escondeu até um sinal de nascença.
Enquanto eu me admirava nem notei que Leonel havia entrado no quarto, só me dei conta de sua presença quanto ele assoviou ao me ver:
- Acho que entrei no quarto errado hein?
- Seu bobo. – Respondi totalmente sem graça.
- Diga meu rapaz, minha filha não ficou uma princesa?
- Ela já era uma princesa senhora...
- Ah por favor, me chame de Luluzinha, ou você acha que tenho cara de uma senhora?
Ah pelo amor né, minha mãe as vezes se acha a adolescente, principalmente quando ela faz a pose fatal dela, jogando os cabelos lisos para traz e se empinando toda. Ainda bem que Leonel tem bom humor porque acabou rindo daquilo, talvez essa fosse a melhor reação, pois comigo acho que teria dito a verdade:
- Mãe se comporte por favor.
- Mas Elise, eu tenho cara de senhora? – Minha mãe parecia chocada por não ter ouvido a resposta que tanto queria de Leonel.
- Não parece não, mas aqui no hospital temos que tratar todos com o máximo respeito possível.
Além de lindo era educado, ah... Que pena ele ser apenas um enfermeiro:
- A que devo a honra de sua visita no meu quarto Leonel, o médico já veio e disse que logo receberei alta.
- Exato, eu vim aqui para lhe ajudar com as suas coisas, a sua alta já esta assinada.
Eu até ficaria feliz com essa noticia, mas o fato de não ver mais Leonel me afligiu, não sei porque estou pensando isso, afinal essa foi a primeira vez que o vejo. Devo me concentrar na minha recuperação primeiro, e também não sou mais adolescente para ficar aos suspiros toda vez que ver um homem bonito, sou uma mulher de vinte sete anos, bem sucedida, não posso me rebaixar assim.
Engraçado a palavra rebaixar me traz um pouco de lembranças, mas nada muito agradável, acho que tem haver com o meu motivo de ter parado aqui no hospital. Infelizmente o esforço de tentar me recorda me fez lembrar de que não comi nada nutritivo e senti uma tontura, agradeci que Leonel estava ao lado da minha cama, pois eu tombei justamente para o seu lado e ele me amparou:
- Elise esta tudo bem?
- Sim, só... Estou faminta.
- Claro, vou pedir para a cozinha lhe providenciar algo leve para comer.
- Por favor, quero apenas frutas, pois sigo uma dieta balanceada e como não sei do preparo da comida daqui, não quero arriscar burlar o meu regime.
- Tudo bem Elise, mas se me permite dizer, você não precisa de regime algum, você já é tão linda, que acho que não tem como melhorar.
Fiquei muda por dois motivos, primeiro pelo super elogio de Leonel e segundo por que minha mãe fez o favor de soltar um alto e sonoro HUUUUUUUUUUUUUUUUUMMM... Mas pelo menos ele havia saído do quarto o que me deixou a vontade para me recompor da cena, já minha mãe fez questão de comentar:
- Alguém ficou balançada com o elogio do enfermeiro foi?
- Mãe, ele é um enfermeiro, onde já se viu isso, uma mulher da minha classe com uma pessoa igual a ele.
- Elise você julga muito fácil às pessoas, é por isso que seu relacionamento com Antony esta indo de mal a pior, ele pode ter status, mas é um nojo de pessoa.
Ao ouvir o nome do meu namorado Antony tive uma sensação desagradável, ele não veio me visitar, presumo eu, espero que ele tenha um bom motivo para não ter vindo me ver:
- Mãe me poupe dos seus sermões esta bem.
- Não tá mais aqui quem falou... Eu vou dar uma saidinha, também preciso me alimentar, tudo bem se ficar só por alguns minutos?
- Tudo bem sim mãe, vai lá comer senão será a senhora a cair aqui.
- Se o enfermeiro bonitão me segurar também eu caio a cada cinco minutos.
Reviro os olhos para não discutir, ter uma mãe adolescente não é fácil.
-
Não demorou muito e eu recebi minha alta, o próprio Leonel veio me dar a noticia e me dizer para preparar as minhas coisas. Obvio que fiquei radiante, voltar a minha vida normal era o que eu mais queria, e também ainda estou curiosa para saber o que deu em mim há dias atrás.
Minha mãe me ajudou com os meus pertences, claro que foram poucas coisas que tinha talvez menos que uma bolsa, afinal o que eu levaria de um hospital? O que só me desagradou foi quando disseram que meu celular foi jogado fora, isso me deixou louca, bom fazendo minhas nota mentais já adicionei comprar um celular o mais rápido possível. Já trocada e pronta para ir, eu tive que sair empurrada por uma cadeira de rodas, Leonel me disse que era um protocolo do hospital, odeio esses protocolos bestas.
Logo senti o doce ar da liberdade, o cheiro de vida lá fora me animou, e assim que cruzamos a porta pude sentir ainda mais o quanto era bom estar viva.
Um taxi nos aguardava do lado de fora do hospital, minha mãe fez questão de abrir a porta para mim e Leonel se aproximou dizendo querer me colocar dentro do taxi, obvio que neguei, afinal eu já estava boa, e poderia andar normalmente, me levantei da cadeira, simplesmente dei três passos e cai. Algo estava errado, minhas pernas não me obedeciam, eu podia senti-las, mas a força não vinha até elas, minha mãe correu para me amparar aos prantos, enquanto eu continuava em choque, o que estava acontecendo comigo?
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